Contos de julho
Quando
tudo mudou
Já
não havia em mim mais forças para continuar, não sabia pelo o que estava
vivendo, não fazia ideia do que eu estava fazendo aqui, não tinha
algo que me motivasse a continuar, algo que me fizesse persistir e não desistir
de tudo. Me encontrei em um estado no qual olhei para os lados e só via
escuridão, medo, angústia, um vazio, sem motivos, sem esperanças, sem
vida. Permaneci nessa situação por um tempo, mas cada dia era mais um dia
que a cama me prendia, como já disse, não sei pelo o que eu
vivia. A sensação de se estar perdido é desesperadora, mas a qual me
refiro não é a mesma que uma criança sente quando se perde no supermercado,
essa é como a de alguém que se sente longe de casa. Mas que casa se estou
aqui em meu próprio quarto? Como sentiria falta de casa estando na minha
casa? Eu não conseguia entender esse sentimento, tentei ignorá-lo, mas
tudo a minha volta parecia diferente, não por nunca ter visto, mas porque
quando estamos longe de casa nada é familiar para nós. Eu costumava conversar
sobre isso com uma amiga minha, a Gabi, que se mostrava sempre preocupada
comigo, ela sempre me dava muita atenção, se importava comigo, mas eu
estava tão mergulhado no vazio dentro de mim que nem percebia que
alguém se preocupava comigo.
5 de julho de 2018, foi este o dia em
que tudo mudou. Exatamente uma semana antes, minha amiga Gabi me fez
um convite para um encontro de amigos dela, eu não havia entendido muito
bem o que era, mas ela falou tão bem sobre que acabei aceitando o convite.
Chegado o dia, me encontrei com ela e pegamos um ônibus juntos. Fomos
conversando e ela foi me falando de como eu iria gostar, porém eu estava sem
expectativa alguma, até aquele momento não estava entendendo muito bem o
que iria acontecer, só sabia que teria comida. Sinceramente eu gostaria de
explicar o que aconteceu a partir do momento em que chagamos, mas é algo
que não consigo nem se quer explicar, só sei dizer que nunca me senti
tão amado e acolhido antes como me senti nesse
dia. Posso também dizer que nesse mesmo dia eu encontrei aquilo que eu
precisava, aquilo que faltava na minha vida, ou melhor, o que faltava na
minha vida que me encontrou. Meus sentimentos foram totalmente tocados nesse
dia, não sei o que aconteceu direito, mas algo mudou em mim, mas não imaginei
que tudo na verdade havia mudado. Nunca me senti tão bem, nunca senti
meu vazio preenchido completamente, não imaginava o que era que estava
faltando, ou melhor, quem estava faltando. Primeiro fui muito amado e acolhido pelos
amigos de Gabi, que se tornaram meus amigos também, e logo depois senti um
amor que superava qualquer sentimento que pudesse existir, por isso
volto a dizer, é algo que não consigo nem se quer explicar. Não fazia
ideia do quanto eu era amado, de que alguém seria capaz de
tudo por mim, de que alguém tivesse tanto zelo pela minha vida, de que
alguém por mim entregaria sua vida. De verdade, nunca tinha visto
algo igual, nunca havia sentido algo igual, nunca experimentei algo igual
ao que pude ver, sentir, e experimentar naquele sábado 15 de julho de 2018.
Lembro-me de fechar meus olhos e ver as nuvens do céu, abertas diante de mim,
e ali alguém que me olhava, mas não como qualquer um que te olha na
rua, era diferente, porque seus olhos eram tão cheios de amor que fui
inteiramente impactado e não consegui conter minhas lágrimas. Aquele
dia marcou minha vida, e dali em diante, não deixei de buscar outra coisa
além daqueles olhos que me olhavam com tanto amor, não deixei de viver por
outra coisa senão por aquele alguém que me encontrou, não deixei de viver
por outro alguém a não ser por aquele que me libertou. O mais doido nisso tudo,
é que não fui eu que encontrei minha casa, mas minha casa me encontrou, minha
esperança me achou, meu motivo veio até mim, e eu que estava tão perdido na
escuridão fui achado pela luz.
Nícolas
Elias Moreira – 1o ELO
Conto de Julho
Diante daquela cena triste das palavras indo
embora, eu olhei para minha esposa e a fiquei a admirando por horas, o solo
nascia novamente e ela tinha acordado. Durante aquela madrugada eu havia
pensado muito e esse sentimento que durante muito tempo existia entre mim e
minha esposa se esgotou, eu conversei com ela, nós refletimos muito, nos
abraçamos e ela se foi.
Peguei
um livro na biblioteca, mas um diferente daqueles que eu sempre lia, agarrei um
de romance, para ser mais específico, um clássico, escolhi um romance de
Jane Austen. Quando abri a página era algo inexplicável, fui para outro
mundo, me envolvi com os personagens de tal forma que acabei adormecendo e
sonhei como se estivesse no livro.
Acordei e estava decidido a construir meu iglu
novamente, mas dessa vez, irei fazer de um modo diferente, não preciso de algo
grandioso, mas sim de algo aconchegante, onde eu posso entrar e me sentir conectado
com os livros, sentir o seu cheiro, o papel em meus dedos, como se eu
estivesse no paraíso. Não que no iglu eu não sentisse isso, pelo
contrário, eu adorava estar lá, mas era necessário
algo a mais...
Fiquei trabalhando nisso a semana inteira
só deixando melhor espaço possível, e eu consegui, ficou com um aspecto de uma
cabana, ela não era grande igual o iglu, mas era o que eu realmente estava
pensando.
Já estava de noite e eu me sentei na
cabana e olhei as estrelas, elas estavam radiantes, estava com o meu livro
da Jane Austen, tomando um café e pensei que, alguns dias atrás, meu iglu
havia sido levado pelas gotas de chuva, mas agora, é minha alma que está sendo
levada, mas levada para o melhor lugar possível, o mundo da literatura.
Estela Cavalcante
Silva Mariano - 1º EDI
Conto de Julho
Férias…
finalmente férias…
eu imaginei que seria legal minhas férias, mas
não, não foi nada
legal, primeiro que meus pais resolveram se mudar para uma nova cidade,
só nisso tomou 7 dias das minhas férias,
e mais 3 só para arrumar todo o meu
quarto, tive que
me despedir dos meus antigos amigos,
e fazer novas amizades, eu não
sei fazer novas amizades porque nunca precisei, cresci na
minha antiga cidade então eu conhecia todo mundo.
Me chamo
Jack, gosto de jogar basquete, quando cheguei nessa nova cidade a primeira coisa que
eu fiz foi procurar uma quadra, e
eu tinha encontrado, foi deprimente jogar sozinho, depois fui arrumar o
meu
quarto, tirar as coisas do caminhão e ajudar a levar os móveis para
dentro da casa.
Foi quando
eu reparei em
um cachorro, ele era branco e tinha umas manchas pretas, lembrava muito um
husk, ele era muito belo, ele me olhou e
logo saiu para fazer alguma coisa, bom… tudo começou a ficar estranho a noite,
quando eu já tinha arrumado todo o meu
quarto, resolvi deitar para dormir, até eu reparar uma estranha garota na
minha janela, quando eu olhei a garota começou a
me encarar estranho,
eu acenei e ela apontou pra ela mesma com uma cara
de dúvida, balancei a cabeça em sinal de
sim, ela acenou de volta e saiu andando,
no começo achei ela muito simpática.
Começou as aulas,
todos olhavam pra mim como se tivessem dó,
eu não liguei, fui pra aula e conheci um
cara chamado Thonny, ele virou meu amigo, ele jogou uma bolinha de papel em
mim, eu virei pra ele e ele pediu para que
eu abrisse a bolinha, ele perguntou se havia alguém sentado ao meu lado,
eu disse que não eai ele sentou e começamos a nos falar.
Mais
para noite naquele mesmo dia eu vi
a garota de novo, porém eu pedi para ela esperar e desci, sai para falar com ela, ela me disse que
se chamava Sarah, e que queria conhecer o
novo morador da cidade, perguntei onde ela estudava, ela disse que
não precisava mais disso, achei bem independente, ela riu e daí viramos melhores
amigos.
Eu cabulava aula para
ver ela, ela me chamava a noite nos arbustos, eu
a convidava para dentro da minha casa
e fazíamos altas festas do pijama, até o dia que tudo virou um pesadelo, meus pais pediram para
conversar comigo sem a Sarah por perto, eles perguntaram se
eu não era meio “crescidinho”
para ter amigos imaginários, eu
não havia entendido, eles contaram que só eu via a
Sarah, e que ninguém na cidade conhecia a Sarah, pois não morava nenhuma Sarah,
e que eu ficava olhando e falando com o nada, eu sai da
mesa e me tranquei no quarto.
Foi quando
a Sarah apareceu e
me deu um susto, ela percebeu minha cara
de preocupado e assustado e perguntou o porquê,
eu contei para ela, ela olhou para a minha cara
e disse, “eu também achei estranho que
só você me via”, eu não tinha entendido e do
nada ela se foi, corri para a casa
do Thonny e contei tudo a ele, ele me olhou paralisado,
a única coisa que saiu da boca dele foi,
“você não sabe da história da sua casa?”,
e foi quando
eu descobri, desci até o porão abandonado e lá estava,
o esqueleto da garota que sumiu a 20 anos,
a Sarah.
Maria Clara Gomes Peres – 1o EDI
O caminho a se seguir...
Era uma vez um reino chamado Lights City, um mundo
sempre caótico e brigas constantes contra os demônios. Sua população era apenas
de soldados ou servos do rei, por estarem em guerra sem perder ou ganhar.
Existia
uma família nesse reino, que toda sua linhagem era cervo do rei, mas tinham
prazer em exercer tal função, assim como adoravam seu rei e suas justas
decisões. Atualmente estava formada por um casal e seu filho.
Entretanto um dia, aparentemente normal, os
demônios conseguem desenvolver uma estratégia e invadem a câmara real. O casal
tenta defender seu rei e conseguem, mas com um preço a ser pago...suas vidas.
Eles se sacrificaram pelo rei, que assumiu a guarda de seu filho por gratidão a
ele.
O nome
desse garoto era Nunu, um doce rapaz que nunca quis as guerras, mas após a morte
de seus pais, um desejo vingativo despertou dentro de si, até mesmo jurando
exterminar os demônios e o seu príncipe. Completou então 18 anos de vida e
decide ir à guerra e cumprir sua promessa.
Após uma longa caminhada até o purgatório, finalmente
ocorre sua primeira batalha...que mesmo com ótimos soldados...todos morrem
exceto ele. Isso foi um impacto muito forte para ele, causando até mesmo a
vontade de se matar...
Mas então ele pensa no que realmente importa: “As
guerras...são solução?...Realmente são a justiça ideal?”. Logo ele foge do
campo de batalha e vai para um abismo onde decide se irá morrer ou viver...Pega
uma espada, a mais afiada que possuía e a enfiou no peito, porém ela não a
atravessou...alguém a impediu! Eram os espíritos de seus pais que mesmo no céu
não queriam seu filho morto. Conversam com ele:
- Meu filho, por que queres se matar?
- Não aguento mais esse mundo, não sei o que é a
solução nem o que é a verdade...
- A única verdade que esse mundo nos proporciona é
que estamos vivos, tendo um objetivo aqui, encontre seu próprio caminho meu
filho, mas tenha certeza a morte não é um deles...
Seus pais voltam para o céu e deixa seu filho
decidir o que fazer.
Ele então decide... por honra a morte dos seus
pais, não irá vencer esta guerra, mas sim acabar com ela, de forma que ninguém
morra sendo essa sua nova missão.
Cleiton
Ferreira Silva – 1º DS
A folha que não caiu esse outono
Eu estava debaixo do meu cobertor como normalmente,
mas era tão frio ainda assim. O tempo começava a esfriar com o outono, com
as folhas caindo, não havia ninguém na rua. Até que um
garoto aparentemente com minha idade, com uns 16
anos, apareceu debaixo da minha janela. Ele tentou falar algo, mas
eu não o escutava, pois minha janela estava fechada, percebendo,
tentou falar mais alto, depois mais alto e mais alto, mas depois
de perceber que não iria escutar nem abrir minha, foi-se
embora. É o que todos fazem.
Achei que nunca o veria
novamente, eu deveria parecer muito rude ao seu olhar... Mas
eu errei, ele era diferente. Apareceu de novo à tarde embaixo da janela
com um caderno e uma caneta. O que estava fazendo? Por que estava
fazendo?
“Por que sempre está olhando para as folhas
caindo?”, fiquei surpresa, ninguém nunca havia feito tamanho esforço para
falar comigo. Peguei um caderno e o respondi: “Eu sou como elas.”, em seguida
perguntei “Por que fez isso?” e ele riu “Por que não faria?”
Por que ele não faria? Porque nunca ninguém se
importou tanto a ponto de tentar isso. Não abria minha janela nem para falar
com ninguém e se alguém abria a porta do meu quarto para falar comigo, logo me
escondia mais embaixo do meu cobertor. Eu sentia muito frio, mesmo debaixo de
cobertores, mesmo cheia de blusas, mesmo com tudo fechado, estava tão frio. Por
isso olhava tanto para as folhas caindo, elas caem por causa do frio, caem por
estar tão frio e não aguentarem.
Cortando meus pensamentos ele chama a minha atenção
e fala: “Sou Jayden”, respondi “Alice”. Ele sorriu e se despediu acenando
a mão. Mas em minha cabeça eu só pensava o quanto esse garoto era
diferente, mesmo eu não tendo sido amigável no dia anterior, ele havia
voltado novamente naquele dia.
E no dia após aquele e no após a este
outro, Jayden continuou vindo, e assim acabamos nos vendo todos os
dias à tarde, até que um dia ele perguntou “Por que não desce aqui para
conversarmos?”, relutante respondi “Não aguento o frio aí fora, nem aqui
aguento na verdade.”, então escreveu “Está tudo bem. Eu te protejo do frio.”
enquanto retirava a própria blusa e mostrava para mim sorrindo.
Hesitante perguntei “Mesmo? Não vai ficar com frio?”, mas ele escreveu “Está
tudo bem, eu vou estar com você.”.
Quis chorar, mas não iria agora que tinha
decidido vê-lo. Porém meu corpo não queria, eu não queria, eu estava tão
cansada de sentir tanto frio, mas não podia deixá-lo ir, o único que realmente
estava me fazendo bem. Então fechei meus olhos com força e saí correndo, sem
dar tempo para ninguém pensar no que estava acontecendo, até que escutei alguém
me falar:
- Conseguiu! – e me senti envolvida por
uma blusa quente
- Consegui? Não está frio...
- É porque eu estou te protegendo. Você é tão
linda Alice, e... – Não o deixei falar mais nada, o beijei, eu
precisava daquilo, eu precisava dele. Só quando me separei
dele
me dei conta do que havia feito quando o vi com uma
expressão surpresa.
Sai correndo, por que havia feito aquilo,
“Jayden não deve ter gostado, por que estraguei tudo?”, as lágrimas não
paravam e meu rosto começava a ficar mais gelado, meu corpo estava cada vez
mais frio e eu não aguentava mais correr, parei, chorando e pensando.
Acabei chegando à um lago perto dali, estava tão
cansada de tudo isso, estava tão frio quando o conheci, mas depois de ter
sentido seu calor, tudo parecia estar mais frio do que antes. Fui andando em
direção ao lago, andando pelas bordas cheguei a uma plataforma que havia ali
perto, me sentei na ponta observando o quão fundo o lago era naquela
parte.
Olhei para todas as árvores em volta, e então para
as folhas caindo, as folhas que o frio havia tirado a cor, as tornando
avermelhadas, as folhas que o frio fez cair. Eu era igual a elas, a vida vai
tomando cada vez mais uma cor mais triste e assim o frio que eu sentia me fazia
querer cair.
Me levantei, e deixei minhas últimas forças
irem com as folhas secas que caíam, mas antes de sentir a água me molhar eu
senti um braço me segurar.
- Não vai. - meu rosto estava
molhado naquele momento pelas lágrimas que caíam. Então olhei para as folhas
caindo:
- Eu sou igual a elas, o frio não me deixa
ficar. Jayden, deixa eu ir. Desculpa por tudo.
- Nunca vou deixar, você precisa estar aqui
para florescer na primavera e para eu estar com você no inverno. - falava
já soluçando de chorar.
- Por que não me deixa ir? Por que se importa
tanto?
- Porque eu vou te segurar e você não vai cair
nesse outono. E porque Alice, eu nunca mais vou te
deixar sentindo tanto frio.
Obs.: O local
em que a história criada se passa é na Nova Zelândia, em Lowburn, um
pequeno assentamento no centro de Otago às margens do
Lago Dunstan, na ilha sul da Nova Zelândia
Marina Nishimura de Carvalho -
1°ADM
Conto de julho
Essa é história de um amor impossível.
Pode parecer dramática, mas ainda é uma
história.
Então.... relaxa aí. Tenho certeza de que vai
gostar.
Bom, era uma vez-
Não, não, não... muito clichê.
Vamos de novo.
Comecemos essa história com um garoto. Um rapaz.
Que lá tinha seus 15 anos. o menino tinha cabelos branco, olhos azuis,
como o céu e sua pele era tão pálida quanto o papel que eu estou
escrevendo. Um garoto quieto. Gostava de seus livros, suas séries de tevê, seu
quarto. Não gostava muito de sair, o que era perfeitamente
aceitável.
Mas o garoto tinha um diferencial que mais nenhum
adolescente tinha... ele podia controlar o frio. O gelo, os ventos gelados que
vinham do norte, as nevascas e os vendavais.
Incrível, não?
Mas em contraposto havia uma garota. Os cabelos
vermelhos como o próprio Sol. Sua pele era escura, ou seja, ela era negra.
Também tinha seus 15 anos. Seus olhos eram laranjas, como o Sol. Eles deixavam
que você mergulhasse em um mar de lava e sentisse sua fervura. Olhos intensos,
assim como sua personalidade. Uma garota que gostava de aventuras, de sair com
seus amigos, ir em lugares novos todos os dias.
Seu
diferencial, você pergunta?
Ela controlava o calor. As temperaturas altas, a
intensidade do calor do Sol, o mormaço.
Na verdade, acho que não é um romance não. É só um
drama. Mas será que drama é romance?
Acho que depende do seu julgamento, né?
Independente de qual seja ele, vamos logo a história.
Ambas as famílias, tanto da garota quanto do garoto
se mudavam constantemente.
A garota, por conta do emprego dos pais, que
eram fotógrafos, estavam sempre a procura do Sol para fotografar. Eles adoravam
sua luz e acreditavam que ela era a mãe de todas as criaturas.
Legal, não é?
Em contraposto, os pais do garoto evitavam o Sol a
todo custo, já que sua pele sensível não permitia que se mantivessem expostos a
ele por muito tempo.
Os dois realmente gostam um do outro, mas a única
oportunidade de se entrarem é no outono e na primavera, quando ambos os pais se
mudam para os mesmos lugares, o que lhes dá a oportunidade de criar os cenários
mais bonitos um para o outro.
No outono, o rapaz deixa todas as folhas das
árvores alaranjadas, avermelhadas e amareladas, o que cria um cenário
perfeito. Encantar a garota é seu principal objetivo e quando ele é
atingido, sua satisfação não pode ser descrita em palavras.
Durante a primavera, a garota utiliza suas melhores
magias para fazer todas as flores florescerem e deixarem a estação
totalmente colorida, mais feliz e leve. O brilho que se forma no olhar do
rapaz é uma visão que não pode ser concebida por nenhuma televisão ou
celular.
Entretanto no inverno e verão, ambos vão para
lugares totalmente diferentes. Os pais vão para países totalmente
diferentes, o que não pode ser impedido por ninguém.
No inverno, o garoto se sente solitário. Às vezes
ele chega a chorar de tanta solidão. Essas lágrimas, por conta de sua pele
fria, chegam a congelar e formar as nevascas.
O mesmo ocorre nas chuvas de verão. Mesmo que a
garota tenha sempre seus amigos ao seu redor, ainda sente um vazio dentro de
si. Esse vazio, ás vezes, extravasa e suas lágrimas formam as chuvas
de verão que temos.
Eles formam o casal perfeito, mas digo isso no
sentido romântico e sim no sentido de que eles se completam.
Como estamos no mês de julho, estamos no inverno, o
que significa que pode nevar a qualquer momento, já que o garoto está se
sentindo mais solitário do que nunca.
O mesmo está acontecendo com a
garota.
Ela, o calor, sempre aquecerá o coração gelado do
garoto, fazendo-o companhia, sendo simplesmente sua amiga.
Ele, o frio, sempre aliviará o corpo quente dela
quando a garota se sentir agitada ou irritada.
Por isso, ao separá-los, temos o frio intenso
ou o calor intenso.
Viu? Não foi tão ruim quanto eu pensava. Graças a
esses dois temos as estações e, mesmo que fiquem separados por meses, sempre
que se encontrarem, será como se nunca isso tivesse acontecido.
Laura Mayumi de Souza Tanno – 1º ADM
O mês da memória
Julho foi o mês da memória naquele ano, de certa
forma cada ano escolhe o seu. E eu sinceramente, entendo a escolha, depois de
seis meses sem semelhanças ou traços comuns, eu desisti de criar paralelos
entre os momentos presentes e passados, e foi em julho, quando eu tomei essa
decisão, que as memórias chegaram.
Tudo começou com simples lembretes, sinais que
apareciam na minha tela e histórias que voltavam a minha mente, tudo assim,
discreto e calmo, como as primeiras gotas do dilúvio. A esse ponto, você já
deve ter percebido a importância que as memórias tinham em mim, como eu as
aprisionava de tantas formas, e como elas retribuíam com belas
pontes.
Já estávamos no meio do mês quando as diferenças
aumentaram, os dias que ora foram como os raios finais de Sol no crepúsculo do
inverno, repletos de viagens e risadas, agora se tornaram luzes artificiais e
paredes frias no horizonte do olhar, havia pouco escopo para a imaginação, o
que transparecia o continuo padrão daquele ano vazio, sem os grandes momentos
da felicidade apaziguadora vinda da normalidade das possibilidades.
E foi assim, vazia da única coisa que a vida nos
promete no momento em que nascemos - as nossas próprias e únicas experiências
reais em dias para serem lembrados - que eu continuei, ignorando a minha
humanidade e me alimentando das memórias que começavam a me causar
dor.
“Como isso é possível?” eu me perguntava, “como é
possível que minhas sagradas memórias não me consolem mais?”, meu precioso
remédio ingerido todas as noites antes de cair no sono, em todos os meus
devaneios nos momentos de silencio, não me trazia mais prazer, de alguma forma
minhas próprias emoções se adaptaram à minha esperança final.
Quando julho em fim terminou, eu sentia saudade do
meu dilúvio de memórias, por maior que fosse a dor de se lembrar de um momento
perfeito sabendo que ele nunca mais voltaria e que nada jamais seria o mesmo,
maior angústia carrega a falta de memórias, o abandono total do que um dia eu
era capaz de criar, assim, vazia, eu deixei aquele mês das memórias ir, sabendo
que essa era a melhor maneira de sobreviver ao resto do ano.
Letícia Neres Ribeiro – 1º MA
Comentários
Postar um comentário