Contos de Abril

 

Conto de Abril 

 

Ele não acreditava no que tinha visto. Era uma manhã como qualquer outra. Ele se dirigia para o trabalho como de costume. Após ter acordado por volta das cinco e meia da manhãtomou um copo morno de café junto de duas torradasvestiu-se e foi para a esquina de casa esperar o ônibus.

 na segunda conduçãoolhando pela janela (como alguém esperando tediosamente a conclusão de uma viagem demorada),  deparou-se com uma cena incríveluma ave que, numa tentativa ousada de capturar algum alimento no meio da rodoviaalgumas faixas ao ladomergulhou no ar e encontrou-se com a fria e poderosa ira de um caminhão que passava no mesmo instante. Mas, surpreendentementea ave apareceu logo em seguida do lado oposto com suas penas intactas e seu alimento entre o bicoTinha passado por debaixo do caminhãopelo vão entre as rodas.

Seu espanto ocorreu de forma tão súbita que sabia que tinha deixado transparecer, e se recompôs logo em seguida. Ele estava perplexosurpreso com a improbabilidade do evento   que tinha acabado de testemunhar.

   Se fosse um segundo mais cedo ou mais tarte... — Pensou. — Isso não pode ter sido natural. —

Ele nunca foi crenteAcreditava que o que não podia ser visto não podia ser provado, e não acreditava no que não podia ser provado. “O que Deus  fez por mim?”, dizia a quem questionava sua posição. Sempre se perguntou o que levava as pessoas a acreditarem Nele, afinaltinha certeza de que também nunca o tinham testemunhado.

Também não acreditava na sorte. Por que acreditariaChegou até então sem conhecer a sensação de se sentir sortudo. Mas não a sorte de quem encontra uma moeda no chão ou quem  ganhou um sorteio, mas a verdadeira sorteEm toda sua vidadesde sua infância conviveu com pessoas igualmente não afortunadasAqueles que eram “sortudos” aos olhos alheios, para ele eram apenas pessoas que realmente desejaram o que tinham mais do que todos, e portantocolheram os frutos deste ímpeto, e com o tempo, se convenceu de que a forma como vivia era consequência de sua comodidade. ”Estou bem como estou.”, dizia.

Mas dessa vez foi diferenteTinha visto algo que realmente o fez se perguntar se houvera uma intervenção divinaafinaldesta vez tinha realmente testemunhado a sorte, e não tinha como negar.

Quando deu por si havia passado o ponto. Deu o sinal bruscamente e desceu logo em seguida. Para a sua surpresapercebeu que nunca tinha ido tão longe com aquele ônibusAtravessou a rua e parou no ponto mais próximo, que, inconvenientementeestava a uns dois quarteirões.

   Que ônibus que vai para o centro?

— Perguntou à pessoa ao lado.

   O Jardim d’Abril. — Respondeu a senhora.

 

Pedro Ricardo Pereira - 1º ELO

 

 

Ela me chamou enquanto eu caminhava em direção ao parquinho. E lá estava ela, todo mês a gente marcava de se encontrar pelo menos uma vez naquele antigo parque, era a melhor época do ano, abril, quando, para mim, o mundo estava mais vivo. 

             —Ei Clark! Quanta demora para uma simples reunião em um parquinho-ela dizia rindo enquanto brilhava ao sol, eu arriscaria dizer que ela deixava o mundo ao seu redor um pouco mais feliz com sua aura única 

           —Você sempre diz esse tipo de coisa, eu só atraso de vez em quando não foi nada demais 

           Emburrada como uma criança ela sentou-se em um banco de madeira cruzando os braços e olhando para o parque vazio, eu me sento ao lado dela, ela vira o rosto ao lado oposto a mim. 

           —Já parou pra pensar que pra mim pode ser? -f alou ela com um tom emburrado 

           —Ei não é como se eu fosse te esquecer está bem? Eu estava ocupado com algumas coisas, me desculpe - ela solta um pequeno suspiro e vira o rosto em direção ao parque novamente. 

          Nós sempre brincávamos naquele parque quando éramos crianças, era um lugar bem importante para nós e para outras crianças, mas em dez anos o lugar ficou abandonado 

            —E por falar em esquecer ninguém mais vem aqui não é? - como eu havia dito o lugar estava abandonado era estranho pensar que um lugar que criou tantas lembranças para alguns foi completamente esquecido por outros 

            —É, só os velhinhos como nós frequentam esse lugar agora 

            —Idiota! Só temos dezesseis anos-ela fala rindo um pouco mas ficando triste em seguida, ela pega na minha mão, infelizmente não sinto nada, agora me lembro do porquê ela brilha tanto no sol, ela era um pouco transparente agora. Lágrimas começam a escorrer do meu rosto-você é o único que fala comigo depois do acidente, por favor, promete que não vai me esquecer também 

         O céu antes ensolarado agora estava nublado, abril pela primeira vez era uma época que eu o odiava 

         —Sim, eu prometo 

 

Murilo Araújo Rocha Tavela Alves – 1º ELO

 

 

Era 25 de março, e Flávio estava em sua loja, aperfeiçoando suas habilidades de marcenaria com a fabricação de brinquedos. Ele vivia uma vida pacata em uma cidade do interior, onde não havia muitos acontecimentos interessantes e não moravam muitas pessoas. Apesar disso, era feliz, vivia com seu neto de 16 anos - sua esposa infelizmente havia morrido anos atrás, junto dos pais do menino, quando foram à cidade fazer compras e acabaram sendo vítimas de latrocínio. 

    Seu comércio entrara em declínio econômico, por isso, decidira tomar a rota da venda de brinquedos, onde não havia muita concorrência. Continuou assim, fabricando e vendendo, até que, uma semana depois, recebeu uma carta. Seu neto fora raptado e, se ele quisesse vê-lo novamente teria que ir até uma fazenda abandonada, cujo dono falecera há anos - consequentemente ganhando a fama de assombrada - com o dinheiro pedido, que era equivalente a toda a sua atual fortuna. 

    O pobre homem, que atualmente tinha 60 anos, caiu em meio a lágrimas, seu último parente, e potencial herdeiro, estava à risco de morte. O velho não hesitou, pegou todo o dinheiro que tinha e saiu rumo à fazenda. Toda vez que pensava na morte de seu querido neto, se apressava ainda mais. 

    Chegando lá, sentiu calafrios, o lugar estava com um forte nevoeiro, o vento sibilava entre as árvores, causando um leve, mas agoniante assobio, as folhas balançavam e a madeira da casa inabitada rangia. Flávio estava aflito, apreensivo, estava com as pernas tremendo com o medo da morte do neto. De repente, ouve o barulho da grama sendo pisada e, antes que pudesse reagir, sente uma mão em seu ombro. 

    Era Daniel, seu neto, que aparecia com um sorriso na boca, até ver o seu vô, pálido e sem expressão, caindo ao chão... Um infarto fulminante. O erro do pobre velho foi se precipitar e sair de casa sem olhar a data. Flávio foi morto por uma mentira, uma brincadeira sem graça. 

 

 

Obs: Flávio havia recebido a carta uma semana após 25 de março: 1 de abril. 

 

Anderson Akyo Nakau Azuma – 1º ELO 

 

 

Conto de Abril 

  

Era tarde tempestuosa de outono. Juninho Chulapa era um homem mentiroso e mau caráter. Em abril daquele ano, uma família se mudou para a casa ao lado de Chulapa, que não ficou nem um pouco contente pelo barulho das crianças. 

Chulapa decidiu então convidar a família para um jantar em sua casa, alguns dias após a mudança da família: 

- Sim, claro que iremos! – Responderam educadamente 

Juninho decidiu então preparar alguma carne para o jantar. Mas não qualquer carne, e sim a carne de alguém morto. Ele queria que a família fosse embora dali e não voltasse jamais. 

Então, ele foi até um cemitério e pegou um pedaço de um corpo que encontrou lá e o preparou para o jantar. Quando a escuridão se instaurou no mundo, a campainha tocou: 

- Entrem, por favor. – Disse Juninho, de formar cínica e caricata. 

A família então entrou, e logo estavam todos em volta de uma bela mesa.  

- Esta carne está deliciosa! Você precisa me passar à receita. – dizia a família 

O anfitrião apenas concordou com a cabeça, de forma inocente. Algumas horas depois, a família foi embora da casa. Ninguém nunca mais ouviu falar deles, mas todos sabem que estão bem e saudáveis. Mas, não se pode dizer o mesmo de Juninho. 

Na mesma noite do jantar, durante a madrugada, Juninho foi acordado com um leve puxão em seus pés. Quando olhou para baixo, viu um corpo em decomposição debruçado em sua cama puxando-o: 

- Você tirou um pedaço de mim e ainda me serviu aos seus amigos, agora eu irei levar você como pagamento. Você tentou fazer aquela pobre família sofrer, e você quem sofrerá no lugar deles. 

Dizem que os gritos de Chulapa podem ser ouvidos até os dias de hoje, mas foi somente isso que restou dele. 

 

Renato Félix Cavalcante – 1º ELO

 

Conto de Abril 

 

          Essa história se passa em abril e é sobre Kleiton, ele queria comprar bolo. Kleiton sai de casa para ir até a loja de bolo, quando ele percebe que não tem loja de bolo onde ele mora. Kleiton pesquisa na internet e descobre que a loja de bolo mais próxima fica a 5 quilômetros. 

         Kleiton pega um Uber, então, depois de um tempo, ele chega à loja de bolo (Abril Bolos era o nome da loja), mas a loja de bolo... Estava fechada! 

         Kleiton voltou para casa muito triste, ele realmente queria bolo. Então, no dia seguinte, ele fez a mesma coisa. Mas, quando chegou, viu que a loja estava fechada novamente e que ia ficar fechada por todo o mês de abril. Ele ficou furioso e chutou a vitrine da loja, o dono viu (estava passando por ali), então chamou a polícia e Kleiton foi para delegacia. Ele ficou 5 dias preso. 

         Kleiton foi solto, depois dos 5 dias, e voltou para casa. Novamente, ele queria comprar bolo. Saiu e pegou um Uber, chegou à loja e disse que queria um bolo, o dono disse para ele escolher, ele disse qual era o bolo que ele queria comprar e perguntou para o dono se poderia mesmo comprar aquele bolo, então, o dono disse que não, porque Kleiton tinha chutado sua loja. (ficou meio confuso aqui) 

         Kleiton acordou no outro dia e tentou novamente conseguir seu bolo. Dessa vez, foi para outra loja (História Viajada era o nome da loja) e, quando estava chegando, o motorista (o nome dele era abril) desviou o caminho e roubou o dinheiro de Kleiton.  

Kleiton, mesmo assim, foi à loja e perguntou o preço do bolo. Eram 40 reais e Kleiton só tinha 39 reais. Kleiton, então, decide voltar para casa, mas percebeu que não tinha como voltar porque não tinha dinheiro (não queria mais pegar Uber e o táxi era caro), então teve que trabalhar, ele virou MC e conseguiu dinheiro para voltar para casa e para comprar bolo. 

         Kleiton agora tem novos objetivos: primeiro ele tem que comer seu bolo, agora ele vai à delegacia denunciar o motorista ladrão, que foi preso. Depois Kleiton foi até a loja de bolo do dono que não quis vender bolo para ele e “abril” sua própria loja de bolo do lado, e graças a isso, o dono da outra loja foi à falência.  

Kleiton então virou empresário e “abril” várias lojas de bolo multinacionais, além de ter se tornado o MC Klébito, e nunca mais pegou um Uber em toda a sua vida. 

 

 Renan Gonçalves - 1º ELO

 

O mentiroso 

 

O dia é 1 de abril de 2020 e lá estava eu e meus três amigos Daniel, Richard, Gustavo reunidos às oito da manhã após uma semana exaustiva da escola, marcando esse encontro há semanas, ficamos felizes por finalmente termos nos reunido, pois cada um de nós estávamos em uma escola diferente, porém ainda mantendo contato. 

O fato de termos escolhido um parque ecológico enorme como um ponto de encontro foi bastante incomum, considerando que nós sempre íamos há lugares com muita gente, o motivo era que queríamos ter uma experiencia diferente, vivenciar uma situação de “sobrevivência” por isso nós adentramos à fundo do parque onde somente havia árvores, rochedos e animais, mas na zona onde não apareciam animais perigosos. O parque era bastante conhecido por ter várias espécies diferentes de animais convivendo em harmonia, algumas pessoas faziam o mesmo que nós, e adentravam à partes mais florestais. 

 Estando lá sacávamos o que havíamos combinado de levar, cada um levava três comidas para esquentar, umas roupas a mais para o frio, água, lanternas eu levei uma barraca e animação, nosso objetivo era ficar até às oito da noite. 

Ficamos apenas conversando por quatro horas, acendemos um pequeno fogo com galhos e esquentamos nossa comida depois disso decidimos dar uma caminhada para ver alguns animais e ir até zonas rochosas, eu guiava a gente com uma pequena bússola indo à direção Sul onde ficavam os rochedos. 

Ao caminhar todo mundo reclamava se ainda estava longe Daniel dizia 

- Ah quanto tempo ainda vai demorar? Eu estou com fome.  

         Em seguida Richard disse: 

- Verdade essa caminhada tá demorando muito vamos parar um pouco pelo menos 

         E então Gustavo falou: 

- A caminhada está demorando, mas gente, a vista dos rochedos certamente vai valer a pena vamos em frente, eu quero desenhar aquela paisagem extraordinária. 

         Eu continuei andando em silencio como se não houvesse escutado e segui em frente no caminho não víamos quase nenhum animal especial, talvez pelo fato de estarmos conversando meio alto, sendo 15:00 nós começamos a sentir o frio, a ventania, o som das árvores e uma sensação de estar sendo observados. 

Minutos após a ventania forte, o animal que parecia estar observando a gente saiu dos arbustos e disse: 

- Ah olá pessoal meu nome é Glen, eu ouvi vocês falando que iam para os rochedos, era isso mesmo? 

Todo mundo ficou surpreso por ver aquele coelho falar, no mundo os animais que falam são considerados espirituais, sagrados etc. Mas no momento que ele apareceu eu disse: 

- Calmo pessoal; sim a gente está indo para os rochedos, algum problema? 

- Não é que eu acho que os rochedos são em direção leste e nesse caminho há alguns animais perigosos. 

-  Muito obrigado pela informação a gente vai pra leste agora. 

E de repente Glen sumiu nos arbustos, após isso eu fiquei confuso pois no mapa mostrava que os rochedos eram ao sul, depois disso nosso caminho foi em direção ao leste, porém naquele caminho aparecia mais animais grandes, perigosos e a caminhada era muito mais difícil, então na hora em que íamos desistir Glen aparece de novo e diz: 

- Nossa mil desculpas amigos, eu acho que eu disse leste, o caminho certo é na direção sudoeste. 

Eu digo meio desconfiado: 

- Ah é que aqui no mapa diz que os rochedos ficam ao Sul e nem a leste nem a sudoeste. 

- E você vai confiar no mapa, ao invés de mim? Um animal que fala e está ajudando vocês? 

- Está certo então, vamos a sudoeste. 

E caminhamos rumo a sudoeste até às 17:00 horas, em um caminho não muito complicado, porém ainda com alguns animais perigosos ao longo do caminho, estando meio cansados percebemos que o caminho não mostra nem sinal de rochedos ou algo do gênero, Daniel Gustavo e Richard já desistindo disseram para voltarmos pra barraca então eu disse um discurso longo, igual aos que eles ouviam dos professores para motivação, e disse para irmos pra sul. 

Quando então Glen aparece e diz: 

- Por favor me perdoem, eu acho que estou com a cabeça meio confusa e disse pra irem pra sudoeste, eu quis dizer pra irem para oeste, é que já faz algum tempo que eu não vou para os rochedos, mas agora podem confiar em mim. 

- Nos desculpe, mas vamos ir para o Sul, vamos seguir o mapa, já está um pouco tarde e talvez você esteja errado. 

- Não, sério podem confiar em mim e vão para oeste lá certamente estão os rochedos com uma vista muito magnifica. 

- Vamos ir para o Sul, desculpe.  

Indo para o sul às 18:00 chegamos aos rochedos com uma vista simplesmente magnifica, com estrelas no céu, a lua brilhante o mar espelhando a noite, ficamos por uma hora conversando assando a última comida que tínhamos etc. 

Às 19h00 voltamos andando rapidamente ao Norte onde estava a barraca, no caminho víamos muitos coelhos parecidos com Glen dizendo algumas mentiras, dizendo que a barraca ficava ao sul, a leste, oeste e etc., começamos a correr, achamos a barraca, e em 5 minutos voltamos ao parque iluminado, cheio de gente. 

Como planejado saímos do parque às 20:00, porém perto da saída vimos várias pessoas reclamando que na floresta havia coelhos falantes, dizendo um monte de mentiras sobre aonde ir, sua vida, pregando peças e etc., mas em todos os casos eles diziam que o nome dos coelhos eram Glen. 

Passado isso voltamos pra casa confusos, falando sobre o que aconteceu, e havia pequena coincidência, o dia era 1º de abril. 

 

Alex Denner Laura Mamani – 1º  Elo

 

O mês dos jogos de primavera

 

Era tarde em um pequeno vilarejo na Itália, estava para começar um mês esperado por todos, o mês de abril. A importância deste mês dava-se por uma grande ocasião, os jogos de primavera, onde aconteciam festas com barraquinhas montadas nas ruas, muita comida, inúmeras brincadeiras e desafios para todas as idades. Meu primo, Louis, era um jovem rapaz muito amigável e de boa conduta, mas quando o assunto era jogos, se tornava uma pessoa totalmente ambiciosa, esquecia de tudo e todos, pois a vontade de vencer o dominava. Naquela tarde antes dos jogos de abril, percebi a ansiedade de Louis para que chegasse os dias de jogos, ele estava agitado e só sabia falar nisso. No dia seguinte, ao amanhecer, percebi que Louis mal havia dormido, ele já tinha buscado os pães na padaria do Sr. Enrico e com o café posto a mesa, até que se encontravam algumas vantagens de quando Louis ficava daquele jeito.  

 Chegou a hora de começarem os jogos. Houve uma abertura linda, como em todos os anos, e se notava a alegria de todos, pais, filhos, avós, os vendedores das barraquinhas, as moças, os rapazes, todos estavam muito empolgados com os jogos. Durante aquele dia as mais variadas brincadeiras e os mais animados desafios foram feitos, e meu primo não perdia um, fazia de tudo para ganhar. Eis que então, uma Iguana muito simpática apareceu e viu toda aquela sede de vitória de Louis e disse: 

– Ei, caro amigo. O que acha de um desafio? Já que você diz ser o melhor, vejamos isso em um jogo contra mim. 

         Louis riu e não levou a sério as palavras dela, então disse: 

– Como uma Iguana poderá ganhar de mim? [Dizia um ar sarcástico]. 

– É o que veremos. [Ela respondeu]. 

         Louis estava muito confiante de que não existia possibilidade de perder para a Iguana, qualquer que fosse o jogo proposto. Alguns instantes depois, me aproximei da Iguana enquanto ela observava uma árvore de grande porte, bem alta e larga, e perguntei: 

– Como vai dona Iguana? Já planejou o jogo que disputará contra Louis mais tarde? 

– Sim, estive pensando em algo, e acredito que meu plano terá êxito. [Disse a Iguana]. 

– Espero que dê certo mesmo, mas já vou logo avisando, Louis é um cara que não perde fácil. 

E com bastante confiança a Iguana me respondeu: 

– Pode deixar, sei muito bem disso. 

          Já passava do meio-dia, e esperávamos pelo grande desafio que a Iguana pretendia propor a Louis. Então, a Iguana se aproximou do coordenador e organizador dos jogos, Sr. Pietro, e disse-lhe que o desafio seria uma escalada até o topo da árvore que mais cedo ela observava. Em seguida o desafio foi pronunciado para que todos pudessem assistir, e Louis mesmo antes da disputa, já cantava sua vitória. Fomos todos em direção a árvore, ficamos ao redor dela dando uma boa distância para a competição, enquanto isso, Louis e a Iguana já se preparavam. Foi dada a largada! Os dois competidores começaram a escalar com bastante agilidade, porém não demorou muito para Louis começar a ter dificuldades para subir, já a Iguana, escalava como se não precisasse exigir nada de si. Louis foi ficando para trás, seus dedos já não aguentavam segurar o peso de seu corpo, estava para cair, e para seu azar já tinha conseguido alcançar uma altura considerável, o que indicava que sua queda seria desastrosa. Então, vendo isso, a Iguana tomou uma atitude, a qual já planejava tomar, que surpreendeu Louis. Por ter uma calda cumprida e forte, estendeu a mesma para que Louis se agarrasse nela, e pudesse ganhar maior estabilidade para continuar a subir. Quando chegaram ao topo, Louis se deu conta de que havia perdido pela primeira vez, o que o deixou entristecido e com vergonha. Ao descerem da árvore, a Iguana se achegou a Louis e disse-lhe: 

– Ei amigo, não é necessário que fique neste estado. Saiba que minha intenção não era ganhar de você na frente de todos, mas te mostrar que nem tudo é ganhar, muitas vezes seremos vencidos, mas isso não pode nos fazer desistir, muitas vezes ganharemos, mas isso não pode nos cegar. Vamos meu caro! Ainda há muito para nos divertirmos aqui, essa é a real razão de se existir os jogos de primavera. 

E daquele dia em diante, este mês ficou marcado para Louis. Foi o mês de abril em que Louis aprendeu que vencer não é tudo. 

 

 

Nícolas Elias Moreira - 1° ELO 

 

Conto de Abril 

  

Ele não acreditava no que tinha visto. Era uma manhã como qualquer outra. Ele se dirigia para o trabalho como de costume. Após ter acordado por volta das cinco e meia da manhã, tomou um copo morno de café junto de duas torradas, vestiu-se e foi para a esquina de casa esperar o ônibus.  

Já na segunda condução, olhando pela janela (como alguém esperando tediosamente a conclusão de uma viagem demorada), deparou-se com uma cena incrível: uma ave que, numa tentativa ousada de capturar algum alimento no meio da rodovia, algumas faixas ao lado, mergulhou no ar e encontrou-se com a fria e poderosa ira de um caminhão que passava no mesmo instante. Mas, surpreendentemente, a ave apareceu logo em seguida do lado oposto com suas penas intactas e seu alimento entre o bico. Tinha passado por debaixo do caminhão, pelo vão entre as rodas. 

         Seu espanto ocorreu de forma tão súbita que sabia que tinha deixado transparecer, e se recompôs logo em seguida. Ele estava perplexo, surpreso com a improbabilidade do evento que tinha acabado de testemunhar. 

—Se fosse um segundo mais cedo ou mais tarte... — Pensou. — Isso não pode ter sido natural. — 

         Ele nunca foi crente. Acreditava que o que não podia ser visto não podia ser provado, e não acreditava no que não podia ser provado. “O que Deus já fez por mim?”, dizia a quem questionava sua posição. Sempre se perguntou o que levava as pessoas a acreditarem nele, afinal, tinha certeza de que também nunca o tinham testemunhado.  

         Também não acreditava na sorte. Por que acreditaria? Chegou até então sem conhecer a sensação de se sentir sortudo. Mas não a sorte de quem encontra uma moeda no chão ou quem ganhou um sorteio, mas a verdadeira sorte. Em toda sua vida, desde sua infância conviveu com pessoas igualmente não afortunadas. Aqueles que eram “sortudos” aos olhos alheios, para ele eram apenas pessoas que realmente desejaram o que tinham mais do que todos, e portanto, colheram os frutos deste ímpeto, e com o tempo, se convenceu de que a forma como vivia era consequência de sua comodidade. “Estou bem como estou.”, dizia.  

         Mas dessa vez foi diferente. Tinha visto algo que realmente o fez se perguntar se houvera uma intervenção divina, afinal, desta vez tinha realmente testemunhado a sorte, e não tinha como negar. Quando deu por si, já havia passado o ponto. Deu o sinal bruscamente e desceu logo em seguida. Para a sua surpresa, percebeu que nunca tinha ido tão longe com aquele ônibus. Atravessou a rua e parou no ponto mais próximo, que, inconvenientemente, estava a uns dois quarteirões.  

— Que ônibus que vai para o centro? — Perguntou à pessoa ao lado. 

— O Jardim d’Abril. — Respondeu a senhora

 

Pedro Ricardo Pereira – 1º ELO 

 

 

 

Florescer  

 

Túlio era um garoto, que apesar de ser criança ainda, já era muito inteligente, e tinha uma paixão diferente, arvores, ele as adorava, todos os dias depois que chegava da escola ia direto para a casa de seus avós, moravam perto de sua casa, questão de algumas centenas de metros, chegando lá, sua avó estava na sala e teve uma conversa breve com o garoto, que estava ansioso: 

– Oi meu filho, tudo bem? Como sua mãe está? – disse a senhora com uma voz cansada. 

– Oi vó, estou muito bem, e você? Ela está em casa se preparando para ir trabalhar, mas vai passar aqui antes. – respondeu a criança indo em direção ao quintal. 

– Que bom Tulinho, seu avô já está chegando – falou a avó indo para o seu quarto. 

Quando Túlio estava passando pela porta para ir até suas arvores, deu-se conta que era abril e partir disso sabia o que iria observar naquele dia, mesmo que o outono esteja começando. Depois da criança chegar até a Quaresmeira, arvore com flores de tom arroxeado, seu avô se aproxima, o abraça e lhe diz: 

– Aí está você Tulinho, te vi ontem e já fiquei com saudade assim que você foi para casa – disse o avô com um sorriso enorme em seu rosto. 

– Você chegou vô, que bom, não aguentava mais esperar pelo senhor. Vamos começar? – respondendo empolgadamente. 

– Opa! Agora meu filho – disse o avô caminhando em direção a outra arvore. 

O avô de Túlio era botânico e gostava de plantas tanto quanto seu neto, muito da criança sabia seu avô que lhe tinha ensinado, mas como as arvores o encantaram tanto que ele foi pesquisar sozinho. Chegando no lugar certo, os dois avistam uma arvore florida, rapidamente o senhor começa a falar com o neto: 

– Essa aqui meu filho, é o Pau pereira, mas as pessoas chamam mais de pereiro, ela dá uma vagem com umas sementinhas doces, que experimentar? – falou a criança. 

– Claro! – respondeu ao avô com muita empolgação e já as colhendo para comer. 

Seguido pelo campo chegam em outra arvore florida, e avô conversa novamente com Túlio: 

– Está vendo essa aqui meu netinho, é paineira rosa, quando eu conheci sua vó, eu dei um ursinho de pelúcia que dentro dele tinham essas flores. – Contou para criança. 

– Que bonito vô, falando nela, vamos ir para casa ver como ela está? – Falou Túlio. 

– Claro meu filho, vamos pegar um pouco das flores do formigueiro, arvore com flores avermelhadas e forma de cálice para ela. – Disse o avô se aproximando de uma nova arvore. 

Ao chegar em casa, os dois reparam que a casa está escura e muito silenciosa, o que era estranho, já que todos os dias a senhora tecia algumas roupas para ajudar no sustento de casa, logo deram as mãos. Não era possível ver nada, estava um breu total, e em um momento de descuido Tulinho tropeça e acaba soltando a mão de seu avô, nisso eles se perdem um do outro e começam a chamar seus nomes: 

–Vô! Cadê você? Estou com medo! – Disse Túlio que parecia estar se afastando. 

– Aqui meu filho, aqui, vem na minha direção, por favor. – Com um tom de medo na voz. 

Após um curto de pouco tempo. não se escutava mais a voz da criança e o avô fica cada vez mais aflito e continuava a gritar pelo seu neto: 

– Tulinho, cadê você meu filho! Não se esconde do vô não. – Gritava o avô com lagrimas nos olhos. 

Um clarão laranja invade a casa e tudo muda, a saído de casa de Túlio nunca houvera a acontecido, ele estava o tempo todo em seu quarto, sonhando, após ler uma pilha enorme de livros sobre a paixão, sua mãe se aproxima e diz: 

– Ei! Filho! Vai para cama e descansa. – disse a mãe em um tom calmo para não assustar o garoto. 

– Mãe, cadê o vovô? – perguntou o garoto a mãe. 

– Você sabe filho, vovô não está mais aqui, amanhã vamos visitar ele, descansa porque você leu demais os livros dele por hoje. 

Ali, Túlio se deu conta de que a saudade prega peças das mais terríveis formas. 

 

 

Gustavo Tavares de Sousa – 1º ELO

 

 

Assassino invisível 

 

Um novo inimigo estava matando muitas pessoas no vilarejo onde eu morava com meus pais. Mas, dessa vez, esse poderoso inimigo não era soldados do rei cobrando altos impostos e muito menos exércitos de reinos rivais nos invadindo. Eu não o via, mas, mesmo assim, as pessoas a minha volta continuavam sendo mortas por ele. Certamente, um assassino muito habilidoso. 

A família real pediu então para que todos nós ficássemos em casa, pois, segundo eles, ficaríamos protegidos. Porém, era muito difícil seguir uma ordem dessas, pois eu tinha acabado de completar meus dezesseis anos e já podia servir o reino lutando nas grandes batalhas.  

Meus pais eram muito idosos e não tínhamos muito ouro, me tornar um guerreiro me daria uma boa quantia para nos sustentar. E ainda mais com um novo inimigo à solta, se eu o capturasse, com certeza, seria bem recompensado. Então, foi exatamente isso que fiz, saí em busca desse infausto adversário. 

Procurei por todo o meu vilarejo, nas cidades vizinhas e não encontrei nada, todas as ruas e estradas estavam totalmente desertas e muitos animais à solta. Não esbarrei com nenhuma alma viva na minha busca. Demorei um pouco mais do que o esperado para voltar para casa, mas, após quatro dias, retornei. 

Chegando em casa, me deparei com minha mãe muito fraca e com uma febre altíssima:  

— Ela ficou preocupada com sua demora e saiu para procurá-lo. 

Naquele abril de 1353, meu inimigo invisível dizimou um terço da Europa inteira. 

  

 

Leonardo Pereira Tamasi – 1º ELO

 

Conto de Abril 

 

O jovem corria da polícia local ao ser flagrado roubando de um feirante, o local havia ficado um caos naquele bairro de São Paulo com tantos homens correndo atrás de uma única pessoa, os passos apressados deixavam o som de folhas secas sendo quebradas por onde passavam. 

Quando os policiais perceberam, o ladrão não estava mais em seu campo de visão, os fazendo praguejar irritados por não terem sido rápidos o bastante para alcançar o criminoso. Mas não pararam por aí, vários policiais foram designados para ficar alerta, para caso vissem o garoto encapuzado novamente não hesitassem em prendê-lo. Mal sabiam eles que o garoto odiava roubar frutas dos feirantes, mas ele cresceu naquela vida e precisava continuar se quisesse sobreviver, pois aquela era a única forma viável para conseguir alimento, visto que não conseguia emprego em nenhum lugar que procurava, afinal, quem quer um ladrão trabalhando consigo? 

O garoto chegou em sua casa ofegante pela corrida e a primeira coisa que ele fez foi apreciar o gosto da maçã roubada, enquanto observava pela janela da pequena cabana onde morava as árvores sem folhas, as quais formavam um cobertor vermelho e laranja no chão. 

O jovem ladrão pensava como seria se seus pais ainda estivessem consigo, todo outono ele pensava no casal que o criou, pois ele os perdeu em abril, quatro anos atrás e, desde então, teve que começar à roupar para se alimentar. 

Em seus primeiros roubos, como todo iniciante, ele foi pego, mas por ser apenas um garoto naquela época ele nunca era preso, mas já recebeu vários processos de suas vítimas. Com o tempo ele se tornou mais experiente, aprendeu a ser mais discreto e ágil, o que o ajudou à não ser notado ou escapar dos policiais com mais facilidade, mas ainda sim o moreno comete erros, como hoje, que ele não prestou atenção ao seu redor e foi flagrado por uma senhora de idade, que não demorou muito para denunciá-lo e iniciar uma perseguição. 

Foi tirado de seus devaneios quando batidas na porta de madeira desgastada ecoaram pelo único cômodo da cabana, quase vazio inclusive. 

Seguiu até a porta e a abriu, mas apenas até conseguir colocar seu rosto pela fresta, vendo um homem alto, desconfiado pela visita repentina de um completo desconhecido, o garoto questionou-o: 

– Quem é você e o que quer? – o homem não respondeu imediatamente, parecia escolher suas palavras. 

– Quem eu sou não lhe interessa, tenho um trabalho para você – disse o homem com um tom sério, o moreno estava desconfiado, mas obviamente não recusaria algo que o rendesse dinheiro. 

Naquele momento o menino pensou que aquela poderia ser sua chance de fazer as coisas do jeito certo, e não desperdiçaria tal oportunidade. 

 

Carolina Giannini Cassago - 1° EDI 

 

 

Meu avô foi sempre um homem muito generoso e carinhoso com os seus amigos, vivia em uma cidade pequena e todos o adoravam.  

          - Bom dia, seu José. - dizia o leão.  

          - Bom dia, seu José, tudo bem? - perguntava a zebra. 

          Seus dias eram sempre maravilhosos, nunca reclamava e estava sempre disposto a ajudar alguém em necessidade. Já foi prefeito, vereador e até xerife em seus dias de juventude. Mas na cidade nem tudo era perfeito, meu avô morava no lado sul, onde tudo era tranquilo e todos amigáveis, já o lado norte tinha muitos roubos e os animais não eram dos mais simpáticos. Todos do lado sul sabiam que não era seguro ir para o lado norte, os que voltavam de lá diziam que era muito perigoso e os animais estranhos.  

          No primeiro dia de março um viajante aparece na cidade, tinha cara de malandro, o pelo bagunçado, um porte grande e uma enorme cicatriz no rosto. Todos estavam desconfiados, menos meu avô, que o ofereceu moradia e alimentação para os dias que ficaria na cidade. No dia seguinte: 

          - Seu José, tome cuidado com esse rapaz, o senhor não sabe de onde ele veio, imagina se é alguém do lado norte?! - dizia a girafa indignada.  

          Os dias iam se passando e todos os dias meu avô ouvia alguém dizer: 

          - Para de ser bobo seu José, não vê que esse viajante não é flor que se cheire?  

          Já havia se passado duas semanas e meu avô ainda ouvia as críticas dos animais sobre o visitante, que durante esse tempo todo procurava ganhar sua confiança. As pessoas da cidade acreditavam que José estava cego em relação a natureza do desconhecido, mas ele não os dava ouvidos.  

          O viajante acreditou que ganhará a confiança de meu avô, pensava que como era um burro e tinha uma idade avançada nem havia percebido que na verdade o desconhecido era do lado norte e estava lá apenas para roubar coisas valiosas das pessoas do sul. Estava confiante de que acabará de ganhar um bom dinheiro. Assim, no meio da noite, começou rapidamente a colocar as coisas mais caras que José tinha em uma sacola.  

          - Esse velho burro nem sabe o que está acontecendo. Vou ficar rico! - dizia o viajante. 

          Tinha acabado de colocar tudo na sacola e pensou em dormir um pouco mais, antes que José acordasse. Perdeu a hora. Meu avô acordou e viu o viajante no sofá, com todos os seus pertences e não ficou surpreso com a cena porque já sabia que não podia confiar no desconhecido, mas esperava que ele o mostrasse o contrário. Então, apenas trocou os valiosos pertences por pedras e voltou para seu quarto. Quando o ladrão acordou, logo percebeu que dormiu por muito tempo e saiu correndo da casa de José. No mesmo dia:  

          - Seu José, para onde foi o viajante? - perguntou a vaca. 

          - Mimosa, não tenho a menor ideia, acho que voltou para a própria casa. - disse José.  

           E nunca mais se ouvia falar do viajante. 

 

 Sabrina Hiu Chui – 1º EDI

 

Catarse 

 

Mesmo com os violentos ventos, foi um garoto inabalável. Apesar de tudo, ainda continuava de pé. E toda quarta-feira no mês de abril, visitava o lago que havia perto de sua casa. Era o seu mais novo passatempo. 

O mês de abril sempre fora agitado para o garoto, porém, era seu favorito. Era o mês do seu aniversário. Seus pais não lhe davam presentes, nem atenção e nem eram presentes em sua vida. O pequeno havia crescido em um orfanato, e sua aparência era peculiar, o que deixava as pessoas aterrorizadas. 

  Penas vultosas eram espalhadas por todo o seu corpo em tons acinzentados como as nimbostratus. Suas asas médias eram cinza-acastanhados. Sua boca era em formato de um bico negro levemente curvado nas extremidades.  

A fumaça que saía de seu cigarro aceso era como um veneno que o consumia por inteiro, era sua compulsão. Seu vício era como qualquer outro, era como a adrenalina ao apostador de jogos, ou como a pequena felicidade que o álcool oferece ao bêbado. 

 Afinal, amanhã era o seu aniversário. Já estava completando seus dezoito invernos frios e rigorosos. Agora ninguém podia parar o seu próprio padecimento. 

Sua tristeza nebulosa havia começado desde o nascimento, era uma tempestade interminável. Sonhava no dia em que a primavera finalmente viria para a sua vida. 

No fundo, ele sabia que nunca iria ser como os outros meninos de sua idade. Ele era diferente e mesmo que se esforçasse em ser aqueles cisnes com suas asas brancas e olhos marcantes, nunca seria. 

Sofria em agonia, a fumaça tóxica que acalmava sua tristeza não fazia mais efeito. Uma possibilidade passou pela sua cabeça, queria terminar a sua dor de uma vez por todas. 

Afundou-se naquelas águas escuras que o acolheram como um cobertor. Surtou em desespero, aguentou até o último segundo que conseguia, sofreu o imaginável, tolerou as mágoas, até que grasnou o máximo que podia.  Agora, partia para um mundo em que podia ser o que quisesse.  

 

Cindy Midori Honda - 1°EDI 

 

 

Há meses os mares andam agitados, o céu parece desmoronar, nenhum animal marinho parece entender uns aos outros e os cavalos relincham em protesto a qualquer um que tente se aproximar, há meses que tudo parece fora de seu controle e a beira do caos.  

           Tudo o que pode fazer é deitar e se lamentar, as forças que o faziam tão majestoso e poderoso agora se foram, lembranças dos tempos gloriosos lhe vem à mente, de dias e dias, de estar em companhia com seus irmãos e em conflito a maior parte do tempo, mas nada que uma taça da melhor safra de Dionísio não pudesse resolver, nada que um estalar de dedos não pudesse controlar, e como era bom, poder desfrutar da vida ao lado dos homens e por um momento se tornar “bicho” junto a eles. 

           “Os deuses... Morrem?”, foram as últimas palavras de seu irmão antes de cair no esquecimento, diminuído a uma falha lembrança na cabeça de quem um dia pronunciou seu nome por um acaso, a propósito, quando foi que começaram a perder espaço na vida cotidiana do pensamento humano?  

          As crianças não sabem dizer qual seu nome, todos parecem ignorar a existência da sua presença mesmo estando lá próximo aos homens, templos foram rebaixados a poeira e voltaram a se juntar a terra, os livros, queimados, a fumaça sobe trazendo a desordem e a guerra, mas mesmo assim, ninguém parece se importar com sua presença ou nesse caso a ausência dela. 

          E o que fazer se no instante em que pôs os pés nas águas salgadas sentiu como se afogasse num mar desconhecido, em terras selvagens e impiedosas que não parecem se importar com sua capacidade de se manter vivo nos seus braços agitados.  

          Os ventos parecem agitados nos cabelos, a presença inerte no mar parece tudo tão solitário, isso é tão sufocante, estamos todos desaparecendo e mesmo assim parece que ninguém se importa, seus olhos escurecem, um último suspiro no vazio marca um tempo de lutas que chega ao fim, o último deus agora se foi, mas mal sabem eles, que as estrelas os aguardam de braços abertos. 

 

Maria Luiza Pereira Kogici Lopes - 1°EDI

 

 

Conto de Abril 

 

O que será que esse objeto faz? Já vi minha mãe acioná-lo milhões de vezes. Especialmente este mês. Parece que cada vez que ela liga aquela coisa, fica mais preocupada. Mas com o quê?  

 

E aquele objeto mágico? Sempre quando o aperta, aquela imensa tela preta ganha vida. Mas como ela consegue fazer isso? Depois que aquelas imagens surgem na tela, ela fica por horas sentada no sofá prestando atenção no que passa naquela tela. Como aquilo consegue hipnotizar minha mãe por tanto tempo?   

 

Como eu faço isso também? Como eu uso esse controle mágico? Como os meus desenhos surgem do nada naquela tela? E como conseguem desaparecer tão rápido quando ela aperta aquela coisa? Com toda certeza eu dividiria meu lanche com a pessoa que respondesse essas minhas perguntas. 

 

Quero aprender tudo isso para não precisar mais de ajuda, assim como ela não precisa. Ela consegue resolver tantas coisas ao mesmo tempo. Ela parece a mulher maravilha!  

 

- Está tudo bem? Por que você está encarando a televisão? - minha mãe perguntou-me.  

 

E naquele momento, eu descobri o nome daquele objeto tão fascinante. Mas por que será que tem esse nome?  

 

- Por que se chama televisão, mãe? - Precisava sanar minhas dúvidas, pelo menos parte delas.  

 

- Eu nunca parei para pensar o motivo desse nome, mas sei que desde quando era pequena eu o chamo assim.  

 

Poxa, eu realmente queria saber o porquê desse nome.  

 

- Agora eu também fiquei curiosa. - disse minha mãe – Só um minuto, vou pesquisar no Google. 

 

E tem mais essa: o tal Google. Mamãe sempre usa o celular para tirar suas dúvidas. Ou até mesmo ler jornal ou revistas. Mas como esse Google consegue tantas informações? Informações que minha mãe não sabe?  

 

Por acaso ele é um espião e por isso sabe tantas coisas? Talvez saiba quem eu sou, ou o motivo de estarmos em casa há tanto tempo. Eu realmente sinto falta dos meus amigos, e das nossas inúmeras conversas sobre os objetos mágicos que estão espalhados por aí.   

 

Isabella Gozzi C. S de Oliveira  - 1º EDI

 

O Mar e o Meu Azar

 

E lá estava eu, sempre azarado, indagando-me de como seria possível perder tanto. Eu cachorro azarão, sempre perdia. Perder já me salvou, verdade, mas agora eu estou cansado. Cada dia mais arrependido, desolado e desamparado por ter escolhido aquele maltrapilho como capitão. Estou marcado por aquelas patas até os dias de hoje, patas imundas e sarnentas que me tiraram tudo que eu possuía. E aguardando aquele que um dia me salvou, fazê-lo novamente. 

O ano era 1548, era corsário da ralé HMS Princess, uma escuna espanhola encardida e esquecida pelo seu rei. O capitão, Sr. Hornggold, era britânico, da raça mais peluda e fedida de todas, fedia à morte, nada comparado comigo que era apelidado de “Gold” pelos colegas de mar, já que meu pelo era tão brilhante e sedoso. Eles o invejavam.  

Em abril, íamos em uma nova missão (um verdadeiro milagre em meio de tanto fracasso e desgraça), estávamos promissores que prenderíamos aqueles piratas saqueadores, e que daquela vez seria diferente. Entretanto, estavam comigo, um cão azarado e maltrapilho que mal sabia levantar uma espingarda inglesa ou uma espada de corsário... Ah! E ainda havia os Labradores! aqueles sim é que queríamos evitar a qualquer custo. Eram cruéis e não tinham piedade com ninguém que levantava a bandeira espanhola.  

A missão ocorria bem, e eu estava impressionado que não tinha estragado tudo ainda, até que aquele sarnento, que se dizia capitão, estaciona a pequena navegação em uma ilha e pede para a tripulação ir junto consigo. E no local, o inesperado (ou já esperado pelo menos por mim) acontece. Não estamos sozinhos naquele pedaço de chão, são eles, os Labradores que estavam conosco, duas enormes fragatas cheio deles! Armados até os dentes, parecia que iríamos ser massacrados a qualquer momento. Eu e a tripulação apavorados perguntávamos: 

_ Meu senhor! Por que nos encontramos em meio ao que parece um campo de guerra?! – eu lhe dizia. 

_Voltemos sim? – aclamava menos de meia dúzia de meus colegas aterrorizados. 

E o pulguento do Hornggold persistia no silêncio. 

Ao nos aproximarmos ao ponto de encontro, não poderia ser pior. Os Labradores planejavam atacar a corrupta realeza a décadas, e nosso “querido” capitão deu-lhes essa oportunidade. Deu a informação que precisavam para iniciar o golpe, informou de um navio de carga que iria direto ao coração do portuário espanhol, cujo no qual poderiam furtá-lo e adentrar no castelo sem dificuldade. 

_ Dei-vos a mais concreta informação, agora, minha recompensa – exclamara o “digníssimo” Hornggold.  

No mesmo momento rodearam-nos mais de 40 homens, mirando em nossos focinhos com grandes espingardas britânicas (provavelmente saqueadas) e o que parecia ser o Capitão dos imundos Labradores, decidiu latir: 

_ Agradeço-lhe por cooperar, querido amigo. Eis vossa recompensa. 

Sem mais tardar, soltaram-se cerca de 50 disparados distribuídos entre nós. Eu pensei que estava no céu (ou no inferno) uma vez que seria impossível tentar desviar dos projéteis, mas não, o meu azar era tanto que nem as balas conseguiram me atingir. 

E foram embora. Ao longe, estirado no chão com meus homens, eu os via celebrar tamanho feito. Quando recobrei ao meu consciente, e vi todos aqueles que viajavam comigo (cerca de 26 tripulantes) desfigurados no solo e ter somente eu restado, fiquei indagando-me do motivo. É claro, era o meu azar. 

Cerca de um quarto de um tempo se passara e estava eu lá ainda sem reação alguma, sozinho com a HMS Princess à minha espera, para sair daquele lugar que se tornara um verdadeiro cemitério. E assim fiz, levantei-me, e joguei-me naquela imensidão de mar salgado juntamente com minha humilde escuna. Abril era o mês, não sei quanto tempo permaneci por lá exatamente, mas quando retornei à capital já havia se passado duas estações. 

Agora aqui estou eu, culpado e julgado pelo rei em nome da minha tripulação, escrevendo esses relatos, cheio de pulgas, em uma pocilga encardida, aguardando minha morte pela forca. Entretanto, e meio a um mar de decepções e desgraças, imagino empolgado uma reviravolta, principalmente agora que estou prestes a finalizar esta pequena carta e clarearam-me os olhos. Então estou no aguardo por aquele que um dia me salvou, fazer o mesmo... E então meu querido azar? Poderás tu me salvar? 

 

Saulo Alves Marques de Souza - 1° EDI

 

O bobo da quarta parede 

 

Lembro-me muito bem do meu velho amigo, o bobo da corte. Eu era um mensageiro real, responsável por levar mensagens que o rei desejasse enviar para ouros reinos. Porém, não era sempre o rei queria enviar uma mensagem, por conta disso, acabei gastando meu tempo livre para simpatizar com os funcionários do castelo.  

Um, entre eles, me chamou a atenção, o bobo da corte. Ele era responsável por entreter e trazer alegria e diversão ao rei e ele fazia seu trabalho muito bem. Sempre muito elogiado pelo seu senso de humor e pela capacidade de divertir não só o rei, não só as pessoas do castelo, mas sim todos do reino. Com suas piadas, truques e encenações, ele divertia qualquer um. Sua fama era tanta que um rei de um reino vizinho pediu pessoalmente para que ele fosse realizar um espetáculo em seu palácio. Foi nessa ocasião, que fiz amizade com ele. O rei ordenou que eu acompanhasse o bobo por eu conhecer bem o caminho, devido às inúmeras mensagens que já enviei àquele reino.  

Durante o trajeto, ele contou piadas e fez inúmeras brincadeiras que me entretiveram por horas. Certamente, era uma pessoa muito alegre e divertida para se ter por perto e, com certeza, com uma grande pureza em seu coração. 

Um dia, fui designado a enviar uma mensagem a um distante reino. A viagem, de ida e volta, levou o equivalente a uma semana, mas consegui realizá-la com sucesso.  

Antes de retornar, a rainha daquele reino distante me pediu para solicitar a visita do famoso bobo da corte. Quando regressei para o meu reino fui até o castelo informar o rei, mas ele se encontrava em um estado de extrema tristeza. 

- O que houve, meu rei? - Perguntei preocupado. – Por que se encontra em tal situação tão deprimente? 

- Ó meu, caro mensageiro, o problema é o bobo, meu querido bobo da corte enlouqueceu! Veja com seus próprios olhos, ele está na praça nesse instante. 

Eu saí do castelo e fui imediatamente à praça e, sem muito esforço, encontrei o meu amigo, gritando e pulando cheio de raiva e desespero. 

-Eu sei a verdade! – gritava incessantemente para que todos ouvissem – Eu sei que você está aí! – gritava apontando para todos os lados e para ninguém ao mesmo tempo.  

-O que houve, meu amigo? Por que ages de tal maneira? – perguntei assustado ao bobo enquanto todos olhavam aterrorizados para quem um dia já foi uma das pessoas mais felizes do reino. 

-Eu sei da verdade! Um velho mago de manto azul escuro veio me dizer a mais terrível das verdades, em sua esfera de cristal, mostrou-me a verdade. 

-E que verdade seria essa? -perguntou um dos aldeões ao redor. 

Ele respondeu, e o que ele disse era algo absurdamente irreal, inacreditável e impossível de ser verdade.  

-E por que o mago confiou-lhe tal informação? - perguntou uma moça no meio da multidão com um ar de sarcasmo e desconfiança. 

-Ele me disse que a só a pessoa mais alegre e feliz e com uma pureza no coração poderia acreditar nela.  

Nesse instante, todos os aldeões se irritaram por se sentirem ofendidos. Não havia dúvidas de que o bobo era a pessoa mais alegre e pura do reino, mas dizer que nós não estávamos acreditando só porque ele não achava que éramos puros e felizes como ele foi o ápice da situação. Após isso, todas as pessoas foram embora. 

-Esperem! Não vão embora! Vocês precisam me ouvir! Precisam acreditar em mim! – Gritava e implorava o pobre bobo. 

Passaram-se as semanas e o bobo continuava a tentar convencer as pessoas de ele falava a verdade, mas ninguém acreditava. Com o tempo, pessoas gritavam ofensas contra o coitado, chamando-o de louco e até o agrediram. Parecia que as pessoas haviam se esquecido de que foi aquele louco que trouxe tanta alegria para o reino quando mais precisávamos. Eu tentei ajudá-lo, embora não acreditasse no que dizia, mas ele disse que eu se eu não acreditava nele, não adiantaria de nada. Ele agradeceu por eu ter tentado lhe ajudar e disse que partiria em busca de alguém que acreditasse nele.  

Assim, ele simplesmente desapareceu. Ninguém nunca mais ouviu falar dele, mas ninguém mais se importava. Eu tentei saber seu paradeiro, mas não obtive sucesso. Espero que ele esteja bem e que encontre alguém tão puro e feliz como ele para acreditar nessa história. Mas eu me pergunto quem iria acreditar em tal conto. Quem iria acreditar que nosso mundo não é real e que somos apenas personagens de uma mera história?  

 

Glossário 

Quarta parede: Termo originário do teatro que se refere a umas paredes que o cercam, as duas laterais, a de trás e a quarta que seria imaginária já que seria onde o espectador estaria vendo o espetáculo. Quando uma personagem, seja de teatro, cinema, televisão, ou texto conversa com o público ou demonstra saber que o ambiente, as ações e as personagens não são reais, isso é chamado de quebra da quarta parede. 

 

 Henrique Yudi Ikeshiro – 1º DS

 

Primeiro de Abril 

 

Era por volta de sete horas da manhã, Julian acabara de acordar devido ao toque de um telefone. Ele se levanta e vai em direção à sala onde estava o telefone e atende à ligação:  

            -Alô. – diz Julian.  

            -Eu estou com a sua mãe! – exclamou o desconhecido – Se você não vir até a frente da rádio do centro da cidade eu irei matá-la.  

           -Quem está falando?!  Mãe, você está aí?  

           -Socorro, filho! – diz uma voz feminina do outro lado da linha.  

A ligação cai.  Julian vai correndo de pijama em direção à rádio que ficava no centro da cidade. Ele sai de seu apartamento e desce as escadas tropeçando em seu próprio pé. Ao sair do prédio, ele corre sentido à rádio derrubando tudo o que vê em seu caminho.  

Chegando na frente do prédio da rádio, que tinha uma fachada de vidro, ele pega uma lata de lixo e taca na direção da entrada. A fachada toda se espatifa no chão, Julian pula em cima do balcão da recepção e grita no ouvido do atendente:  

          -Cadê a minha mãe? – grita Julian.  

          -Eu não faço a ideia do que você está falando! – disse o atendente desesperado.  

Nesse momento, uma viatura que estava patrulhando por perto entra na rádio e saem dois policiais que imobilizam Julian. Enquanto Julian era levado pela polícia, se debatendo e gritando que era inocente, uma mulher chega segurando sacolas de supermercado e fala:  

-O que aconteceu, filho? – disse a mulher.  

           -Mãe! – exclamou Julian – Por que alguém faria isso comigo?  

           Enquanto os policiais empurravam Julian para dentro da viatura, ele olha para uma torre de relógio que tinha um calendário embaixo e grita:  

          -Eu odeio primeiro de abril! 

 

André Portela Lino – 1º DS

 

O miserável 

 

Há mais tempo que posso me lembrar, no mês de Abril, conheci um homem medíocre cuja única ocupação era trapacear nos jogos do bicho e gastar todo o dinheiro honesto em um mundo colorido que queimava rápido, mas o brilho era tão bonito que sempre o acendia à beira de um lago. Seus animais preferidos, no seu local de trabalho, eram as aves, pois sua mãe sempre lhe dizia:  

- Hoje vamos depenar o pato e ficar ricos!  

Coitado do miserável, tinha a esperança de ficar rico depenando o pato.  

Viveu essa vida de indigente até que um dia tentou trapacear um revólver que, com o calibre rápido, viu que havia sido ludibriado e humilhado, mas não se dando por vencido, foi perspicaz e esperou o pobre homem entrar em seu mundo à beira do lago, onde seria sua sepultura, com uma linda bala de prata atravessando gentilmente seu crânio desprotegido, que fez com que o pobre desgraçado adormecesse naquele lindo lago que combinava tão bem com o seu sangue que, até mesmo os patos concordavam, parecia lindas pedras de rubi sob a luz do Sol, é meu amigo nunca confie em patos.  

Carolina Dutra Moreira - 1ª DS 

 

 

 

Julgamento por combate

 

— Não se preocupe, ninguém vai ver, e se ver eu ganho deles— disse ele num tom sarcástico. — Ninguém precisa se preocupar com esse pouco de comida, é só para nós vivermos mais um dia. Vá para casa que vou chegar lá depois com a nossa recompensa. 

Guardas tiveram um relance da ação criminosa tomada pelo homem, sem pestanejar agarraram-no pelos braços e levaram-no para a corte.  

—Seu destino será decidido aqui! Se seu crime for levado à justiça, que seja já! Se seu crime será esquecido, que seja já! Se seu crime for passado, que seja já! —O júri se levanta em um pulo e repetem em coro. — Para equivaler todos os cidadãos passíveis a crimes com a justiça, a escolha será o julgamento por combate, única maneira justa para a justiça, e o vitorioso será então escolhido para uma das penas por nós, e o perdedor será morto ou exilado. 

Um mês se passa, abril chega. Enquanto isso, dentro da cela nada mais é falado a não ser dos resultados de combates, onde todos uma hora serão escolhidos para um e todos uma hora sofrerão uma das penas escolhidas pelo júri, e o próximo daquele dia é o ladrão, ele será um dos combatentes em mais um dia normal para toda a população. 

— Me desejem sorte! Passei muito tempo com vocês para simplesmente me esquecer após o combate, vejo vocês lá fora. — disse enquanto ia saindo em direção à arena. 

A força da luz estava cada vez maior, até chegar ao alçapão, que quando aberto despejou luz nele. Subiu as escadas para a arena e se deparou com seu inimigo. Então começa o combate. 

Primeiro vinha a saudação, os dois diziam seus nomes, crimes e estariam prontos para escolher suas armas. O combate em si ocorreria em instantes, movimentos rápidos sacudiam a emoção da arena, com uma plateia de cinco mil pessoas assistindo. O vencedor foi decidido, e o assassino foi derrubado, exilado após isso. O júri então decidiria o destino do ladrão. 

— Você ficará livre. Receberá seu banquete desejado e voltará para sua casa! Viverá uma vida nova e sentirá a vida correr seu corpo mais uma vez! Vá! — Estas não foram as últimas palavras ouvidas pelo ladrão do júri. Agora ele estaria livre e pronto para cometer os mesmos crimes para ganhar um banquete novamente e repetir isso outra vez. 

 

Leonel Marcoantonio Morgado - 1º DS 

 

A morte e o pássaro 

 

Foi dada a notícia de que, em três meses, tudo se esgotaria, a vida iria se desfazer e a morte iria chegar. Exatos 90 dias, como aproveitar cada minuto dessas 2.160 horas que restavam da vida de Herry? Ele se questionava todas as possibilidades e maneiras de aproveitar o seu tempo restante, mas acabava desperdiçando mais tempo ainda com isso. 

Olhando pela janela do seu quarto no hospital, numa tarde de terça-feira, admirando uma das coisas das quais ele se orgulhava por dar seu precioso tempo de vida, o pôr-do-sol. Observava a estrela descendo, deixando um tom avermelhado no céu, enquanto a escuridão da noite ia possuindo aquele vasto universo, Herry perguntava-se se seria possível explorar aquilo tudo mesmo com todo o tempo do mundo. 

Ao acordar, Herry olhou o calendário e viu que faltavam 60 dias para o mês de Abril, mês no qual seu fim chegaria. Pediu para que a enfermeira abrisse a janela, estava um dia nublado, provavelmente o pôr-do-sol não seria um dos mais bonitos, mas um grupo de aves que voava chamou a atenção de Herry, uma das aves bateu em uma chaminé de uma fábrica próxima dali e caiu no quarto de Herry, ele a ajudou a se estabilizar e a colocou na janela, mas a ave voltava para dentro do quarto sempre, como se quisesse passar uma mensagem, o pássaro pousou sobre a mesa do quarto, onde havia algumas folhas, onde Herry depositava seus sentimentos, o pássaro fazia esforço para manusear a caneta, quando conseguiu, escreveu no papel, 01/04. Herry vê a mensagem e a apaga. 

O homem ficou em coma por 30 dias após presenciar aquilo que parecia impossível. Tentava dizer aos seus parentes o ocorrido, mas ninguém o escutava, afinal, aquilo era inacreditável. Os pensamentos de Herry eram totalmente direcionados ao pássaro, e no pôr-do-sol do dia, o pássaro volta e Herry diz a ele: 

— Todos pensam que sou louco por sua culpa! Qual motivo de ter feito isso? Pergunta Herry. 

Em resposta, o pássaro diz: — Não posso deixar você morrer, preciso ajudá-lo a enganar a morte! Eles querem te matar! 

Dia 31 de Março, o último dia de vida de Herry, o pássaro, em breve, retornaria para auxiliá-lo a burlar o tempo de vida de Herry. Às 23h58, o pássaro vem, levando Herry a uma fúria intensa por ter ficado esperando o animal por tanto ali, e ele pula em direção ao pássaro e acaba caindo da janela, do nono andar, morrendo assim, às 23h59, o pássaro enganou a morte. 

 

Felippe Rodrigues de Oliveira - 1° DS  

 

Injustiça 

 

No mês anterior, havia ocorrido o Dia Internacional da Mulher, que muitos homens imaginam que seja o único dia no qual eles têm que dar as mulheres o respeito que elas merecem, que ao contrário de respeitá-las ao longo da vida, eles preferem tornar somente esse dia especial. 

Por que começar assim? Simples! Uma mulher, no mês de março, havia sido sim respeitada pelo marido, que era o chefe dela na empresa em que ambos trabalhavam. Mas como sempre, muitos homens pensam que as mulheres só são importantes naquela data, e no mês de abril acabou demitindo-a da empresa, uma mulher exemplar foi demitida, e no lugar foi colocado um homem menos experiente e com um salário maior que o antigo dela. 

E por que ela não fez nada a respeito? Ela fez! Primeiro ela foi reclamar com o CEO da empresa, que achou a reclamação inválida e não fez nada a respeito... Depois ela foi falar com o seu marido, afinal o próprio foi o responsável por sua demissão. Ela foi ignorada e espancada pelo motivo de ter “desrespeitado o marido com essas reclamações estúpidas”. 

Como sempre, mais uma mulher foi calada e agredida por conta desse olhar de muitos homens e sempre será vista na sociedade como uma mulher que se vitimizou por uma coisa “idiota”. 

 

Arthur Mariano Percinoto – 1º DS

 

A solidão de um robô 

 

Havia na cidade um homem muito solitário. Ele trabalhava criando invenções mirabolantes e vendendo-as nas feiras. Infelizmente, quase ninguém gostava de suas invenções, a maioria era esquisita e falhava. Como por exemplo, um dia ele criou uma máquina que segurava uma garrafa e te dava água na boca, o problema era que a máquina não sabia quando você estava com sede e, às vezes, repentinamente, jogava água em você. 

Ele tinha fama de cientista maluco na vizinhança. Um dia, ele se cansou de não conseguir nenhum amigo, então ele teve a ideia de um gênio: 

– Criarei meu próprio amigo! 

E assim, começou o projeto “amigo”. Estava buscando companhia. 

Durante os três primeiros meses do ano, só houve falhas. Robôs não fazendo nada ou até explodindo. Mas ele não desistiria como sempre fazia. No quarto mês, em uma manhã fresca, finalmente teve resultados. Ele criou um robô que pensa como um humano! 

– Onde estou? Quem sou eu? – Indagou o robô. 

– Você está no meu laboratório, e é o meu amigo! – respondeu o cientista. 

– Amigo? Do que está falando? Eu nem te conheço, seu maluco! 

O robô então anda para fora da sala. O cientista fica parado por um tempo, questionando o que aconteceu. “Ele não quer ser meu amigo? Ah não! Mais um fracasso! Eu sou um fracasso...” 

Enquanto isso, o robô estava ainda mais confuso. “O que aconteceu? Aquele esquisito acabou de me criar?! E o que que eu faço agora? Hum... Eu acho que posso fazer o que eu quiser!” 

E o robô queria conhecer o mundo. Saiu pela porta da casa e viu alguém passando pela calçada. 

– Olá! – disse o robô. 

– O que é isso?! Aquele cientista doido criou um exterminador?! Fique longe de mim seu maluco! – disse o homem enquanto fugia amedrontado. As pessoas da vizinhança não gostavam muito de máquinas mirabolantes. 

Dessa vez foi o robô que ficou parado se perguntando o que aconteceu. Infelizmente, chegou à conclusão errada. Ele já tinha visto um humano maluco, e, agora, viu outro se comportar desse jeito estranho. Significa que todos os humanos são malucos! 

Assim, o robô, querendo se afastar dos humanos, isolou-se na floresta. Estava buscando solidão. 

O robô viveu um ano na floresta. Ele observava os animais. percebeu que muitos animais tinham companhia, como as formigas e os lobos. Também percebeu que os lobos solitários tinham menos sucesso e eram mais tristes. 

O robô então quis fazer companhia com os animais, mas eles não pensavam como ele. “Talvez eu consiga companhia com um humano”, pensou. Assim, ele voltou para a cidade. Quando chegou lá, todos os humanos tinham medo dele. Estavam agindo como aquele homem há 1 ano. 

O robô então percebeu que a única pessoa que tinha o tratado bem foi seu criador, o cientista. Ele foi para sua casa e bateu na porta, mas quem atendeu não foi ele. 

– O que é isso? Um robô? – disse a pessoa. 

– Você sabe onde está aquele cientista? –perguntou o robô. 

– Aquele maluco? Ele e suas invenções malucas foram embora a muito tempo. Ninguém sabe para onde. Você deveria ter ido junto. 

E assim, O robô perdeu a única chance de ter um amigo, e quanto ao cientista, ninguém sabe o que aconteceu. 

 

Asaph de Jesus Santos – 1º DS 

 

O caos 

 

Numa sexta-feira, às 16 horas, estava a caminho de casa após sair da escola. Sempre fazia o mesmo caminho, pegar um metro e logo depois um trem. Era um dia normal, pelo menos até aquele momento, de um instante a outro logo que cheguei em casa, começa a chover, e pensei: ”que sorte consegui sair ileso dessa chuva que está por vir”, mas isso era o começo de tudo. 

Minha mãe como sempre estava preparando o jantar, ela adorava o som da chuva, a acalmava. Sentei-me a mesa, e começou a me ocorrer estranhas alucinações. Quando olhava para o chão sempre o enxergava com uma coloração marrom, mas naquele dia ele estava diferente, possuía a textura de um gramado. Logo perguntei a minha mãe: 

- Mãe você está vendo o chão parecendo um gramado?  

- Não meu filho, o chão está como sempre, marrom! -Respondeu ela sem entender a pergunta. 

Bem ignorei o chão naquele momento, pensei que deveria ser o cansaço, tive um dia longo naquela semana. 

Depois do jantar fui para o meu quarto, ainda era cedo, então tinha muito tempo para gastar antes de ir dormir. Coloquei meu fone e comecei a assistir series aleatórias, para o tempo passar mais rápido, entretanto comecei a ouvir passos dentro do meu quarto. Pareciam passos de cavalo, e logo veio a surpresa, na sacada se encontrava uma senhora com o olhar triste e uma agulha na mão, cantava uma ópera, porém em um tom baixo para que ninguém ouvisse.  

O medo tomou conta do meu corpo, não sabia se saia do quarto ou falava com a senhora. Logo me decidi, deveria sair dali e chamar a polícia, porem quando fui abrir a porta, ela estava trancada. A senhora desapareceu num piscar de olhos.  

Fiquei tranquilo por um momento, mas logo ela reapareceu, e agora falando em voz alta e me chamando pelo nome. Imaginei que seria meu fim de qualquer forma, então decidi falar com ela. 

Eu a respondi. Ela arregalou os olhos de espanto e disse: 

- Se você me vê deve ouvir também os passos do cavalo... Então chegou a hora, o Caos está vindo... e este foi o primeiro a pegar o vírus 

Logo um mal estar me atingiu e cai no chão inconsciente. 

Na manhã seguinte acordo com os fones em meu ouvindo e o vídeo pausado. Será que foi um sonho? Nunca saberei, mas tenho uma única certeza, nunca mais ocorreu algo parecido depois daquele dia. O mês de abril acaba e isso nunca sairá da minha cabeça. 

 

Cleiton Ferreira Silva – 1º DS

 

 

Mãedrasta

 

Luisa era uma menina que acabara de entrar na adolescência, sua mãe havia falecido recentemente e o luto ainda lhe atormentava. Vivia com o seu pai em uma cidadezinha no interior e este logo tratou de arranjar outra esposa, já que não queria que sua filha crescesse sem uma presença feminina. 

Helena conheceu Sergio, pai de Luisa, em um evento de carros onde a mesma trabalhava como assessora, foi amor à primeira vista igualmente esses que são contados na novela das 9. Sergio que ficara fixado na beleza deslumbrante de Helena, decidiu tomar iniciativa e conversou durante alguns minutos com a moça quando então decidiram jantar em um dos poucos restaurantes da cidade naquela noite. 

Com o passar do tempo, eles se aproximaram, iniciaram um relacionamento e logo Helena se mudou para a casa da família. A filha não gostava da ideia, mas não tinha forças o suficiente naquele momento para se preocupar com isso. 

O tempo foi passando e a madrasta que parecia ser disposta a ser uma segunda mãe começou a mostrar a sua outra face. Como ficavam muito tempo juntas, criaram uma certa intimidade, mas quando estavam na presença do homem da casa, Helena mudava sua postura e o seu jeito de falar com o viúvo. 

Em um certo dia, num almoço onde estava apenas sua madrasta Luisa lembra que naquele dia 6 de abril completará um ano de morte de sua mãe e cai aos prantos, a então segunda mãe começa a gritar com a menina dizendo: 

- Você faz o inferno na nossa vida por conta dessa morta, ela nunca mais vai voltar, chega! – Logo em seguida jogou o copo de suco de morango que estava bebendo no rosto da órfã. 

A garota engole o choro e sobe para o banheiro para se limpar, ao sentir a água morna caindo sob suas costas sofre uma crise de pânico não conseguindo sair do lugar e por lá ficou até que seu pai chegasse em casa. 

Com a chegada de Sergio, sua filha desliga o chuveiro e vai para o seu quarto. Pensa durante um longo tempo se deveria conversar com o seu pai, pois não era a primeira vez que uma atitude de Helena a magoava, mas ao mesmo tempo não queria preocupá-lo. Por fim, toma a decisão de abrir o jogo, esperou a megera ir ao mercado e chamou o pai no sofá da sala, abrindo seu coração e com as lagrimas caindo de seus olhos verdes relata tudo o que vem acontecendo nos últimos meses. 

Logo Helena tratou de voltar e encontrou os dois ao entrar em casa. Sergio com medo de brigar com a esposa por quem estava loucamente apaixonado não comentou nada no momento e nem depois, esperou que os ânimos se abaixassem e por um bom tempo o clima tenso habitou aquela casa. 

A filha foi quem mais sofreu, chorava diariamente com a partida de sua mãe e sem um colo amigo para se consolar, mas com certeza coisas melhores viriam. 

 

Laura da Rocha Abbud – 1º ADM

 

Conto de Abril 

 

         Em um certo dia de abril há dez anos atrás, duas pessoas, um ruivo e uma loira, se conheceram em uma boate e tiveram um caso de uma noite, daqueles que acontece com dois estranhos que não sabem nem o nome um do outro, muito menos o número de celular, já que tudo deveria acabar ali e eles não iriam mais se ver mesmo. 

         A história de toda e qualquer relação entre os dois deveria ter simplesmente acabado ali, mas quem diria que duas semanas depois a loira descobriria que engravidou naquela noite. 

 Atualmente, dez anos após aquele dia, os dois estão vivendo relativamente bem. 

         A loira criou sua filha sozinha, sem querer saber do homem que é pai biológico da menina, já que ele não sabe, provavelmente nem se importa, e não iria querer assumir mesmo se soubesse, certo? Ela estava se virando muito bem sem a ajuda de ninguém. Ou pelo menos era o que repetia para si mesma toda vez que batia o arrependimento antes de dormir. 

         O ruivo atualmente era dono de um bar, e tinha vários amigos com quem se divertia sempre que tinha a chance. Sua vida estava boa no aspecto geral, a vida social, a vida financeira, só não a vida amorosa, já que ele ainda não conseguia esquecer a pessoa dos cabelos loiros que ele só encontrou uma vez e nunca mais viu. Isso de acordo com seus amigos é claro, pois ele não iria admitir em voz alta. 

         Hoje, ambos foram fazer compras no mercado. O mesmo mercado. Mas eles não sabem disso, porque mesmo tendo cruzado seus caminhos no corredor, estavam mais preocupados em observar os produtos nas prateleiras do que em observar outro estranho qualquer que passasse por ali. 

         Durante suas compras, cada vez que sentiam nostalgia, que era quando o ruivo via o macarrão longo, brilhoso e amarelado, e quando a loira via aquele tom forte de vermelho no molho de tomate, não podiam deixar de pensar “Ah, se tivéssemos trocado nossos números naquela noite”. 

 

Giulia Quinto Brasil - 1° ADM 

 

                                                                   7 de abril

  

Hoje, quinze de novembro de mil oitocentos e oitenta e nove, vejo-me na mesma circunstância que meu falecido pai. Imagino se ele sentiu o mesmo que eu ao ser expulso da amada pátria. Diferente de mim que levo toda a minha família, ele teve que deixar os amados e bem cuidados filhos. Agora, a bordo da Gazela do mar com minha imperatriz aos prantos, sinto pelo meu pai e passo a compreendê-lo.  

 

Aos meus 64 anos, nessa terrível conjuntura, recordo-me do dia que se repete hoje. Assim como D. Pedro I, estou sendo obrigado a abandonar a terra que eu nasci, cresci e fui criado para cuidar. Quando meu pai me deixou aos cuidados de regentes, eu tinha apenas cinco anos. 

  

O começo de abril foi muito confuso para mim, de uma hora para outra não podia mais brincar pela cidade. Minha mãe parecia triste quando me via ou minhas irmãs, acho que tem a ver com o tumulto de hoje. Não estamos conseguindo dormir com o barulho que ecoa. Gritos e palavrões, carruagens e cavalos, móveis arrastando. A única coisa clara para mim, no momento, é a pressa e o aborrecimento que todos expressam. Começam a se despedir de mim e minhas irmãs, todos com o rosto de melancolia. Só entendo que vão viajar por bastante tempo porque meu pai pede para não esquecermos seu rosto e minha mãe só chora pela saudade que vai sentir. 

 

Tudo ficou muito confuso depois, tentaram me explicar, mas eu custava a entender. Aos poucos, o tempo passou e quanto mais velho eu ficava, menos eu lembrava do rosto dos que viajaram aquele dia. A saudade foi calejando, eu mal sabia do que sentia falta. Até que entendi que não os veria nunca mais e realmente 7 de abril de 1831 foi a última vez que tive contato com meus pais.  

Vitória de Macedo Soares Costa – 1º ADM

 

Sangue azul

 

Acordei atordoada, as rajadas de vento zumbiram nos meus ouvidos e me levaram de volta para aquelas memórias esquecidas, abri meus olhos, mas não estava no convés, estava deitada, mas não em uma rede e sim em uma cama.  Me levantei e ao olhar aquela figura no espelho levei um susto, era pálida, vestida de dondoca e com os cabelos em perfeito coque, não era quem eu lembrava, para mim a figura era bronzeada, exalava confiança e coragem, diziam que o mar veio do sangue dela quando este era derramado nas batalhas, diziam que ela tinha sangue azul.  

Já ouvira muitas histórias sobre piratas, sobre as bandeiras com caveiras pretas, sobre os ladrões do mar, um me dissera que eles tinham o controle das marés, outro me disse que tinham um pacto com o deus dos mares e ainda outro me contou que as madeiras e as velas eram como se fosse extensões de seus corpos, mas uma lembrança quase esquecida era a qual infelizmente eu mais amava.  

Olho para a janela e vejo pingos de chuva a cair, era uma tempestade de abril, um sorriso se formou no meu rosto e minhas pernas foram de encontro a varanda, senti minha pele molhar, fechei as janelas da minha alma e quando as abri não estava mais em Londres, era azul, o cheiro do mar subiu pelas narinas e gosto de metal para a boca, via marinheiros batalhando por suas vidas contra soldados ingleses, me virei e vi um um destes malditos prometidos a coroa inglesas levantar sua espada para mim, mas inconscientemente minha mão se levantou e minha espada, já fatigada, o combateu senti ela atravessá-lo como se fosse manteiga, já estava acostumada a matar, não era como na primeira vez em que minhas mãos pareciam ter levado choques e não paravam de tremer, minha boca não secava mais e nem lágrimas desciam dos meus olhos, é verdade o que dizem sobre o mar te tornar uma pessoa mais dura. 

 Eu olhei para o Pérola Negra e o vi e de repente parecia só existir eu e ele, sempre fora assim, quando seu olhar cruzou com o meu pela primeira vez senti como se não fosse somente uma dama que não deve falar muito, ao contrário me senti com voz, muitos o temiam mas eu nunca, tentei ignorá-lo mas ele sabia como cortejar uma moça, mesmo sendo pirata me levava a lugares incríveis, muito melhores que o teatro ou a praça, ele me levava a lugares aonde eu poderia decidir o rumo da minha vida, ele me levava ao mar. Me lembro nitidamente como ele zombou da minha cara no nosso primeiro encontro quando eu disse que meus pés nunca haviam tocado no mar, me lembro de cada detalhe dele desde o seu jeito malandro até as covinhas do sorriso, lembro de quando toquei o mar pela primeira vez também foi mágico era como se este fosse a minha casa há muito tempo abandonada, suas ondas me faziam ir mais e mais fundo até que eu mergulhei, em algum momento senti uma mão nas minhas costa quando abri os olhos tive que fechá-los novamente pois o meu pirata me beijara e nesse momento nós sabíamos que éramos um do outro; mas de repente voltei a cena em que eu olhava para ele senti uma vontade de gritar, meu coração acabara de ser destruído pois ele olhou para mim e eu sabia que um verdadeiro capitão afunda com o navio, eu iria com ele, iria morrer com ele, mas eu estava grávida e eu iria viver pelo meu bebê, sabia também só pela sua expressão que ele me compreendia e que aquele era nosso último momento juntos, eram muitos inimigos então ele gritou” Abandonar o navio” os que sobreviveram se jogaram no mar, mas o grande amor da minha vida ficou, soubera depois que havia sido decapitado. Fiquei a mercê do mar até que eu pensei que ninguém iria me salvar e que teria o mesmo destino que o meu marido até que um bom pescador viu minha barriga saliente e decidiu me salvar, voltei para Londres, para a casa dos meus pais, eles quase não me aceitaram de volta mas tiveram pena pelo ser no meu ventre, eu voltei a me calar e nunca mais falei, nem sobre o mar nem sobre piratas, somente na calada da noite contava para o meu filho as histórias minhas de seu pai.  

Quando abri meus olhos os empregados haviam me puxado para o quarto e colocado toalhas sobre mim, mamãe estava gritando algo sobre ter cuidar melhor de mim para que não adoeça, mas eu não queria prestar atenção nisso queria água em volta de mim, eu nunca iria me esquecer de que meu sangue não era vermelho ele era azul.        

 

Rayra Aparecida dos Santos Cruz – 1º  ADM

 

Primeiro de abril 

 

Patas botam em abril e esse evento é muito esperado na família de João, um menino de 12 anos que adora coisas brilhantes, adora brincar com os patos e adora madrugar. 

João foi ver os patos às 4 horas da manhã de primeiro de abril e, com seu olho bom para ver coisas douradas, viu algo brilhante embaixo de uma das patas, logo pensou: um ovo de ouro!  E foi correndo chamar os pais: 

— Pai! Pai! Mãe! Mãe!  Acordem, vocês têm que ver isso! 

— O que foi João? Ainda com esse mau hábito de madrugar? Vai dormir! - Disse o pai. 

— É, filho, depois se pergunta por que não fica acordado com todo mundo durante o dia. - Resmungou a mãe. 

— Mas é um ovo de ouro! - Gritou, João. 

— É o sono, filho. - Respondeu o pai se acomodando para voltar a dormir. 

__ Tá, tá, mas vocês têm que vir ver. Depois a gente discute o que é. - Insistia, João. 

— Certo, eu vou, mas se não tiver nada já sabe né? -  Disse o pai enquanto se levantava. 

— Tá. - João concorda entusiasmado. 

O pai foi ver o que João queria tanto mostrar. 

— Um ovo dourado! - Gritou de forma que todos da vizinhança acordaram, exceto Joaquim, o irmão de João. 

Em casa, a mãe o pai e João começaram a discutir o que fariam com o ovo. João queria que o ovo fosse chocado, a mãe queria comer o ovo e o pai queria vender o ovo. 

— Vamos deixar esse ovo para chocar, assim teremos mais ovos dourados! 

— Não, vamos comê-lo! Não temos garantia de que desse ovo vai nascer um patinho e mesmo, se nascer, não é certeza de que do patinho saiam mais ovos dourados! 

— É melhor vendermos o ovo! Nossa condição financeira certamente vai melhorar e isso vai trazer fama para os nossos negócios. Imagina, nossas patas são tão incríveis que já botaram até ovos de ouro, e provavelmente aquela que já botou uma vez um ovo assim, certamente, irá botar outro igual. 

— Não nós devemos colocar o ovo para chocar! - Insiste João batendo fortemente na mesa. 

Quando João bate na mesa a jarra, que, junto ao ovo estava na mesa, cai, derrubando sua água no ovo, a água assim que toca o ovo fica um pouco dourada, levando todos em volta da mesa a uma única conclusão: aquele era apenas mais um ovo comum de uma pata comum com um gosto e preço comum. 

Assim João já sabia o que viria a seguir: 

— João, o que você tem a dizer? - Perguntam os pais. 

João realmente não estava envolvido com a travessura, mas ele sabia que não importava o que falasse, os resultados só variariam de menos a mais castigos. Então, João pensou na desculpa mais idiota que poderia pensar. 

— Ehhh. Primeiro de abril? Ha-ha-ha. 

— O quê!? - Os pais perguntam indignados. 

No final, João ficou de castigo por um mês e os pais dele, com a maior vergonha, tiveram que se desculpar com a vizinhança inteira por causa da barulheira. 

Os pais sempre acharam que foi João que fez a brincadeira e João nunca soube quem foi. Mas o verdadeiro culpado ficou de bico fechado para não levar um castigo igual ou pior que o de João. Esse era Joaquim, que naquele dia era o responsável por cuidar dos patos e planejou uma pegadinha que se realizou, mesmo que de um jeito que ele não imaginou. 

 

Sarah Munaretti Fenerich - 1º ADM

 

Conto de abril

 

Crianças, caso vocês não saibam, nem sempre o mundo foi da maneira como vocês conhecem. Há muitos anos, passamos por uma pandemia de um vírus que mudou todo nosso jeito de viver. 

Antes disso, nós fazíamos coisas que para vocês, podem soar um pouco estranhas, como andar em transportes públicos superlotados, andar sem máscara, dividir o mesmo copo e mesmo talher, e algumas outras coisas que para nós, eram totalmente normais. 

A crise chegou por aqui mais ou menos em abril. Foi decretado um isolamento social e não podíamos mais sair. Me lembro como se fosse ontem de ter que parar de ir para escola, parar de sair, e parar de ver meus amigos e a família. Tudo ficou parado. Era um pouco assustador ver as ruas, que eram sempre tão movimentadas, agora tomadas pelo medo. Vazias. Sem uma alma viva por lá. Ninguém mais tinha esperança, já estavam todos conformados de que aquele havia sido um ano perdido. 

Eu não sabia nem o que sentir e o que fazer, ficava apenas observando o céu, que era sempre nublado, afinal, todas as tardes pareciam ser as mesmas, típicas do outono.  

Em meio a todo esse caos, surge a solução que aparentava acabar com todos os nossos problemas! Mas é claro que nada é tão simples assim, não é possível que alguém podia pensar que a cura de tudo viria em um passe de mágica. 

Foi anunciado que para conseguirmos nos salvar, era preciso o desligamento de todos os aparelhos tecnológicos, como celulares, computadores etc. “Mas, por que tudo isso?” vocês devem estar se perguntando... Bom, um dos elementos químicos presentes na solução, era extremamente perigoso, se ficasse em contato com esse tipo de objeto. Na hora que foi dada a notícia, ficamos todos em choque, todo o progresso que tivemos durantes anos da nossa história, iriam ser descartados assim? Tão repentinamente? 

Pois é, foi necessário. Depois de uma semana recolhendo e desligando tudo, todos tomamos essa tal “solução” e tivemos que nos adaptar a vida sem celulares e computadores.  

 

Mariana de Oliveira Gomes – 1º ADM

 

Abril - Elba 

 

 

É possível que essa seja a definição de isolamento. O jovem astronauta foi o segundo ser humano a sair do sistema solar, em missão solo, pois as espaçonaves feitas para este tipo de viagem precisam ser pequenas, e seu tamanho as garante aerodinâmica. 

Um acidente, a quebra de um dos propulsores da espaçonave ao se chocar com um meteorito, fez com que um pouso de emergência no meio do espaço interestelar, vazio por anos-luz de distância, fosse necessário. 

Felizmente, um planeta para o pouso foi encontrado, e apesar de não ser o ambiente mais propício à vida, a autossuficiência da espaçonave conseguirá manter nosso astronauta vivo por alguns anos se necessário. 

Ao descer da nave, o astronauta se depara com o ambiente frio e desolado do planeta, que é incrivelmente liso para um planeta rochoso, de um raio de 1,5x o tamanho da Terra. 

Decidiu nomear o planeta de Elba, mesmo nome da ilha do primeiro exílio de Napoleão, em homenagem a seu amor de infância por História. Houve um dano crítico no propulsor, e levariam semanas para que o astronauta fosse capaz de repará-lo, lendo os manuais dentro da nave, sendo forçado a aprender sozinho como repará-lo e sucumbindo à tentativa e erro. Certamente seria um mês isolado para ele, ele estava o mais isolado do que qualquer ser humano já esteve. 

Passou muitas noites em claro lendo os manuais, se exercitando, recitando poesia, ouvindo e tocando música, o silêncio era mais ensurdecedor do que o normal, porém a solidão tinha a sua ternura. 

Passou incontáveis noites andando pela superfície do planeta atrás de algo, vendo o imenso céu estrelado acima, sem nenhuma poluição visual, era possível ver toda a Via Láctea, Andrômeda, a Estrela Polar, e o Sistema Solar. 

Podia ver a humanidade inteira em apenas aquele pontinho. 

Existia algo incrível e assustador naquela sensação, era algo jamais sentido ou alcançado por outra pessoa, e por mais que o astronauta estivesse com medo, jamais esqueceria desta sensação. 

Um dia, após falhar em consertar seu propulsor, se enfureceu e correu até não poder mais, para tentar escapar de sua própria mente tomada pela solidão, distância, e erros humanos. Após cerca de meia hora correndo, caiu no chão, seu traje amortecendo a queda, ele tinha caído de exaustão. E percebeu algo estranho 

Percebeu várias luzes vindas do solo, formavam grandes padrões coloridos de rosa, roxo, vermelho e azul; ao olhar com calma, o astronauta soltou um grande sorriso, ele percebeu que não estava sozinho! Pôde notar que eram águas vivas, que o solo na verdade era uma camada de gelo, e que o planeta era um grande oceano, com sua camada de cima congelada permanentemente. 

A atividade vulcânica no planeta, e a camada de gelo o protegendo do exterior, fez com que a fosse possível o surgimento de vida nos oceanos do planeta, mesmo em condições extremas, e dando origem à animais bioluminescentes semelhantes a águas vivas. 

Ao observar aquele lindo show de milhões de luzes, o astronauta soltou uma lágrima de contentamento em saber que não estava sozinho, e passou o resto da noite observando elas passarem. Conforme as semanas se passavam, seu isolamento foi se tornando menos ruim, sempre em que ele tirava um descanso para observar as luzes dos animais marinhos, assim como as luzes do grande céu estrelado, se sentiu extremamente sortudo durante todas estas semanas, conseguiu finalmente consertar seu propulsor, e continuar em sua trajetória. 

Sua história foi contada durante décadas, sendo muito popular e única, e sempre que tem uma folga, o astronauta retorna a Elba, para ouvir músicas, se exercitar, ler livros, praticar poesia, e apreciar seus amigos brilhantes juntos do céu estrelado e imensuravelmente grande do espaço interestelar, sabendo que nunca estará sozinho, e que sempre haverá uma luz no fim do túnel. 

 

Enrico da Silva Lopes – 1º ADM

 

E se apenas fosse assim?  

 

          Final de abril, após um mês de muitas mudanças, Felipe diz para Kauan:  

                    - Foi muito legal essa mudança, mas agora só quero tudo que é meu 

           novamente. 

                    Eles dão muitas risadas.  

                    Como aconteceu essa história? É o que contarei agora… 

Dois jovens, melhores amigos: Felipe, filho de pais artistas, possui muitos amigos, mas tem dúvidas em relação à fidelidade deles, e Kauan, filho de pais comerciantes, não muito populares, mas tem certeza de que os seus amigos são verdadeiros. 

Sexta-feira, dia 1 de abril, Kauan completa 18 anos hoje, a mesma idade de seu melhor amigo Felipe. 

Felipe planeja uma festa para o amigo. Passa o dia confirmando se tudo sairá como o esperado e com isso, quando percebe, já está quase na hora de buscar o amigo para a surpresa. 

Felipe liga para o amigo, avisa que está chegando para saírem e ao chegarem, vão direto para o salão alugado para a festa.   

Ao chegar lá, Kauan tem uma surpresa. Num primeiro momento, agradece muito ao amigo e reconhece algumas pessoas, mas a maioria é desconhecida dele. Por isso vai falar com o amigo sobre as pessoas que não conhece. 

O jovem fala que, se só tivessem os amigos de Kauan, a festa ficaria sem graça e vazia. Kauan fica triste com o comentário, aproveita o restante da festa, mas não esquece o acontecimento.  

Depois de uma semana da festa, Felipe liga para Kauan e diz que não aguentar mais a situação de ter muitos que se dizem amigo dele, mas só ficam por perto por interesse. Conversando um pouco, decidem que, nas próximas três semanas, trocariam de lugar, Kauan viveria a vida badalada e luxuosa de Felipe e o outro jovem viveria a vida caseira de Kauan. 

Na primeira semana, tudo ocorre perfeitamente, como ambos desejavam.  

No dia 20 de abril, marcam de sair para uma balada onde não conhecem ninguém, pois ainda estão com as vidas trocadas. 

Felipe conhece Fernanda, uma garota decidida e que cursa medicina, a mesma faculdade de Kauan. Felipe se enrola bastante na hora de falar sobre a faculdade que, supostamente, ele fazia. Já Kauan acaba fazendo muitos amigos e adorando sua vida falsa.  

Passa-se mais uma semana, Kauan e o amigo Felipe têm um importante evento para irem. Lá, eles acabam encontrando Fernanda e Isabela, a melhor amiga de Fernanda e Felipe.  

Fernanda reconhece o garoto e vai com amiga até ele, Isabela fala que o conhece e que ele é filho da Joana Montenegro, atriz e do Paulo Coelho, ator. Ambos com uma carreira renomada. 

Logo, a farsa dos dois cai e todos descobrem a grande mentira. A partir daí, eles veem que mentira tem perna curta e que o melhor mesmo é ser você de verdade. 

Agora já com as vidas normais novamente, após saírem do evento, convidam Fernanda e Isabela para comer uma pizza.  

Conversando, eles percebem que realmente fizeram uma grande burrada em terem trocado de lugar, pois cada vida é boa do seu jeito. 

 

 

Fernanda Costa de Loreto - 1° ADM 

 

Conto de Abril  

  

“Março já havia sido difícil, fugi. Passei de uma pessoa para outra. Tornei-me outra de novo. E de novo. Mês passado fui outra pessoa, minha segunda pessoa, e hoje ela é a minha terceira. Sim, a terceira pessoa de mim.”  

 

Poucos vão nos entender, mas sei que eu passei, tu passaste e ela também passou por isso. Ela sempre pensou em ser outra pessoa, sei que você também pensava nisso mês passado, mas aí vai o aviso: ela continua sendo ela, só que agora é ela e não eu. Quando digo que ela mudou ou quando ela diz que mudei, a verdade é que ninguém mudou. Mesmos gostos, mesmos risos, mesmos fracassos na vida. Entretanto, terceirizados: meus risos são dela, meus fracassos são dela.  

Eu sempre fui eu, até que, mês passado, tu vieste da metrópole para Santa Catarina e me transformaste em ti, mais tarde foste convertida nela. E é esta história que ela contará aos leitores.   

Fugindo de uma doença que se alastrava por toda a megalópole brasileira, cheguei a um sítio em Macieira, sítio que pertencia a algum tio-avô recentemente falecido. Lembro-me de ter lido algum livro, famoso, mas para mim, um pouco tedioso.   

A casa era grande, velha e bonita. Um ar de museu abandonado, muitos cômodos. O chaveiro que segurava continha no mínimo umas 30 chaves – na metrópole só tinha uma chave, a que abria a porta do ‘apertamento’. Após uma hora testando chaves, consegui abrir a primeira porta, que levava a uma sala coberta de espelhos: redondos, quadrados, emoldurados, simples, grandes e pequenos, paredes repletas deles. E te encontrei. Espelho grande, lustroso, de moldura prateada e com uma concha dourada encravada no topo.  

Conversei contigo. Meu reflexo. Chamou-me para encontrar-te, mas como qualquer espelho, é impossível atravessá-lo se você não for Alice. Mas ao tocar minha mão na tua, tu, meu reflexo, sumiste e viraste parte de mim. O espelho tão bonito ficou sem sua silhueta, sem meu reflexo, sem tua imagem. Então abril chegou e, cansada de tentar abrir portas, resolveste atravessar algo já aberto: a porta que levava ao jardim. Um jardim lindo, com um enorme lago de peixes ornamentais. Sentiste na pele brisa forte. Tomar remédio às 16h. 16h. Tomar remédio agora! Alarme. Era necessário, qualquer espirro poderia ser socialmente fatal.  

Quando passou um pato, de monóculo e relógio de bolso. Correndo. “É tarde! É tarde!” e pulou na água. Não boiava e, pelo contrário, afundava. Assustada, tu te apressaste em verificar se o pobre pato estava bem. Deverias ter tomado o remédio, qualquer espirro é socialmente fatal. Mas estavas sozinha. Olhaste o nosso reflexo. “Dá para atravessar...”. A água estava fria. “...qualquer espirro é socialmente fatal...”. Jogaste o remédio na água, este afundou. “...que droga de auto droga!”. Pronta para ser minha terceira pessoa, você pulou.   

Em abril conheci um pato, de monóculo e relógio, que me abriu os olhos para o que realmente é fatal. Tu nunca mais voltaste. Ela nunca mais voltou, pois qualquer espirro pode ser socialmente fatal, mas não para os patos. O pato? Passa bem.  

 

Karen Lumy Ikefuti Morishigu - 1º ADM 

 

A educação dos pintinhos 

 

O mês é abril, o dia primeiro, finalzinho de tarde, mais uma vez estava Lala, sentada, em frente ao galinheiro. Desde quando a galinha pariu, um mês atrás, Lala vai direto ao encontro das galinhas, quando chega da escola. Passa horas lá até que a mãe tenha de gritar para entrar.  

Daqui da minha janela, posso escutar toda a conversa. Ela tenta convencer as galinhas de que os pintinhos devem ir para escola junto com ela. Seus argumentos ficam cada dia mais fortes, eu mesma já teria perdido a argumentação, mas Lala é persistente. 

– Eles precisam aprender a ler, a escrever, depois fazer contas, depois eles vão poder ir até para uma faculdade. 

– Por que você mesma não ensina eles? Questionaram as galinhas, que não pareciam estar muito a fim de conversar com Lala. 

– Eu? Não tenho qualificação para isso, estou apenas no segundo ano ainda. 

– Então quando você tiver qualificação você os ensina!  

 Vocês precisam pensar no futuro de seus filhos, eles necessitam de estudo para conseguirem um trabalho e vai demorar muito para ter uma qualificação! 

 E por um acaso você já viu alguma galinha trabalhar?  

 Claro que sim, vocês produzem ovos.  

 E não ganhamos nada com isso 

 E por um acaso vocês estudaram para isso? 

O silêncio reinou por instantes. Lala pareceu desistir de tanta persistência, talvez seus argumentos tivessem acabados, se levantou e já vinha para casa, até que uma galinha gritou: 

– Você ganhou! Eles estarão prontos amanhã de manhã! 

Lala saiu correndo e veio direto para o quarto, toda empolgada, pulando de felicidade. Eu esperava ouvir “finalmente consegui convencê-las da educação de seus filhos”, mas o que eu ouvi foi:  

 – Eu sabia que iria conseguir, meus amigos terão inveja de mim quando me virem com pintinhos lindos nas mãos.  

Ela estava tão feliz que não tive coragem de lembrá-la que era primeiro de abril.  

 

Danyelle Batista dos Santos – 1º  ADM 

 

Aprendendo com os erros (conto de abril)

 

Desde muito cedo, ela sabia que, neste ano, seu aniversário cairia num domingo de abril. Ela estava ansiosa, e, ao mesmo tempo, com medo... Faria 18 anos. Será que realmente alcançaria a liberdade? Será que teria condições de se sustentar e morar sozinha? Será que daria conta de tudo? Será que ela conseguiria se formar? Todos esses pensamentos a rodeavam e atormentavam.  

Lara, era uma doce jovem e, assim como muitas outras, não sabia o que seria de seu futuro, mas uma coisa é certa: Precisava comandar a própria vida e se libertar da gaiola que era viver com sua mãe. Dona Mari, era uma mulher boa, mas se tornara amarga pelo erros que cometera na vida.  

Envolveu-se com o pai de Lara (o qual muitas pessoas diziam que era trapaceiro). Quando ele ficou sabendo que seria pai, desapareceu no mundo. Desde então, a mãe de Lara, desistiu do amor, tornou-se dona de casa, e criou Lara sozinha. Dona Mari, depositava toda frustração de sua vida em cima de sua filha. Não a deixava se envolver com ninguém, não a deixava sair para lugar nenhum sem que ela estivesse junto. Não permitia a filha ter amigos e nem levar ninguém em casa. Ela só podia estudar e ajudar a mãe nos serviços de casa. 

Lara era simpática com todos, porém, evitava fazer amizades, pois sabia que, se sua mãe descobrisse, faria um barraco e diria o mesmo discurso de sempre: “Ninguém é confiável, e eu não quero que você se machuque.”. A jovem passou almejar um bom emprego, para que pudesse ter dinheiro e se sustentar sozinha. Ela estudava praticamente o dia todo, todos os dias.  

Faltava apenas uma semana para seu aniversário, até que numa tarde de sábado, Lara perguntou à sua mãe: 

-  Mãe, o que você faria se eu me mudasse daqui? 

- Como assim se mudar, garota?   

- Ué, daqui uma semana eu farei 18 anos, já serei maior de idade e poderei trabalhar e comprar minha casa... Além de poder ter uma vida normal. – Ousou dizer. 

- Como assim ter uma vida normal? Você tem uma vida normal! 

- Não mãe, a senhora sabe que eu não tenho. Eu nunca pude sair, nunca pude ter amigos, e nem arrumar um namorado. Coisas que pessoas que têm uma vida normal fazem. 

- Eu sempre disse que ninguém é confi...- Foi interrompida 

- É eu sei mãe, ninguém é confiável e você não quer que eu me machuque... Só que nem todo mundo é como meu pai, existem pessoas boas no mundo. Eu sei que tudo que a senhora faz, é pro meu bem, mas eu quero viver mãe, conhecer o mundo, ter amizades, sabe... 

Nesse momento, dona Mari percebeu o erro que havia cometido; prendeu a filha a vida toda com medo de que Lara encontrasse alguém que a decepcionasse o tanto quanto foi decepcionada. Quis protegê-la tanto, que não permitiu que Lara aproveitasse as melhores fases da vida: a infância e a adolescência. E agora que ela já era praticamente uma mulher, a perderia para o mundo! Tudo que ela um dia tentou evitar. 

Lara chamou sua mãe, tirando-a da imensidão de seus pensamentos: 

- Mãe, mãeee! – chamou estalando os dedos rapidamente – Você está bem? 

- Não...- falou olhando para a filha com os olhos cheios de lágrimas. – Lara, me desculpa, filha, me desculpa por tudo. Eu queria tanto te proteger das dores do mundo que acabei te prendendo aqui como se fosse um passarinho em uma gaiola. Se quiser ir embora, eu entendo, eu nunca fui uma boa mãe. 

- Não, mãe, para com isso... Você é uma boa mãe sim! Só precisar se livrar da dor de ser abandonada; precisa voltar a confiar nas pessoas, e quem sabe... 

- Quem sabe o quê? 

- Quem sabe até arrumar um namorado! 

- Que namorado o quê?! Eu nem tenho mais idade para isso, além do mais, não quero me envolver com mais ninguém. Tudo o que eu fiz você sofrer foi por conta do covarde do seu pai. Graças a ele, talvez você até me odeie, e por isso quer me deixar. 

- Mãe, eu te amo! Só que quero viver minha vida. Você não acha justo?  

- Sim, minha filha. – novamente com os olhos cheios de lágrima – Você me perdoa? 

- Claro, mãe! Claro que eu te perdoou! 

As duas se abraçaram em prantos. Lara retomou o assunto da mãe ter uma namorado: 

- Eu acho que a senhora está muito bem para ter um namorado. Sem contar que o amor não tem idade. 

Dona Mari deu um leve tapinha nas costas de Lara e as duas riram. 

O tempo passou, Lara cresceu. Fez 18,19,20 anos... Conseguiu um bom emprego. Porém, não foi fácil para ela até conseguir comprar sua casa. Teve de trabalhar demais. Como todas as pessoas, passou por decepções. Até conhecer uma pessoa boa. Ela se apaixonou, namorou e casou. Até sua mãe estava de xaveco com seu Nando, o dono da padaria mais conhecida do bairro. A conversa que Lara teve com sua mãe, na semana de seu aniversário, mudou a vida das duas para sempre! Dona Mari percebeu que não valia a pena viver presa dentro das próprias frustrações. Ela queria ser feliz, e a partir daí passou a ver a vida de outra forma…digamos que com menos receio.  

Já Lara, passou a viver as experiências da vida adulta, passou por bastantes problemas, principalmente financeiros. Não foi tão fácil quanto ela pensou que seria, mas pelo menos ela estava feliz. Lara conseguiu se formar na faculdade e, uns quatro anos depois, engravidou. Ela não sabia que tipo de mãe seria, mas a única certeza que tinha é que ensinaria a filha a não se aprisionar nos próprios medos e erros. 

 

Yasmin Antunes da Silva - 1° ADM 

 

Marcos jogava no Esporte Clube São Bento, seu desempenho impressionava a todos, tanto que chegou até a final do Campeonato Paulista, após vencer o Santos na semifinal no dia 10 de abril. Ele jogaria dia 13 na Bolívia, em um amistoso contra o The Strongest, mas ele e seu empresário foram presos por estar portando documentos irregulares. 

Quando chegaram na prisão se depararam com os colegas de cela falando de um campeonato disputado entre presos, no meio dessa conversa ele se apresentou e os presos perceberam que se tratava do grande meia do São Bento e da Seleção Brasileira, logo os presos queriam ter Marcos em seu time. 

Marcos e Fernando, empresário de Marcos, assistiram aos jogos preparatórios, Fernando conversou com o carcereiro e descobriu que quem ganhasse o torneio seria liberado da prisão por bom comportamento, quando Fernando informou a Marcos sobre isso os dois suspeitaram: teriam as facções adulterados os documentos deles para serem libertados. 

Os presos fizeram uma reunião para discutir as regras e definiram que: Os quatro times que disputaram o campeonato foram divididos em cores: azul, vermelho, verde e amarelo. O campeonato seria disputado em dois dias; a semifinal seria no dia 23 de abril e a final no dia 24, mas Marcos defendeu o adiantamento do campeonato, pois disputaria no mesmo dia a final do Campeonato Paulista, os presos aceitaram adiantar as datas para os dias 16 e 17 de abril. 

Chegava a semifinal, Marcos escolheu atuar no time azul, para incentivar a disputa os carcereiros compraram um leitão de 16 quilos e dariam ao time vencedor. A regra era clara, dois tempos de 10 minutos, Marcos por ser profissional só poderia jogar o segundo tempo. O confronto entre verde e amarelo foi tranquilo, vitória fácil do amarelo por 4x0, entre vermelho e azul o primeiro tempo foi vencido pelo vermelho, um 4x1 com gol de Fernando pelo azul, poucos acreditavam na virada, mas Marcos entrou e resolveu, vermelho 5x6 azul, com 4 gols de Marcos e uma assistência para Fernando, mas um jogador do time azul se lesionou, desfalcando o time para a final. 

No dia seguinte a grande final, o time amarelo permitiu Marcos jogar o jogo inteiro, o resultado foi uma vitória fácil do azul: 11x2, com 6 gols do Marcos e 5 assistências, como prometido o time azul foi liberado da prisão. 

O elenco do time azul iria fazer um churrasco, mas foi convencido por Marcos a adiar, para ele jogar a final do Campeonato Paulista. Chegava o dia 24 de abril, o segundo jogo da final contra o Guarani, o São Bento venceu por 2x0, mas não foi suficiente pela vitória fácil do Guarani no primeiro jogo por 4x1, o grande motivo da derrota no primeiro jogo foi a ausência de Marcos. 

Marcos foi ao churrasco com Fernando, eles e os presos comeram o porco dado como prêmio pela vitória no torneio dos presos, mas ainda suspeitava de sua prisão ter sido por sabotagem deles, para ganhar o torneio e serem libertados, após o churrasco voltou e seguiu sua carreira pelo São Bento 

 

Miguel Climério de Freitas R. Vasquez – 1º  ADM

 

       MAMA?

(MÃE?)

 

Solidão, um sentimento no qual estou preso desde que você se 

foi... por quê? Por que me deixou aqui, sozinho e sem ninguém? 

Diga-me se fiz algo de errado, ou até mesmo se te magoei em algum 

momento. 

Não me sinto mais o mesmo já faz tempo, o mundo colorido em 

que vivia simplesmente evaporou quando a senhora me deixou e 

agora tudo é monótono, tudo igual dia a dia, nada nunca muda. 

Aqui estou eu depois de mais um dia cansativo de estudos e 

trabalho, voltando para casa, “nossa casa”. 

Você me disse que seria difícil e realmente está sendo, viver tudo 

isso sem você ao meu lado é realmente exaustivo e triste. 

Já é de noite e a rua na qual sigo o meu caminho (que hoje parece 

mais longo do que o “normal”) está como de costume movimentada, o 

clima de Abril também está de acordo com meus sentimentos, um 

clima fechado, frio, chuvoso e sem cor (mesmo sendo primavera). 

 

Sei que meu aniversário é hoje, neste dia especial sinto ainda 

mais sua falta, mas sinceramente não vejo a necessidade de comemorá- 

lo, afinal, a pessoa que mais amo não estará do meu lado cantando 

parabéns para mim. 

É a segunda vez na minha vida que sofro por uma perda, 

primeiro foi o papai e agora foi sua vez. 

Papai jamais se importou realmente conosco não é mesmo? 

Ele se foi quando ainda era garoto, tinha meus 12 anos e agora já estou 

com 19. Veja mãe, me tornei um mago e a senhora foi a melhor 

professora para que isso se torne possível, infelizmente não está aqui 

comigo para comemorar esse grande feito em minha vida. 

Afinal, uma mãe bruxa que ensina sobre o mundo da magia ao 

seu filho é muito inusitado e atípico não acha? 

Perguntas como “você já comeu?”, “como foi o seu dia de trabalho?” 

e “pronto para o treinamento de hoje?” todas essas palavras fazem meu 

coração apertar de uma maneira inexplicável e hoje é um dia daqueles 

em que sinto falta de ouvi-las, eu só queria ouvir sua voz novamente... 

Sempre tento segurar as lágrimas, mas elas insistem em cair, afinal, 

ainda sou aquele garotinho que necessita de seu abraço, do seu carinho e aconchego. 

Ainda lembro-me dos finais de tarde dos nossos domingos, 

quando pequeno. Você fazia cafuné em meus cabelos enquanto 

escutávamos uma música ou brincávamos fazendo truques novos e 

divertidos, até mesmo apenas uma conversa, a senhora me dizia coisas 

tão amorosas, carinhosas de um afeto enorme, claro você é (era) minha 

mãe, meu bem mais valioso do momento. 

Certamente, não estaria neste poço de tristeza e solidão se 

estivesse aqui comigo, mas o que nós poderíamos fazer? 

Uma doença não escolhe suas vítimas (muito menos uma doença 

totalmente desconhecida no mundo da medicina humana). 

Você viveu por mim, o seu amor foi o mais sincero já existente no 

mundo, provavelmente ele se foi junto contigo... mas o meu por você 

continua aceso em meu coração e ele nuca irá embora, disso tenho certeza. 

 

Prometo me esforçar para toda vez que me lembrar de você não 

acabar debulhando-me em lágrimas pois sei que não gostaria de me ver 

chorando triste, desolado e sofrendo, porém, é algo tão difícil... 

Mamãe, eu te amo e realmente sinto muito a sua falta, espero que jamais me abandone, assim como estou ciente de que jamais deixarei de caminhar ao seu lado mesmo a senhora já não estando aqui comigo, eu prometo. 




 

Kemily Lliulli Serrudo – 1º ADM

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O pescador

 

          Era uma vez um senhor chamado Manuel, que vivia com seu gato em uma pequena cidade, onde havia um grande lago, no qual ia pescar todos os dias de manhã sem falta. Manuel só deixava o lago quando conseguia pescar o peixe que desejava, depois que conseguia pescar seu peixe ia, direto para sua casa, onde o deixava em sua janela para deixá-lo refrescar.  

          Porém, todos os dias, seu peixe desaparecia e Manuel sempre achava que tinha sido seu vizinho, então, toda vez perguntava para ele: 

          - Boa tarde! Por algum acaso você viu meu peixe que tinha deixado na minha janela? 

         E logo seu vizinho respondia: 

         - Não, não vi seu peixe! 

         Certo dia, Manuel resolveu colocar um ovo podre dentro do seu peixe para que, quando a pessoa que pegava seu peixe comê-lo, ficasse com dor de barriga e nunca mais pegaria de novo. Mas, no dia seguinte, seu peixe não estava em sua janela mais uma vez. E mais uma vez foi falar com seu vizinho: 

       - Boa tarde! Por algum acaso você viu meu peixe que tinha deixado na minha janela novamente? 

        O qual logo respondeu: 

        -  Não vi seu peixe e não o peguei, se é isso que o senhor está pensando! 

        Então, Manuel logo voltou para sua casa, ainda pensado que ele tinha pegado seu peixe, mas não havia falado nada. 

        Em uma manhã, que resolveu não pescar, acomodou se com seu gato em seu sofá para assistir à televisão. Quando, de repente, sentiu um cheiro horrível vindo de baixo de onde estava sentado, quando olhou para baixo, levou um susto e disse: 

        - O que é esse cheiro? 

       Quando olhou para debaixo do seu sofá de deparou com todos os espinhos dos seus peixes que tinha desaparecido. E foi quando percebeu que seu vizinho não tinha pegado nenhum de seus peixes, e sim, seu gato havia comido todos.  

       Naquele momento, o senhor Manuel logo foi se desculpar com seu vizinho e aprendeu a não acusar sem provas.

 

 Cindy Mami Yamamoto – 1º ADM

 

Luana e o mês de abril 

 

          É abril...e este clima de meio de outono, traz vívidas e sentimentais lembranças à Luana. 

          Voltando um pouco no tempo: o ano é 2007, e Luana estava no auge de sua adolescência. Adorava sair com os amigos e mal parava na própria casa, de tanto que curtia em festas, parques, etc. Havia vários momentos em que ela saía na sexta-feira à tarde, e só voltava no domingo de madrugada!  

          A vida da garota era ótima, e segundo ela, muito bem aproveitada. Porém, para conseguir ir à tantas festas e parques, acabava tendo que abrir mão de outras coisas, mesmo sem nem perceber.  

          Sua mãe, Marina, sempre foi uma mãe muito dedicada, tranquila e que gostava muito da presença de toda a família em todas as refeições e eventos: 

- Filha, hoje é aniversário do seu avô! Você vai comemorar com a gente, não é? Vai ter brigadeiro, beijinho, bolo, salgadinhos... 

- Aff, mãe, para de ser chata. Eu já te disse que vou ao parque hoje, e não dá pra desmarcar! Não adianta insistir, marquei isso há semanas. 

- Tudo bem, filha, tentamos semana que vem então... 

            Talvez, tivesse sido melhor ir à casa de seus avós aquela tarde... 

            A caminho do parque, Luana estava tão ansiosa para aquele encontro com seus amigos, que não esperou o semáforo, e foi atropelada. Aquele assistente foi fatal e a menina não resistiu até mesmo antes da chegada da ambulância. 

             Muitos meses de luto foram instalados na família. Até o aniversário de sua avó (o primeiro encontro em família para celebrar algo depois da morte de Luana). 

            Durante a foto da família, nesta comemoração, todos tiveram a impressão de que haviam visto Luana no reflexo do espelho da sala. Muito assustados, foram ver pela janela: um pequeno coração do canto do vidro da embaçada janela, feito por alguém que se arrependera de não ter passado tantos bons momentos em família; e que agora, observava a felicidade do outro lado de sua existência. 

            Todo mês de abril, esta memória vem à mente de Luana. Aqueles seus últimos segundo no chão, a fizeram se arrepender muito, mas também a confortaram por saber que a família iria perdoá-la independente de qualquer coisa. 

 

Luiza Sayuri Moreira Barbosa – 1º MA

 

O que eles são? 

 

Vivian sempre escutava de sua mãe Maria dona do lar, “Devemos ajudar as ratazanas Vi” “Não vai comer esse restinho de comida? Sabia que tem muitas ratazanas querendo um restinho de comida e você vai jogar fora? ” Vivian bufou impaciente, ela só não estava mais com fome! Mas como uma menina obediente que era e não querendo levar um cascudo, sempre comia de tudo. Não tinha do reclamar afinal, ter comida na mesa era uma dádiva em seu pequeno lar 

-Cheguei cambada 

-Trouxe pão papai? – O pai já cansado da noite de trabalho, mostrou o que teriam de café da manhã no dia 12 de abril às 7 horas para seu Pedrinho. Ele sempre traria o pão pra casa 

-Vivian querida, não está atrasada? 

- Um pouco papai, mas já estou indo, posso pegar um pedaço de pão? – Vivian sempre fazia essa pergunta, normalmente eram 3 e sempre faltava 1 ou para Vivian ou para seu irmãozinho, mas parecia que era um dia sorte, seu pai entregou o pão inteiro e Vivian sorriu feliz. Colocou um pedaço na boca ainda e outra parte na mochila. Despediu-se de seus pais com um beijo e como sempre, sua mãe a fazia repetir o velho dilema “Ajude as ratazanas, você nunca sabe o dia de amanhã” e foi para a escola 

Pegou o ônibus lotado e deu seu lugar para uma velinha, desceu e chegou no centro e viu a mesma cena fatídica, ratazanas jogadas no chão anestesiada pelo frio e pela bebida. Já perto da escola de fundamental, viu uma outra roendo seu tênis 38. Sabia bem o que a ratazana queria e colocou no chão o pedaço de pão que pretendia comer junto com o lanche da escola. A ratazana suja olhou nos olhos de Vivian como espécie de agradecimento e saiu. Vivian discretamente a seguiu e a viu entrando em um beco e deu o pedaço de pão para os pequenos filhotes que havia ali. 

Já as 13 horas chegando em casa, se deparou com a mesma cena que normalmente via todos os dias, seu pai indo trabalhar e sua mãe fazendo a janta, não precisava fazer o almoço já que as crianças almoçavam na escola, era uma despesa a menos afinal.  

Ficou em pé olhando aquela cena e pensante como era e se lembrando da ratazana roendo seu tênis indagou: 

-Mamãe, também somos ratazanas? 

-Não querida, somos ratos de laboratório 

Vivian olhou para a televisão em que se passava o noticiário, tratava-se sobre uma grande festa em uma mansão de luxo, provavelmente aniversário de alguém famoso. E novamente se lembrou da ratazana dando o pedaço de pão para seus filhotes 

- Mamãe, se as pessoas do centro são ratazanas e nós somos ratos de laboratório, o que eles são?  

  

 Manuela dos Santos Carvalho – 1º MA

   

 

A partida.

 

"Nós vamos nos casar em abril", você disse, sorrindo como se aquele fosse o melhor dia da sua vida. Senti o ar se esgotar ao meu redor, lentamente, e foi como se a única cor que eu pudesse enxergar fosse o tom acobreado de seus cabelos banhados pela luz do sol.  

Foi-se o tempo em que você, no auge dos 17, prometeu que nunca colocaria um anel de noivado no dedo e eu, confiante, jurei nunca mais me apaixonar. Ambas mentimos. E no outono de 1997, ele a beijou sob os olhares de centenas de convidados. Seus pais choraram, assim como você. Assim como eu. 

Nunca te vi tão feliz e radiante como naquela noite, vestida inteiramente em um azul claro celestial, porque sempre achou que o branco não lhe caía bem. Se ao menos soubesse como até a pior das cores tinha a capacidade de se tornar arte em você... 

Mesmo em meio às lágrimas, eu pude te ver brilhar feito um anjo. E tudo o que eu desejei foi que ele te lembrasse disso todos os dias, que risse das suas piadas infantis e amasse incondicionalmente a forma como você cruzava os braços toda vez que algo a incomodava. Eu não queria imaginar, mas esperava que ele te desse todos os beijos que eu não pude, e selasse com todo o cuidado do universo a pintinha solitária que você tinha acima dos lábios. 

Saí da festa antes da meia noite. E, ainda presa naquele vestido ridículo que você me obrigou a usar, virei a terceira taça do vinho barato que, há dois anos, dividimos no apartamento da sua avó. As luzes de São Paulo brilhavam abaixo de mim ali no quinto andar do flat alugado enquanto você provavelmente já arrumava as malas para a lua de mel em Bahamas. Com o mais melancólico dos sorrisos, eu me lembrei da quantidade de vezes em que prometemos ir juntas. Eu nunca cheguei a sair do país. 

Você não sabia na época, mas aquela fora a última vez que nos vimos. Parti rumo ao Rio na manhã seguinte, logo depois de apagar seu número e me afastar de tudo o que pudesse momentaneamente me lembrar da vida que não tivemos. Ironicamente, depois de semanas sem contato com notícias do mundo real, o primeiro nome que eu vi foi o seu, na lista de desaparecidos do voo JJ8614. 

 

 Julia da Silva Dantas – 1º MA 

 

 

 

A oscilação do equinócio 

 

Estava deitada no meu sofá com as pernas viradas para onde havia luz solar que vinha da janela da minha varanda. Eu tinha deixado as cortinas abertas para poder saborear aquela quentura do sol da tarde.   

Vestia um moletom grosso, daqueles de tão grandes que dava para usá-lo como um vestido, mas também estava vestindo calças e meias.  De manhã estava frio, tinha tomado duas xícaras de café fervendo, bem amargo, porém, agora de tardezinha, às três e “sei lá tantos minutos”, a temperatura tinha aumentado, eu estava prestes a efetivar o modo cebola. Por isso eu odeio o outono de abril. 

Quase dormindo, escuto meu telefone tocar, bufo em desaprovação e atendo: 

- Alô? – digo em desdém. 

- Boa tarde ou bom dia se caso acabou de acordar, meu doce de limão. – ironiza, e escuto uns sons estalados de beijos. 

- Bom, é boa tardia, - sorrio com o trocadilho inteligente que eu fiz e me ajeito um pouco no sofá. – Por que você tá me ligando numa linda terça-feira, quando estou procrastinando o meu amado trabalho? – debocho. 

- Você é muito produtiva, isso é raro. – solta uma risada anasalada e hesita um pouco antes de continuar - Então... Eu só queria te lembrar de que hoje é seu dia. 

Assim que escuto, sinto meu corpo ferver de raiva e meu maxilar se trincando, eu odeio essa data, desencosto o celular por um momento da minha orelha para respirar fundo e relaxar o aperto da minha mordida fechada com o vazio. Volto a encostar o telefone: 

- Sabe que eu odeio esse dia “comemorativo”, - dou ênfase na palavra, suspiro. – Não se faça de idiota. Esse dia só representa o estupro que meu povo sofreu, não passa de uma data sem significado para os verdadeiros nativos dessa merda de país. 

Encerro a ligação. 

 

Marcella Ishii Costa Duarte - 1º MA  

 

O dia da minha morte está datado para o mês de abril.

 

  Neste momento, vocês passarão a ler o meu relato. Para se situarem, sou uma árvore milenar que vive na região amazônica brasileira, com todo esse tempo de vida, minha mãe, Natureza, me presenteou com uma grande sabedoria do mundo que me cerca, para muitos, um saber mágico e impossível que me possibilita, entre tantas outras coisas, ter consciência do dia de minha morte. 

 Não acho viável contar minha autobiografia por razões óbvias, mas, recentemente, os devastadores expulsaram meus amigos indígenas do território onde me situo. Entretanto, não se enganem, eu não morrerei sozinha. Tenho quatro hóspedes em meu tronco, uma fêmea filhote de tucano e seus pais vivem no ninho, há duas semanas, também meu amigo primata, que, constantemente, se apossa de minha copa. Com toda certeza, sou a árvore preferida dele, fico feliz com isso, pois, onde moro, não faltam opções. 

Para ser sincera, não estou magoada pela minha morte, pois já habitei por muito tempo esse plano, além de que meu filho sempre será uma parte minha viva aqui neste local sagrado! 

Ele vive distante de mim, pois quando era apenas uma semente se tornando muda, uma arara colorida o transportou para longe daqui, mesmo assim, sinto sua energia vital crescer ainda mais a cada estação. 

O que me entristece é saber que o brotinho da jabuticabeira, não terá a chance de crescer, a família tucano ficará desabrigada e meu amigo terá outra copa favorita. 

A sociedade dominante não deve ter ideia com as forças místicas que estão mexendo, algo muito ruim os espera. 

 

Leticia Lopes Gonçalves – 1º  MA

 

 

O destino ensolarado 

 

         Em um dia menino chamado Lúcio estava deitado na grama do quintal, pensando o que ele seria quando entrar em uma faculdade ou universidade. Perto da casa de Lúcio havia um lunático que falava sobre realidades paralelas, a infinidade do universo e a existência de alienígenas em algum lugar do universo, mesmo assim Lúcio não ligou. 
         A noite chegou e Lúcio teve que dormir. Nos sonhos Lúcio estava flutuando no espaço, maravilhado com a visão de diversas estrelas. Quando Lúcio acordou ele já pensou o que queria ser, astronauta, porém era necessário estudar muito matemática, física e astronomia, e no meio dos estudos ele viu uma informação espantosa sobre a estimativa baixa de vida dos astronautas pelo contato com a radiação, mas isso não o impediu de ser um astronauta. 
         Depois de muitos anos estudando, ele finalmente iria fazer sua estreia no espaço. Entretanto ele só havia feito o mestrado, então queria voltar para conseguir mais conhecimento sobre o universo. Após alguns meses de preparação para ir ao espaço, finalmente chegou a hora de entrar no foguete, todavia Lúcio parecia muito egoísta então empurrou os companheiros para fora da nave antes dela começar a sair do chão, então depois de algum tempo Lúcio já estava no espaço, mas por ironia do destino um meteorito atingiu a nave, que acabou mudando a rota diretamente para o Sol, por causa disso Lúcio teve um futuro brilhante, quente e curto.  

 

Caio Ryuichi Kamimura - 1o MA

 

Efeito Borboleta   

  

“No caso das borboletas, o bater de asas de uma delas em um determinado lugar do mundo pode gerar uma movimentação de ar que, intensificada, desencadearia a alteração do comportamento de toda a atmosfera terrestre, para sempre. Parece loucura, mas acontece todos os dias, e chamamos de acaso.”  

  

No belo mês de abril. Lá no bairro da Lapa, estava para nascer uma menina muito privilegiada. Que tinha tudo, porém não tinha nada. O nascimento desse bebê, Lucille, seria humanizado e muito belo com direito a músicos, danças e uma piscina justamente preparada para a ocasião.   

Mas com toda a festa e empolgação, algo não esperado aconteceu. A lâmpada queimou, justamente a cor de rosa especificada pela dona.   

 Furiosa com a situação e falta de atenção de seus empregados, a mãe pegou o seu carro e foi até um depósito mais próximo e ‘minimamente decente’ que havia na região. Ao chegar lá, se encontrou com uma jovem balconista, aparentemente bem nova e triste. Com um tom meio simpático, a mãe falou:  

         - Boa tarde! Você tem uma Yeelight rosa? Preciso de uma urgente!  

         - Vou verificar, senhora.  

    Disse a atendente em um tom triste. Ao encontrar, fica perplexa; 300 reais por uma lâmpada...   

    A mãe pigarra, expressando uma impaciência em relação à atendente e diz:  

   - Minha filha está prestes a nascer, será que dá para ir logo!?  

 Num tom calmo, a balconista diz:  

 - Aqui, senhora. Desculpa pela demora, são 300,00.   

- Nossa! Esse governo é um incapacitado! Tem políticas de assistencialismo para pobres que procriam toda hora e prejudicam os empresários que trabalharam para dar condições de vida dignas aos seus filhos! Isso é um absurdo!   

- Calma, senhora. Talvez podemos negociar algum desconto com o patrão. - Ela diz saindo do balcão e se aproximando da futura mãe revoltada.  

A senhora se atenta à barriga da jovem. Revoltada, joga sua bolsa contra a barriga da pobre atendente, mas acaba acidentalmente caindo no chão. Brava, xinga a balconista e vai embora.  

A balconista começa a chorar, não por achar que sua bebê estava morta, mas pelas palavras da mulher, pois o bebê que a balconista carregava no ventre tinha sido declarado que nasceria morto pelos médicos. E que mesmo que fosse mãe, nunca poderia dar o que a sua filha iria precisar, pois seu dinheiro era pouco, e não dava nem para comprar fraldinhas e nem roupinhas para o bebê.  

Mas o que ambas não perceberam foi um leve bater de asas de borboleta, e assim só posso dizer um acaso, assim como só posso dizer sobre um único bebê que nasceu no dia 7 de abril. O que nada tinha, mas tudo havia.   

  

Júlia Freitas Lima – 1º MA

 

Abril 

 

O mês de abril começa com esse clima hostil. Mesmo carregando o mundo em suas costas, João repassa as falas de seu personagem enquanto observa o céu sentado no meio fio. É que, quando ele se apresenta parece que, ao menos naquele momento, tudo se encaixa. Que pode finalmente descansar desse fardo que é ser ele.  

A sua alma flutua e seus olhos brilham quando está em cena. No palco, João é capaz de respirar. E o choro, o choro só vem se programando para vir. É um ótimo ator, talvez por isso saiba fingir tão bem. Talvez por isso seu sorriso seja tão convincente. Mas, mesmo assim, seu olhar cansado não é capaz de mentir.  

Se no palco sua alma flutua, fora dele, ela parece uma âncora o impedindo de alçar voo. Só que tudo que ele mais queria era voar. Nem que para isso tivesse que ficar preso num mundo de fantasia, como os Garotos Perdidos em Peter Pan.  

Realmente, tudo que João mais queria era voar. Hoje, ele voa. Voa sem se importar com o preço de viver num mundo irreal. Aliás, a realidade nunca o acolhera mesmo, por que ele teria escolhido por ela?   

A realidade fez com que perdesse o palco, a cena, a plateia. Com que perdesse seu maior e melhor abrigo. Viu tudo queimar. Tudo se desfazer em cinzas. João tornou-se completamente cinza. Estava agora afogado em suas próprias mágoas. Nunca havia aprendido a nadar. O rancor o consumia como o fogo que consome oxigênio.   

Só queria a memória daquela alegria. Daquela alegria que parecia tão distante. Só queria o teatro. Mas parecia que tudo isso estava empoeirado. Deixado de lado no fundo da estante. Tentou de tudo para recuperar aquela sensação boa que se perdeu. Procurou em todo canto, todas as coisas, todos lugares, até mesmo pessoas, porém nada adiantava.   

         Não achou a saída de seu próprio labirinto e, como não encontrou a criança que nele habitava, se forçou criança. A partir daquele momento a Terra do Nunca viria a se tornar seu novo lar e de lá ninguém seria capaz de tirá-lo. A cada dia que passa João se desfaz mais e mais.   

É um morto vivo preso em seus próprios devaneios. Fantasia. Vivencia uma felicidade inexistente. Desaparecendo pouco a pouco em sua própria enchente. João, antes cheio de sonhos e de talento, em abril, se reduziu a apenas um mais louco que não soube lidar com a própria loucura.  

 

Ana Luíza Kokado de Oliveira - 1°MA 

 

Conto de Abril 

 

     Mais uma tarde monótona de abril, o outono seguia rigidamente no ano de 1987. Todas as árvores possuíam folhas alaranjadas e o clima era frio, mesmo com o Sol brilhante em boa parte do dia. 

     Maila estava novamente sentada próxima à janela da sala, pedindo a todos os deuses para que não fosse notada pela moça bonita do apartamento da frente enquanto seu pincel dançava com agilidade e suavemente pela tela que anteriormente poderia ser considerada branca, mas agora era coberta por tinta de diversas cores e que formavam a silhueta da jovem que tocava calmamente o ukulele, sentada em sua varanda.  

Seu semblante era calmo e preguiçoso, os olhos fechados e um sorriso mínimo em seu rosto, a cabeça balançava quase que imperceptivelmente ao ritmo que seus dígitos dedilhavam as cordas do instrumento, numa melodia que parecia improvisada, mas, ao mesmo tempo, tão bela. Os raios de Sol se chocavam contra sua pele, tornando a cena ainda mais bonita, o que não passava despercebido por Maila, que capturava cada mínimo detalhe.  

     A canção acabou ao mesmo tempo que a pintura foi finalizada. Mais uma obra de arte; a mesma inspiração. Era ela, sempre era ela. Desde que, em junho do ano passado, a mulher que aparentava beirar os 25 anos, de madeixas descoloridas esbranquiçadas começou a tocar todas as terças e sextas, no mesmo horário. Maila passou a criar pinturas inspiradas nela, esperando que um dia pudessem conversar, ou até mesmo entregar as telas que havia feito, mas, mesmo com a movimentação do centro de São Paulo, nunca foi capaz de realmente ver a moça em algum lugar que não fosse em sua varanda.  

     Seus olhos se encontraram por milésimos. O verde no castanho. Tudo pareceu correr lento, o pincel foi repousado sobre a paleta suja de tons diferentes e então um sorriso foi lançado na direção da artista, antes que  a garota de madeixas claras desaparecesse para dentro de seu apartamento novamente, sem dar uma chance de resposta, deixando nada além de uma memória breve e Maila com suas orbes brilhantes e o coração palpitando no seu peito.  

     Os espaços entre as duas não pareciam tão grandes nesse momento. 

 

Giovanna Camacho da Silva – 1° Meio Ambiente 

 

Não me lembro bem quando tudo isso começou. Acredito que foi por meados de fim de março e começo de abril, apenas dois meses depois do acidente. Só sei que agora todos acham que sou louca, mas tenho certeza que não.  

Algum tempo depois que minha mãe morreu em um acidente de carro, comecei a perceber algo estranho enquanto caminhava para a escola, como se tivesse alguém me acompanhando ou me observando.   

No começo, eu achei que era só uma impressão estranha, mas, quando a sensação persistiu, comecei a ficar muito incomodada.   

Pensei que pudesse ser um stalker, ou algo do tipo e fiquei completamente apavorada, comecei a pedir todos os dias uma carona para o meu pai, alegando desculpas de que a bicicleta estava com problemas na correia. Mas, mesmo indo de carro, aquela sensação estranha continuava e foi então que eu vi, da janela do carro, que uma raposa nos acompanhava.  

Na primeira vez que vi, achei que fosse mera coincidência, e que ela apenas estava por ali andando atrás de algo para comer, mas aí ela começou a nos acompanhar todos os dias, e eu não pude deixar de fazer a ligação, afinal, aquele era o animal favorito da minha mãe, e, de certa forma, acho que eu sentia sua bela e doce alma irradiar-se nos olhos daquela raposa.  

Certa vez, decidi comentar o que pensava com meu pai e ele obviamente achou que eu estava surtando e que tudo não passava de frutos da minha imaginação, como uma maneira de superar, e decidiu que seria melhor eu ir ao psicólogo. E eu obviamente protestei.  

- Pai, não estou surtando, estou apenas dizendo os fatos. É muito estranho uma raposa nos seguir todos os dias e em todos os momentos, e, coincidentemente, ser o animal favorito da mamãe. Não consigo acreditar que você não tinha nem ao menos reparado que ela nos seguia.  

- Alice, você sabe muito bem que nunca acreditei muito nessas coisas...  

- VOCÊ CASOU COM UMA MÉDIUM, PAI!  

- Em primeiro lugar, pare de gritar comigo agora. E para a sua informação eu sempre acreditei nos dons da sua mãe. Posso acreditar que ela previa o futuro ou que tinha sentidos mais aguçados para determinadas coisas. Mas isso? Reencarnação? Bom, nisso, eu nunca acreditei. Nem a sua mãe.  

- Então tá, pai. Mas de qualquer forma, não quero ir ao psicólogo.  

- Ah, mocinha, mas isso, não está aberto a discussões.  

Eu lutei até o final contra o psicólogo, mas, infelizmente, ele ainda manda em mim. E de qualquer forma não foi tão ruim assim. O psicólogo era bastante calmo, sabia ouvir muito bem, e o melhor, dava conselhos ótimos. Apesar de ainda não acreditar que a minha mãe era a raposa.  

Mesmo com as idas ao psicólogo, aquele sentimento não passava, pelo contrário, cada vez mais eu podia senti-la. Não sei quando especificamente começou, mas sei que passei a escutá-la sussurrando conselhos como “não discuta com seu pai, ele não entende” ou “aceite esse convite ao cinema, você merece se divertir” e foi aí que pensei, que talvez eu estivesse realmente enlouquecendo.  

Até que certo dia, enquanto eu voltava da escola, acabei me distraindo com pássaros que voavam pela região e não vi um carro vindo em minha direção. Foi tudo muito rápido, e só consegui ver o carro vindo quando já estava praticamente em mim e a minha mãe, em forma de raposa, se colocando entre mim e o carro.  

O acidente não foi tão feio, fui levada ao hospital e estava apenas com a perna quebrada. Mas o que me destruiu na verdade foi saber que para a raposa, o acidente tinha sido bem feio. Ela tinha falecido.  

Quando meu pai me disse isso, desabei em lágrimas, ninguém entendia nada e tudo se tornou um caos. Eu tinha perdido ela novamente. Eu chorava horrores quando, meu psicólogo chegou e me medicou com um calmante. Todos no hospital ficaram meio assustados, mas eu não me importava, precisava apenas chorar.  

Depois disso, meu pai começou a contrariar menos essa minha ideia de reencarnação, mas insistiu que seria melhor continuar com o uso dos remédios e as idas ao psicólogo, e me deixou fazer um enterro digno para a raposa.  

 

Giovanna Santiago Siqueira – 1º MA 

 

Só falo com desconhecidos 

 

Eu gosto de falar com desconhecidos, na verdade, só falo com eles. Quando conto sobre esta minha particularidade, muitos acham que nãé verdade, mas por que eu mentiria?  

Aliás, deduzo que você seja um estranho (para mim) e que não me conheça, já que só falo com desconhecidos. Caso você me conheça, me avise imediatamente, não era para você estar lendo isso.  

Sei que muitos dizem que ter rotina nãé bom, mas eu tinha a minha e gostava muito dela! Entretanto, algo me impactou (prefiro não dizer agora, você descobrirá) de tal forma que, simplesmente, deixei minha rotina de lado.  

Veja bem, eu acordava cedinho, colocava minha boina e ia para a escola (nem me pergunte como era a minha social na escola). No caminho, passava pelo parque central, local perfeito, possuía inúmeras vítimas em potencial. Lá, eu escolhia a vítima mais apropriada (tentava ler as mentes, falava com as pessoas mais extrovertidas, não importando outros fatores) e o jeito mais correto para abordar cada um.  

Assim, aconteciam as conversas com desconhecidos em minha rotina, até que, em uma bela segunda de abril, algo inesperado ocorreu, a vítima falou comigo primeiro!  

- Oi, tudo bem? Você me parece simpático! 

- Ah, oi! Eu pareço simpático? Ninguém nunca tinha me dito isso. 
- Você já falou com as nuvens hoje? Pois eu falei! Estou tentando esquecer uma pessoa. 

O que ela dizia era um pouco desconexo (em alguns pontos). 
- Preciso esquecer de alguém, mas não me lembro de quem exatamente... 

A moça era jovem, tinha praticamente a minha idade e era muito bonita! Acho que foi aí que me apaixonei. 

- Por acaso, você conhece algum jeito de apagar algo de sua cabeça? 
Uma de minhas regras de vida era não falar com uma pessoa por duas vezes, me dava um sentimento estranho. Por isso, tomava minhas providências. Mas com relação à moça, não pude resistir a um segundo encontro, ela era tão cativante e tão engraçada...  

Considero a moça como a única de minhas vítimas que vi e conversei por mais de uma vez, até que um dia tive que acabar com isso, ia contra minhas leis morais. Entretanto, não consigo esquecer sua fisionomia, me vem à cabeça todas as manhãs e todas as noites (sem exceções).  

 

Gabriel Pinheiro – 1º Meio Ambiente 

 

1º de abril 

 

Finalmente, abril está chegando. Quando eu acordar amanhã, já será abril e todos os anos eu prego alguma mentira na minha família ou amigos. E, todos os anos, eles caem nas minhas mentiras. É hilário. Ano passado, falei para todos da minha família que o Lúcifer (o nosso gatinho) tinha sido atropelado e todos foram para rua, mas, não encontraram nada. 

Quando acordei, já senti uma sensação diferente, a sensação de 1º de abril. Uma data que quase ninguém se importa, mas, pra mim, é a melhor!!!  

Fiquei sentada por um tempo na cama e me deparei com uma boneca que olhava para mim como se tivesse me julgando. 

- Ooh, mãe? De quem essa boneca?  

Minha mãe não respondeu, deve ter ido ao mercado. 

Eu mesma levantei e fui observar a boneca de perto. Ela continuava sobre o mesmo olhar de julgamento. 

Fui me arrumar e tomar café para, oficialmente, meu dia começar e eu contar alguma mentira esfarrapada para minha família. Enquanto eu tomava café da manhã na cozinha, escutei um barulho. 

- Mãe? Você comprou a minha bolacha que gosto?  

 Mas, ninguém respondeu. 

Senti um frio na barriga e, de repente, todas as portas e armários abriram. Como se um vento muito forte tivesse feito isso. Mas, não havia vento algum. Subi correndo para o meu quarto e peguei meu celular para ligar para a minha mãe. Deu caixa postal.   

A boneca que estava me olhando mais cedo não estava mais no meu quarto. Comecei a procurar a boneca por todos os lados da casa. Sem sinal algum da maldita.  

Desisti de procurar a boneca. Desci para pegar alguma coisa para comer. E a boneca estava sentada na mesa. Fiquei um tempo encarando a boneca, mas, algo me tira do transe. Uma voz. Não consegui decifrar o que a voz dizia pois, eu saí correndo chorando para o meu quarto novamente. 

De repente, minha mãe e meu irmão aparecem dando gargalhadas dizendo: 

- FELIZ 1º DE ABRIL! 

Dei uma risada de alívio misturada com raiva pois, aquele dia era meu, eu que prego peças na minha família.  

Mais tarde, na janta, perguntei a minha família: 

- Como fizeram para a voz ecoar por toda casa? 

- Simples, liguei a caixa de som. - respondeu meu irmão- 

- E de quem era aquela boneca? 

- Era da irmã da vizinha, eu pedi emprestado. - Meu irmão respondeu. 

- E como fizeram para abrir todas as portas e armários ao mesmo tempo? 

- Mas, do que você está falando, Moly? 

E novamente todas as portas e armários se abrem novamente e...  

 

 

Alinne Gonçalves de Souza  - 1º MA 

 

 

 

 

 

              

            

 

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