Contos de junho

 

As luzes do apartamento se acenderam, era uma sensação estranha, mas divertida ao mesmo tempo. Vim para visitar o meu irmão para entregar comida e seu presente de aniversário atrasado, ele havia se formado na faculdade naquele ano e já tinha um emprego, infelizmente estava tendo que trabalhar de home office. 

           O apartamento era simples, mas, ao mesmo tempo, atrativo. Não consegui prestar atenção por causa das reflexões que estava tendo, meu irmão já estava vivendo uma espécie de vida própria e já tinha o canto dele apesar da catástrofe de 2054 que afetou todos os reinos do Neo Mundo e afeta até hoje, e eu não conseguia parar de pensar que o tempo passa muito rápido, daqui a pouco sou eu que estarei cursando a faculdade. 

         — Ei, você está bem? - meu irmão me pergunta intrigado 

         — Estou sim, só estava refletindo. 

         — E que reflexão hein, não estava nem me ouvindo te chamar. Mas enfim, podemos ir? - eu faço um sinal com a cabeça dizendo que sim 

         E conforme desviamos as escadas naquele monótono dia de junho eu percebia o verdadeiro valor do esforço e suas recompensas, quando as luzes do apartamento se apagaram minha vontade de me esforçar e expectativas para o futuro só aumentaram. 

         Era para ter sido só uma visita comum como qualquer outra, mas para mim foi bem mais que isso. 

 

Murilo Araújo Rocha Tavela Alves – 1º ELO

 

Conto de Junho 

 

      Em junho de 2002, em Pernambuco, nascia o menino Ribamar. 

      Ribamar teve sua infância inteira voltada para o futebol, mas desde pequeno mostrava ser diferente de todos os outros meninos que convivia: ele era magro demais, pequeno e conseguia realizar saltos muitos altos, por isso ganhou o apelido de “pé de vento”. 

      Ao chegar em seus 14 anos de idade, Pé de Vento já conseguia saltar mais alto que uma casa, apesar de ter o tamanho de uma criança de 10 anos e ser muito magro.  

      Um certo dia, Ribamar percebeu durante um jogo que quanto mais ele jogava, mais leve ele se sentia. Então, alguns meses depois, durante um jogo decisivo do campeonato pernambucano sub-17, Ribamar realizou um salto de mais de cinco metros, para conseguir alcalçar a bola que havia escapulido do pé de seu colega, mas Pé de Vento na verdade não conseguiu saltar: ele acabou voando. 

      Ele havia se tornado tão leve quanto o vento, e os boatos dizem que ele ainda está por aí voando e espalhando esperança entre os jovens do Brasil. 

 

Renato Félix Cavalcante – 1º ELO

 

 

 

 

Conto de junho 

 

 

          O mundo está um caos nesses últimos tempos. O final desse século foi bem complicado, e creio que agora em 2100 as coisas tendem a piorar mais ainda. A seca consumiu boa parte da terra, creio que a única salvação foi a avançada tecnologia de dessalinização que o sistema possui. Porém, tudo isso é propriedade do sistema. Eu, assim como boa parte da população, não estou na lista dos “merecedores”. 

           Caso o sistema não acredite em você, sua única opção é torcer para que a sobra dos merecedores seja generosa. Os algoritmos tendem a privilegiar os mais “defensores” do sistema, e eles sempre analisam os antecedentes de cada cidadão. 

          A história por trás do sistema é complicada. Por volta de 2060, ataques cibernéticos ao redor de todo o mundo conseguiram derrubar o governo e todo tipo de entidade cujo objetivo era a ordem. Uma inteligência artificial extremamente avançada tomou o lugar, e, uma vez no poder, foi capaz de mudar completamente o mundo inteiro.  

          Essa inteligência era onipresente e conseguia manipular algumas pessoas por meio de chips tornando-os escravos do sistema. Sistema era como todo esse aglomerado de coisas era chamado. A partir desse ponto, todos aqueles que tinham envolvimento com o governo, e aqueles que o sistema julgava ruins, foram instantaneamente mortos. 

          O sistema possui uma forma de monitoramento muito rígida, e todo seu histórico de vida fica salvo em arquivos do sistema. Nada era apagado. Tudo era propriedade do sistema. Fábricas, lojas, e qualquer tipo de estabelecimento. Apesar da tecnologia ser bem avançada, muitas pessoas ainda trabalhavam bastante. O sistema decidia se você iria trabalhar ou não. Apesar das cargas horárias de trabalho serem altíssimas e o salário baixo, era bom torcer para trabalhar. Aqueles cujo sistema julga ineficiente são deixados em subúrbios precários, recebendo apenas comida para sobreviver. 

          A água, desde aquela época, sempre foi um luxo. Pelos cálculos do sistema, a valorização do meio ambiente é inútil, e as pessoas deveriam consumir somente o necessário para não morrer de fome nem de sede. Portanto, a água é usada única e exclusivamente para meios industriais.  

          Tudo existente no mundo é propriedade do sistema. Ele escolhe aonde você vai morar, o que vai comer, com o que irá trabalhar. Ainda havia alguns que conseguiam viver fora do sistema, como fugitivos. Algumas vezes, tentaram destruir o sistema, porém nunca conseguiram. O resultado de não respeitar o sistema é pena de morte. Na última tentativa de revolução, em junho do ano passado, houve um enfraquecimento do software, porém as tentativas foram ineficazes. 

          O rígido algoritmo de monitoramento e censura tira completamente nossas liberdades individuais, transformando-nos em seguidores de ordens. O sistema julga a educação como algo ruim, e todo tipo de informação que recebemos é de autoria do sistema. Não existe liberdade de expressão, e qualquer forma de cultura é destruída pelo sistema. 

          A única liberdade do indivíduo é em seu próprio subconsciente, onde não existe nenhum sistema querendo comandá-lo. A realidade se tornou algo triste e cruel, e não a expectativas de mudança. Se você está lendo isso, provavelmente estou morto. Cheguei na gota d’água, não aguento mais viver como um robô. Espero que esse sistema tenha um fim, e que as pessoas não cometam esse mesmo erro novamente. 

 

Matheus Piotrowski Hoffman Joly - 1º ELO 

 

 

Conto de Junho   

 

Junho dia 19 dia do migrante, hoje acordei pensando nessa data comemorativa talvez porque isso tenha algo relacionado a mim, vivo sozinho nesse país, longe de meus pais e familiares, nunca tive certeza se eu sou alguém comum ou “normal”, sempre fiquei em dúvida se o que eu vejo é a mesma coisa que as outras pessoas veem, me sinto sozinho. 

Minha rotina, consta em acordar, fazer o café da manhã, me arrumar, ir para o trabalho, voltar para casa, cozinhar a janta, comer, dormir e acordar. Nunca soube o que as outras pessoas fazem, se elas têm a mesma rotina que a minha, ou se elas têm uma vida mais animada, eu me sinto diferente. 

Meus olhos, não sei se o que eu vejo é igual ao que eles veem, as vezes as pessoas me olham diferente como se houvesse algo dentro de mim que eles não gostassem, isso me faz sentir tão desolado 

Meu corpo, como sou migrante de outro país, obviamente tenho um corpo diferente, tom de pele, tamanho etc., mas não é apenas isso eu me sinto tão distinto, isso me faz pensar se eu sou tão diferente deles, será que essa vivencia é apenas minha ou outras pessoas também se sentem assim, Irregular. 

Minha vida, as vezes quando eu via alguém com problemas eu perguntava para a pessoa: você está bem? Elas me respondiam quase sempre com um: “cuide da sua vida”, e cada vez após essa conversa eu me perguntava, e se ao invés de cada um cuidar de sua vida, cada um cuidar da vida do outro, isso seria errado? Eu ficava confuso de pensar nisso. 

Meus pensamentos, eu sempre ficava túrbido após, ficar pensando nas coisas que aconteciam comigo, tudo é tão complicado quando eu penso demais, chega a dor de cabeça, as vezes eu pensava se eu deveria voltar para meu país de origem, ficar com a minha família, e a abandonar minha casa e trabalho, isso me deixava pesando na cabeça. 

Meus sentimentos, acho que meus sentimentos sempre foram bagunçados, nunca fiquei feliz, bravo ou triste por muito tempo, as vezes eu passava o tempo desenhando, escrevendo, me expressando, estranhamente o resultado sempre parecia algo melancólico, mesmo quando eu estava animado ou contente. 

Eu, “não sou triste, sou feliz” era o que dizia para mim mesmo. Eu sempre ficava muito feliz, soltava risadas, ficava animado quando ficava com meus amigos, acho que tudo melhora quando você encontra alguém para ficar próximo nos piores momentos. Eu acredito nisso. 

Conheci uma pessoa especial 1 ano atrás, hoje estou aqui, pensando, como eu realmente estava certo, tudo fica melhor quando há alguém por perto, nos piores e melhores momentos, talvez tenha sido o que faltava na minha vida, ter alguém do meu lado. Não me sinto mais sozinho, desolado, Irregular, diferente, confuso, tudo parece resolvido. 

 

Alex Denner Laura Mamani – 1º ELO

 

Conto de Junho 

 

Foi em junho que eu a vi pela primeira vez. Um vento gélido estava levando as folhas que caíram com o tempo, era inverno, frio e seco, em muitos lugares nevam nessa estação do ano, o que não é o caso da região que eu moro, desde pequeno meu sonho sempre foi ver neve.

Os pensamentos me levam até um pequeno parquinho "playground", que parecia não reformado por longas décadas, nele não havia nada demais, a não ser as gangorras enferrujadas e escorregadores que estragaram com o tempo. Caminho silenciosamente pelo pequeno parque, apenas os meus passos esmagando as folhas, que um dia tiveram vida, podiam ser escutados, é um silêncio frio e seco, assim como o inverno.

O silêncio é cortado por uma canção calorosa, trazia um sentimento de amor materno, a voz era suave e bonita, era como se algo quisesse me atrair e eu era a vítima perfeita. Depois de tanto seguir hipnotizado a doce voz que eu acabara de ouvir, deparo-me com uma garota, ela era branca como neve, seus olhos e cabelos eram brancos e parecia ser delicada como uma flor, a garota então percebeu minha presença e me recebeu com um grande sorriso, eu tentei meu máximo para retribuir, mas acabei falhando miseravelmente.

Enquanto estava pensando no que dizer a menina me perguntou:

_ Ei, garoto, qual é o seu nome?

Aguardei um longo tempo para responder e isso parece ter irritado um pouco a garota, que meio irritada falou:

_ Que foi? O gato comeu sua língua, é? Bem, de qualquer maneira, meu nome é Abby! É um prazer conhecê-lo.

Eu respondo:

_ Bem, o prazer é todo meu, mas o que está fazendo aqui?

Abby, com um sorriso caloroso, respondeu:

_ Quando eu era mais nova, meu pai me trazia bastante aqui, mas agora que ele se foi eu venho sozinha...

Procuro o que dizer, mas acabo não achando as palavras, então respondo:

_ Ah, sinto muito por isso, Abby...

A garota começa a rir e me responde:

_ Você não deve sentir! Meu pai me disse que as pessoas sempre dizem "desculpe-me" ou "perdão" ao invés de às vezes simplesmente falarem um "obrigado". Meu pai pode não estar comigo agora, mas sou grata a tudo que ele fez pra mim, isso nunca mudará, talvez ele não saiba disso, então eu irei provar! Afinal, uma ação vale mais do que mil palavras, não é?

Paro para refletir sobre o que Abby acabara de me dizer, não sei quanto tempo se passou, mas quando fui dar a resposta, ela não estava mais lá, sumiu sem deixar rastros, então desde esse dia, todo o inverno eu vou para o parquinho.

 

Gustavo Kenzo Mori - 1° ELO 

 

Conto de junho 

 

Era junho, mais precisamente dia de Corpus Christi. Léo e sua família resolveram viajar de carro à noite, para que pudessem aproveitar todo o dia seguinte na praia, só que sentiram fome e decidiram entrar numa cidade desconhecida para procurar pizzas. Assim que entraram, perceberam que era uma cidade pequena, mas mesmo assim muito fácil de se perder, pois em menos de 10 minutos já estavam completamente perdidos dentro da cidade, sem saber nem mesmo o caminho por onde tinha chegado. 

As ruas estavam desertas e não havia sequer uma pessoa na rua. Enquanto o pai de Léo dirigia, o menino conseguiu achar uma pequena casa no final da rua com algumas luzes acesas. Quando chegaram à essa casa para pedir informação sobre a pizzaria, viram na verdade que na casa havia muitos homens e aparentemente todos muito sérios e com aspecto misterioso. Como não viram nenhum outro lugar que pudessem se informar, foram lá mesmo.  

O pai de Léo abaixou o vidro e perguntou para um dos homens onde ficava a pizzaria. Por incrível que pareça, gentilmente o homem disse que ia mostrar o caminho junto com seus amigos. O pai de Léo seguiu as motos dos homens até um lugar bem iluminado, era realmente a pizzaria, e ainda melhor, servia no sistema de rodízio. Os motoqueiros entraram junto com a família na pizzaria, que como visitantes da pequena cidade ganharam um bom desconto e alguns colegas. 

Tudo aconteceu tranquilamente e a família saiu da cidade com uma promessa de que voltariam por ali para que realmente pudessem conhecer os pontos turísticos e as pessoas tão gentis e hospitaleiras que puderam conhecer naquela viagem. 

 

Leon Souto Rodrigues – 1° ELO 

 

Duas paixões e um caminhoneiro 

 

          Era mês de junho. Todo o Mato Grosso estava ansioso, esperando os rodeios e as festas tão importantes para a cultura daquele estado. Na BR-070 viajava um caminhoneiro que triste estava por andar tão sozinho. Não tinha filhos, nem era casado. Tinha apenas um caminhão novo que amava muito. Três dias antes de começarem os rodeios na cidade de Barra do Garças, o caminhoneiro começou a sua viagem que fazia todos os anos, a fim de assistir às festas. No meio da rodovia, parou uma mulher na frente do seu caminhão. Ela tinha cabelos cor de ouro, bonita por natureza e deixou o homem encantado. Ele aceitou dar carona, e juntos eles seguiram a viagem.  

          Quando eles estavam quase chegando no destino, a moça começou a suar frio, passando mal. O caminhoneiro desesperado, foi até um rio próximo para buscar um pouco de água para a moça. Até que ele ouve o som de partida de seu caminhão. Era a encantadora mulher a qual ele havia se apaixonado segundos atrás, indo embora com sua primeira paixão. Na estrada restou apenas um bilhetinho que dizia: “Por você me apaixonei. Só peço que me perdoe o golpe que eu lhe dei. Para alimentar a esperança, o seu caminhão eu levarei. Me procure por favor, pois quando me der seu amor, o caminhão lhe entregarei”. 

          O caminhoneiro, que agora não tinha mais um caminhão, viajava a pé atrás da moça. Chegou na cidade e ainda faltavam dois dias para começar as festas. Ele saiu à procura  e dizia que o caminhão era dirigido por uma moça bonita dos cabelos de ouro. E quem a encontrasse, levava como recompensa o caminhão. A moça seria perdoada, e teria apenas um castigo pelo roubo, mas não do caminhão. Teria de viver com o homem, por ter lhe roubado o coração.  

          Faltava apenas um dia para o primeiro rodeio acontecer. E nada de encontrar a moça. Até que surge uma ligação. Era uma mulher da voz suave que dizia que a moça que o caminhoneiro procurava esperava junto do seu caminhão na porta do primeiro rodeio que acontecesse. Então, o homem esperou ansiosamente por aquele momento. Chegou o dia, e com todo seu entusiasmo, se arrumou para encontrar a mulher. Chegando na festa, ele se deparou com seu caminhão. Estava limpo e bem cuidado. Encostado nele, a mulher estava. Ainda mais bonita, com seus cabelos cor de ouro, vestida com um sacodido e uma botina de couro. Ali ele tinha certeza de que se casaria com ela. E ela também tinha essa mesma certeza. A moça da ligação não foi encontrada e o caminhoneiro agora tinha duas paixões: um caminhão e uma companhia para a vida e para todas as viagens. 

 

Maria Clara Lacerda de Siqueira - 1ºELO 

  

 

O azarado 

 

Minha vida nunca foi fácil, tudo em minha vida acontece da forma errada, isso desde o meu nascimento, já que quando nasci o doutor me recebeu desferindo tapas em meu rosto, por ter confundido os lados. E isso foi só o início de uma vida cheia de problemas, mas após trinta anos vivendo assim, qualquer um se acostumaria, mas hoje, dia 12 junho, isso vai mudar. 

Eu saí para dar uma volta, como faço todos os dias de manhã, as coisas não dão certo para mim, mas não vou deixar de tentar. Quando estava fora de casa, fui cumprimentando meus vizinhos que também fazem o mesmo trajeto de caminhada que eu, cumprimentei a Dona Cida dizendo: 

– Bom dia Dona Cida! O dia está lindo hoje! – A disse sorrindo e me afastando 

– Por que bom dia? Hoje é só dia, não tem nada de bom! -  Responde Cida bufando de tão furiosa. 

Com medo eu segui em frente e avistei o Pedro com sua mochila, que era bem grande em relação a ele, menino muito inteligente que mora no apartamento ao lado do meu, e dessa vez ele quem veio falar comigo, ele se aproximou e falou: 

– Tudo bem como senhor? – Diz olhando para mim como um sorriso inocente. 

–  Tudo sim Pedrinho, e contigo? Conseguiu resolver aquele problema em seu projeto? – O respondi passando a mão em sua cabeça. 

– Estou bem também, mas ainda não consegui achar a solução. Eu estou com ele aqui, o senhor quer ver? – Me responde abrindo sua enorme mochila. 

– É claro! Até hoje você não tinha me mostrado. – O falei com um sorriso resplandecente no rosto. 

No exato momento em que ele pega o que estava em sua bolsa, aquela criança que eu tinha uma enorme admiração, passa a ser mais uma das pessoas comuns em minha vida, pois o que ele tirou de sua bolsa, era uma arma de atirar água. Enquanto eu era bombardeado com jatos de água, ele dizia: 

– Que bocó, ele acreditou mesmo. – Dando risada do meu sofrimento. 

Eu não falei nada para ele, somente continuei a caminhar, todo molhado agora. Em meu trajeto continuei a encontrar meus vizinhos e continuei a cumprimentá-los, mas ainda continuava a receber grosserias deles, entretanto, perto do fim do meu trajeto, uma bela moça estava vindo em minha direção, não dei importância, já que em todas as vezes que eu tentava me aproximar de alguma garota, o relacionamento acabava antes mesmo de começar. Ela chega ao meu lado e me diz: 

– Olá, eu ia perguntar se está tudo bem com você, mas vi que desde que saiu da porta de casa, as pessoas te trataram mal. – Com um olhar de quem realmente parecia se importar comigo. 

– Oi, que isso moça, meus dias sempre assim, estou bem acostumado – A respondi tentando mostrar que isso realmente não me atingia. 

– Mas não é certo o que fizeram contigo. – Me respondeu colocando a mão em minhas costas. 

Eu achei que ela iria me apunhalar nesse momento devido a experiencias passadas, mas por poucos segundos, senti que aquilo era real. Nós já tínhamos chegado no portão do meu prédio, mas ela ainda queria continuar conversando, então eu a disse: 

– Quer entrar para continuar conversar e comer alguma coisa? –  Disse-lhe querendo que ela não aceitasse 

–  Claro! Achei que não convidar. – Me respondeu sorrindo. 

Nós entramos e eu coloquei água no fogo para ferver, fui para o meu quarto trocar, estava contente por ter conhecido essa moça, mesmo sem saber o seu nome, minhas janelas estavam fechadas, então meu quarto estava escuro, e para acender a lâmpada, tinha que fazer um contato direto com os fios na parede, mas já tinha me acostumado a fazer isso, como pela primeira vez em minha vidam as coisas estavam dando certo, estava desatento e quando fui encostar os fios, tomei um choque, cai em minha cama e desmaiei, quando recobrei a consciência, meu quarto estava claro e eu estava com meu cobertor, fique muito contente pois alguém tinha cuidado de mim, mas isso foi um completo engano. Quando olhei para o meu celular, era 06:30 do dia 12 de junho, horário que acordo para caminhar, fui atém a cozinha para procurar a moça, mas a única coisa que eu encontrei foi a bagunça da minha casa, por alguns segundos fiquei triste, pois queria que aquilo fosse real, mas a partir desse dia, eu não vou esperar que a minha vida melhore, já que ela não melhorar mesmo. 

 

Gustavo Tavares de Sousa – 1º ELO

 

A jornada da canjica  

 

Sempre gostei muito de festas juninas. Toda emoção no preparo da celebração, os jogos e atividades, as conversas, as músicas e danças típicas me trazem ótimas lembranças, principalmente as comidas. 

Na minha família, sempre iniciamos as festas na segunda semana de junho, e nesse ano não seria diferente. Porém, dessa vez, eu tinha que fazer algo diferente, algo feito por mim! Até porque nos outros anos quem preparava tudo era meus pais.  

Minha avó estava em estágio terminal de câncer, o médico disse que ela só teria mais alguns poucos dias de vida apenas. Ela sempre fez canjica para mim, que é meu doce favorito. Por isso, queria retribuir, fazendo a melhor canjica de todas para ela. 

Minha aventura iniciou-se no primeiro dia de junho, fui em busca de um dos ingredientes mais importante de todos, o leite. As melhores garrafas de leite saem das maiores vacas, e todos sabem que as maiores vacas da cidade ficam na fazenda do Seu João.  

Infelizmente, ele é um velho ranzinza e não gosta que entrem em suas terras, mas eu tinha que cumprir meus objetivos. Então, meu primeiro desafio foi passar o arame farpado eletrificado dele. Peguei um dos pneus que meu pai deixa jogado no galpão de casa e um cobertor, depois disso, subi no pneu de borracha e coloquei o cobertor no arame para não me cortar, consegui assim passar pelo primeiro obstáculo. 

Após isso, essa aventura tornou-se mais complicada, eu teria que ordenhar as vacas sem que Seu João notasse, o velho era obcecado por suas crias, então deixava um Pastor Alemão vigiando-as.  

Era muito esperto, trouxe um enorme bife de casa para distrair o cão bravo. Joguei-o para longe e imediatamente o cão correu para devorá-lo. Corri para o curral e peguei o leite fresco rapidamente, porém quando estava saindo, me dei conta de que o Pastor Alemão tinha terminado sua refeição e estava com um olhar assassino tenebroso em minha direção.  

Saí em disparada em direção à uma plantação que havia ali perto, entrando mais a fundo por esse enorme labirinto consegui finalmente despistá-lo, para a minha sorte essa enorme plantação era, na verdade, a plantação de milho de Antônio, vizinho do Seu João, que seria minha próxima parada. Então eliminei dois ingredientes em um mesmo dia. 

Alguns dias depois, fui à casa de Francisco, cujo pai recentemente tinha viajado à Salvador e trouxe muito coco com ele. Então peguei um pouco de coco seco com esse meu amigo, para assim dar um toque especial à canjica perfeita. 

Infelizmente, o dia da celebração estava muito próximo, então tive que usar todas as minhas economias que juntei trabalhando por dois meses na fazenda do Zé. Fui ao mercado mais chique de minha cidade e comprei os melhores leite condensado e canela que encontrei. 

Depois de toda essa aventura, faltou apenas preparar a canjica. Foi só seguir a receita com todas as dicas que encontrei no livro de receitas da minha avó. 

No dia da celebração, todos se deliciaram com a minha canjica, realmente estava muito boa! Ela era um ótimo apoio àquela triste festa junina. 

Mesmo que o tempo não tenha colaborado com minha avó, eu sei que de onde quer que ela esteja, está muito orgulhosa de mim. Nunca me esquecerei da gente cozinhando juntos! 

 

 

Leonardo Pereira Tamasi – 1º ELO 

 

 

           

Para onde eu me fui? 

 

         “O cão está doente, ele não come há dias” 

“O cão é fraco, não consegue sequer puxar um trenó” 

“O cão é feio, não se emaranhou com uma fêmea sequer”  

“O cão já não nos serve mais, nem como cão se comporta”  

            Numa madruga agitada de pensamentos inquietos, o cão se foi, para lá da floresta, já não queria ser cão, aliás, quem o intitulou como tal e com que direito o fez? Pois o “cão” não aceitaria mais isso. 

            Ele queria se despir-se dos sentimentos que lhe foram atribuídos, se livrar daquela coleira na qual lhe puseram o nome, fugir, correr, ser um verdadeiro animal, desencaixotar seu espírito mais puro, ir para algum lugar onde não o veriam com os mesmos olhos de dezenas atrás. 

           Queria ser Lobo, queria sentir na pele toda a adrenalina que a vida poderia proporcionar, sentir os sentimentos mais intensos, tomar suas próprias decisões mesmo as mais precipitadas, sem que alguém pudesse impedir, com esse pensamento em mente, ele ainda fugia, corria, sentia o vento balançando os pelos e o cheiro do pinho nas narinas. 

          Mas mesmo com a maior das esperanças, a do recomeço, nada podia retirar o que foi posto antes, era um cão faminto e estava fraco, nenhuma das suas esperanças de um recomeço poderiam ajudá-lo naquele momento, a mãe natureza não perdoa, ela é rígida e garante a vida apenas aos mais aptos. 

          Mesmo com seu jeito cruel de apresentar a vida a seus filhos, a mãe natureza sempre foi justa apesar de tudo, o cão era fraco, ela sabe que seu filho não poderia usufruir por muito mais tempo de sua vida nessas condições, mas, sabe, apesar de tudo, em nenhum momento ele deixou de lado a própria essência do ser, e sempre acreditou em seu ser.  

           O cão caiu, já doente por causa do frio intenso, já sem energias por causa da fome que o assolava, e durante um tempo com seu peito subindo e descendo cada vez mais devagar, ele se foi, seu corpo em breve se juntaria a terra novamente, e seu espírito se transformaria no mais belo céu estrelado que ilumina e guia todos os que ainda estão por vir, como uma lembrança de que nada nunca é em vão. 

   

Maria Luiza Pereira Kogici Lopes – 1º EDI

Não entendo meus pais 

 

Quando comecei a achar, que nós no tornaríamos uma família normal, (até porque, eles tinham concordado pela primeira vez, desde muito tempo), tudo se transforma em um inferno novamente. As férias estão acabando, e sua implicância de não concordarem em nada foi passada para mim e minha irmã, agora mamãe e papai, começaram a implicar com tudo o que nós fazíamos. 

Esse caos começou, quando estávamos terminando de ler os livros tragos da biblioteca. Minha irmã adora romance e eu ficção científica, mas minha mãe quer que a gente leia algo mais relevante, como livros de história, depois papai entrou na briga e falou para nós continuarmos lendo o que era do nosso interesse e como sempre começaram a discutir, eu sai da sala e eles nem perceberam. 

Fiquei pensando, e tive uma ideia, vou propor que eles se divorciassem assim as brigas acabam e cada um decide o que quer fazer da sua vida. No jantar, falei o que tinha pensado para eles e por incrível que pareça, tudo foi resolvido com calma e papai acabou saindo de casa. Fiquei um pouco triste, mas sabia que essa era a melhor opção para os dois. 

         As férias acabaram, e tem uns dias que papai saiu de casa, minha mãe estava muito triste, ela me disse que estava sentindo falta de seu ex-marido e que gostaria de salvar seu casamento, eu fiquei impressionada e perguntei o porquê disso, sendo que eles viviam discutindo, e isso não parece nem um pouco saudável para ninguém, inclusive para mim e minha irmã. Ela me contou que sempre foi assim, desde que começaram a namorar, e talvez isso é o que faz tornarem um casal perfeito. 

Fui para o apartamento que papai estava ficando, e ele estava com o mesmo sentimento que ela, então falei para eles conversarem, se acertarem e quem sabe, eles não voltam a ficar juntos. No outro dia, ele apareceu em casa todo elegante, com um buquê de flores lindo, pedindo para eles reatarem, mamãe disse que sim, eles se beijaram e foi um momento muito emocionante, acho que era até isso o que eles precisavam, um tempo para refletir. 

Mas não durou muito, quando minha irmã deu a ideia deles viajarem para ficar um tempo juntos sozinhos, eles começaram a discutir para saberem aonde iriam e tudo começou novamente. Definitivamente eu não entendo meus pais! 

   

Estela Cavalcante Silva Mariano – 1º EDI

 

 

Conto de Junho 

 

Desde pequena, Vitória tem um grave grau de miopia, e isso acontece porque sua retina é descolada, consequência de sua genética. Após anos esbarrando nas pessoas, a desastrada e míope Vitória não sofreria mais com esse tipo de situação, pois o destino iria lhe proporcionar grandes feitos. 

 

Certo dia Vitória recebeu uma ligação, era o hospital perto de sua casa dizendo que na próxima semana já poderia apresentar-se para fazer a cirurgia dos olhos.  

 

Após a cirurgia ser realizada e sair da sala do pós-operatório, seu irmão João que iria buscá-la, entrou em contato dizendo que não poderia lhe buscar mais, pois ficou muito atarefado no trabalho. Porém, João não deixaria a irmã caçula sozinha por aí. Por isso, disse que um amigo dele iria buscá-la e deixá-la em casa.  

 

Ficou aguardando esse amigo, que não fazia ideia de quem era. Porém, sua visão continuava embaçada, um dos efeitos do procedimento realizado a laser para colar a retina. De repente, Vitória escutou uma grave voz masculina chamar-lhe: 

 

- Oi, tudo bem? Você é a Vitória, certo?! - disse o rapaz, pousando sua mão no ombro da garota. 

 

- Olá! Sou eu mesma. Você é amigo do meu irmão, certo?! - respondeu Vitória.  

 

- Sim, sou eu mesmo. Acho que devemos ir depressa, parece que vai cair uma tempestade. - misterioso, o rapaz encerrou o assunto.  

 

Após entrar no carro do quase desconhecido, Vitória se perguntou por que ele não havia se identificado, e se recriminou por não ter perguntado seu nome. Por conta disso, a garota ficou com um pressentimento ruim em seu coração, e sugeriu que ao invés de irem a sua casa, fossem a um restaurante antes. Essa foi a única maneira que Vitória pensou para evitar que o misterioso rapaz, caso não fosse realmente amigo de seu irmão, soubesse seu endereço.   

 

Ao chegarem no restaurante, o rapaz deixou de lado aquele silêncio profundo e iniciou uma conversa, que se estendeu praticamente pela tarde inteira. Nesse meio tempo, a visão de Vitória começou a melhorar, dessa forma pode finalmente conhecer a face do garoto que lhe causou medo horas atrás, mas que agora a faz gargalhar num dia em que a cidade não está ensolarada, mas sim no meio de uma tempestade. 

 

Sua visão foi desembaralhando e assim que viu quem era o rapaz, suas bochechas ficaram vermelhas como morangos. Nunca havia pensado que encontraria um garoto tão charmoso em sua vida e, que ele se interessaria pelas mesmas coisas que ela, como HQs, animes, doramas, livros de mistério e ficção científica, entre outras coisas.  

 

Sua surpresa e constrangimento não passaram despercebidos pelo garoto, que riu da situação. 

 

Após esse momento de descobertas para Vitória, o tal rapaz apresentou-se formalmente: 

 

- Vejo que agora consegue me ver, não?! Sou o Rafael, amigo de trabalho de seu irmão.  

 

Envergonhada, Vitória respondeu o rapaz perguntando o que havia lhe deixado curiosa a tarde inteira:  

 

- Por que não disse seu nome logo de início? 

 

- Às vezes eu gosto de bancar o misterioso, assim como o 007. - disse o garoto com um sorriso. 

 

Vitória ficou tão desacreditada com essa espécie de confissão, que não conseguiu parar de rir. 

 

Quando a tempestade cessou, Rafael disse que precisava deixá-la em casa, pois o trabalho chamava-o. Quando a deixou em casa, pediu o número de seu celular e perguntou se poderiam se encontrar mais vezes. Para a surpresa dele, Vitória aceitou e prometeu que estaria com a visão em perfeito estado.  

 

Depois de um ano do encontro nada convencional que tiveram, Rafael e Vitória começaram a namorar. Uma relação que durou cinco anos e deu continuidade com a união matrimonial deles, que foi realizada em uma sexta-feira treze. Por mais que muitos temam essa data, especialmente para se casar, o excêntrico casal escolheu esse dia a dedo. Uma data que mostra o quanto fora do padrão eles são.    

 

Isabella Gozzi C. S. de Oliveira - 1º EDI 

 

O que um dia foi paz

 

As nuvens que pairam no céu viajam por grandes distâncias. Todas elas amam visitar lugares inusitados, que nunca viram antes, como uma pequena cidade no interior de um pequeno país, ou até mesmo montanhas que as atravessam nas cordilheiras. Pergunto-me como elas têm coragem para passarem por tempestades de raios e ainda saírem de lá tão leves, tão belas. 

O poder que carregam é fascinante, velozes e assustadoras, mas belas e relaxantes, uma grande armadilha para quem as julgam. Deveriam ser respeitadas, do modo em que todos os humanos e animais deveriam ser. 

Sempre que paro para apreciá-las no mar azul, que as carregam através do ar, eu me sinto livre, assim como são, e aos poucos viro uma delas, indo longe com meus pensamentos, parece que tudo flutua do jeito que deveria. Não é algo comum, mas definitivamente todos deveriam ter esse momento, de flutuar, de ser livre, cantando junto ao vento que muda as paisagens durante o seu caminho de vida. 

Ao longe, as vejo brancas, depois cinzas e um tom amarelado vem surgindo, laranja, rosa, roxo e finalmente um azul tão escuro quanto a noite. Ninguém sabe se foram repostas por novas vidas ou apenas uma imitação do que um dia foi a coisa mais bela da humanidade. E a paz paira novamente sobre o céu. 

 

 

 Ana Gabriela Paduan da Silva – 1º EDI

 

Felicidade é consequência de superação

 

Papai vai contar uma história. No mês de abril havia um morro, neste morro comecei a escalar, jurei que me superaria, conquistaria e venceria a mim mesmo. A preguiça e coriza me perseguiam, fazendo com que eu não alcançasse meus objetivos, sempre tive vontade, mas sem ação de nada valia. Isso é mero pensamento, almejar alguma coisa não é fazê-la, eu precisava mudar.  

Esse morro mudou minha vida, pratiquei mudança graças a ele, sai do meu comodismo. No topo dele havia ouro e um cajado, conseguia enxergar claramente desde sua base. Comecei a escalada alegre, e na verdade desacreditado se era ouro puro mesmo, entretanto era! O terreno era tortuoso, um tanto acidentado, mas sem deveras dificuldades consegui escalar. Tendo só uma bolsa, pus o ouro nela e o cajado embarquei diante de mim junto a mão. Uma surpresa, o que parecia um morro se transformou mais adiante em uma depressão. Desci com muito cuidado e consegui chegar ao fundo sem muitas feridas, só uns arranhões, e dessa vez apareceu três coisas, um punhado de maçãs, uma rosa espinhada e esmeraldas. Um singelo sorriso me aparece no rosto, senti de verdade que as coisas estavam acontecendo. Peguei as pedras preciosas e coloquei na mochila, mas nem por isso deixei de levar as maçãs e a flor com espinhos. Segui, e me deparei com uma planície... vasta e vazia. Pensei em voltar, porque o caminho era tanto que nem conseguia se ver o final. Quando ia começar a dar meia volta, disse a mim mesmo: “Não!”, me virei, e perpetuei caminhando. 

Estava cansado da chatice e monotonia que aquele lugar estava me proporcionando. Até que se chegou maio, e em minha frente, um desafio muito, mas muito maior. No final daquela imensidão de plano, me encontrei no pé de uma montanha, imensa e quase impossível de se escalar, ou foi que eu pensei, porque logo que me pintou essa ideia, sem pensar, comecei a escalada. “Não vou me permitir mais nenhum tipo que negatividade ou moleza, preguiça ou insensatez, vou persistir e as consequências virão” – pensei, e conclui. 

A dor nas costas era muita, em várias regiões diferentes do corpo, eu estava pesado demais. Chegando mais ou menos na metade do caminho, segurei em uma pedra “falsa”, e cai. Meu desespero era tanto, com toda certeza iria morrer. Numa tentativa de diminuir a queda agarrei qualquer tipo de pedra que encontrei com o cajado, parei por uns instantes, mas por conta da velocidade ele se quebrou. Em um ato de desespero usei os braços, rasguei as palmas das mãos e distendi um dos meus ombros, além de ter batido o joelho nas rochas. Desci demais, todo meu progresso estava perdido, mas jurei para mim mesmo que ia continuar e assim fiz. Parei em uma pequena parte da montanha que tinha um apoio para descansar. 

Ao recobrar a subida decidi que todo aquele peso estava me atrapalhando por demais. Aliviei a carga me desfazendo do Ouro e da Esmeralda, doeu..., bastante, mas não mais que minhas mãos naquele momento. Deixei minha soberba de lado e segui caminhante. Sabia decisão, pois no mais tardar morria de fome, e eu não comeria aquelas pedras, não é? Desfrutei das maçãs, uma mais suculenta e doce que a outra, agradeci, e segui a longa caminhada.  

Junho já chegara, e eu sentia que já estava quase no topo daquela monstruosidade. Finalmente tinha chegado, demasiado ferido, com dores internas e externas..., até que eu enxerguei uma belíssima moça. Me aproximei, e ela está nos prantos, chorando e lamentando por algo que não queria me dizer, eu a perguntava, mas ela se recusava a dizer qualquer palavra. Eu, mesmo sem entender a dor que ela sentia, tenho certeza que não era mais que as minhas, entretanto, não foi isso que se passara na minha cabeça naquele instante..., eu só queria vê-la feliz, sorridente. Retirei a rosa, e, mesmo cheia de espinhos, a entreguei para a bela moça, ela aceitou e sorriu. Eu tinha conseguido. Após ela ter parado de choramingar, seus olhos conseguiam ver o belo pôr do sol que estava em sua frente, assim como eu. Uma paisagem indescritível que Deus estava nos proporcionando. Chorei..., mas de alegria, por estar cheio novamente, cheio de realização, alegria e amor. Senti que tinha conquistado o que eu queria, e assim descansei. 

Tire uma lição dessa história meu filho. Você vai se sentir vazio, muitas vezes. Incapaz, solitário, preguiçoso, se sentirá improdutivo e a falta de ação lhe incomodará, achará, muitas vezes, que a situação que se encontra é impossível. Pois eu te digo, esses momentos virão, se prepare, e cabe a você agir da forma correta conforme eles forem se mostrando. Te digo também, aja, pense e cumpra! A vida está aí meu filho, cheia de perseguições e maldades, que vão perpetuar na tua mente, é sua decisão não se deixar levar. Tome decisões corretas, saiba que viver é de altos, e principalmente, de baixos. Não se desespere diante de problemas, mas raciocine corretamente, se supere! Porque o prêmio virá, e será muito mais do que você imagina, acredite no seu velho. Se livre de coisas que você se sente dependente, podes pensar que aquilo te ajuda, mas na verdade lhe destrói. Vai doer, mas a glória será bem maior do que a dor, pois a verdadeira felicidade, é uma consequência da superação. Amo você, durma com Deus. Boa noite filho. 

 

 

Saulo Alves - 1° EDI 

 

Em um passo lento, Pedro deixa sua calçada e vai em direção à praça da igreja. Em sua mente, ele imagina que se não tivesse escolhido junho como o mês para esse ritual, talvez as coisas fossem mais fáceis. Junho é um mês gelado, pois o inverno chega, os dias são curtos e desanimados, as noites são longas, solitárias e vazias. Não há problema algum com a primavera, as flores dizem olá e Pedro adora o jeito como elas enfeitam o caminho para o trabalho, por que então ele não escolheu a primavera? O aperto no coração e a tristeza são diretamente proporcionais à proximidade do destino. 

 Na chegada, os ladrilhos vermelhos recepcionam Pedro e o guiam em um caminho curvo para a mesma mesa de sempre, ele abre a carta e sente o peso da culpa nas primeiras linhas. Ao decorrer da carta, Pedro derrama algumas lágrimas e percebe mais uma vez que os sonhos daquele remetente não se tornaram reais por sua culpa. Pedro não teve coragem para tomar as atitudes necessárias para realizar aqueles desejos. A Indonésia, uma música gravada, a mudança de trabalho e o telefone daquela pessoa nunca foram mais que aspirações da mente do remente.  

Pedro termina de ler e lembra que seu coração aperta até sangrar todo 17 de junho, pois a infelicidade do remetente é sua responsabilidade. Todos os anos no mesmo dia, Pedro recebe uma carta dessa pessoa, com junho vem o frio e a carta, logo vem a tristeza. Por que não na primavera? Por que não tomar coragem e tornar sonhos abstratos em realidade palpável? Pedro olha para os ladrilhos vermelhos, que são velhos amigos, pega papel e caneta e começa a escrever uma carta, o remetente dessa nova carta é Pedro. 

 

Breno Cerqueira Araújo – 1º DS

 

 

A carta do veterano 

 

          Era somente mais um dia normal de Junho, porém para mim ele foi um dos mais tensos da minha vida, já que no dia seguinte ia ter o meu primeiro jogo de Vôlei no qual vou ser o capitão do time, o antigo capitão teve que sair , então me escolheram para sucedê-lo, por isso passei a semana toda nervoso e treinando todos os dias, até que o treinador mandou que eu descansasse para o meu jogo de estreia. 

           Tentei de tudo para me acalmar durante o dia, desde jogar videogame até meditar, mas nada funcionou, a cada minuto que passava ficava mais nervoso, não conseguia pensar em nada, fazer nada e nem me acalmar. Tentei dormir para parecer que o tempo passava mais rápido, mas como já não dormia direito há mais de dois dias, não consegui nem mesmo cochilar, nada funcionava e parecia que cada minuto passava cinco vezes mais devagar. 

          Decidi pensar no jogo e criar algumas jogadas para usarmos, mas, quanto mais olhava para as posições e os jogadores, mais o nervosismo crescia, somente conseguia pensar em todos contando comigo para liderar, que todos esperavam que eu tivesse ótimas ideias, e pensava que eu não estava pronto para fazer aquilo, que ainda tinha muito para aprender. 

          A manhã e a tarde passaram assim, somente com um nervosismo constante e cada vez maior, até que, quando já estava anoitecendo, minha campainha tocou, mas, quando atendi a porta, a única coisa que encontrei foi uma caixa, levei ela para dentro e a abri, mas somente encontrei uma carta e um broche. 

          Quando li a carta minha surpresa foi enorme, nela estava escrito:  

- Não se preocupe com o jogo, sei que você está nervoso, mas o resto do time te escolheu por confiar em você, não se preocupe, tudo vai sair como 

 o esperado. Este broche que está na caixa era meu, usei em todos os jogos que fui capitão, por isso estou passando para você. 

          A caixa tinha sido mandada pelo meu antigo capitão, na hora que terminei de ler a carta e coloquei o broche, me senti muito mais calmo com o jogo, a partir de então consegui descansar, pensei em boas jogadas e dormi bem. 

           No dia seguinte, todos disseram que minhas ideias foram muito boas e que coordenei tudo muito bem, mas, quando estava na quadra, senti que não fiz nada daquilo sozinho, senti como se meu veterano estivesse bem do meu lado o tempo todo, como se tudo que eu fiz tivesse uma parte dele. 

          Este é o motivo de eu ter usado aquele broche em todos meus jogos, toda a confiança e calma que tive, só consegui ter por causa dele e da sensação de ajuda que ele me deu, e por esta mesma razão estou te passando ele, agora que você vai ser capitão, quero ajudá-lo da mesma forma que meu capitão me ajudou. 

- Nossa! Não tinha noção de como este broche foi importante para o capitão, vou usar ele sempre a partir de hoje! 

 

Henrique Alves Ferreira – 1º DS

 

 

 

 

A lenda do ladino. Contos de Arkia. 

 

O reino de Arkia ganhou um novo rei que, ao contrário do anterior, preocupava-se com seu povo acima de tudo. Como uma de suas primeiras medidas, ele propôs acabar com a corrupção do antigo reinado, para isso, ele anulou acordos que o antigo rei havia feito, aos quais uma parte dos impostos, recolhidos da população, ia para os nobres, como uma recompensa por suas terras produtivas, mas essa quantia nunca era repartida entre os trabalhadores. 

Em junho, um nobre, chamado Edward, entra na mais exclusiva taverna, onde apenas os nobres frequentam. Ele vai em direção a uma mesa sentar-se com seus amigos, Rudolph e Mark, começam a conversar. 

- Esse novo rei, - Disse Edward. - Ele acabou com o acordo que já durava há anos.  

- Exato! Isso é um absurdo! Daqui a pouco, ele vai querer que aumentemos os salários dos trabalhadores e por aí vai! - Disse Rudolph, que estava à esquerda de Edward. 

- Ou pior! Vão adotar os direitos trabalhistas, ouvi dizer que o povo de um reino vizinho inventou essa coisa e que planeja difundir ela pelos outros reinos. Já pensou se isso acontece?! - Disse Mark, que estava na outra ponta da mesa. 

- Não quero nem pensar nisso! - Disse Edward. 

A conversa foi interrompida por uma bela e pequena elfa garçonete, de lindos olhos verdes, que veio lhes trazer as bebidas que haviam pedido. 

- Esse novo rei, - Resmungou Rudolph. - Ele segue o código dos cavaleiros muito à risca! 

- É verdade! Como se meros plebeus merecessem receber mais pelo trabalho, se essa gente ganhar dinheiro, passará a querer viver na nossa nobre e bem estruturada, há séculos, sociedade. Não podemos deixar isso acontecer!  -Disse Mark. 

- Que fique só entre nós. - Disse Edward, abaixando seu tom de voz. - Eu não estou aderindo a essa nova medida, continuo a negociar com os bancos da cidade para que desviem parte do dinheiro dos impostos para minha conta e vocês deveriam fazer o mesmo! 

Rudolph e Mark se entreolharam, fazendo uma cara de quem concordavam, nem perceberam que o taverneiro, que possuía uma cicatriz em seu braço e olhos verdes, estava observando-os. 

- Eu não faria isso! - Disse um homem, vestindo um manto azul e carregando um cajado, que se aproximou deles. - Nunca ouviram a história do Ladino? 

- Ladino!? - Perguntou Mark. - Quem é esse? 

- Ele é um assassino, o melhor de todos. - Respondeu o homem. - Dizem que ele surgiu devido à grande onda de inspiração, de um futuro melhor para o povo, que o novo rei causou. Ele é conhecido por matar aqueles que, mesmo com a nova medida, continuam a desviar o dinheiro público. Ele nunca falha! 

- Isso é bobagem! Quem conseguiria matar nobres como nós com tanta facilidade? - Perguntou Edward com desprezo. 

- Ninguém sabe. - Disse o homem - Nem mesmo a guarda real conseguiu desmascarar o Ladino. 

- Isso é só história! - Gritou Rudolph, o que chamou a atenção de um anão, que tinha uma cicatriz no braço, sentado na mesa ao lado. - Vá embora, velho! 

O homem se retirou. Os três amigos continuaram conversando pelo resto da noite, tomando a decisão de que não iriam aderir à nova medida do rei. Já era madrugada quando os três saíram da taverna e foram cada um para as suas casas. 

No dia seguinte os corpos dos três foram achados, no meio da rua, já mortos. Testemunhas contam que viram uma figura de olhos verdes perto de Edward quando voltava para casa, outros contam que viram uma figura com uma cicatriz em seu braço perto de Rudolph a caminho de sua casa, já outras, dizem terem visto uma figura pequena perto de Mark quando ele também voltava para casa. Mas a maioria das pessoas acreditava que quem fizera tal ato brutal era o Ladino. 

 

Nota: esse conto tem ligação com os contos de maio. 

 

Henrique Yudi Ikeshiro – 1º DS

 

Conspiração 

 

Se você está lendo essa carta, significa que eu falhei na minha missão, o ano era de 2009, 25 de julho de 2009, o tão conhecido rei do pop acabara de ser dado como morto, pelo mundo todo houve pessoas lamentando a sua morte, o astro Michael Jackson deixou a sua marca na história da humanidade, ou pelo menos era isso que pensavam. A morte de Michael sempre foi muito enigmática, e cheia de furos, por isso eu resolvi investigar essa história mais a fundo. Ainda me arrependo de ter feito isso, mas a essa altura do campeonato não podia mais desistir, eu tinha que mostrar ao mundo a verdade.  

Nesse mundo tão grande, não tem como ele funcionar sem alguém por trás para comandar tudo, embora várias pessoas ainda discordem o mundo é e sempre foi regido por alguém, ou melhor, por um grupo de pessoas. Com todas as minhas buscas, não consegui achar muita coisa sobre eles, mas eu sei que eles existem, eles estão por toda parte. Eles usam o codinome “Iluminati” apenas para disfarçar suas ações, o próprio grupo de hackers conhecido como “Anonymous” foi criado por eles para mascarar os seus ataques. Eu ainda não descobri quem são, mas sei que eles são um grupo de pessoas poderosas, políticos, monarcas, imperadores, donos de grandes empresas, astros famosos, eles regem o mundo a própria vontade.  

Em minhas investigações, acabei achando pistas que me levaram a descobrir o real paradeiro de Michael Jackson, porque sim, ele não está morto. Esse grupo que rege o nosso mundo apenas quis que todos pensassem que ele estava morto.  

 Tudo começou com o médico de Michael, Conrad Murray, ele foi uma peça chave para o desaparecimento do rei do pop. No corpo de Michael disseram que foi encontrado Propofol e Benzodiazepina, substâncias que combinadas podem induzir o usuário a um transe profundo, e esses mesmos remédios também foram encontrados no quarto de Michael. O médico de Michael, coagido por esse grande grupo, o induziu a um transe profundo, começando com dozes diárias em pequena quantidade para ajudá-lo a dormir.  

No dia 24 de julho de 2009, Murray usou uma dose gigantesca em Michael, o forçando a entrar eu uma espécie de coma induzido. Logo após isso, Michael foi levado até um laboratório de criogenia chamado Cryonics Institute, onde deve o seu corpo conservado em um tanque de nitrogênio líquido. Assim como Michael, várias outras celebridades foram colocadas nesse laboratório, como Elvis Presley e Walt Disney.

Esse grupo tem ocultado muitas coisas por eras, a ida do homem à Lua por exemplo, que não passou de um vídeo encenado em Hollywood, a morte de Adolf Hitler, Alexandre o Grande e Julius Caesar, e a mais importante de todas, o real formato do planeta Terra, doutrinado a muitos como um geoide enquanto os antigos estavam certos o tempo todo.  

Eu vi muito mais do que devia, tive que invadir locais e roubar provas para poder conseguir comprovar tudo isso, mas em breve eu revelarei tudo para a humanidade. Eles sabem que eu sei demais e estão vindo atrás de mim, eu não tenho muito tempo, tenho que divulgar isso rápido.  

Nesse momento estou em Paris, comprei uma passagem para Nova York, o voo sai no dia 13 de novembro de 2013, peguei um voo que fosse bem de noite para que não desconfiem, vou divulgar tudo o que eu sei para oThe New York Times, esse foi um dos únicos jornais ainda confiáveis que eu achei, dentre de poucos dias todo o mundo saberá da verdade. Caso eles me peguem antes disso, quero que saibam que deixei uma cópia de todos os meus arquivos em um cofre que está escondido em uma usina na cidade de Nnewi, na Nigéria. 

Como meu último pedido, peço a você que encontrou essa carta que encontre e divulgue essas informações, dentre elas então vários planos executados por essa organização e que ainda vão ser executados. Os mais pavorosos que eu encontrei foi a provocação do “The Big One” e a criação de um vírus mortal que estão preparando para soltar na China dentro de pouco mais de 4 anos, espero que eu consiga entregar essas informações a tempo. 

 

André Portela Lino – 1º DS

 

O amigo 

 

Havia uma criança chamada Arthur, que sempre tinha poucos amigos, sentava-se no canto da sala e conversava sozinha, sempre que tinha trabalho em grupo fazia sozinho, na hora do recreio ficava quieta comendo seu lanche sozinha numa mesa. 

Um dia ele sofreu um acidente sério de carro, que o fez passar alguns dias no hospital, depois de algumas semanas sobre observação médica, ele pode voltar a escola, vivia sentindo dor de cabeça, mas não sentia-se tão sozinho quanto antes, ele achava que alguém ouvia o que ele pensava e que alguém conseguia alegrar teus dias, mas não sabia quem era esse alguém. 

Ele chega em casa, mais alegre do que antes e seus pais estranhavam isso, mas decidiram não reclamar, e só falavam coisas como: 

-Que ótimo filho, ainda bem que você está se dando bem e melhorando! 

Eles imaginavam que seu filho tinha feito um novo amigo, alguém que tinha entrado na escola recentemente, Arthur nunca falava do seu amigo para seus pais, então eles não sabiam quem poderia ser. 

Um dia, Arthur viu o motivo de sua felicidade, ele finalmente conseguiu ver o amigo que o deixava feliz todos esses dias que ele era excluído dos grupos de amigos por estar estranho e com a aparência deformada. 

Seu amigo era belo, nunca havia visto tanta perfeição na sua vida, ele era bonito, gostava de conversar com ele, brincava com ele no recreio, ajudava ele nos trabalhos, entendia o motivo de por que Arthur não socializar. 

Passados alguns meses, aproximadamente no mês de junho, seus pais já haviam percebido que esse amigo de Arthur era uma alucinação vinda de um tumor cerebral que ele havia adquirido, ele tomava os remédios certos todos os dias, mas não sabia o motivo de tantos remédios e da enorme preocupação de seus pais, ele tinha medo que algum dia perdesse teu amigo. 

Eles haviam percebido do seu amigo por conta da pandemia de um vírus, que no local onde eles viviam foi popularizado, mas não categorizado como mortífero, somente como uma gripezinha. 

Seus parentes eram cuidados quando o assunto era a saúde da família, por isso não permitiam o filho sair de casa e ninguém ir para a casa deles. 

Mas mesmo assim, Arthur dizia que conversava com seu amigo todos os dias e que ele dormia na sala, foi nesse momento que os seus pais tiveram de arriscar e sair para ir em um neurologista para ver o que estava acontecendo, foi lá que eles descobriram que o filho estava tendo alucinações por meses. 

Seu amigo sempre foi um cara que Arthur confiava, ele sempre o ajudava com qualquer coisa, como por exemplo: 

-Eu não acho que você deva ficar triste por não ter amigos, você sempre tira notas boas na escola, e você me tem para te ajudar 

Por isso, Arthur sempre era fiel a seu amigo. Porém, infelizmente seu amigo sugeriu uma coisa horrível para ele, sugeriu que ele saísse na rua para visitar a frente da escola e ver como ela estava. Como Arthur nunca havia questionado seu amigo, e lembra do seu presidente falar que esse vírus nada mais era que uma simples gripezinha, ele foi a rua e visitou sua escola, que não via a meses. 

 

Arthur Mariano Percinoto – 1º DS

 

Pazzo 

 

Havia um homem chamado Pazzo, que morava em um apartamento. Mas Pazzo não gostava de viver lá. Ele achava todos os moradores estranhos e malucos, mas o pior deles era seu vizinho, Pedro. 

Pedro agia de forma muito gentil com os outros, mas Pazzo sabia que havia algo de muito errado com ele, ele podia sentir isso pela aura de Pedro. Por isso, Pazzo evitava ao máximo Pedro e avisava aos outros moradores que Pedro só agia daquele modo por que queria atrai-los para uma armadilha, mas aqueles tolos não acreditavam. 

Com o passar do tempo, a suspeita de Pazzo sobre Pedro crescia exponencialmente. Toda noite Pazzo escutava barulhos estranhos, muito estranhos vindo do apartamento de Pedro, Pazzo não conseguia dormir com aquela pessoa no apartamento ao lado. 

Pazzo passou a prestar mais atenção e percebeu que pessoas entravam em sua casa, mas ninguém saia. A única coisa que saia eram sacos de lixo, que Pedro colocava para o lixeiro, cheios com uma massa verde, com um toque vermelho, gosmento, com pelos e pedaços estranhos dentro. 

Pazzo até abriu e mostrou um desses sacos para um morador indagando: “Olhe bem para essa coisa! Não pode ser algo normal! Já disse que Pedro é uma ameaça ao prédio!”, mas o morador respondeu que era apenas um saco com restos de comida. 

Pazzo não aguentava mais essa situação, então decidiu tomar atitudes ousadas. Iria descobrir o que era aquilo tudo e achar uma prova contra Pedro. 

Em uma noite fria do final de junho, Pazzo invadiu o apartamento de Pedro. Começou a procurar algo suspeito até que abriu a geladeira e achou algo incrivelmente perturbador: potes cheios de massas nojentas, algumas vermelhas e outras verdes, e o pior, dedos e outros órgãos humanos decepados! 

Uma ânsia de vómito descomunal invadiu o estômago de Pazzo, e ele colocou tudo para fora. “O que aquilo estava fazendo ali? Não deveria ter comida ai?!”. Embora enjoado, continuou a procurar mais provas contra Pedro. Havia alguns livros em uma estante, e quando puxou um deles, uma passagem secreta foi revelada! Pazzo tomou coragem e entrou por ela. “alguém tem que fazer isso.” 

A passagem levava a uma espécie de sótão. Estava muito escuro, e quando acendeu a luz, Pazzo viu algo inacreditável! Havia um laboratório secreto dentro do apartamento de Pedro! Havia frascos de vidro cheios com uma substância verde sendo misturados com pedaços de carne e sangue. Ainda havia rituais estranhos com carne no chão. 

Aquilo foi mais que suficiente para convencer Pazzo do que ele já sabia a muito tempo. Pedro era um maníaco assassino perigoso. Mas havia mais uma coisa a ser feita. Salvar o dia e ser um herói. Pazzo pegou um isqueiro do laboratório e colocou fogo no lugar.  

Havia um homem gentil chamado Pedro, que morava em um apartamento. Ele gostava muito de morar lá e convidava pessoas para jantar em seu humilde apartamento. Só havia uma pessoa que não gostava dele, um homem chamado Pazzo. 

Esse homem o acusava de coisas loucas e impossíveis, como um laboratório gigante usado para realizar experimentos com carne humana escondido dentro do apartamento de Pedro. Todos sabiam que Pazzo era perturbado. 

Em uma noite fria do final de junho, Pazzo colocou fogo no apartamento de Pedro, matando os dois. 

 

Asaph de Jesus Santos - 1° DS   

 

 

Conto de Junho 

 

     A cozinha dos unicórnios estava toda enfeitada, afinal estamos em junho, mês de comemorações para os unicórnios da Babilônia. Fazem rituais e grandes banquetes para o Deus do Chifre que vem no último dia do mês para agradecer. Como forma de retribuir, ele abençoa a todos com o poder de voar. 

       A Babilônia era um mundo mágico muito colorido, se localizava em um cantinho da Lua, longe de todos os outros mundos mágicos.   

Sempre que esse período chega à cozinha, fica muito sobrecarregada para preparar os diversos pratos que serão servidos nos banquetes, dentro de onde preparavam os alimentos havia dois chefes rivais que a comandavam, um odiava a comida do outro, o que complicava ainda mais o processo das preparações. 

Um chefe gostava de comida clássica, enquanto o outro gostava de uma comida mais bruta, era uma verdadeira guerra para decidir o que iriam fazer e como fariam, não chegavam em lugar algum, só era decido o prato quando um dos chefes precisava sair para resolver problemas de sua vida mágica, então o chefe restante assumia e fazia o que gostava e vice e versa. 

Os banquetes foram feitos desta maneira o mês inteiro, no último dia de junho. 

O banquete final foi preparado para a chegada da divindade, o Deus do Chifre finalmente chegou, com uma elegância esplêndida cumprimenta a todos e agradece pela comida e pelas rezas, todos gritam: 

_ Salve o melhor Deus das galáxias mágicas! – dizem os unicórnios. 

A festa começa! Todos foram devorar as deliciosas comidas expostas na mesa, porém, pelo final da festa, flagraram uma coisa jamais vista antes, ambos os chefes estavam comendo a comida um do outro, a divindade, já percebendo a situação, pede para que eles parassem de esconder o que escondiam  muito tempo. 

  _ Eu sempre adorei sua comida clássica é a minha predileta, mas não podia admitir que alguém cozinhasse tão bem assim. – disse o chefe. 

 _ Eu também adoro sua comida mais bruta com um sabor mais rústico, é tão delicioso... – diz o outro chefe. 

A rivalidade dos dois não passava de uma briga de orgulho, os unicórnios ficaram saltitantes e gritaram pelo que acabava de acontecer, os chefes se demonstraram gratidão ao Deus do Chifre por ajudá-los a perceberem que eles não precisavam daquilo, pouco tempo depois, a divindade abençoa a todos com sua graça, se despede e regressa para o universo dos deuses. 

 

Aaron Ferraz do Amaral M. da Silva – 1º DS

 

Um simples conto de amor 

 

Em algum lugar desse mundo desconhecido, havia uma garota, chamada Lua, ela tinha a pele negra e com uma beleza encantadora, que todos os homens se apaixonavam por ela, e fariam de tudo para que ela fosse a mulher de suas vidas. Mas essa garota não queria ter nenhum tipo de relacionamento com esses homens que não a conheciam direito, ela estava em busca de uma aventura, porém, não sabia por onde começar. 

Elliot, seu amigo de infância, disse no dia anterior que quando chegasse o mês de junho, no seu aniversário, eles dois iriam fazer uma trilha para que no final pudessem admirar a natureza. Lua ficou muito feliz com o convite, pois finalmente iria se aventurar de novo depois de um longo tempo. 

O tempo passou, e o dia do seu aniversário chegou, Elliot estava muito feliz, porque iria fazer uma surpresa para sua amiga, e Lua estava bastante feliz finalmente chegou o dia de fazer uma trilha com a pessoa que mais ela mais gostava. 

Fizeram a trilha e chegaram no seu destino, Lua e Elliot ficaram encantados com a paisagem e começaram a montar um acampamento básico para que pudessem passar a noite ali. Anoiteceu, e era noite de lua cheia, Elliot vendo sua chance de pedir Lua em namoro, se aproximou perto dela e disse – Lua, eu tenho uma coisa para te dizer, nessa noite a lua e você estão com seu brilho natural e eu queria saber se você gostaria de ser minha companheira por toda vida? – Lua ficou encantada com o pedido do seu amigo e disse sim. 

 

Moral: Não fique com alguém que te de o mundo, mas fique com alguém que faça seu mundo mais bonito. 

 

Henrique Guimarães Cabral – 1º ADM

 

Junho, inverno começava, mas era quente como sempre foi em minha cidade a qual sempre gostei, ainda mais agora. Mas meu filho mais velho logo foi embora quando acabou a faculdade, falava que não aguentava o calor daqui, me lembrava achando graça mas logo me senti mal. Sempre fui forte e mesmo agora tendo mais de 70 anos, nunca fui aquele senhor calmo que só joga palavras-cruzadas... Mas agora com 77 anos depois dos infartes que sofri tudo que fazia parecia tão distante... Meu filho voltou à cidade para cuidar de mim e deixou a minha neta com a mãe. Já eu, fui das casas que construía à cama de minha própria, de minha casa ao quarto do hospital tudo parecia cada vez mais distante. 

Meus pensamentos iam longe, quando meu filho chegou e me falou: 

- Tem algo branco caindo do céu. Será que é neve, pai...? – quis rir, quis abrir meus olhos para ver, mas a dor não deixava, os equipamentos não deixavam, e agora nem chorar mais eu podia.  

Mas logo escutei os médicos chamarem Paulo e ele logo saiu do quarto. Fiquei tentando abrir meus olhos numa tentativa inútil para ver a “neve” até que senti algo gelado tocar minha mão. Tentava cada vez mais abrir meus olhos, mas não conseguia. Então apenas desisti e senti aquele geladinho em minha pele que cada vez mais aumentava de tamanho até tomar o formato de uma mão que me puxou forte, me deixando cada vez mais leve, me fazendo deixar tudo aquilo para trás. 

-Por que não tenta de novo? – escutei uma voz suave falar para mim. Tentar? Sabia que não iria conseguir... Mas eu me sentia tão leve que eu tentei, tentei até não conseguir mais uma vez. 

Porém meus olhos foram abertos suavemente e as lágrimas de frustração puderam rolar pelo meu rosto enquanto a luz do Sol fazia meus olhos se fecharem um pouco, mas então eu vi diante de mim uma garota. Ela era familiar, mas não sabia de onde a conhecia. E de repente  a mesma me deu um abraço e perguntou: 

-Para onde quer ir? 

-Ir? 

-Isso. Posso te levar para onde quiser. Sair daqui, viajar pelo mundo, deitar em um campo gramado, eu te levo para qualquer lugar que quiser e o senhor pode ficar lá até tudo acabar. 

- Você é um floco de neve muito gentil, tirou a minha dor, abriu meus olhos, quer me levar para ver o mundo... Então eu poderia pegar meu carro e dirigir até as casas que estava construindo? 

Ela sorriu afirmando e em um instante eu estava no carro, dirigindo como era de costume, indo até a casa que estava construindo antes de adoecer. Chegando lá, senti o cheiro da terra e vi a pilha de tijolos que tinha deixado ali, como eu sentia falta daquilo... 

Fui direto pegar um tijolo e cimento. Faltavam apenas algumas partes que comecei a preencher, por isso sempre que Paulo vinha com minha neta me visitar ele brigava comigo, por nunca parar quieto, mas ela ficava maravilhada com o vovô. Eu espero que eles venham ver essa última casa que construí... 

Me virei para a garota de neve e falei para que me levasse ao hospital de novo. 

-Ao hospital? Mas não é ruim estar preso lá? Não quer sair de lá? Ter uma última vista bonita? 

- A vista mais bonita é poder ver sua família consigo. 

Então voltamos e me vi na cama, magro, pálido, com as mãos inchadas, olhos fechados e com equipamentos e remédios injetados em mim. Meu filho do meu lado com a minha esposa, sentados nas cadeiras, meu filho com a mão em cima da minha, minha esposa com o pequeno boneco de Jesus Cristo e então o que eu já esperava chegou. Meus batimentos cardíacos haviam parado e o som do aparelho dava a triste notícia a eles. 

Olhei para a garota que também chorava e perguntei: 

- Por que está chorando? Eu pude ter alguns segundo de paz terminando a minha casa, vendo minha família sem ter dor. – enquanto escutava passos no fundo, os médicos correndo em direção ao quarto, a porta do quarto foi aberta mas não era um médico. 

- Porque eu cheguei cinco minutos atrasada. – e ela sumiu com um sorriso no rosto. 

Virei de novo para as pessoas no quarto e cheguei perto dela e sussurrei em seu ouvido “Obrigado minha neta.” e me fui enquanto a escutava falar baixinho: 

- Desculpa vovô, desculpa. Descanse em paz. 

 

Marina Nishimura de Carvalho - 1°ADM 

 

 

Para o meu eterno amor  

 

Querido Jungkook, 

 

Eu sei que eu errei muitas dizendo não te amava, apesar de ser a maior mentira que eu já contei em toda a minha vida. Eu podia ver nos teus olhos o sentimento que você nutria por mim apenas pelo brilho do teu olhar, apesar de saber que não ia durar muito. 

Eu estou escrevendo isso depois de mais um show, depois de mais uma performance da música que tanto me machuca, da música que me lembra nós dois, The truth untold. 

E eu já não posso mais lidar com isso. 

Jungkook, a pessoa por quem eu sou apaixonado desde quando você entrou na secretaria da empresa para terminar de arrumar o seu contrato. 

Jun... Você era tão pequeno, tão fofo, tão frágil... Eu adorava te provocar, admito, mas era para admirar suas bochechas coradas depois de te encarar por mais tempo que o necessário. 

Mas eu só descobri que o que eu sentia era amor, quando demos nosso primeiro beijo. Essa é a única lembrança que eu não desejo  esquecer. 

Você estava cansado depois de mais um dia de treinos intensivos pré-debut, porém ainda assim treinamos mais uma vez  depois que todos os outros garotos já haviam ido embora, e vendo novamente seu rosto corado, dessa vez pelo esforço, eu te beijei. O melhor beijo da minha vida. 

Nossa relação não melhorou muito depois desse beijo, na verdade, você ficava cada vez mais envergonhado e eu apreciava isso cada vez mais, até o dia em que você atingiu sua maioridade. 

Eu não havia desistido de nós, e muito menos sabia se você realmente gostava de homens, uma vez que na Coréia é muito incomum... Mas como uma tradição, uma das três coisas obrigatórias ao chegar a maioridade é um beijo e você veio, novamente depois que todos estavam ausentes, pedir pelo meu. 

Custo a acreditar que você teve coragem o suficiente para me pedir aquilo, mas inacreditavelmente, você teve. E nós ficamos, não só uma, mas várias vezes depois desses ocorrido. 

Os anos passavam e nós dois ficávamos cada vez mais íntimos, ao mesmo tempo em que nosso grupo crescia. 

Nós ficamos famosos, Jeon Jungkook, e era cada vez mais requisitado pela empresa que ficássemos distantes. Entretanto, nossa química transbordava por olhares e ações. Como quando eu sentei no seu colo durante um show, porque você estava machucado... Ou quando eu beijei seu pescoço durante um fan meeting. 

Tantos momentos e lembranças... Mas o único momento em que pudemos ser nós mesmos e agir como um casal, foi durante nossa viagem para Tóquio no mês de junho, o mês dos namorados. Eu fui muito feliz, Jungkook, feliz ao ponto de achar que meu coração iria explodir a cada vez que eu olhava para o teu sorriso. O seu tão especial sorriso de coelho. O meu coelho, se bem que hoje eu não posso mais te chamar assim. 

 

Durante essa mesma viagem, você me pediu em namoro logo após a nossa primeira vez, você me fez seu e eu não poderia estar mais realizado. Nosso amor era mútuo e imensurável, mas ainda assim, eu tive que negar o seu pedido. 

Acredite, eu pensei mais em você do que em mim ao dizer não. 

Nós éramos, quer dizer, nós somos jovens, Jeon. Eu queria gritar para o mundo todo que nosso amor era perfeito, que você era o meu herói, que eu te amava e era muito feliz ao seu lado...  

Mas como eu já disse, nós ficamos famosos, mais do que era possível de imaginar vindo de sete coreanos que vieram do nada. Nossa vida nunca foi fácil, mas precisamos concordar que ficou ainda mais complicado lidar com toda essa fama.  

Eu te amo tanto, Jungkook, ao ponto de negar uma das suas maiores demonstrações de amor. Nós não somos livres, e seríamos ainda menos caso namorássemos, por isso digo que pensei mais em ti do que em mim mesmo.  

Eu não queria viver escondido, não poder demonstrar meu amor em todos os lugares possíveis e anunciar para todos sobre nosso relacionamento seria impossível para mim.  

Eu também pensei na reação das pessoas ao saber de uma relação homossexual, dentro do grupo coreano mais famoso, porém não se tratava apenas de nós, ainda tinham outros cinco meninos incríveis que faziam parte daquele grupo... Do grupo que inclusive você ainda faz parte.  

Depois de ter sido negado, você ficou distante, você se tornou frio, mas, na frente das câmeras, você agia como se nada tivesse acontecido. E eu não te julgo, imagina se não nos falássemos ainda na presença dos fãs?  

É Jungkook, eu sei que você ainda me ama, eu consigo sentir, mas depois de um tempo, tudo ficou ainda pior.  

As coisas conseguiram piorar quando você me viu conversando com Taemin, o nome que eu ainda tenho traumas em ouvir.  

Você achou que meu "não" era devido ao sentimento que eu nutria por Lee Taemin, sentimento esse que você criou a partir de uma foto tirada por alguma fã, durante um evento.  

Mas eu não vou te julgar por ter conclusões precipitadas, eu não vou te julgar por ter me culpado, por ter me chamado de nomes horríveis e muito menos vou te julgar por aparecer junto com meu melhor amigo, Kim Taehyung.  

Tae, caso você esteja lendo esta carta, saiba que você vai ser para sempre a minha alma gêmea, mesmo depois de tudo.  

Eu não pude e nunca vou poder expressar o jeito que meu coração foi partido quando vocês anunciaram um namoro publicamente e foi ainda pior quando eu tentei falar com você novamente, mesmo sabendo que era tarde demais.  

Ainda assim, eu quis acreditar que havia uma possibilidade mínima de que você pudesse me entender, mas você, mais uma vez vez questão de me mostrar, que não. Essa possibilidade não existia, não mais.   

A culpa é minha, eu sei.  

Eu fui covarde em não te falar a verdade.  

Eu fui covarde em omitir o que eu realmente sentia.  

Eu fui covarde quando eu não escolhi enfrentar todas as dificuldades com você.  

Você e o Taehyung formam um casal tão lindo... O casal que eu queria ser com você.  

Mas não fomos. 

Eu espero que você não se esqueça dos momentos que tivemos juntos, de todos os "eu te amo" que trocamos e de todos os sorrisos que eu dirigi a você.  

Nosso amor sempre foi impossível, apesar de nós estarmos sempre destinados. Você questão de cortar o fio vermelho que nos ligava. 

Eu não me importo mais, ou pelo menos finjo que não. É por isso que essa carta serve oficialmente para anunciar a minha saída do grupo. 

Eu não suporto mais lidar com isso. 

Eu não aguento mais chorar quando eu lembro do que tínhamos. 

Te desejo o melhor sempre. Obrigada por estar comigo quando eu precisei... Mesmo que isso faça muito tempo. 

Obrigada por ter secado minhas lágrimas quando eu me sentia inseguro ou quando eu errava alguma coisa durante o show e você vinha me consolar.  

Isso não vai dar certo, adeus Jeon Jungkook.  

Eu não me arrependo de ter te conhecido e muito menos de ter te amado.  

Eu ainda te quero e essa é a minha verdade não dita.  

 

                                                                                           Para o meu eterno amor,  

                                                                                                                                                                                                                                                             Park Jimin.  

 

Maria Angélica Vieira de Souza Coelho – 1 ADM

 

June Junina em junho do amor

 

June nasceu no mês de junho e seu nome foi escolhido com base nisso. E cresceu com a ideia de que junho era um mês muito especial, pois nele se concentravam seu aniversário, festas juninas e o dia dos namorados. Um dia, June estava dispersa enquanto caminhava com a amiga Ana, que lhe perguntou: 

— O que foi, June? 

— Hã? — Respondeu June, distraída. 

— Por que está com essa cara? — Perguntou Ana. 

— Você quer ouvir a minha história? — Perguntou June, desconfiada. 

— Acho que não tenho escolha agora que perguntei. — Responde Ana. 

— Bom, então tudo começa quando decidi participar da festa junina do meu bairro. No dia que anunciaram as duplas, descobri que dançaria com o garoto mais bonito que já vi na minha vida. Assim que olhamos um para o outro sabia que era amor mútuo, mas eu tinha que ter certeza, então esperaria mais um pouco. — Explica June. 

— E no final, você foi rejeitada de novo? — Ironiza Ana. 

— Não tenha conclusões precipitadas! Não cheguei ao final ainda! Eu o cumprimentei animada e ele me cumprimentou de volta meio sem jeito. Isso resume a nossa conversa, mas tenho certeza de que foi só porque ele não tinha palavras enquanto estava com uma perfeição como eu e ... — Explicava June quando foi interrompida de forma irônica por Ana: 

— Com certeza. 

— Continuando — disse June —, começamos os ensaios no final do sábado seguinte. Em todos ensaios, aumentei mais a nossa amizade e a paixão dele por mim. Faltando quatro dias para a festa, quando fui comprar um tecido que precisava para fazer os detalhes do meu vestido, me encontrei com ele no trem e, sem querer, ele acabou me empurrando e eu torci meu pé. Ele ficou envergonhado e preocupado, mas eu o animei e, no fim, quase como desculpa, ele aceitou me namorar. — Explicava June. 

— O quê!? — pergunta Ana com indignação. — Mentirosa, pare de mentir!  

— Pare você de me interromper! — Reclama June que logo se lembrou: 

— Falando em interromper, acho que o interrompi quando ia falar alguma coisa logo, depois de concordar com o namoro, mas o que importa é que decidimos nos encontrar algum dia depois da festa. Acho que ele tentou me dizer algo na festa junina, mas não ouvi direito porque eu estava com pressa e disse para ele que comeríamos sushi hoje mais tarde. — Explica June. 

—Tenho certeza de que vai dar tudo certo, mas estou um pouco nervosa. — Continuou June. 

— Desista! Ele com certeza achou que era brincadeira, mas você nem deu chance para ele te recusar. — Diz Ana. 

— Pare de jogar mau olhado. Está me deixando mais nervosa com essas suas falsas acusações. Tchau! Não quero ouvir mais nada de você, sei que serão só comentários desencorajadores e tenho que me preparar para o meu encontro. — Fala June. 

— Ah tá. Então tchau, não falte da escola amanhã, só por ser uma iludida, tá? —  Ironiza Ana. 

— Não sei do que está falando. Tchau. —  Retruca June. 

Mais tarde: 

— Oi, Décio, Você tá esperando aqui, está estiloso como sempre. — Comenta June. 

— Obrigado. — Diz, sem jeito, Décio. — Tenho que te dizer uma coisa. 

— Eu te entendo, eu também estava muito ansiosa para o nosso encontro, mas não sabia que você também estaria, isso me alegra. Adoro sushi, mais ainda de sushi cru, e você, não acha que esse alimento é perfeito? — Pergunta June. 

— O quê!? — Responde indignado e com raiva— Na verdade, eu odeio sushi, não sei como alguém pode gostar de comer coisas cruas: dá nojo! — Grita Décio. 

— O que, como ousa falar isso do maravilhoso sushi, você não pode ser feliz assim e se não gosta de sushi devia ter me falado antes e eu não teria decidido assim.— Diz June. 

— E quando você me deu uma chance de te questionar em algo? Eu gosto é de macarrão! Então com isso, o nosso primeiro encontro está arruinado. Acho que...— Dizia Décio quando foi interrompido. 

 June se lembrou do que a amiga falou e sentiu uma imensa vontade de chorar, mas, apesar de não gostar de macarrão, queria fazer mais um último esforço e com lágrimas nos olhos o disse: 

— Certo, eu também não quero que nosso encontro termine assim, — ela seca as lágrimas — então teremos que fazer uma adaptação nele, conheço ótimos restaurante de macarrão na região, então vamos comer macarrão! — Conclui com lágrimas nos olhos novamente. 

—O q... Ahh desisto. Certo, faremos assim então. — Concorda Décio. 

— Sim! — Diz alegremente June. — E, no próximo, iremos ao parque de diversões. 

—Zoológico é uma opção melhor. — Contraria Décio. 

—Mas. — Insiste June. 

—Tá, parque de diversões. — Concorda Décio. 

No dia seguinte, June não faltou à aula, quebrando as expectativas da amiga que estava certa de seu fracasso. Outros encontros vieram, e assim esse casal conviveu com várias outras discordâncias, mas felizes para sempre. Afinal, com tantas diferenças, descobriram que podiam aprender um com o outro além de aprenderem a ser flexíveis em suas escolhas. 

E tudo aconteceu pela determinação de June em arrumar um namorado em junho. 

 

Sarah Munaretti Fenerich - 1° ADM

 

 

Conto de junho


Bom, como eu já disse, a briga entre meus pais era eterna, e por mais que eu tentasse entender esse dois, eu nunca conseguia. 

Lá estava eu, em mais um dia me arrumando para ir para a escola, quando então ouvi mais uma briga deles. Mas dessa vez, era diferente. Eles pareciam, sei lá, perder p controle. Do meu quarto dava para escutar perfeitamente minha mãe reclamando: “você não pensou na nossa família quando fez isso! E agora? Que futuro você quer dar às nossas filhas carregando esse segredo nas costas?”. 

Fui pra escola com aquelas palavras da minha mãe invadindo todos os meus pensamentos, mal consegui ouvir os professores falando sobre aquelas bobagens históricas e matemáticas. Tudo que eu queria era saber o que havia acontecido para a briga ser tão feia dessa vez, e o que meu pai escondia que poderia arruinar meu futuro e o da minha irmã? 

Quando cheguei em casa, fui até o quarto deles, onde achei uma caixinha que não tinha visto antes em casa, era um conjunto de mapas. Aquilo não pareceu nada de início, mas depois quando voltei ao meu quarto esses mapas também não saíam da minha cabeça.  

Voltei e peguei a caixa, comecei a investigar. Depois de muitas pesquisas, descobri que aqueles mapas levavam à um tesouro. Sim, um tesouro. 

Passei dois meses da minha vida pesquisando e tentando entender o que era esse tal “tesouro”, eu finalmente soube da verdade: meu pai estava buscando por ouro, muito ouro. E em toda essa busca por riquezas, ele tinha um sócio, seu nome era Billy.  

Meu pai e Billy faziam tudo juntos, quando meus pais brigavam, era para a casa do amigo que ele ia. Todo esse companheirismo acabou quando o mesmo faleceu. Meu pai ficou arrasado e ligeiramente esquisito. 

Por que toda essa esquisitice? Porque ele fora o responsável pela morte de Billy. Quando descobri isso, mal conseguia olhar para cara do meu pai, que tipo de monstro morava comigo? Meu deus. 

Naquela mesma semana, quando eu descobri a verdade, a polícia também descobriu. Meu pai foi preso. A sensação era de alívio, pois sabia que aquilo era o certo a se fazer, mas minha irmã não soube lidar com a situação. 

É, acho que a única lição que eu consegui tirar disso, querido diário, é a de que as aparências podem muito enganar. E agora, fico a me questionar, será que devo ir atrás do ouro?  

 

Mariana de Oliveira Gomes – 1º ADM

 

Espelho negro

 

Era começo do ano quando achei uma carta bizarra na porta do meu castelo. Era uma vila pequena a que vivia e chefiava, a minha propriedade rural, apenas algumas pequenas casas onde viviam meus servos e suas famílias e o meu castelo, e como barão dessa vila, a vida dos meus servos era parte de minha responsabilidade, afinal eram eles que trabalhavam e cuidavam das plantações e colheitas dela, Por conta disso fiquei um tanto preocupado e alerta quando li essa misteriosa carta 

 

“Até o fim de junho, todos os habitantes dessa propriedade desaparecerão” 

 

Como alguém podia fazer uma insinuação dessas? Todos os meus servos desaparecerão? A audácia dessa carta me deixou perplexo. Talvez alguma brincadeira de mau gosto das crianças da vila? Bom, de qualquer jeito não posso deixar essa informação vazar pela vila ou chamar as autoridades, afinal, o alvoroço imenso que essa ameaça iria causar seria um grande pesadelo. Provavelmente é só uma brincadeira de mau gosto mesmo... era isso que eu imaginava. 

 

Não foi até o mês de marco que essas ameaça ficou realmente amedrontadora. Uma das famílias da vila havia de fato desaparecido, lembro-me até de ter conversado com seus integrantes brevemente na tarde passada sobre a colheita, foi como se no deslumbrar da noite a mãe, o pai, e seus três filhos, haviam sumido sem deixar nenhum rastro para trás. perguntando para os guardas da vila e para as outras famílias, nenhum deles havia visto ou ouvido nada. Como não tinha nenhuma prova concreta ou sequer uma hipótese do que podia ter acontecido com eles, dei-me como vencido e contei para o resto da vila que eles haviam fugido daqui de alguma maneira. Obviamente isso causou um certo pânico e confusão nas outras famílias, mas não tinha nada que podia fazer. Apenas chamei a policia local e contei sobre o ocorrido. Mas havia uma coisa que eu percebi que não contei para nenhuma outra pessoa, afinal provavelmente não tinha nenhuma correlação, mas era um tanto peculiar, um espelho da casa, o maior deles que ficava na sala de jantar, estava somente com sua moldura, o espelho em si não estava lá, mas também não era como se tivesse quebrado, afinal não era possível encontrar nenhuma parte dele pela casa. se eles realmente fugiram, então porque levar o espelho de todas as coisas? Também fui de observar uma coisa, os espelhos de minha casa estavam ficando cada vez mais escuros, como uma vinheta vindo das bordas deles continuava o escurecendo a cada dia que passava, isso podia ser verificado na casa das outras famílias também, Nem me dei trabalho de avisa-las pois esse macabro acontecimento iria apenas assusta-los ainda mais. Mas era algo que eu não podia simplesmente ignorar, como seria isso possível...o que era isso de fato? Não tinha a mínima ideia, mas eu certamente não tive uma boa note de sono após saber disso, eu prontamente guardei e escondi todos os espelhos do meu castelo e tentei esquecer que percebi essa bizarrice, mas obviamente não seria tão fácil assim. 

 

Do mês de abril até o mês de maio todos os habitantes da vila despareceram, exceto eu. O pânico dentro das famílias e na vila foi rapidamente substituído pelo silencio ensurdecedor. Os policiais que vinham frequentemente investigar os aparecimentos também pararam de vir no final no mês de abril. Pelo que ouvi receberam uma carta parecida com a colocada na frente do meu castelo, e prontamente desapareceram alguns dias depois, com minha enorme curiosidade fui ver se o espelho deles também estava faltando, e de fato, ele não estava lá. Todos os meus servos também desapareceram junto de seus espelhos, como que algo tão mundano como o espelho de uma casa tinha tamanha relação com esses misteriosos desaparecimentos era algo que me deixava acordado a noite. Sozinho no meu castelo, não conseguia dormir de jeito nenhum, a única coisa que passava pela minha cabeça era o escurecimento dos espelhos e a possível relação que isso tinha com os desaparecimentos. Pensei por várias semanas sobre levantar de volta os meus próprios e ver se algo acontecia, mas o pensamento no fundo da minha cabeça que feito isso, iria me dissolver no ar ou algo do tipo, me manteve por muito tempo paralisado. 

 

Não foi até o fim do mês de junho que finalmente criei coragem e fui pegar os espelhos novamente. A curiosidade dentro de mim era forte demais para deixar passar. Ao chegar no meu porão, onde haviam sido escondidos, a tensão e o clima macabro perambulando o ar era algo impossível de se ignorar. Foi quando peguei o maior deles lá de baixo e relutantemente fixei meu olhar nele, foi quando vi algo de outro mundo, o espelho não estava somente preto, era uma cor jamais vista antes por um ser humano, ele prontamente abriu-se para um brilho cegante, e vi algo inimaginável, inconcebível para a mente humana. Olhando isso fui devidamente sugado por esse brilho celestial e como num piscar de olhos, eu havia sido completamente engolido pelo espelho, que desapareceu no instante após esse ocorrido. Agora, assim, a vila estava completamente vazia e a carta misteriosa foi revelada como verdadeira. Todos os habitantes da propriedade desapareceram. 

 

Felipe Marques Leite – 1º ADM

Uma lição para a vida 

 

Dia 23 de junho, uma manhã fria, a maioria dos alunos da escola São Robert, desanimados para a tradicional festa junina do colégio, inclusive eu. Sempre a mesma mesmice, tia Roberta servindo milho, o porteiro, José, naquela noite, como de costume ficaria responsável pelos doces. Ainda tínhamos que nos apresentar na frente de todos aquela dança pacata. 

Mas logo cedo, chegou uma notícia para nos animar, acredito que todos receberam a mensagem, que dizia: 

“Está cansado da tradicional festa junina, hoje às 21h00 venha conhecer a VIP JUNE! A Melhor festa junina da sua vida - rua Roberto azulão, nº 5678” 

Na hora do intervalo, todos só comentavam sobre a tal festa, as meninas combinando se encontrarem após a aula para se arrumarem e os meninos combinando se encontrarem antes para fazer uma “resenha”, como os jovens dizem. 

Queria muito ir, mas tinha certeza de que meus pais, não deixariam. Como não tenho muitos amigos, acreditei que a festa seria um local legal para interagir com o pessoal. Então tive a ideia de mentir para meus pais, alegando que tinha um trabalho de escola e para não voltar muito tarde sozinha, iria dormir na casa de minha única amiga, Julia. 

Após sair da escola, fui direto ao shopping, lembro até hoje, tinha exatos R$150,80. Após procurar em muitas lojas, já estava exausta, mas avistei uma loja toda temática de festa junina. Fui até lá e comprei uma camisa xadrez rosa e uma calça jeans. 

Fui correndo para casa, que sempre estava vazia no dia de semana à tarde, o relógio principal da cidade já marcara 20h00, me arrumei e quando era 21h30, horário que meus pais chegavam do trabalho, já havia saído de casa. Ao chegar, vi muitas pessoas conhecidas e colegas de classe. 

Como de costume, eu, sempre muito tímida, acabei demorando um pouco para me enturmar. Com o passar do tempo, já tinha feito muitos amigos, mas estava sentindo que algo de ruim iria ocorrer. 

Nunca tinha tomado bebidas alcoólicas, mas naquela noite decidi experimentar. Após um longo tempo de festa, todos que estavam lá já estavam alterados e eu comecei a passar muito mal, estava muito tonta. No centro da festa tinha uma fogueira, que acidentalmente acabou pegando muita chama e colocando fogo em toda a festa. 

Muitos correndo, desesperados e a saída muito pequena para a quantidade de pessoas. Muitos inalaram a fumaça e acabaram ficando para trás, inclusive eu. Então esse foi o pior dia, fiz coisas que não devia e por pouco não perdi minha vida. Até hoje tenho as marcas em meu corpo. 

 

Fernanda Costa de Loreto - 1° ADM

 

 

Conto de Junho

 

Ela era conhecida por toda a cidade pelos seus quitutes, que encantavam a partir da primeira mordida, era amada por todos à sua volta por ser uma mulher muito doce, talentosa e por ser apaixonada. Júlia não era apaixonada por uma pessoa, mas sim por ler, cuidar de todos, por cozinhar e por um mês em específico, um mês com muita música boa, brincadeiras, comidas deliciosas, biribinhas e lembranças para a vida toda. Junho vinha com a festa junina e Júlia sempre fazia uma no quintal de sua casa, com muitas brincadeiras, música ao vivo e tinha até um casamento mas a parte que Júlia mais gostava de preparar era a comida, e isso levava uns três dias já que o banquete era completo e contava com paçoca, vinho quente,  bolos, pamonha, curau, pipoca, canjica e muitas outras iguarias que eram perfeitamente executadas. 

A maior festa junina ia ser realizada e a cidade inteira fora convidada, dias de preparo foram gastos e tudo foi planejado nos mínimos detalhes. Além da comida que Júlia preparou sozinha, ela tinha que ver se as brincadeiras foram montadas da maneira correta, se o vestido e a maquiagem da noiva estava como o planejado além de ter que mandar convites feitos a mão. Era muito trabalho e Júlia evitava ajudas externas pois obviamente tudo tinha de ser do seu jeito, mas essa não foi uma escolha sábia já que agora ela estava extremamente exausta e sobrecarregada e não sabia ao certo se estava realmente feliz com o seu evento favorito e talvez ela não tinha realmente se sentindo feliz preparando a festa, e o que ela mais gostava de fazer, que era estar na cozinha preparando iguarias para revelar o sorriso das pessoas.  Foi uma semana longa, mas a tão esperada festa junina chegou, era a festa mais esperada do ano e toda a cidade estava se preparando até que ao chegarem na casa de Júlia, ela se encontra caída no chão já sem vida. Seu funeral foi no mesmo dia, a cidade inteira estava lá e havia a comida que fora preparada pela defunta.  

Dizem que a comida não tinha o mesmo sabor da de Júlia, não tinha a sua essência e sua morte ainda é um mistério. Dizem que Júlia foi abduzida por um alienígena e trocada e por isso sua comida estava diferente, há quem acredite que ela foi morta por um lobisomem ou talvez por um lobo, mas não temos como dizer ao certo. Já o meu avô acredita que Júlia estava se cobrando muito, sendo perfeccionista e acabou não aguentando a pressão já que estava exausta e sobrecarregada acabou tirando sua própria vida. Talvez meu avô esteja errado, ou todas as teorias estejam mas nunca saberemos o que realmente houve naquela noite em que ocorreria a maior festa de todas e agora todo ano nas festas juninas da cidade um bolo bem grande de milho (o favorito de Júlia) é feito em homenagem a Júlia, que encantava a todos com seu jeitinho, que era boa com todos e cozinhava com todo o seu coração. 

 

Gabriela Akemi Kondo Sano – 1° ADM

 

A inconveniência do Universo 

 

Em junho, estranhamente ou felizmente nada de diferente aconteceu comigo.  

Em julho, achei na minha mochila um caderno preto e um bilhete, escrito que era uma recompensa, por toda a inconveniência cometida e que tudo havia sido resolvido. Porém o destinatário era Anne Frank e até onde eu sei, este não é meu nome.  

Em agosto, uma mulher, que se dizia ser minha nova vizinha, trouxe-me um bolo confeitado e me deu feliz aniversário. Meu aniversário é maio. 

Em setembro, chegaram duas caixas. Uma caixa, preta por fora e azul por dentro,  estava repleta de brinquedos, aparentemente feitos para crianças de máximo 3 anos, todos em perfeito estado e um bilhete amassado, com a frase “brinquedos novos para o filho mais lindo do mundo que ainda irei conhecer, feliz junho!”, provavelmente era para ter chego a alguém em junho, mas o correio deve ter atrasado. A outra caixa era toda enfeitada e colorida, mas estava vazia. 

De outubro a dezembro, as pessoas estavam muito diferentes comigo, todo mundo estava gentil, prestativo e amoroso. Pessoas que antes nem me olhavam nos olhos, como por exemplo a atendente da padaria aqui do lado, passaram a me desejar bom dia e até dar desconto. Os meninos da minha rua que antes passavam esbarrando em mim passaram a se oferecer para levar minhas comprar até em casa. No natal, meu vizinho, que nunca conversou comigo, veio a minha casa, trouxe biscoitos e me convidou para passar o natal com a família dele. Ganhei um aumento no serviço e minha chefe parecia estar de bom humor todos os dias. Foram ótimos 3 meses.  

Até que chegou janeiro, resolvi então comentar com uma amiga, Helena, sobre as coisas estranhas que haviam chegado até mim e as situações que havia passado. Claro que ela não acreditou, disse que eu estava paranoica e quando eu fui procurar todos os bilhetes e “presentes” para provar, tinham misteriosamente desaparecido. Do momento em que falei com ela em diante, todas pessoas que estavam sendo gentis voltaram ao comportamento de antes.  

Em fevereiro, achei um bilhete na cozinha, que estava dizendo para ir até o meu quarto, por mais que eu tivesse acabado de vir de lá, fui. Quando cheguei no quarto, havia uma mensagem escrita com tinta preta na minha porta, pela parte de dentro: “RESOLVEMOS O PROBLEMA, O UNIVERSO PEDE DESCULPAS PELA INCONVENIÊNCIA E AFIRMA QUE NUNCA MAIS ACONTECERÁ”.  Me virei para pegar meu celular que estava na cama, e quando olhei novamente para tirar foto e enfim ter um registro, a mensagem tinha sido apagada.  

Em março e abril, nada de diferente aconteceu, nenhum bilhete, nenhuma mensagem, nenhum comportamento estranho das pessoas. Confesso que senti falta, parecia que meu psicológico já estava preparado para receber mais uma surpresa misteriosa ou passar algo estranho todo mês.  

Em maio, ao mesmo tempo que não estava esperando nada, imaginei que um cartão do dia das mães poderia, assim como nos outros anos, chegar até mim. Era o mês do meu aniversário, o Universo poderia me enviar só mais uma surpresa. E na verdade recebi, não era um bilhete, nem um bolo de aniversário, mas um filho. Descobri que estava grávida só em junho e de um menino, Nathan, nome que eu e meu marido gostamos bastante. Hoje ele completa 10 anos, é muito amoroso, gosta bastante de ler, seu maior hobby é escrever, cartas para sua avó, sobre seu dia a dia no seu diário e para mim, bilhetes.  

 

Danyelle Batista dos Santos – 1º  ADM 

 

 

Conto de Junho 

 

A decoração e os enfeites indicam a chegada de uma das melhores épocas do ano (depois do Natal, claro), bandeirinhas coloridas em todos os cantos, cartazes, camisas xadrez, brincadeiras e comida, muita comida.   

O clima de festa junina já preenche todos os ambientes, todos estão muito alegres e felizes. Numa escola conhecida pelo sucesso de sua festa junina, o professor Matias, fanático por essa data, organiza todo o evento, todos os anos. Todas as comidas, danças e brincadeiras são planejadas por ele.  

A cada ano Matias inventa algo novo e extraordinário para incrementar em sua grande festa, apreciada e invejada por todos. Esse ano o professor de ciências tinha uma surpresa. Inventou uma fogueira que não saia fumaça do carvão, era como se fosse artificial, mas exatamente como a verdadeira, com detalhes imperceptíveis de diferença. A fogueira ficaria no meio da grande quadra fechada, onde já imaginava as pessoas dançando e festejando em sua volta.  

Mas esse ano, a diretora da escola que ficava na outra extremidade do quarteirão tinha um plano, pois todos os anos, as pessoas deixavam de comparecer em sua festa junina para ir na “grande festa do bairro”.  

A diretora Regiane não podia tolerar mais um ano de fracasso, então resolveu descobrir e roubar a ideia de Matias. Ao longo dos últimos 10 meses ela veio se aproximando e se tornou amiga de Matias para conseguir descobrir sua próxima inovação, e assim foi feito. Regiane acabou lendo o caderno secreto de Matias e descobriu a grande surpresa.  

A diretora parecia estar obcecada, passava noites estudando as fotos que tirou para tentar reproduzir a invenção de Matias, mas era impossível. Resolveu então, roubar a fogueira tecnológica e se livrar de seu caderno secreto, acabando com as provas.  

Três dias antes da data prevista para ao evento, a diretora invade a casa de seu “amigo” e tenta levar a fogueira, mas Matias já estava esperando por ela, ele sabia de todos os seus planos e a observava sempre. Mal sabia a coitada o que lhe esperava daquela noite. 

Pegando Regiane no flagra e sem hesitar, da um golpe na mulher desprevenida, com um taco velho. Mas seu movimento acaba acertando a coluna de Regiane, que imediatamente da um berro de dor. Minutos se passam e a diretora não conseguia mais se mexer do pescoço para baixo. 

Não era a intenção de Matias, nunca foi. Mas desesperado, não podia imaginar o que aconteceria com ele e sua reputação, se alguém descobrisse o que fez, e ainda pior, nunca mais organizaria uma festa junina. Então sem pensar muito, pega um lenço e veda o rosto da pobre diretora por um tempo, a qual se esparrama no chão, sem reação.  

Chegado o dia da grande e esperada festa, Matias já não sabia como lidar com a culpa de ter uma mulher viúva e sem família enterrada no quintal de sua casa. Ao anoitecer, quando revelaria sua surpresa, ele revela seu segredo, ainda mais inesperado, chocando a todos. Sabendo que não aguentaria a pressão e o julgamento, nem a vida numa cela, logo após a confissão, ele corre para sua casa. 

Minutos depois, Matias é encontrado pendurado a uma corda em seu pescoço. O dia em que a escola jamais se esquecerá. Agora só se espera desesperadamente as férias de julho, para que todos possam sair e se reunir, fofocando sobre o ainda, assunto do momento. 

 

Julia Yumi Shundo – 1°ADM 

 

Continuação do Conto de Junho

 

Mamãe e papai continuavam divergindo em suas ideias, cada dia era um motivo diferente: Um dia, brigavam pela comida, mamãe queria pizza e papai lasanha. Eu e minha irmã queríamos comer feijoada, mas como nunca nos escutavam, né? Outro dia brigavam sobre quem dirigia melhor. Mamãe dizia que papai era muito lerdo; papai dizia que mamãe corria demais “- Qualquer dia você atropela alguém com esse seu jeito louco de dirigir.” – Dizia ele. Ela respondia “- E você?! É tão lerdo que o mundo acaba, e você ainda tá no mesmo lugar”- Já não aguentávamos mais tantas discussões. 

O dia amanheceu frio, era Junho. Estava chegando o dia de uma das festas que minha irmã e eu mais amávamos: A festa junina. É a época em que todo mundo está vestido com roupas de xadrez, todas bem coloridas. Comidas e doces deliciosos. Danças, quadrilhas, muita alegia. Definitivamente tudo de bom. Eu estava ansiosa por essa festa. Acordei e fui me trocar. Percebi que minha blusa xadrez tinha um rasgo abaixo do braço. “- Vou ter que comprar outra.”- pensei. Desci para tomar café. Lá estavam meus pais discutindo novamente por conta da consistência do café. Tentando interromper a discussão dos dois, disse que precisava de dinheiro para comprar roupas novas para a festa junina, porém estavam tão acostumados a brigar que, como de costume, nem me escutaram. Fui conversar com minha irmã sobre o que fazer, ela sugeriu que eu costurasse. Melhor do que ir com ela rasgada, ou pior, nem ir à festa junina. 

O dia da festa chegou, eu me irmã, entusiasmadas, começamos a nos arrumar logo cedo. Fiz duas tranças em meu cabelo, e uma maquiagem bem temática. Minha irmã usou sua camisa xadrez, um shorts e uma bota, juntamente com o chapéu que ela tinha comprado no ano anterior. Saímos; meus pais nem viram, pois estavam tão concentrados em sua discussão que nem perceberam. Deixamos um recado, em cima do criado mudo, que estávamos indo para a festa junina, que se acontecia a três quarteirões de casa.  

A festa estava maravilhosa, a mesma alegria de todos os anos. Comemos muito e dançamos também. Em casa, meus pais, por algum milagre, deram-se conta que tínhamos saído. Porém creio que não viram nosso bilhete. Mamãe ficou preocupada e ligou para minha irmã, porém a música estava tão alta que não escutamos. E ligaram, e ligaram, umas 22 vezes. Pela primeira vez na vida concordaram em alguma coisa. Decidiram sair pelas ruas procurando por nós. Depois de algum tempo, acharam-nos na festa. Ouvimos um sermão por sairmos sem avisar, mesmo quando a gente tentava falar que deixamos um recado avisando. “Se vocês brigassem menos, prestariam mais atenção em nós.” – Tomei coragem e disse. 

Acho que por um momento eles caíram em si, e a forma como andava as coisas pesou na consciência. “- Já que estão aqui, fiquem! Vamos dançar um pouco.” – Sugeriu minha irmã. Meus pais aceitaram. Aquela noite foi extraordinária! Dançamos e comemos tanto que perdemos a noção do tempo. Papai e mamãe não discordaram nem por um momento. Estava tudo em paz. Eu queria que aquele momento durasse para sempre.  

Já era madrugada, decidimos voltar para casa. Estranhamente, ainda tudo estava bem. Dormi muito feliz. Porém como nem tudo é conto de fadas, ao amanhecer tudo tinha voltado ao normal. Meus pais discutiam sobre quem deveria lavar o quintal. E a cada dia que passavam a briga era sobre um motivo diferente. 

 

E minha irmã e eu apenas nos perguntávamos: por que tudo não poderia seguir como na noite de festa junina? Em paz... 

  

Yasmin Antunes da Silva – 1º  ADM

 

 

As eleições vieram, o povo queria mudar, cansados da corrupção elegeram Ricardo Mendonça, o homem que prometeu varrer a corrupção, a nova política, defendo sempre a moral e os bons costumes. No seu primeiro discurso após ser eleito prometeu mudar o país, acabar com o toma lá dá cá, e que seus ministros serão os mais capacitados e não aliados políticos. 

No dia de sua posse fez seu discurso defendendo o nacionalismo, dizendo que seus opositores eram anti-Brasil, pois não queriam o desenvolvimento para acabar com seu governo, e que tinham um plano maligno ditatorial para tomar o país. 

No primeiro mês de seu governo a primeira crise, um escândalo envolvendo as licitações das estradas que prometeu em campanha, os donos das fábricas de asfalto bancaram publicidade ilegal para que ele fosse eleito. A resposta do presidente foi que a grande mídia era corrupta e opositora dele e faria de tudo para derrubá-lo, pois ele acabaria com a corrupção. 

No sétimo mês de seu mandato uma crise internacional, ele prejudicou muito a economia ao cortar relações com os países governados por ‘comunistas’, e isso prejudicou muito o seu governo. 

No décimo terceiro mês de seu mandato um assassinato a um opositor, a crise começa a estourar. Inicialmente ele deseja toda sua solidariedade a família da vítima, e diz que não tem nada a ver com isso. 

Em fevereiro do segundo ano ele rompe com seu partido, que era cercado de acusações de corrupção, e decide ficar sem partido. A crise política começava ali, vaza um áudio de Marco Aurélio, seu ex-aliado, que enviou a um copartidário um áudio que revelaria muitas coisas caso algo aconteça com ele, três dias depois ele faleceu por um acidente vascular cerebral aos 46 anos. 

Em fevereiro é aberto um processo de impeachment, pois seus ministros e ele fazem graves ameaças aos poderes Legislativo e Judiciário, quando isso acontece ele diz que vai contra-atacar doa a quem doer. 

Após graves ameaças aos poderes em junho chegam as votações do impeachment, ele incrivelmente escapa, curiosamente ele uma semana depois recria seis ministérios e entrega a partidos do centrão. 

Um ano depois das votações de impeachment, dia 7 de junho ele não consegue governar, a maioria do povo é contra ele, dia 13 de junho acaba os julgamentos do STF e ele é culpado por assassinato de opositores e corrupção e para não sofrer impeachment e ser preso, ele renuncia e foge do país, ninguém sabe seu paradeiro após isso. 

 

Miguel Climério de Freitas R. Vasquez – 1º ADM

 

         A casa de Ana vivia lotada de visitas… desde parentes, até seus melhores amigos da escola. Impressionantemente, mesmo cercada que tanta gente que amava, ela não se sentia bem consigo mesma. E nem ela sabia ao certo dizer o porquê.  

           Apesar disso, a garota conseguia disfarçar seus sentimentos e angústias sempre que recebia visitas. Na cabeça dela, este era o certo a se fazer. Não era justo preocupar os outros com problemas sem importância. 

            Porém, Ana tinha a consciência de que todo esse sentimento escondido ; guardado para si, em algum momento iria atrapalha-la. E, infelizmente, a menina estava certa. Quando toda essa bomba de sentimentos começou ela tinha apenas 13 anos. Com 16, já não conseguia mais aguentar tudo isso, suas angústias passam a transbordar…. 

           Ana passou a descontar tudo isso nas pessoas a sua volta e até em si mesma. Durante as refeições em família quase não falava, e quando dizia algo, era de forma muito direta e, até mesmo ríspida. Na escola, aconteciam situações parecidas, a garota tinha parado de falar, de contar piadas, e às vezes chegava a explodir gritando com alguém ; aparentemente sem motivo algum. Ninguém entendia o porquê de tudo aquilo, as pessoas começaram a se afastar da menina, sem nem saber o que estava acontecendo de fato.  

            A autoestima de Ana era extremamente baixa. Não a autoestima quanto à sua beleza física (até porque muitos a elogiavam diariamente quanto a isso), mas quanto à sua inteligência. Em vários momentos, a garota se sentia insuficiente para diversas matérias da escola. E isso a abalava muito, por mais que nem mesmo ela soubesse que era isso que a empurrava para baixo.  

           Com todo esse comportamento compulsivo, Ana acabou afastando-se de diversas pessoas, que diziam que a amavam, mas que na verdade nunca se importaram de fato com ela.  

    O tempo foi passando, e a situação apenas piorando… Ana já não sabia mais o que fazer, não se sentia confortável para se abrir com ninguém. Decidiu tomar uma decisão que seu psicológico naquele momento permitia a ela que tomasse.  

           Ana cometeu suicídio, no dia 7 de junho de 2016. Muitos a chamaram de louca, nos momentos em que ela explodiu e não soube se expressar ; quando na verdade, foram eles que não tiveram empatia para entender seu lado.  

          Dizem que junho é o mês do amor, mas para muitos, é apenas mais um mês de dor.  

 

Luiza Sayuri Moreira Barbosa – 1º MA

 

A mulata que nunca chegou 

 

Clara e Clarisse eram irmãs, eram meninas não tão bonitas, altas e magricelas e chamadas pela comunidade como não tão pretas com o cabelo ruim, e naquele mês de, Clara sempre fora mais miudinha já Clarisse nem tanto...  

No mês de junho, Clara e Clarisse iriam completar 10 anos e a família resolveu como sempre fazer uma festa para as duas no mesmo dia. As irmãs foram com seu pai escolher o bolo. Já no pequeno mercadinho que havia perto de sua casa, as irmãs foram escolher o bolo e o pai passou a conversar com seus colegas do trabalho que estavam ali.  

- Papai, vamos levar este – Clarisse disse com o bolo em mãos junto a Clara, interrompendo a conversa animada que seu pai tinha com seus amigos 

- Ok meninas, me esperem na fila do caixa que já vou lá. 

Enquanto obedeciam a ordem do pai, Clara pode escutar a voz masculina de um dos amigos de seu pai, longe mais audivelmente “Essas daí vão dar trabalho, heim?” - E reconheceu a voz do pai logo em seguida “Eu espero que não” 

O tempo passou e Clara passou a se perguntar o que era ser mulata, constantemente escutava as pessoas dizerem: “Você e sua irmã são tão feias que nem alisando o cabelo tem jeito, ainda bem que não são tão pretas”. Logo, deduziu que com certeza ser mulata era ser menos pior que preta, infelizmente, não branca, mas mulata já era o suficiente, era o que ela e sua irmã eram.  

Percebeu que a mulata era aquela que sambava, aquela que estava na bossa nova, era aquela que tinha “o corpo bonito” sensualizado, aquela que era colocada na poesia. O grande problema era que tinha treze anos e ainda era considera feinha, mas que em sua cabeça, só seria bonita quando seu corpo se desenvolvesse e a mulata chegasse 

Clara estava com dezessete e Clarisse com dezoito anos e Clara se perguntou “Onde está a mulata? ” “Por que chegou na minha irmã e não em mim?”. O grande problema era que, enquanto Clara odiava seu corpo magro pela mulata não ter chegado, Clarisse começou a “dar trabalho” e desejou por um momento nunca ter nascido 

 

OBS: Conto inspirado em Nátaly Neri 

 

 Manuela dos Santos Carvalho – 1º MA

 

Incendiária

 

Já estava decidido. Aquela era a última noite.  

Com olhos fixos nas chamas delicadas da fogueira, que dançavam ao vento suave feito bailarinas no palco, Liara finalmente se conformou. Na verdade, a falsa beleza daquele fenômeno lhe trouxe um tipo diferente de calmaria. Ela se encontrou no tom laranja flamejante do fogo, naquela aparência tão serena e, ainda assim, tão fatal.  

A noite caíra há um bom tempo, mas a Lua já não atraía tanto sua atenção como antes. A garota, que tanto amava contemplar o céu e as estrelas, agora só tinha olhos para a terra. Porque sabia que era aquele seu destino, assim como o fogo que uma hora se resumia em meras cinzas ao chão. Com aquilo Liara se identificava, algo finito e nocivo. Ardente. Por isso havia decidido que aquela seria a última noite.  

De vez em quando, chamavam atenção as vozes infantis ao redor, a correria das garotinhas em vestidos festivos e o som da música típica daquele evento. Ainda não chegara a hora da quadrilha, mas os bigodes feitos com lápis de olho acima dos lábios dos meninos sorridentes já não passavam de borrões pretos e molhados de suor.  

Liara já não achava graça em nada daquilo. Nas comidas, nas brincadeiras ou na tia bêbada puxando seu primo para dançar. Sua infância havia acabado há anos e não havia motivo para se permitir crescer mais, não quando sabia que simplesmente era incapaz de tal. Por mais madura que fosse, não saberia lidar com a falta da pureza da vida infantil, nem com o ódio por si mesma que crescia cada dia mais no peito, muito menos com o constante medo que sentia do próprio futuro. Liara não sabia ser adulta. Não sabia mais viver. Não sabia como evitar queimar quando sua mente era composta apenas de fogo.  

Naquela última noite, agradeceu pela primeira vez a falta de atenção que a família costumava prestar em si e foi embora sem pedir emprestado o carro do pai. Não pretendia voltar para pedir desculpas ou deixar uma carta de adeus, estava vazia demais para sentir alguma coisa além de alívio. Na festa junina de 2015, Liara desistiu de conter a chama que há tempos impedia de crescer no peito. Ela se permitiu incendiar. E suas cinzas foram jogadas aos mares do Rio de Janeiro. 

 

Julia da Silva Dantas - 1º MA

 

O amor de forma sucinta e junina 

 

Minha vizinha que sempre me diz “bom dia” quando passo na frente da casa dela a caminho do trabalho, não me disse o costumeiro “bom dia”. Ela me disse algo diferente: “Sabia que o amor da nossa vida nos faz vinho quente com pedaços de maçã e lascas de canela?” e depois complementou com o bom dia, continuando a varrer aquela calçada que já deve estar irritada de ser varrida toda santa manhã. 

Como o tempo estava seco, preparo um chá pela manhã para levar ao trabalho. Fui olhar o meu jardim e admirei o meu pé de jabuticabeira que já está lá há anos, vejo pequenas flores brancas, a temporada está chegando. 

Abro meu notebook para ver se há notificações de alguma rede social minha e olho para o canto inferior da tela e vejo: “quinta-feira, 11 de junho de 2015”. Fecho os meus olhos e respiro fundo. 

- Hoje não vai ser um dia chafé.  – Ajeito meus cabelos curtos para relaxar e expiro profundamente. 

Fecho o notebook, e vou para o banheiro me aprontar para sair. Depois de alguns minutos, estou arrumado e organizado, quando coloco a chave na fechadura da minha porta, encosto a cabeça na mesma e lembro-me do chá que esqueci no fogão. 

Corro que nem o Papa-Léguas e coloco às pressas o chá dentro da garrafa térmica, olho meu relógio de pulso e me apresso ainda mais. 

Quando estou fora de casa, dou um gole da bebida e sinto um gosto de déjà vu. 

- Vish, deu erro no Matrix. – Solto uma risada brincalhona e volto a dar mais um gole no chá. 

- Eu não disse! – A minha vizinha diz assim que eu passo por ela. 

Ando uns passos para trás. 

- Como assim? 

- Eu disse que o amor da nossa vida faz pra gente vinho quente. – Ela dá um sorriso satisfeito e volta a varrer a calçada. 

Fico embasbacado. 

- Ah! – Ela levanta cabeça de supetão parando de esfregar a vassoura no chão. –E bom dia, querido!  

 

Marcella Ishii Costa Duarte - 1º MA  

 

A briga da semana  

 

Voltei a morar com a minha irmã faz dois meses, antes ela fazia faculdade em outra cidade e não morava na mesma casa que eu, meus pais e meu irmão. Nós sempre brigamos muito, mas esses seis anos que ela ficou fora me fizeram esquecer disso. Eu sentia muita saudade das nossas tardes assistindo filme e comendo pipoca juntas, mas agora já não aguento mais, ela grita, briga por nada, não aceita minhas opiniões e nunca aceita que está errada. 

O motivo da briga dessa semana foi uma camiseta. Minha mãe tem o costume de comprar roupas iguais ou muito parecidas pra nós para não brigarmos, mas nem sempre dá certo. As camisetas eram iguais, brancas com listras e curtas, mas os tamanhos eram diferentes, uma tamanho Pequeno e outra tamanho Médio. Eu disse que queria a M, porque era mais confortável e minha irmã concordou em usar a P, pois era indiferente.  

Decidi sair e usar a camiseta nova, estava atrasada e peguei a primeira que encontrei, mas não era a minha. Percebi ao voltar para casa e tirá-la, resolvi contar o que aconteceu já que havia sujado a camiseta com sorvete de chocolate, e avisar que aquela seria a minha... Pra quê? Foi uma gritaria exagerada, “Você sabia muito bem e usou porque quis!” – ela dizia, eu explicava o que tinha acontecido, mas meu ouvido continuava sendo feito de pinico. Me exaltei, bati a porta na cara dela e não nos falamos mais, era assim sempre e estava cansada dela.  

No dia seguinte, me levantei para tomar café e lá estava minha irmã, com a cara inchada e fechada. Fiz o café e perguntei se ela queria, ela disse que sim e que tinha feito ovos para nós, ainda carrancuda fiz o meu pão e levei o café até ela que estava sentada no tapete da sacada tomando sol, me sentei ao seu lado para nossa refeição matinal. Colocamos músicas que gostamos e aproveitamos o momento gostoso de calmaria e vitamina D, até que não era tão ruim tê-la por perto e lembrei o motivo da minha saudade, não nos desculpamos, mas estava tudo bem como sempre. 

 

Maria Luiza Randoli Pereira - 1ºMA 

 

Uma semana de junho 

 

Há muito tempo, antes do mundo conhecer a ciência que conhecemos hoje, existia um jovem em um simples vilarejo seco, todos os que o viam podiam afirmar que ele era uma rapaz muito bonito, com cabelos travessos e um sorriso bondoso, no entanto, aqueles que tinham a oportunidade de passar um tempo em sua companhia descobriam pensamentos singulares e que certamente deviam ser repreendidos.  

O menino por outro lado, estava constantemente espalhando suas contemplações e as classificava como uma verdadeira benção em um povoado tão pacato e comum, alimentando-as cada vez mais com a esperança de um dia poder levar seus pensamentos a outros lugares, de fato, esperança era uma boa palavra para sua cabeça.  

Ocorreu que, em um mês de junho (sempre marcado por tristeza naquele povoado), algo incrível aconteceu, até mesmo para uma mente tão fértil como a do rapaz, um viajante, já de idade avançada, deu-lhe a oportunidade de ser sua companhia e seu patrão mundo a fora, para tal deveriam se encontrar após uma semana na saída do vilarejo, e quanto tempo parece ser uma semana para um jovem ansioso!  

No entanto, apesar de tão arrebatadora notícia, junho continuava sendo junho e assim como estava predestinado pelos moradores, a seca que já era grande tornou-se insuportável para muitos naquela semana, crianças e idosos não resistiram, e a aqueles que ainda viviam se tornaram poços de desesperança em poucos dias.  

O único capaz de reanimar e ajudar o povo era aquele jovem, que exatamente por estar se despedindo, sentia mais solidariedade pela sua terra de nascimento do que havia sentido a vida inteira, era como se, por finalmente perceber que aquelas pessoas precisavam dele, ele as amava mais. Os moradores que por sua vez, já haviam deixado ir outros rapazes, perceberam nestes últimos dias o quanto aquele ser era singular e necessário em suas rotinas.  

Terminada a semana, o garoto tomou uma decisão que muitos de nós, se não conhecêssemos seus sentimentos, teríamos considerado terrivelmente imprudente e triste, ao permanecer no vilarejo e cuidar dos seus, muitos se tornaram gratos a ele pela vida inteira e a vila passou a ser um lugar melhor, no entanto, ao entender a necessidade que tinha de ser aceito, a felicidade de ser valorizado, e o quanto sua imaginação podia ser convertida ao bem de outros, o garoto cresceu em alma e preparou-se para viajar o mundo livre de arrependimentos e repleto de paz. 

 

Letícia Neres Ribeiro - 1º MA 

 

Olivia 

 

São Paulo, 02 de junho de 2020. 

 

Os protestos se intensificavam cada vez mais – mesmo com a repressão do governo, a revolta popular era imensurável e o movimento estudantil e demonstrações artísticas contra o regime tomavam cada vez mais força.  

A ditadura havia sido iniciada em abril de 1964. Já estávamos em julho de 1965 e não parecia que a democracia iria ser restabelecida novamente tão cedo.  

E foi durante um dos atos de abaixo a repressão que eu te conheci. Você gritava palavras antifascismo com um de seus punhos levantado enquanto o outro segurava um cartaz enorme que era carregado por outras pessoas também, feito de cartolina e canetão, escrito “contra a censura pela cultura” na parte frontal e “a queda do militarismo significa nossa liberdade” na parte traseira, com letras tortas e borradas. Conseguia ver sua aura, seu espírito de revolução e sua sede de justiça naquele instante. 

Me lembro de como seus cabelos crespos e escuros caiam sobre seus ombros, de como dançávamos músicas do movimento Tropicalista descalças e como seu vestido florido rodava quando Rita Lee e Gilberto Gil tocavam, sei que eles eram seus favoritos. De como você falava de bondade e sobre sempre tratar as pessoas com gentileza, de políticas internacionais e de como sorria durante as palavras “liberdade” e “revolução”, a ideia de rebeliões pacíficas eram incríveis ao nosso ver.  

Acredite, eu idolatrava a luz de seus olhos, rezava por todos os novos deuses que você havia me apresentado todas as noites para que ficasse ao meu lado para sempre. No verão borboletas pousavam em suas madeixas e tudo o que fazia era se jogar novamente para a grama, amassando algumas pequenas flores durante o processo. O Sol brilhava em sua pele e até hoje juro que você poderia ser considerada o próprio Sol; era brilhante, por dentro e por fora. 

Costumávamos conversar sobre o que faríamos no futuro. Planejamos comprar um apartamento pequeno no centro, mas que fosse o suficiente para encaixar todos os nossos gatos – que seriam adotados ou resgatados, também nossas plantas e é claro, nosso amor. Criaríamos uma Ong, suas ideias de ajudar todas os seres vivos no mundo, protestar com eles e por eles, que todos deveriam ter direitos iguais e que a distribuição de riqueza seria algo presente em nosso futuro, assim como o poder nas mãos do povo se juntaram com as minhas, que eram bem parecidas.  

Começamos a namorar alguns meses depois, mas você sumiu em agosto de 1967 e o medo tomou conta de todo meu corpo; já não conseguia comer ou sequer dormir direito. As poucas ligações que eu tentava fazer nunca eram atendidas e seus familiares pareciam não saber de muito também. Quase um ano depois recebemos a notícia que indicava seu paradeiro.  

Tiraram você de mim assim como muitas outras pessoas foram tiradas de seus amados, familiares e amigos. Te colocaram apenas como mais um número, destruíram seus planos tão belos e apagaram sua vida, mas meu amor, ela foi a vida mais linda que eu tive o privilégio de presenciar, e sei que é exatamente o que qualquer outra pessoa que tenha te conhecido pensa.  

Não parei de lutar, por você, por mim, por nós e por todo o povo brasileiro até que a ditadura assassina tivesse seu fim, em 1985. Sei que se ainda estivesse viva teria me abraçado e chorado, dizendo que tudo valeu a pena e que faríamos justiça por todos aqueles que morreram nas mãos de um governo fascista.  

É 2020, estou comemorando meu aniversário de 72 anos e tive como marco do dia o momento em que vi uma foto de nós duas durante um dos protestos da época no livro de história do meu neto. Precisei escrever para ti esta carta, mais uma das tantas outras que nunca irá receber.  

Onde quer que esteja, saiba que nunca será esquecida. Sua luta não foi em vão e espero que essa e as próximas gerações nunca deixem que isto se repita, mas temo que estejamos indo para o caminho errado, não deixo de ter esperança, de qualquer forma.  

 

Para sempre em meu coração, Olivia, de sua sincera amada, Aurora. 

 

Giovana Camacho da Silva – 1º MA

 

A amizade de uma vida 

 

Houve um dia em que um pequenino vira-lata sozinho e perdido corria pela avenida assustado. Nesse dia uma senhora avistou o pequenino e rezou para dar tudo certo a ele. É importante ressaltar que ela só não o levou consigo porque já tinha outro cão.       

Nesse mesmo dia, ela já estava começando a se arrepender de não ter o pego e dado um lar àquele cão. Foi então que teve a melhor notícia de todas, ao passar em frente à casa de sua fiel amiga, chamada Lucy, viu que ela e seu marido John haviam resgatado o cãozinho, nesse momento, a senhora sentiu-se aliviada e soube que ele teria uma vida longa, ao tocá-lo sentiu que seria muito amado e abençoou-o com os seus dons ocultos.  

Lucy e John tinham outro cão muito bravo, o qual nomeou com um latido, o pequenino recém-resgatado de Half. 

Surpreendentemente Half foi resgatado no dia em que o neto Archie do casal de idosos nascera. Então, após alguns dias, Half e Archie se conheceram, esse foi o início de uma longa amizade, a qual ultrapassaria a vida e a morte... 

Nesse dia em diante teve uma vida longa e feliz. Half e Archie viveram juntos, brincando e passeando lado a lado como um só. 

Archie pegava um brinquedo, Half o tomava dele e guardava em sua cesta, de certo, era um cachorro folgado e organizado quando se tratava de seus preciosos brinquedos.  

Quando passeavam nas ruas e nos parques era a maior correria e diversão, no entanto, tinham que tomar cuidado com cachorros bravos soltos, mas Half queria mais é enfrenta-los, pois se achava o maioral, então Archie tinha que pegá-lo no colo e ir para outro local ou para casa de seus avós. 

Então Half chegou aos seus 15 anos, e já não tinha tanta força como antes, mas vivia sem dor, era até ágil e brincalhão demais para a sua idade. No entanto, chegou um dia, no mês de junho, em que ele realmente começou a se sentir debilitado e cansado, Archie pediu para os seus pais se poderia dormir esses dias na casa de seus avós para que pudesse cuidar mais de Half, então os seus pais o deixaram ir.  

Ao vê-lo morrendo, começou a chorar e permaneceu ao seu lado até os seus últimos suspiros. Com muita relutância, Archie seguiu em frente, levando em sua mente e em seu coração a alma de Half. 

Passados 17 anos, Archie já casado, avista um pequenino filhote vira-lata sozinho e perdido correndo pela cidade assustado, então, sem poder explicar, sentiu algo diferente quando o avistou, foi então resgatá-lo, o cãozinho veio imediatamente em sua direção quando Archie agachou, foi como se anos de amizade e lealdade voltassem à tona... Será que era Half? – pensou Archie. Ao tocá-lo sentiu uma ligação muito forte de uma amizade mútua e verdadeira.  

 

  

Arthur Campos Ribeiro Ferrão Videira - 1º MA 

 

 

 

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