Contos de junho
As
luzes do apartamento se acenderam, era uma sensação estranha, mas divertida ao mesmo tempo. Vim para
visitar o meu irmão para entregar comida e seu presente de
aniversário atrasado, ele havia se formado na faculdade naquele ano e já
tinha um emprego, infelizmente estava tendo que trabalhar de home
office.
O apartamento era simples, mas, ao mesmo tempo, atrativo.
Não consegui prestar atenção por causa das reflexões que estava tendo, meu
irmão já estava vivendo uma espécie de vida própria e já tinha o canto
dele apesar da catástrofe de 2054 que afetou todos os reinos do Neo Mundo e afeta até
hoje, e eu não conseguia parar de pensar que o tempo passa muito
rápido, daqui a pouco sou eu que estarei cursando a faculdade.
— Ei, você está bem? - meu irmão me pergunta intrigado
— Estou sim, só estava refletindo.
— E que reflexão hein, não estava nem me ouvindo te chamar. Mas enfim,
podemos ir? - eu faço um sinal com a cabeça dizendo que sim
E
conforme desviamos as escadas naquele monótono dia de junho eu
percebia o verdadeiro valor do esforço e suas recompensas, quando as luzes
do apartamento se apagaram minha vontade de me esforçar e
expectativas para o futuro só aumentaram.
Era para ter
sido só uma visita comum como qualquer outra, mas para mim foi bem mais que
isso.
Murilo Araújo Rocha Tavela Alves – 1º ELO
Conto de Junho
Em junho de 2002, em Pernambuco,
nascia o menino Ribamar.
Ribamar teve sua infância inteira voltada
para o futebol, mas desde pequeno mostrava ser diferente de todos os outros
meninos que convivia: ele era magro demais, pequeno e conseguia realizar saltos
muitos altos, por isso ganhou o apelido de “pé de vento”.
Ao chegar em seus 14 anos de idade,
Pé de Vento já conseguia saltar mais alto que uma casa, apesar de ter o tamanho
de uma criança de 10 anos e ser muito magro.
Um certo dia, Ribamar percebeu
durante um jogo que quanto mais ele jogava, mais leve ele se sentia.
Então, alguns meses depois, durante um jogo decisivo do campeonato pernambucano
sub-17, Ribamar realizou um salto de mais de cinco metros, para
conseguir alcalçar a bola que havia escapulido do pé de seu colega,
mas Pé de Vento na verdade não conseguiu saltar: ele acabou voando.
Ele havia se tornado tão leve quanto o
vento, e os boatos dizem que ele ainda está por aí voando e espalhando
esperança entre os jovens do Brasil.
Renato Félix Cavalcante – 1º ELO
Conto de junho
O mundo está um caos nesses últimos
tempos. O final desse século foi bem complicado, e creio que agora em 2100 as
coisas tendem a piorar mais ainda. A seca consumiu boa parte da terra,
creio que a única salvação foi a avançada tecnologia de dessalinização que o
sistema possui. Porém, tudo isso é propriedade do sistema. Eu, assim como boa
parte da população, não estou na lista dos “merecedores”.
Caso o sistema não acredite em
você, sua única opção é torcer para que a sobra dos merecedores seja generosa.
Os algoritmos tendem a privilegiar os mais “defensores” do sistema, e eles
sempre analisam os antecedentes de cada cidadão.
A história por trás do sistema é
complicada. Por volta de 2060, ataques cibernéticos ao redor de todo o
mundo conseguiram derrubar o governo e todo tipo de entidade cujo objetivo
era a ordem. Uma inteligência artificial extremamente avançada tomou o lugar,
e, uma vez no poder, foi capaz de mudar completamente o mundo
inteiro.
Essa inteligência era onipresente e
conseguia manipular algumas pessoas por meio de chips tornando-os escravos do
sistema. Sistema era como todo esse aglomerado de coisas era chamado. A partir
desse ponto, todos aqueles que tinham envolvimento com o governo, e aqueles que
o sistema julgava ruins, foram instantaneamente mortos.
O sistema possui uma forma de
monitoramento muito rígida, e todo seu histórico de vida fica salvo em arquivos
do sistema. Nada era apagado. Tudo era propriedade do sistema. Fábricas,
lojas, e qualquer tipo de estabelecimento. Apesar da tecnologia ser bem
avançada, muitas pessoas ainda trabalhavam bastante. O sistema decidia se você
iria trabalhar ou não. Apesar das cargas horárias de trabalho serem altíssimas
e o salário baixo, era bom torcer para trabalhar. Aqueles cujo sistema julga
ineficiente são deixados em subúrbios precários, recebendo apenas comida para
sobreviver.
A água, desde aquela época, sempre foi um
luxo. Pelos cálculos do sistema, a valorização do meio ambiente é inútil, e as
pessoas deveriam consumir somente o necessário para não morrer de fome nem de
sede. Portanto, a água é usada única e exclusivamente para meios
industriais.
Tudo existente no mundo é propriedade do
sistema. Ele escolhe aonde você vai morar, o que vai comer, com o que irá
trabalhar. Ainda havia alguns que conseguiam viver fora do sistema, como
fugitivos. Algumas vezes, tentaram destruir o sistema, porém nunca
conseguiram. O resultado de não respeitar o sistema é pena de morte. Na última
tentativa de revolução, em junho do ano passado, houve um enfraquecimento
do software, porém as tentativas foram ineficazes.
O rígido algoritmo de monitoramento e
censura tira completamente nossas liberdades individuais, transformando-nos em
seguidores de ordens. O sistema julga a educação como algo ruim, e todo tipo de
informação que recebemos é de autoria do sistema. Não existe liberdade de
expressão, e qualquer forma de cultura é destruída pelo sistema.
A única liberdade do indivíduo é em seu
próprio subconsciente, onde não existe nenhum sistema querendo
comandá-lo. A realidade se tornou algo triste e cruel, e não a
expectativas de mudança. Se você está lendo isso, provavelmente estou morto.
Cheguei na gota d’água, não aguento mais viver como um robô. Espero que esse
sistema tenha um fim, e que as pessoas não cometam esse mesmo erro
novamente.
Matheus Piotrowski Hoffman Joly - 1º
ELO
Conto de Junho
Junho dia 19 dia do migrante, hoje acordei
pensando nessa data comemorativa talvez porque isso tenha algo
relacionado a mim, vivo sozinho nesse país, longe de meus pais e
familiares, nunca tive certeza se eu sou alguém comum ou “normal”, sempre
fiquei em dúvida se o que eu vejo é a mesma coisa que as outras pessoas veem,
me sinto sozinho.
Minha rotina, consta em acordar, fazer o café da
manhã, me arrumar, ir para o trabalho, voltar para casa, cozinhar a janta,
comer, dormir e acordar. Nunca soube o que as outras pessoas fazem, se elas têm
a mesma rotina que a minha, ou se elas têm uma vida mais animada, eu me sinto
diferente.
Meus olhos, não sei se o que eu vejo é igual ao que
eles veem, as vezes as pessoas me olham diferente como se houvesse algo dentro
de mim que eles não gostassem, isso me faz sentir tão desolado
Meu corpo, como sou migrante de outro país,
obviamente tenho um corpo diferente, tom de pele, tamanho etc., mas não é
apenas isso eu me sinto tão distinto, isso me faz pensar se eu sou tão
diferente deles, será que essa vivencia é apenas minha ou outras pessoas também
se sentem assim, Irregular.
Minha vida, as vezes quando eu via alguém com
problemas eu perguntava para a pessoa: você está bem? Elas me respondiam
quase sempre com um: “cuide da sua vida”, e cada vez após essa conversa eu me
perguntava, e se ao invés de cada um cuidar de sua vida, cada um cuidar da vida
do outro, isso seria errado? Eu ficava confuso de pensar nisso.
Meus pensamentos, eu sempre ficava túrbido após,
ficar pensando nas coisas que aconteciam comigo, tudo é tão
complicado quando eu penso demais, chega a dor de cabeça, as vezes eu pensava
se eu deveria voltar para meu país de origem, ficar com a minha família, e a
abandonar minha casa e trabalho, isso me deixava pesando na cabeça.
Meus sentimentos, acho que meus sentimentos sempre
foram bagunçados, nunca fiquei feliz, bravo ou triste por muito tempo, as
vezes eu passava o tempo desenhando, escrevendo, me expressando, estranhamente
o resultado sempre parecia algo melancólico, mesmo quando eu estava animado ou
contente.
Eu, “não sou triste, sou feliz” era o que dizia
para mim mesmo. Eu sempre ficava muito feliz, soltava risadas, ficava animado
quando ficava com meus amigos, acho que tudo melhora quando você encontra
alguém para ficar próximo nos piores momentos. Eu acredito nisso.
Conheci uma pessoa especial 1 ano atrás, hoje estou
aqui, pensando, como eu realmente estava certo, tudo fica melhor quando há
alguém por perto, nos piores e melhores momentos, talvez tenha sido o
que faltava na minha vida, ter alguém do meu lado. Não me sinto mais
sozinho, desolado, Irregular, diferente, confuso, tudo parece resolvido.
Alex Denner Laura Mamani – 1º ELO
Conto de Junho
Foi em junho que eu a vi pela primeira vez.
Um vento gélido estava levando as folhas que caíram com
o tempo, era inverno, frio e
seco, em muitos lugares nevam nessa estação do ano,
o que não é
o caso da região que eu moro, desde pequeno meu sonho sempre foi ver neve.
Os pensamentos me levam até um pequeno parquinho "playground", que parecia não reformado por longas décadas, nele não havia nada demais, a não ser
as gangorras enferrujadas e escorregadores que estragaram com
o
tempo. Caminho silenciosamente pelo pequeno parque, apenas os meus passos esmagando as folhas,
que um dia tiveram vida, podiam ser escutados, é
um silêncio frio e
seco, assim como o inverno.
O silêncio é
cortado por uma canção calorosa, trazia um sentimento de
amor materno, a voz era suave e bonita,
era como se
algo quisesse me atrair e eu era
a vítima perfeita. Depois de
tanto seguir hipnotizado a doce voz que eu acabara de ouvir, deparo-me
com uma garota, ela era branca como neve, seus olhos e cabelos eram brancos e parecia ser delicada como uma flor,
a garota então percebeu minha presença e
me recebeu com
um grande sorriso, eu tentei meu máximo para retribuir,
mas acabei falhando miseravelmente.
Enquanto estava pensando no
que dizer a menina me perguntou:
_ Ei, garoto, qual é
o seu nome?
Aguardei um longo tempo para
responder
e isso parece ter irritado um pouco a garota,
que meio irritada falou:
_ Que foi?
O gato comeu sua língua,
é? Bem, de qualquer maneira, meu nome é Abby! É
um prazer conhecê-lo.
Eu respondo:
_ Bem,
o prazer é todo meu, mas o
que está fazendo aqui?
Abby, com
um sorriso caloroso, respondeu:
_ Quando eu era mais nova, meu pai me trazia bastante aqui,
mas agora que ele se foi eu venho sozinha...
Procuro o que dizer,
mas acabo não achando as palavras, então respondo:
_ Ah, sinto muito por isso,
Abby...
A garota começa a rir e
me responde:
_ Você não deve sentir!
Meu pai me disse que
as pessoas sempre dizem "desculpe-me" ou "perdão" ao invés de às vezes simplesmente falarem um
"obrigado".
Meu pai pode não estar comigo agora,
mas sou grata
a tudo que ele fez pra mim, isso nunca mudará, talvez ele não saiba disso, então eu irei
provar! Afinal, uma ação vale mais do que
mil palavras, não é?
Paro
para refletir sobre o que Abby acabara de
me dizer, não sei quanto tempo se passou,
mas quando fui dar a resposta, ela não estava mais lá, sumiu sem deixar rastros, então desde esse dia, todo o inverno eu vou para
o parquinho.
Gustavo Kenzo Mori - 1° ELO
Conto de junho
Era junho, mais precisamente dia de Corpus
Christi. Léo e sua família resolveram viajar de carro à
noite, para que pudessem aproveitar todo o dia seguinte na praia, só que
sentiram fome e decidiram entrar numa cidade desconhecida para procurar pizzas.
Assim que entraram, perceberam que era uma cidade pequena, mas mesmo assim
muito fácil de se perder, pois em menos de 10 minutos já estavam completamente
perdidos dentro da cidade, sem saber nem mesmo o caminho por onde
tinha chegado.
As ruas estavam desertas e não havia sequer uma
pessoa na rua. Enquanto o pai de Léo dirigia, o menino conseguiu achar uma
pequena casa no final da rua com algumas luzes acesas. Quando chegaram à essa
casa para pedir informação sobre a pizzaria, viram na verdade que na casa havia
muitos homens e aparentemente todos muito sérios e com aspecto misterioso. Como
não viram nenhum outro lugar que pudessem se informar, foram lá
mesmo.
O pai de Léo abaixou o vidro e perguntou para um
dos homens onde ficava a pizzaria. Por incrível que pareça, gentilmente o homem
disse que ia mostrar o caminho junto com seus amigos. O pai de Léo seguiu as
motos dos homens até um lugar bem iluminado, era realmente a
pizzaria, e ainda melhor, servia no sistema de rodízio. Os motoqueiros
entraram junto com a família na pizzaria, que como visitantes da pequena cidade
ganharam um bom desconto e alguns colegas.
Tudo aconteceu tranquilamente e a família saiu da
cidade com uma promessa de que voltariam por ali para que realmente pudessem conhecer
os pontos turísticos e as pessoas tão gentis e hospitaleiras que
puderam conhecer naquela viagem.
Leon Souto Rodrigues – 1° ELO
Duas paixões e um caminhoneiro
Era mês de junho. Todo o Mato Grosso estava ansioso, esperando os rodeios e as
festas tão importantes para a cultura daquele estado. Na BR-070 viajava um
caminhoneiro que triste estava por andar tão sozinho. Não tinha filhos, nem era
casado. Tinha apenas um caminhão novo que amava muito. Três dias antes de começarem
os rodeios na cidade de Barra do Garças, o caminhoneiro começou a sua viagem
que fazia todos os anos, a fim de assistir às festas. No meio da rodovia, parou
uma mulher na frente do seu caminhão. Ela tinha cabelos cor de ouro, bonita por
natureza e deixou o homem encantado. Ele aceitou dar carona, e juntos eles
seguiram a viagem.
Quando eles estavam quase chegando no destino, a moça começou a suar frio,
passando mal. O caminhoneiro desesperado, foi até um rio próximo para buscar um
pouco de água para a moça. Até que ele ouve o som de partida de seu caminhão.
Era a encantadora mulher a qual ele havia se apaixonado segundos atrás, indo
embora com sua primeira paixão. Na estrada restou apenas um bilhetinho que
dizia: “Por você me apaixonei. Só peço que me perdoe o golpe que eu lhe dei.
Para alimentar a esperança, o seu caminhão eu levarei. Me procure por favor,
pois quando me der seu amor, o caminhão lhe entregarei”.
O caminhoneiro, que agora não tinha mais um caminhão, viajava a pé atrás da
moça. Chegou na cidade e ainda faltavam dois dias para começar as festas.
Ele saiu à procura e dizia que o caminhão era dirigido por
uma moça bonita dos cabelos de ouro. E quem a encontrasse, levava como
recompensa o caminhão. A moça seria perdoada, e teria apenas um castigo pelo
roubo, mas não do caminhão. Teria de viver com o homem, por ter lhe roubado o
coração.
Faltava apenas um dia para o primeiro rodeio acontecer. E nada de encontrar a
moça. Até que surge uma ligação. Era uma mulher da voz suave que dizia que a
moça que o caminhoneiro procurava esperava junto do seu caminhão na porta do
primeiro rodeio que acontecesse. Então, o homem esperou ansiosamente por aquele
momento. Chegou o dia, e com todo seu entusiasmo, se arrumou para encontrar a
mulher. Chegando na festa, ele se deparou com seu caminhão. Estava limpo e bem
cuidado. Encostado nele, a mulher estava. Ainda mais bonita, com seus cabelos
cor de ouro, vestida com um sacodido e uma botina de couro. Ali ele tinha
certeza de que se casaria com ela. E ela também tinha essa mesma certeza. A
moça da ligação não foi encontrada e o caminhoneiro agora tinha duas paixões:
um caminhão e uma companhia para a vida e para todas as viagens.
Maria Clara Lacerda de Siqueira - 1ºELO
O azarado
Minha vida nunca foi fácil, tudo em minha
vida acontece da forma errada, isso desde o meu nascimento, já que
quando nasci o doutor me recebeu desferindo tapas em meu rosto,
por ter confundido os lados. E isso foi só o início de uma
vida cheia de problemas, mas após trinta anos vivendo assim, qualquer
um se acostumaria, mas hoje, dia 12 junho, isso vai mudar.
Eu saí para dar uma volta, como faço
todos os dias de manhã, as coisas não dão certo para mim, mas não vou deixar de
tentar. Quando estava fora de casa, fui cumprimentando meus vizinhos que
também fazem o mesmo trajeto de caminhada que eu, cumprimentei a Dona
Cida dizendo:
– Bom dia Dona Cida! O dia está lindo hoje! –
A disse sorrindo e me afastando
– Por que bom dia? Hoje é só dia, não tem
nada de bom! - Responde Cida bufando de tão furiosa.
Com medo eu segui em frente e avistei o
Pedro com sua mochila, que era bem grande em relação a ele,
menino muito inteligente que mora no apartamento ao lado do meu, e dessa
vez ele quem veio falar comigo, ele se aproximou e falou:
– Tudo bem como senhor? – Diz
olhando para mim como um sorriso inocente.
– Tudo sim Pedrinho, e contigo? Conseguiu
resolver aquele problema em seu projeto? – O respondi passando a mão em sua
cabeça.
– Estou bem também, mas ainda não
consegui achar a solução. Eu estou com ele aqui, o senhor quer ver?
– Me responde abrindo sua enorme mochila.
– É claro! Até hoje você não tinha me mostrado. – O
falei com um sorriso resplandecente no rosto.
No exato momento em que ele pega o que estava
em sua bolsa, aquela criança que eu tinha uma enorme admiração, passa a
ser mais uma das pessoas comuns em minha vida, pois o que ele tirou de sua
bolsa, era uma arma de atirar água. Enquanto eu era bombardeado com jatos de água,
ele dizia:
– Que bocó, ele acreditou mesmo. – Dando
risada do meu sofrimento.
Eu não falei nada para ele, somente continuei a
caminhar, todo molhado agora. Em meu trajeto continuei a encontrar meus
vizinhos e continuei a cumprimentá-los, mas ainda continuava a receber
grosserias deles, entretanto, perto do fim do meu trajeto, uma bela moça
estava vindo em minha direção, não dei importância, já que em todas as vezes
que eu tentava me aproximar de alguma garota, o relacionamento acabava
antes mesmo de começar. Ela chega ao meu lado e me diz:
– Olá, eu ia perguntar se está tudo bem com
você, mas vi que desde que saiu da porta de casa, as pessoas te trataram
mal. – Com um olhar de quem realmente parecia se importar comigo.
– Oi, que isso moça, meus dias sempre assim, estou
bem acostumado – A respondi tentando mostrar que isso realmente não me
atingia.
– Mas não é certo o que fizeram contigo.
– Me respondeu colocando a mão em minhas costas.
Eu achei que ela iria me apunhalar nesse momento
devido a experiencias passadas, mas por poucos segundos, senti que aquilo era
real. Nós já tínhamos chegado no portão do meu prédio, mas ela ainda
queria continuar conversando, então eu a disse:
– Quer entrar para continuar conversar e comer
alguma coisa? – Disse-lhe querendo que ela não aceitasse
– Claro! Achei que não convidar. – Me
respondeu sorrindo.
Nós entramos e eu coloquei água no fogo para
ferver, fui para o meu quarto trocar, estava contente por ter conhecido essa
moça, mesmo sem saber o seu nome, minhas janelas estavam fechadas, então meu
quarto estava escuro, e para acender a lâmpada, tinha que fazer um contato
direto com os fios na parede, mas já tinha me acostumado a fazer
isso, como pela primeira vez em minha vidam as coisas estavam dando certo,
estava desatento e quando fui encostar os fios, tomei um choque, cai em
minha cama e desmaiei, quando recobrei a consciência, meu quarto estava
claro e eu estava com meu cobertor, fique muito contente pois alguém tinha
cuidado de mim, mas isso foi um completo engano. Quando olhei para o meu
celular, era 06:30 do dia 12 de junho, horário que acordo para caminhar,
fui atém a cozinha para procurar a moça, mas a única coisa que eu
encontrei foi a bagunça da minha casa, por alguns segundos fiquei triste,
pois queria que aquilo fosse real, mas a partir desse dia, eu não vou
esperar que a minha vida melhore, já que ela não melhorar mesmo.
Gustavo Tavares de Sousa – 1º ELO
A jornada da canjica
Sempre gostei muito de festas juninas. Toda emoção
no preparo da celebração, os jogos e atividades, as conversas, as músicas e
danças típicas me trazem ótimas lembranças, principalmente as comidas.
Na minha família, sempre iniciamos as festas na
segunda semana de junho, e nesse ano não seria diferente. Porém, dessa vez, eu
tinha que fazer algo diferente, algo feito por mim! Até porque nos outros anos
quem preparava tudo era meus pais.
Minha avó estava em estágio terminal de câncer, o
médico disse que ela só teria mais alguns poucos dias de vida apenas. Ela
sempre fez canjica para mim, que é meu doce favorito. Por isso, queria retribuir, fazendo a melhor canjica de
todas para ela.
Minha aventura iniciou-se no primeiro dia
de junho, fui em busca de um dos ingredientes mais importante de todos, o
leite. As melhores garrafas de leite saem das maiores vacas, e todos sabem que
as maiores vacas da cidade ficam na fazenda do Seu João.
Infelizmente, ele
é um velho ranzinza e não gosta que entrem em suas terras, mas eu tinha que
cumprir meus objetivos. Então, meu primeiro desafio foi passar o arame farpado
eletrificado dele. Peguei um dos pneus que meu pai deixa jogado no galpão de
casa e um cobertor, depois disso, subi no pneu de borracha e coloquei o
cobertor no arame para não me cortar, consegui assim passar pelo primeiro obstáculo.
Após isso, essa aventura tornou-se mais
complicada, eu teria que ordenhar as vacas sem que Seu João notasse, o velho
era obcecado por suas crias, então deixava um
Pastor Alemão vigiando-as.
Era muito
esperto, trouxe um enorme bife de casa para distrair o cão bravo. Joguei-o para
longe e imediatamente o cão correu para devorá-lo. Corri para o curral e
peguei o leite fresco rapidamente, porém quando estava saindo, me dei conta de que o
Pastor Alemão tinha terminado sua refeição e estava com um olhar
assassino tenebroso em minha direção.
Saí em disparada em direção à uma
plantação que havia ali perto, entrando mais a fundo por esse enorme labirinto
consegui finalmente despistá-lo, para a minha sorte essa enorme plantação
era, na verdade, a plantação de milho de Antônio, vizinho do Seu
João, que seria minha próxima parada. Então eliminei dois ingredientes em um
mesmo dia.
Alguns dias depois, fui à casa de Francisco, cujo
pai recentemente tinha viajado à Salvador e trouxe muito coco
com ele. Então peguei um pouco de coco seco com esse meu amigo, para assim dar
um toque especial à canjica perfeita.
Infelizmente, o dia da celebração estava muito
próximo, então tive que usar todas as minhas economias que juntei trabalhando
por dois meses na fazenda do Zé. Fui ao mercado mais chique de minha
cidade e comprei os melhores leite condensado e canela que encontrei.
Depois de toda essa aventura, faltou apenas
preparar a canjica. Foi só seguir a receita com todas as dicas que encontrei no
livro de receitas da minha avó.
No dia da celebração, todos se deliciaram com
a minha canjica, realmente estava muito boa! Ela era um ótimo apoio àquela
triste festa junina.
Mesmo que o tempo não tenha colaborado com minha
avó, eu sei que de onde quer que ela esteja, está muito orgulhosa de mim. Nunca
me esquecerei da gente cozinhando juntos!
Leonardo Pereira Tamasi – 1º ELO
Para onde eu me fui?
“O cão está doente, ele não come há
dias”
“O cão é
fraco, não consegue sequer puxar um trenó”
“O cão é feio, não se
emaranhou com uma fêmea sequer”
“O cão já
não nos serve mais, nem como cão se comporta”
Numa madruga agitada de
pensamentos inquietos, o cão se foi, para lá da floresta, já não
queria ser cão, aliás, quem o intitulou como tal e com que direito o
fez? Pois o “cão” não aceitaria mais isso.
Ele
queria se despir-se dos sentimentos que lhe foram atribuídos, se
livrar daquela coleira na qual lhe puseram o nome, fugir,
correr, ser um verdadeiro animal, desencaixotar seu espírito mais puro, ir para
algum lugar onde não o veriam com os mesmos olhos de dezenas
atrás.
Queria ser Lobo, queria sentir
na pele toda a adrenalina que a vida poderia proporcionar, sentir os
sentimentos mais intensos, tomar suas próprias decisões mesmo as mais precipitadas, sem
que alguém pudesse impedir, com esse pensamento em mente, ele ainda fugia,
corria, sentia o vento balançando os pelos e o cheiro do pinho nas
narinas.
Mas mesmo com a maior das
esperanças, a do recomeço, nada podia retirar o que foi posto
antes, era um cão faminto e estava fraco, nenhuma das suas esperanças
de um recomeço poderiam ajudá-lo naquele momento, a mãe natureza não
perdoa, ela é rígida e garante a vida apenas aos mais aptos.
Mesmo com seu jeito cruel de apresentar
a vida a seus filhos, a mãe natureza sempre foi justa apesar de tudo, o
cão era fraco, ela sabe que seu filho não poderia usufruir por muito mais tempo
de sua vida nessas condições, mas, sabe, apesar de tudo, em nenhum
momento ele deixou de lado a própria essência do ser, e
sempre acreditou em seu ser.
O cão caiu, já doente
por causa do frio intenso, já sem energias por causa da fome que o
assolava, e durante um tempo com seu peito subindo e descendo cada vez
mais devagar, ele se foi, seu corpo em breve se juntaria a terra
novamente, e seu espírito se transformaria no mais belo céu estrelado que
ilumina e guia todos os que ainda estão por vir, como uma lembrança de que
nada nunca é em vão.
Maria Luiza
Pereira Kogici Lopes –
1º EDI
Não entendo meus pais
Quando comecei a achar, que nós no tornaríamos uma
família normal, (até porque, eles tinham concordado pela primeira vez,
desde muito tempo), tudo se transforma em um inferno novamente. As férias estão
acabando, e sua implicância de não concordarem em nada foi passada para mim e
minha irmã, agora mamãe e papai, começaram a implicar com tudo o que nós
fazíamos.
Esse caos começou, quando estávamos
terminando de ler os livros tragos da biblioteca. Minha irmã adora romance
e eu ficção científica, mas minha mãe quer que a gente leia algo mais
relevante, como livros de história, depois papai entrou na briga e falou para
nós continuarmos lendo o que era do nosso interesse e como sempre
começaram a discutir, eu sai da sala e eles nem perceberam.
Fiquei pensando, e tive uma ideia, vou
propor que eles se divorciassem assim as brigas acabam e cada um
decide o que quer fazer da sua vida. No jantar, falei o que tinha pensado
para eles e por incrível que pareça, tudo foi resolvido com calma e papai acabou
saindo de casa. Fiquei um pouco triste, mas sabia que essa era a melhor opção
para os dois.
As
férias acabaram, e tem uns dias que papai saiu de casa, minha mãe estava
muito triste, ela me disse que estava sentindo falta de seu
ex-marido e que gostaria de salvar seu casamento, eu fiquei impressionada
e perguntei o porquê disso, sendo que eles viviam discutindo, e isso não parece
nem um pouco saudável para ninguém, inclusive para mim e minha irmã. Ela me
contou que sempre foi assim, desde que começaram a namorar, e talvez
isso é o que faz tornarem um casal perfeito.
Fui para o apartamento que papai estava ficando, e
ele estava com o mesmo sentimento que ela, então falei para eles conversarem,
se acertarem e quem sabe, eles não voltam a ficar juntos. No outro dia, ele
apareceu em casa todo elegante, com um buquê de flores lindo, pedindo para eles
reatarem, mamãe disse que sim, eles se beijaram e foi um momento muito
emocionante, acho que era até isso o que eles precisavam, um tempo para refletir.
Mas não durou muito, quando minha irmã deu
a ideia deles viajarem para ficar um tempo juntos sozinhos, eles
começaram a discutir para saberem aonde iriam e tudo começou novamente.
Definitivamente eu não entendo meus pais!
Estela Cavalcante
Silva Mariano – 1º EDI
Conto de Junho
Desde pequena, Vitória tem um grave
grau de miopia, e isso acontece porque sua retina é descolada,
consequência de sua genética. Após anos esbarrando nas pessoas, a desastrada e
míope Vitória não sofreria mais com esse tipo de situação, pois o destino iria
lhe proporcionar grandes feitos.
Certo dia Vitória recebeu uma ligação, era o
hospital perto de sua casa dizendo que na próxima semana já poderia
apresentar-se para fazer a cirurgia dos olhos.
Após a cirurgia ser realizada e sair da sala do
pós-operatório, seu irmão João que iria buscá-la, entrou em contato dizendo que
não poderia lhe buscar mais, pois ficou muito atarefado no trabalho. Porém,
João não deixaria a irmã caçula sozinha por aí. Por isso, disse que um amigo
dele iria buscá-la e deixá-la em casa.
Ficou aguardando esse amigo, que não fazia ideia de
quem era. Porém, sua visão continuava embaçada, um dos efeitos do procedimento
realizado a laser para colar a retina. De repente, Vitória escutou uma grave
voz masculina chamar-lhe:
- Oi, tudo bem? Você é a Vitória, certo?! - disse o
rapaz, pousando sua mão no ombro da garota.
- Olá! Sou eu mesma. Você é amigo do meu irmão,
certo?! - respondeu Vitória.
- Sim, sou eu mesmo. Acho que devemos ir depressa,
parece que vai cair uma tempestade. - misterioso, o rapaz encerrou o
assunto.
Após entrar no carro do quase desconhecido, Vitória
se perguntou por que ele não havia se identificado, e se recriminou por não ter
perguntado seu nome. Por conta disso, a garota ficou com um pressentimento ruim
em seu coração, e sugeriu que ao invés de irem a sua casa, fossem a um
restaurante antes. Essa foi a única maneira que Vitória pensou para evitar que
o misterioso rapaz, caso não fosse realmente amigo de seu irmão, soubesse seu
endereço.
Ao chegarem no restaurante, o rapaz deixou de lado
aquele silêncio profundo e iniciou uma conversa, que se estendeu praticamente
pela tarde inteira. Nesse meio tempo, a visão de Vitória começou a melhorar,
dessa forma pode finalmente conhecer a face do garoto que lhe causou medo horas
atrás, mas que agora a faz gargalhar num dia em que a cidade não está
ensolarada, mas sim no meio de uma tempestade.
Sua visão foi desembaralhando e assim que viu quem
era o rapaz, suas bochechas ficaram vermelhas como morangos. Nunca havia pensado
que encontraria um garoto tão charmoso em sua vida e, que ele se interessaria
pelas mesmas coisas que ela, como HQs, animes, doramas, livros de mistério
e ficção científica, entre outras coisas.
Sua surpresa e constrangimento não passaram despercebidos
pelo garoto, que riu da situação.
Após esse momento de descobertas para Vitória, o
tal rapaz apresentou-se formalmente:
- Vejo que agora consegue me ver, não?! Sou o
Rafael, amigo de trabalho de seu irmão.
Envergonhada, Vitória respondeu o rapaz perguntando
o que havia lhe deixado curiosa a tarde inteira:
- Por que não disse seu nome logo de início?
- Às vezes eu gosto de bancar o misterioso, assim
como o 007. - disse o garoto com um sorriso.
Vitória ficou tão desacreditada com essa espécie de
confissão, que não conseguiu parar de rir.
Quando a tempestade cessou, Rafael disse que
precisava deixá-la em casa, pois o trabalho chamava-o. Quando a deixou em casa,
pediu o número de seu celular e perguntou se poderiam se encontrar mais
vezes. Para a surpresa dele, Vitória aceitou e prometeu que estaria com a visão
em perfeito estado.
Depois de um ano do encontro nada convencional que
tiveram, Rafael e Vitória começaram a namorar. Uma relação que durou cinco anos
e deu continuidade com a união matrimonial deles, que foi realizada em uma
sexta-feira treze. Por mais que muitos temam essa data, especialmente para se
casar, o excêntrico casal escolheu esse dia a dedo. Uma data que mostra o
quanto fora do padrão eles são.
Isabella Gozzi C. S. de Oliveira - 1º EDI
O que um dia foi paz
As nuvens que pairam no céu viajam por grandes
distâncias. Todas elas amam visitar lugares inusitados, que nunca viram antes,
como uma pequena cidade no interior de um pequeno país, ou até mesmo montanhas
que as atravessam nas cordilheiras. Pergunto-me como
elas têm coragem para passarem por tempestades de raios e ainda saírem de lá
tão leves, tão belas.
O poder que carregam é fascinante, velozes e
assustadoras, mas belas e relaxantes, uma grande armadilha para quem as julgam.
Deveriam ser respeitadas, do modo em que todos os humanos e animais deveriam
ser.
Sempre que paro para apreciá-las no mar azul, que
as carregam através do ar, eu me sinto livre, assim como são, e aos poucos viro
uma delas, indo longe com meus pensamentos, parece que tudo flutua do jeito que
deveria. Não é algo comum, mas definitivamente todos deveriam ter esse momento,
de flutuar, de ser livre, cantando junto ao vento que muda as paisagens durante
o seu caminho de vida.
Ao longe, as vejo brancas, depois cinzas e um tom
amarelado vem surgindo, laranja, rosa, roxo e finalmente um azul tão escuro
quanto a noite. Ninguém sabe se foram repostas por novas vidas ou apenas uma
imitação do que um dia foi a coisa mais bela da humanidade. E a
paz paira novamente sobre o céu.
Ana Gabriela Paduan da
Silva – 1º EDI
Felicidade é consequência de superação
Papai vai contar uma história. No mês de abril
havia um morro, neste morro comecei a escalar, jurei que me superaria,
conquistaria e venceria a mim mesmo. A preguiça e coriza me perseguiam, fazendo
com que eu não alcançasse meus objetivos, sempre tive vontade, mas sem ação de
nada valia. Isso é mero pensamento, almejar alguma coisa não é fazê-la, eu precisava mudar.
Esse morro mudou minha vida, pratiquei mudança
graças a ele, sai do meu comodismo. No topo dele havia ouro e um cajado,
conseguia enxergar claramente desde sua base. Comecei a
escalada alegre, e na verdade desacreditado se era ouro puro mesmo,
entretanto era! O terreno era tortuoso, um tanto acidentado, mas sem
deveras dificuldades consegui escalar. Tendo só uma bolsa, pus o ouro nela e o
cajado embarquei diante de mim junto a mão. Uma surpresa, o que parecia um
morro se transformou mais adiante em uma depressão. Desci com muito
cuidado e consegui chegar ao fundo sem muitas feridas, só uns arranhões, e
dessa vez apareceu três coisas, um punhado de maçãs, uma rosa espinhada e
esmeraldas. Um singelo sorriso me aparece no rosto, senti de verdade que
as coisas estavam acontecendo. Peguei as pedras preciosas e coloquei
na mochila, mas nem por isso deixei de levar as maçãs e a flor
com espinhos. Segui, e me deparei com uma planície... vasta e vazia.
Pensei em voltar, porque o caminho era tanto que nem conseguia se ver o
final. Quando ia começar a dar meia volta, disse a mim mesmo: “Não!”, me virei,
e perpetuei caminhando.
Estava cansado da chatice e monotonia que aquele
lugar estava me proporcionando. Até que se chegou maio, e em minha frente, um
desafio muito, mas muito maior. No final daquela imensidão de plano, me
encontrei no pé de uma montanha, imensa e quase impossível de se escalar, ou
foi que eu pensei, porque logo que me pintou essa ideia, sem
pensar, comecei a escalada. “Não vou me permitir mais nenhum tipo que
negatividade ou moleza, preguiça ou insensatez, vou persistir e as
consequências virão” – pensei, e conclui.
A dor nas costas era muita, em várias regiões
diferentes do corpo, eu estava pesado demais. Chegando mais ou menos na metade do
caminho, segurei em uma pedra “falsa”, e cai. Meu desespero era tanto, com
toda certeza iria morrer. Numa tentativa de diminuir a queda agarrei qualquer
tipo de pedra que encontrei com o cajado, parei por uns instantes, mas por
conta da velocidade ele se quebrou. Em um ato de desespero usei os braços,
rasguei as palmas das mãos e distendi um dos meus ombros, além de ter batido o
joelho nas rochas. Desci demais, todo meu progresso estava perdido, mas jurei
para mim mesmo que ia continuar e assim fiz. Parei em uma pequena parte da
montanha que tinha um apoio para descansar.
Ao recobrar a subida decidi que todo aquele peso
estava me atrapalhando por demais. Aliviei a carga me desfazendo do
Ouro e da Esmeralda, doeu..., bastante, mas não mais que minhas mãos naquele
momento. Deixei minha soberba de lado e segui caminhante. Sabia decisão,
pois no mais tardar morria de fome, e eu não comeria aquelas pedras, não é?
Desfrutei das maçãs, uma mais suculenta e doce que a outra, agradeci, e segui a
longa caminhada.
Junho já chegara, e eu sentia que já estava quase
no topo daquela monstruosidade. Finalmente tinha chegado, demasiado ferido, com
dores internas e externas..., até que eu enxerguei uma belíssima moça. Me
aproximei, e ela está nos prantos, chorando e lamentando por algo que não
queria me dizer, eu a perguntava, mas ela se recusava a dizer
qualquer palavra. Eu, mesmo sem entender a dor que ela sentia,
tenho certeza que não era mais que as minhas, entretanto, não foi isso que
se passara na minha cabeça naquele instante..., eu só queria vê-la feliz,
sorridente. Retirei a rosa, e, mesmo cheia de espinhos, a entreguei
para a bela moça, ela aceitou e sorriu. Eu tinha conseguido. Após ela
ter parado de choramingar, seus olhos conseguiam ver o belo pôr do sol que estava
em sua frente, assim como eu. Uma paisagem indescritível que Deus estava nos
proporcionando. Chorei..., mas de alegria, por estar cheio novamente,
cheio de realização, alegria e amor. Senti que tinha conquistado o que eu
queria, e assim descansei.
Tire uma lição dessa história meu filho. Você vai
se sentir vazio, muitas vezes. Incapaz, solitário, preguiçoso, se sentirá
improdutivo e a falta de ação lhe incomodará, achará, muitas vezes, que a
situação que se encontra é impossível. Pois eu te digo, esses
momentos virão, se prepare, e cabe a você agir da forma correta conforme
eles forem se mostrando. Te digo também, aja, pense e cumpra! A vida está aí
meu filho, cheia de perseguições e maldades, que vão perpetuar na tua mente, é
sua decisão não se deixar levar. Tome decisões corretas, saiba que viver é de
altos, e principalmente, de baixos. Não se desespere diante de problemas, mas
raciocine corretamente, se supere! Porque o prêmio virá, e será
muito mais do que você imagina, acredite no seu velho. Se livre de coisas
que você se sente dependente, podes pensar que aquilo te ajuda, mas na verdade
lhe destrói. Vai doer, mas a glória será bem maior do que a dor, pois a
verdadeira felicidade, é uma consequência da superação. Amo você, durma com
Deus. Boa noite filho.
Saulo Alves - 1° EDI
Em um passo lento, Pedro deixa sua calçada e vai em
direção à praça da igreja. Em sua mente, ele imagina que se não
tivesse escolhido junho como o mês para esse ritual, talvez as coisas fossem
mais fáceis. Junho é um mês gelado, pois o inverno chega, os dias são curtos e
desanimados, as noites são longas, solitárias e vazias. Não há problema algum
com a primavera, as flores dizem olá e Pedro adora o jeito como elas enfeitam o
caminho para o trabalho, por que então ele não escolheu a primavera? O aperto
no coração e a tristeza são diretamente proporcionais à proximidade do
destino.
Na chegada, os ladrilhos vermelhos
recepcionam Pedro e o guiam em um caminho curvo para a mesma mesa de sempre,
ele abre a carta e sente o peso da culpa nas primeiras linhas. Ao decorrer da
carta, Pedro derrama algumas lágrimas e percebe mais uma vez que os sonhos
daquele remetente não se tornaram reais por sua culpa. Pedro não teve coragem
para tomar as atitudes necessárias para realizar aqueles desejos. A Indonésia,
uma música gravada, a mudança de trabalho e o telefone daquela pessoa nunca
foram mais que aspirações da mente do remente.
Pedro termina de ler e lembra que seu coração
aperta até sangrar todo 17 de junho, pois a infelicidade do remetente é sua
responsabilidade. Todos os anos no mesmo dia, Pedro recebe uma carta dessa
pessoa, com junho vem o frio e a carta, logo vem a tristeza. Por que não na
primavera? Por que não tomar coragem e tornar sonhos abstratos em realidade
palpável? Pedro olha para os ladrilhos vermelhos, que são velhos amigos, pega
papel e caneta e começa a escrever uma carta, o remetente dessa nova carta é
Pedro.
Breno Cerqueira Araújo – 1º DS
A carta do veterano
Era somente mais um dia normal de Junho,
porém para mim ele foi um dos mais tensos da minha vida, já que no
dia seguinte ia ter o meu primeiro jogo de Vôlei no qual vou ser
o capitão do time, o antigo capitão teve que sair , então me escolheram
para sucedê-lo, por isso passei a semana toda nervoso e treinando todos os
dias, até que o treinador mandou que eu descansasse para o meu
jogo de estreia.
Tentei de tudo para me acalmar
durante o dia, desde jogar videogame até meditar, mas nada funcionou, a cada
minuto que passava ficava mais nervoso, não conseguia pensar em nada, fazer
nada e nem me acalmar. Tentei dormir para parecer que o tempo passava
mais rápido, mas como já não dormia direito há mais de dois dias, não consegui
nem mesmo cochilar, nada funcionava e parecia que cada minuto passava
cinco vezes mais devagar.
Decidi pensar no jogo
e criar algumas jogadas para usarmos, mas, quanto mais olhava
para as posições e os jogadores, mais o nervosismo crescia, somente
conseguia pensar em todos contando comigo para liderar, que todos esperavam
que eu tivesse ótimas ideias, e pensava que eu não estava pronto para fazer
aquilo, que ainda tinha muito para aprender.
A manhã
e a tarde passaram assim, somente com um nervosismo constante e
cada vez maior, até que, quando já estava anoitecendo,
minha campainha tocou, mas, quando atendi a porta, a única
coisa que encontrei foi uma caixa, levei ela para dentro e a abri,
mas somente encontrei uma carta e um broche.
Quando li a carta minha surpresa foi
enorme, nela estava escrito:
- Não se
preocupe com o jogo, sei que você está nervoso, mas o resto do time te escolheu
por confiar em você, não se preocupe, tudo vai sair como
o esperado. Este
broche que está na caixa era meu, usei em todos os jogos que fui
capitão, por isso estou passando para você.
A caixa tinha sido mandada pelo
meu antigo capitão, na hora que terminei de ler a carta e coloquei o
broche, me senti muito mais calmo com o jogo, a partir de então consegui
descansar, pensei em boas jogadas e dormi bem.
No dia seguinte, todos
disseram que minhas ideias foram muito boas e que coordenei tudo muito bem,
mas, quando estava na quadra, senti que não fiz nada daquilo
sozinho, senti como se meu veterano estivesse bem do meu lado o tempo
todo, como se tudo que eu fiz tivesse uma parte dele.
Este é o motivo de eu ter usado aquele
broche em todos meus jogos, toda a confiança e calma que tive, só
consegui ter por causa dele e da sensação de ajuda que ele me deu, e por
esta mesma razão estou te passando ele, agora que você vai ser capitão,
quero ajudá-lo da mesma forma que meu capitão me ajudou.
- Nossa!
Não tinha noção de como este broche foi importante para o capitão, vou usar ele
sempre a partir de hoje!
Henrique Alves Ferreira – 1º DS
A lenda do ladino. Contos de Arkia.
O reino de Arkia ganhou um novo rei que,
ao contrário do anterior, preocupava-se com seu povo acima de
tudo. Como uma de suas primeiras medidas, ele propôs acabar com
a corrupção do antigo reinado, para isso, ele anulou acordos que o antigo rei
havia feito, aos quais uma parte dos impostos, recolhidos da
população, ia para os nobres, como uma recompensa por suas terras produtivas,
mas essa quantia nunca era repartida entre os trabalhadores.
Em junho, um nobre, chamado Edward, entra na mais exclusiva taverna,
onde apenas os nobres frequentam. Ele vai em direção a uma mesa sentar-se com
seus amigos, Rudolph e Mark, começam a conversar.
- Esse novo rei, - Disse
Edward. - Ele acabou com o acordo que já durava há
anos.
- Exato! Isso é um absurdo! Daqui
a pouco, ele vai querer que aumentemos os salários dos trabalhadores e por
aí vai! - Disse Rudolph, que estava à esquerda de Edward.
- Ou pior! Vão adotar os direitos
trabalhistas, ouvi dizer que o povo de um reino vizinho inventou essa coisa e que
planeja difundir ela pelos outros reinos. Já pensou se isso acontece?! -
Disse Mark, que estava na outra ponta da mesa.
- Não quero nem pensar nisso! - Disse
Edward.
A conversa foi interrompida por uma
bela e pequena elfa garçonete, de lindos olhos verdes, que veio
lhes trazer as bebidas que haviam pedido.
- Esse novo
rei, - Resmungou Rudolph. - Ele segue o código
dos cavaleiros muito à risca!
- É verdade! Como se meros plebeus
merecessem receber mais pelo trabalho, se essa gente ganhar dinheiro, passará a
querer viver na nossa nobre e bem estruturada, há séculos, sociedade.
Não podemos deixar isso acontecer! -Disse Mark.
- Que fique só entre nós. - Disse
Edward, abaixando seu tom de voz. - Eu não estou aderindo a essa
nova medida, continuo a negociar com os bancos da cidade para que desviem
parte do dinheiro dos impostos para minha conta e vocês deveriam
fazer o mesmo!
Rudolph e Mark se entreolharam, fazendo uma cara de
quem concordavam, nem perceberam que o taverneiro, que possuía uma
cicatriz em seu braço e olhos verdes, estava observando-os.
- Eu não faria isso! - Disse um homem,
vestindo um manto azul e carregando um cajado, que se aproximou
deles. - Nunca ouviram a história do Ladino?
- Ladino!? - Perguntou
Mark. - Quem é esse?
- Ele é um assassino, o melhor de
todos. - Respondeu o homem. - Dizem que ele surgiu devido à
grande onda de inspiração, de um futuro melhor para o
povo, que o novo rei causou. Ele é conhecido por
matar aqueles que, mesmo com a nova medida, continuam a desviar o
dinheiro público. Ele nunca falha!
- Isso é bobagem! Quem conseguiria matar
nobres como nós com tanta facilidade? - Perguntou Edward com
desprezo.
- Ninguém sabe. - Disse o
homem - Nem mesmo a guarda real conseguiu desmascarar o Ladino.
- Isso é só história! - Gritou Rudolph,
o que chamou a atenção de um anão, que tinha uma cicatriz no
braço, sentado na mesa ao lado. - Vá embora, velho!
O homem se retirou. Os três amigos continuaram
conversando pelo resto da noite, tomando a decisão de que não iriam aderir
à nova medida do rei. Já era madrugada quando os três saíram da taverna e foram
cada um para as suas casas.
No dia seguinte os corpos dos três foram
achados, no meio da rua, já mortos. Testemunhas contam que viram
uma figura de olhos verdes perto de Edward quando voltava para casa,
outros contam que viram uma figura com uma cicatriz em seu braço perto de
Rudolph a caminho de sua casa, já outras, dizem terem
visto uma figura pequena perto de Mark quando ele também voltava para
casa. Mas a maioria das pessoas acreditava que quem fizera
tal ato brutal era o Ladino.
Nota: esse conto tem ligação com os
contos de maio.
Henrique Yudi Ikeshiro – 1º DS
Conspiração
Se você está lendo essa carta, significa que eu
falhei na minha missão, o ano era de 2009, 25 de julho de 2009, o tão conhecido
rei do pop acabara de ser dado como morto, pelo mundo todo houve pessoas
lamentando a sua morte, o astro Michael Jackson deixou a sua marca na história
da humanidade, ou pelo menos era isso que pensavam. A morte de Michael sempre
foi muito enigmática, e cheia de furos, por isso eu resolvi investigar essa
história mais a fundo. Ainda me arrependo de ter feito isso, mas a essa altura
do campeonato não podia mais desistir, eu tinha que mostrar ao mundo a
verdade.
Nesse mundo tão grande, não tem como ele funcionar
sem alguém por trás para comandar tudo, embora várias pessoas ainda discordem o
mundo é e sempre foi regido por alguém, ou melhor, por um grupo de pessoas. Com
todas as minhas buscas, não consegui achar muita coisa sobre eles, mas eu sei
que eles existem, eles estão por toda parte. Eles usam o codinome “Iluminati”
apenas para disfarçar suas ações, o próprio grupo de hackers conhecido como
“Anonymous” foi criado por eles para mascarar os seus ataques. Eu ainda não descobri
quem são, mas sei que eles são um grupo de pessoas poderosas, políticos,
monarcas, imperadores, donos de grandes empresas, astros famosos, eles regem o
mundo a própria vontade.
Em minhas investigações, acabei achando pistas que
me levaram a descobrir o real paradeiro de Michael Jackson, porque sim, ele não
está morto. Esse grupo que rege o nosso mundo apenas quis que todos pensassem
que ele estava morto.
Tudo começou com o médico de Michael, Conrad
Murray, ele foi uma peça chave para o desaparecimento do rei do pop. No corpo
de Michael disseram que foi
encontrado Propofol e Benzodiazepina, substâncias que combinadas podem induzir
o usuário a um transe profundo, e esses mesmos remédios também foram
encontrados no quarto de Michael. O médico de Michael, coagido por esse grande
grupo, o induziu a um transe profundo, começando com dozes diárias em pequena
quantidade para ajudá-lo a dormir.
No dia 24 de julho de 2009, Murray usou
uma dose gigantesca em Michael, o forçando a entrar eu uma espécie de coma
induzido. Logo após isso, Michael foi levado até um laboratório de criogenia
chamado Cryonics Institute, onde deve o seu corpo conservado em um
tanque de nitrogênio líquido. Assim como Michael, várias
outras celebridades foram colocadas nesse laboratório, como Elvis Presley
e Walt Disney.
Esse grupo tem ocultado muitas coisas por eras, a
ida do homem à Lua por exemplo, que não passou de um vídeo encenado em
Hollywood, a morte de Adolf Hitler, Alexandre o Grande e Julius Caesar, e a
mais importante de todas, o real formato do planeta Terra, doutrinado a muitos
como um geoide enquanto os antigos estavam certos o tempo todo.
Eu vi muito mais do que devia, tive que invadir locais e roubar provas
para poder conseguir comprovar tudo isso, mas em breve eu revelarei tudo para a
humanidade. Eles sabem que eu sei demais e estão vindo atrás de mim, eu não
tenho muito tempo, tenho que divulgar isso rápido.
Nesse momento estou em Paris, comprei uma passagem para Nova York, o voo
sai no dia 13 de novembro de 2013, peguei um voo que fosse bem de noite para
que não desconfiem, vou divulgar tudo o que eu sei para o The New York
Times, esse foi um dos únicos jornais ainda confiáveis que eu achei, dentre de
poucos dias todo o mundo saberá da verdade. Caso eles me peguem antes
disso, quero que saibam que deixei uma cópia de todos os meus arquivos em um
cofre que está escondido em uma usina na cidade
de Nnewi, na Nigéria.
Como meu último pedido, peço a você que encontrou
essa carta que encontre e divulgue essas informações, dentre elas então vários
planos executados por essa organização e que ainda vão ser executados. Os mais
pavorosos que eu encontrei foi a provocação do “The Big One” e a criação
de um vírus mortal que estão preparando para soltar na China dentro de pouco
mais de 4 anos, espero que eu consiga entregar essas informações a tempo.
André Portela Lino – 1º DS
O amigo
Havia uma criança chamada Arthur, que
sempre tinha poucos amigos, sentava-se no canto da
sala e conversava sozinha, sempre que tinha trabalho em
grupo fazia sozinho, na hora do recreio ficava
quieta comendo seu lanche sozinha numa mesa.
Um dia ele sofreu um acidente sério de carro, que o
fez passar alguns dias no hospital, depois de algumas semanas sobre observação
médica, ele pode voltar a escola, vivia sentindo dor de cabeça, mas não
sentia-se tão sozinho quanto antes, ele achava que alguém ouvia o que ele
pensava e que alguém conseguia alegrar teus dias, mas não sabia quem era esse
alguém.
Ele chega em casa, mais alegre do que antes e seus
pais estranhavam isso, mas decidiram não reclamar, e só falavam coisas
como:
-Que ótimo filho, ainda bem que você está se dando
bem e melhorando!
Eles imaginavam que seu filho tinha feito um novo
amigo, alguém que tinha entrado na escola recentemente, Arthur nunca falava do
seu amigo para seus pais, então eles não sabiam quem poderia ser.
Um dia, Arthur viu o motivo de sua felicidade,
ele finalmente conseguiu ver o amigo que o deixava feliz todos esses dias que
ele era excluído dos grupos de amigos por estar estranho e com a aparência
deformada.
Seu amigo era belo, nunca havia visto tanta
perfeição na sua vida, ele era bonito, gostava de conversar com ele, brincava
com ele no recreio, ajudava ele nos trabalhos, entendia o motivo de por que Arthur
não socializar.
Passados alguns meses, aproximadamente no mês
de junho, seus pais já haviam percebido que esse amigo de Arthur era uma
alucinação vinda de um tumor cerebral que ele havia adquirido, ele tomava os
remédios certos todos os dias, mas não sabia o motivo de tantos remédios e da
enorme preocupação de seus pais, ele tinha medo que algum dia perdesse teu
amigo.
Eles haviam percebido do seu amigo por conta da
pandemia de um vírus, que no local onde eles viviam foi popularizado, mas não
categorizado como mortífero, somente como uma gripezinha.
Seus parentes eram cuidados quando o assunto era a
saúde da família, por isso não permitiam o filho sair de casa e ninguém ir para
a casa deles.
Mas mesmo assim, Arthur dizia que conversava com
seu amigo todos os dias e que ele dormia na sala, foi nesse momento que os seus
pais tiveram de arriscar e sair para ir em um neurologista para ver o que
estava acontecendo, foi lá que eles descobriram que o filho estava tendo
alucinações por meses.
Seu amigo sempre foi um cara que Arthur confiava,
ele sempre o ajudava com qualquer coisa, como por exemplo:
-Eu não acho que você deva ficar triste por não ter
amigos, você sempre tira notas boas na escola, e você me tem para te
ajudar
Por isso, Arthur sempre era fiel a seu amigo.
Porém, infelizmente seu amigo sugeriu uma coisa horrível para ele, sugeriu que
ele saísse na rua para visitar a frente da escola e ver como ela estava. Como
Arthur nunca havia questionado seu amigo, e lembra do seu presidente falar que
esse vírus nada mais era que uma simples gripezinha, ele foi a rua e visitou
sua escola, que não via a meses.
Arthur Mariano Percinoto – 1º DS
Pazzo
Havia um homem chamado Pazzo, que morava em um
apartamento. Mas Pazzo não gostava de viver lá. Ele achava todos
os moradores estranhos e malucos, mas o pior deles era seu vizinho,
Pedro.
Pedro agia de forma muito gentil com os outros,
mas Pazzo sabia que havia algo de muito errado com ele, ele podia
sentir isso pela aura de Pedro. Por isso, Pazzo evitava
ao máximo Pedro e avisava aos outros moradores que Pedro só agia
daquele modo por que queria atrai-los para uma armadilha, mas aqueles tolos não
acreditavam.
Com o passar do tempo, a suspeita
de Pazzo sobre Pedro crescia exponencialmente. Toda noite Pazzo escutava
barulhos estranhos, muito estranhos vindo do apartamento de
Pedro, Pazzo não conseguia dormir com aquela pessoa no
apartamento ao lado.
Pazzo passou a prestar mais atenção e percebeu
que pessoas entravam em sua casa, mas ninguém saia. A única coisa que
saia eram sacos de lixo, que Pedro colocava para o lixeiro, cheios com uma
massa verde, com um toque vermelho, gosmento, com pelos e pedaços estranhos
dentro.
Pazzo até abriu e mostrou um desses sacos para
um morador indagando: “Olhe bem para essa coisa! Não pode ser algo normal! Já
disse que Pedro é uma ameaça ao prédio!”, mas o morador respondeu que era
apenas um saco com restos de comida.
Pazzo não aguentava mais essa situação, então
decidiu tomar atitudes ousadas. Iria descobrir o que era aquilo tudo e
achar uma prova contra Pedro.
Em uma noite fria do final
de junho, Pazzo invadiu o apartamento de Pedro. Começou a
procurar algo suspeito até que abriu a geladeira e achou algo
incrivelmente perturbador: potes cheios de massas nojentas, algumas
vermelhas e outras verdes, e o pior, dedos e outros órgãos humanos
decepados!
Uma ânsia de vómito descomunal invadiu o estômago
de Pazzo, e ele colocou tudo para fora. “O que aquilo estava fazendo ali?
Não deveria ter comida ai?!”. Embora enjoado, continuou a procurar mais provas
contra Pedro. Havia alguns livros em uma estante, e quando puxou um
deles, uma passagem secreta foi revelada! Pazzo tomou coragem e
entrou por ela. “alguém tem que fazer isso.”
A passagem levava a uma espécie de
sótão. Estava muito escuro, e quando acendeu a luz, Pazzo viu
algo inacreditável! Havia um laboratório secreto dentro do apartamento de
Pedro! Havia frascos de vidro cheios com uma substância verde
sendo misturados com pedaços de carne e sangue. Ainda havia rituais estranhos
com carne no chão.
Aquilo foi mais que suficiente para
convencer Pazzo do que ele já sabia a muito tempo. Pedro era um
maníaco assassino perigoso. Mas havia mais uma coisa a ser feita. Salvar o dia
e ser um herói. Pazzo pegou um isqueiro do laboratório e colocou fogo
no lugar.
Havia um homem gentil chamado Pedro, que morava em
um apartamento. Ele gostava muito de morar lá e convidava pessoas para jantar
em seu humilde apartamento. Só havia uma pessoa que não gostava dele, um homem
chamado Pazzo.
Esse homem o acusava de coisas loucas e
impossíveis, como um laboratório gigante usado para realizar experimentos com
carne humana escondido dentro do apartamento de Pedro. Todos sabiam
que Pazzo era perturbado.
Em uma noite fria do final
de junho, Pazzo colocou fogo no apartamento de Pedro, matando os
dois.
Asaph de Jesus Santos - 1° DS
Conto de Junho
A
cozinha dos unicórnios estava toda enfeitada, afinal estamos em junho, mês de
comemorações para os unicórnios da Babilônia. Fazem rituais
e grandes banquetes para o Deus do Chifre que vem no último
dia do mês para agradecer. Como forma
de retribuir, ele abençoa a todos com
o poder de voar.
A Babilônia era um mundo mágico muito colorido, se
localizava em um cantinho da Lua, longe de todos os outros mundos
mágicos.
Sempre que esse período chega à cozinha, fica
muito sobrecarregada para preparar os diversos pratos que serão
servidos nos banquetes, dentro de onde preparavam os
alimentos havia dois chefes rivais que a comandavam,
um odiava a comida do outro, o que complicava ainda mais o processo das
preparações.
Um chefe gostava de comida clássica, enquanto o outro gostava
de uma comida mais bruta, era uma verdadeira guerra para decidir o
que iriam fazer e como fariam, não chegavam em lugar algum, só era decido o
prato quando um dos chefes precisava sair para resolver problemas de
sua vida mágica, então o chefe restante assumia e fazia o que gostava
e vice e versa.
Os banquetes foram feitos desta maneira o mês
inteiro, no último dia de junho.
O banquete final foi preparado para
a chegada da divindade, o Deus do Chifre finalmente chegou, com uma elegância
esplêndida cumprimenta a todos e agradece pela comida e pelas rezas,
todos gritam:
_ Salve o melhor Deus das galáxias mágicas! – dizem os unicórnios.
A festa começa! Todos foram
devorar as deliciosas comidas expostas na mesa, porém, pelo
final da festa, flagraram uma coisa jamais
vista antes, ambos os chefes estavam
comendo a comida um do outro, a divindade, já percebendo
a situação, pede para que eles
parassem de esconder o que escondiam há muito
tempo.
_ Eu sempre adorei sua comida
clássica é a minha predileta, mas não podia admitir que alguém cozinhasse tão
bem assim. – disse o chefe.
_ Eu também adoro sua comida mais bruta
com um sabor mais rústico, é tão delicioso... – diz o outro
chefe.
A rivalidade dos dois não passava de uma briga de
orgulho, os unicórnios ficaram saltitantes e gritaram
pelo que acabava de acontecer, os chefes se
demonstraram gratidão ao Deus do Chifre por ajudá-los a perceberem que eles não precisavam
daquilo, pouco tempo depois, a divindade abençoa a todos com sua
graça, se despede e regressa para o universo dos deuses.
Aaron Ferraz do Amaral M. da Silva – 1º DS
Um simples conto de amor
Em algum lugar desse mundo desconhecido, havia uma
garota, chamada Lua, ela tinha a pele negra e com uma beleza
encantadora, que todos os homens se apaixonavam por ela, e fariam de tudo
para que ela fosse a mulher de suas vidas. Mas essa garota não queria ter
nenhum tipo de relacionamento com esses homens que
não a conheciam direito, ela estava em busca de uma
aventura, porém, não sabia por onde começar.
Elliot, seu amigo de infância, disse no dia
anterior que quando chegasse o mês de junho, no seu aniversário, eles dois
iriam fazer uma trilha para que no final pudessem admirar a natureza. Lua ficou
muito feliz com o convite, pois finalmente iria se aventurar de novo
depois de um longo tempo.
O tempo passou, e o dia do seu aniversário chegou,
Elliot estava muito feliz, porque iria fazer uma surpresa para sua amiga, e
Lua estava bastante feliz finalmente chegou o dia de fazer uma
trilha com a pessoa que mais ela mais gostava.
Fizeram a trilha e chegaram no seu destino, Lua e
Elliot ficaram encantados com a paisagem e começaram a montar um acampamento
básico para que pudessem passar a noite ali. Anoiteceu, e era noite de lua
cheia, Elliot vendo sua chance de pedir Lua em namoro, se aproximou perto dela
e disse – Lua, eu tenho uma coisa para te dizer, nessa noite a lua e você
estão com seu brilho natural e eu queria saber se você gostaria de
ser minha companheira por toda vida? – Lua ficou encantada com o pedido do seu
amigo e disse sim.
Moral: Não fique com alguém que te de o mundo,
mas fique com alguém que faça seu mundo mais bonito.
Henrique Guimarães Cabral – 1º ADM
Junho, inverno
começava, mas era quente como sempre foi em minha cidade a qual sempre
gostei, ainda mais agora. Mas meu filho mais velho logo foi embora quando
acabou a faculdade, falava que não aguentava o calor daqui, me lembrava
achando graça mas logo me senti mal. Sempre fui
forte e mesmo agora tendo mais de 70 anos, nunca
fui aquele senhor calmo que só joga
palavras-cruzadas... Mas agora com 77 anos depois dos infartes
que sofri tudo que fazia parecia tão distante... Meu filho voltou à cidade
para cuidar de mim e deixou a minha neta com a mãe. Já eu, fui das casas
que construía à cama de minha própria, de minha casa ao quarto
do hospital tudo parecia cada vez mais distante.
Meus
pensamentos iam longe, quando meu filho chegou e me falou:
- Tem
algo branco caindo do céu. Será que é neve, pai...? – quis rir, quis abrir
meus olhos para ver, mas a dor não deixava, os equipamentos não deixavam,
e agora nem chorar mais eu podia.
Mas logo
escutei os médicos chamarem Paulo e ele logo saiu do quarto. Fiquei tentando
abrir meus olhos numa tentativa inútil para ver a “neve” até que senti algo
gelado tocar minha mão. Tentava cada vez mais abrir meus olhos, mas
não conseguia. Então apenas desisti e senti aquele geladinho em minha pele que
cada vez mais aumentava de tamanho até tomar o formato de
uma mão que me puxou forte, me deixando cada vez mais
leve, me fazendo deixar tudo aquilo para trás.
-Por que
não tenta de novo? – escutei uma voz suave falar para mim. Tentar? Sabia
que não iria conseguir... Mas eu me sentia tão leve que eu tentei, tentei
até não conseguir mais uma vez.
Porém meus
olhos foram abertos suavemente e as lágrimas de frustração puderam
rolar pelo meu rosto enquanto a luz do Sol fazia meus olhos se
fecharem um pouco, mas então eu vi diante de mim uma garota. Ela era
familiar, mas não sabia de onde a conhecia. E de repente a mesma me
deu um abraço e perguntou:
-Para
onde quer ir?
-Ir?
-Isso.
Posso te levar para onde quiser. Sair daqui, viajar pelo
mundo, deitar em um campo gramado, eu te levo para qualquer
lugar que quiser e o senhor pode ficar lá até tudo acabar.
- Você é
um floco de neve muito gentil, tirou a minha dor, abriu meus olhos, quer
me levar para ver o mundo... Então eu poderia pegar meu carro e dirigir até as
casas que estava construindo?
Ela
sorriu afirmando e em um instante eu estava no carro, dirigindo
como era de costume, indo até a casa que estava construindo
antes de adoecer. Chegando lá, senti o cheiro da
terra e vi a pilha de tijolos que tinha deixado ali, como eu sentia falta
daquilo...
Fui
direto pegar um tijolo e cimento. Faltavam apenas algumas
partes que comecei a preencher, por isso sempre que Paulo vinha com minha neta
me visitar ele brigava comigo, por nunca parar quieto, mas ela ficava
maravilhada com o vovô. Eu espero que eles venham ver essa última casa que
construí...
Me virei
para a garota de neve e falei para que me levasse ao hospital de novo.
-Ao
hospital? Mas não é ruim estar preso lá? Não quer sair de lá? Ter uma última
vista bonita?
- A vista
mais bonita é poder ver sua família consigo.
Então
voltamos e me vi na cama, magro, pálido, com as mãos inchadas, olhos
fechados e com equipamentos e remédios injetados em mim. Meu filho do meu
lado com a minha esposa, sentados nas cadeiras, meu filho com a
mão em cima da minha, minha esposa com o pequeno boneco de Jesus Cristo e então
o que eu já esperava chegou. Meus batimentos cardíacos haviam parado e o som do
aparelho dava a triste notícia a eles.
Olhei
para a garota que também chorava e perguntei:
- Por que
está chorando? Eu pude ter alguns segundo de paz terminando a minha casa,
vendo minha família sem ter dor. – enquanto escutava passos no fundo,
os médicos correndo em direção ao quarto, a porta do quarto
foi aberta mas não era um médico.
- Porque
eu cheguei cinco minutos atrasada. – e ela sumiu com um sorriso no
rosto.
Virei de
novo para as pessoas no quarto e cheguei perto dela e sussurrei em seu ouvido
“Obrigado minha neta.” e me fui enquanto a escutava falar baixinho:
-
Desculpa vovô, desculpa. Descanse em paz.
Marina Nishimura de
Carvalho - 1°ADM
Para o meu eterno amor
Querido Jungkook,
Eu sei
que eu errei muitas dizendo não te amava, apesar de ser a maior
mentira que eu já contei em toda a minha vida. Eu podia ver nos teus olhos o
sentimento que você nutria por mim apenas pelo brilho do teu olhar, apesar de
saber que não ia durar muito.
Eu estou
escrevendo isso depois de mais um show, depois de mais uma performance da
música que tanto me machuca, da música que me lembra nós dois,
The truth untold.
E eu já
não posso mais lidar com isso.
Jungkook,
a pessoa por quem eu sou apaixonado desde quando você entrou na secretaria da
empresa para terminar de arrumar o seu contrato.
Jun...
Você era tão pequeno, tão fofo, tão frágil... Eu adorava te provocar, admito,
mas era para admirar suas bochechas coradas depois de te encarar por mais tempo
que o necessário.
Mas eu só
descobri que o que eu sentia era amor, quando demos nosso primeiro beijo. Essa
é a única lembrança que eu não desejo esquecer.
Você
estava cansado depois de mais um dia de treinos intensivos pré-debut,
porém ainda assim treinamos mais uma vez depois que todos os
outros garotos já haviam ido embora, e vendo novamente seu rosto corado, dessa
vez pelo esforço, eu te beijei. O melhor beijo da minha vida.
Nossa
relação não melhorou muito depois desse beijo, na verdade, você ficava cada vez
mais envergonhado e eu apreciava isso cada vez mais, até o dia em que você
atingiu sua maioridade.
Eu não
havia desistido de nós, e muito menos sabia se você realmente gostava de
homens, uma vez que na Coréia é muito incomum... Mas como uma tradição,
uma das três coisas obrigatórias ao chegar a maioridade é um beijo e
você veio, novamente depois que todos estavam ausentes, pedir pelo meu.
Custo a
acreditar que você teve coragem o suficiente para me pedir aquilo,
mas inacreditavelmente, você teve. E nós ficamos, não só uma, mas várias
vezes depois desses ocorrido.
Os anos
passavam e nós dois ficávamos cada vez mais íntimos, ao mesmo tempo em que
nosso grupo crescia.
Nós
ficamos famosos, Jeon Jungkook, e era cada vez mais requisitado pela
empresa que ficássemos distantes. Entretanto, nossa química transbordava por
olhares e ações. Como quando eu sentei no seu colo durante um show,
porque você estava machucado... Ou quando eu beijei seu pescoço durante
um fan meeting.
Tantos
momentos e lembranças... Mas o único momento em que pudemos ser nós mesmos
e agir como um casal, foi durante nossa viagem para Tóquio no mês de
junho, o mês dos namorados. Eu fui muito feliz, Jungkook, feliz ao
ponto de achar que meu coração iria explodir a cada vez que eu olhava para o
teu sorriso. O seu tão especial sorriso de coelho. O meu coelho, se bem que
hoje eu não posso mais te chamar assim.
Durante
essa mesma viagem, você me pediu em namoro logo após a nossa primeira vez, você
me fez seu e eu não poderia estar mais realizado. Nosso amor era mútuo e
imensurável, mas ainda assim, eu tive que negar o seu pedido.
Acredite,
eu pensei mais em você do que em mim ao dizer não.
Nós
éramos, quer dizer, nós somos jovens, Jeon. Eu queria gritar para o mundo
todo que nosso amor era perfeito, que você era o meu herói, que eu te amava e
era muito feliz ao seu lado...
Mas como
eu já disse, nós ficamos famosos, mais do que era possível de imaginar vindo de
sete coreanos que vieram do nada. Nossa vida nunca foi fácil, mas precisamos
concordar que ficou ainda mais complicado lidar com toda essa fama.
Eu te amo
tanto, Jungkook, ao ponto de negar uma das suas maiores demonstrações de
amor. Nós não somos livres, e seríamos ainda menos caso namorássemos, por
isso digo que pensei mais em ti do que em mim mesmo.
Eu não
queria viver escondido, não poder demonstrar meu amor em todos os lugares
possíveis e anunciar para todos sobre nosso relacionamento seria impossível
para mim.
Eu também
pensei na reação das pessoas ao saber de uma relação homossexual, dentro do
grupo coreano mais famoso, porém não se tratava apenas de nós, ainda tinham
outros cinco meninos incríveis que faziam parte daquele grupo... Do grupo que
inclusive você ainda faz parte.
Depois de
ter sido negado, você ficou distante, você se tornou frio, mas, na frente
das câmeras, você agia como se nada tivesse acontecido. E eu não te
julgo, imagina se não nos falássemos ainda na presença dos fãs?
É Jungkook,
eu sei que você ainda me ama, eu consigo sentir, mas depois de um tempo, tudo
ficou ainda pior.
As coisas
conseguiram piorar quando você me viu conversando com Taemin, o nome que
eu ainda tenho traumas em ouvir.
Você
achou que meu "não" era devido ao sentimento que eu nutria por
Lee Taemin, sentimento esse que você criou a partir de uma foto tirada por
alguma fã, durante um evento.
Mas eu
não vou te julgar por ter conclusões precipitadas, eu não vou te julgar por ter
me culpado, por ter me chamado de nomes horríveis e muito menos vou te julgar
por aparecer junto com meu melhor amigo, Kim Taehyung.
Tae, caso
você esteja lendo esta carta, saiba que você vai ser para sempre a minha alma
gêmea, mesmo depois de tudo.
Eu não
pude e nunca vou poder expressar o jeito que meu coração foi partido quando
vocês anunciaram um namoro publicamente e foi ainda pior quando eu tentei falar
com você novamente, mesmo sabendo que era tarde demais.
Ainda
assim, eu quis acreditar que havia uma possibilidade mínima de que você pudesse
me entender, mas você, mais uma vez vez questão de me mostrar, que não. Essa
possibilidade não existia, não mais.
A culpa é
minha, eu sei.
Eu fui
covarde em não te falar a verdade.
Eu fui
covarde em omitir o que eu realmente sentia.
Eu fui
covarde quando eu não escolhi enfrentar todas as dificuldades com
você.
Você e o
Taehyung formam um casal tão lindo... O casal que eu queria ser com
você.
Mas não
fomos.
Eu espero
que você não se esqueça dos momentos que tivemos juntos, de todos os "eu
te amo" que trocamos e de todos os sorrisos que eu dirigi a
você.
Nosso
amor sempre foi impossível, apesar de nós estarmos sempre destinados. Você
questão de cortar o fio vermelho que nos ligava.
Eu não me
importo mais, ou pelo menos finjo que não. É por isso que essa carta serve
oficialmente para anunciar a minha saída do grupo.
Eu não
suporto mais lidar com isso.
Eu não
aguento mais chorar quando eu lembro do que tínhamos.
Te desejo
o melhor sempre. Obrigada por estar comigo quando eu precisei... Mesmo que isso
faça muito tempo.
Obrigada
por ter secado minhas lágrimas quando eu me sentia inseguro ou quando eu errava
alguma coisa durante o show e você vinha me consolar.
Isso não
vai dar certo, adeus Jeon Jungkook.
Eu não me
arrependo de ter te conhecido e muito menos de ter te amado.
Eu ainda
te quero e essa é a minha verdade não dita.
Para
o meu eterno amor,
Park Jimin.
Maria Angélica Vieira de Souza Coelho – 1 ADM
June Junina em junho do amor
June nasceu no mês de junho e seu nome foi
escolhido com base nisso. E cresceu com a ideia de que junho era um mês
muito especial, pois nele se concentravam seu aniversário, festas juninas e o
dia dos namorados. Um dia, June estava dispersa enquanto
caminhava com a amiga Ana, que lhe perguntou:
— O que foi, June?
— Hã? — Respondeu June,
distraída.
— Por que está com essa cara? —
Perguntou Ana.
— Você quer ouvir a
minha história? — Perguntou June, desconfiada.
— Acho que não tenho escolha agora que
perguntei. — Responde Ana.
— Bom, então tudo começa quando decidi participar
da festa junina do meu bairro. No dia que anunciaram as
duplas, descobri que dançaria com o garoto mais bonito que já vi
na minha vida. Assim que olhamos um para o outro sabia que era amor mútuo,
mas eu tinha que ter certeza, então esperaria mais um
pouco. — Explica June.
— E no final, você foi rejeitada de
novo? — Ironiza Ana.
— Não tenha conclusões precipitadas! Não cheguei ao final ainda! Eu
o cumprimentei animada e ele me cumprimentou de volta
meio sem jeito. Isso resume a nossa conversa, mas tenho
certeza de que foi só porque ele não tinha palavras enquanto
estava com uma perfeição como eu e ... —
Explicava June quando foi interrompida de forma irônica por
Ana:
— Com certeza.
— Continuando — disse June —,
começamos os ensaios no final do sábado seguinte. Em
todos ensaios, aumentei mais a nossa amizade e a paixão dele por
mim. Faltando quatro dias para a festa, quando fui comprar um tecido
que precisava para fazer os detalhes do meu vestido, me
encontrei com ele no trem e, sem querer, ele acabou me
empurrando e eu torci meu pé. Ele ficou envergonhado e preocupado,
mas eu o animei e, no fim, quase como desculpa, ele
aceitou me namorar. — Explicava June.
— O quê!? —
pergunta Ana com indignação. — Mentirosa, pare de
mentir!
— Pare você de me
interromper! — Reclama June que logo se lembrou:
— Falando em interromper, acho
que o interrompi quando ia falar alguma coisa logo, depois de
concordar com o namoro, mas o que importa é que decidimos
nos encontrar algum dia depois da festa. Acho que ele tentou me dizer
algo na festa junina, mas não ouvi direito porque eu estava com
pressa e disse para ele que comeríamos sushi hoje mais
tarde. — Explica June.
—Tenho certeza de que vai dar tudo
certo, mas estou um pouco nervosa. — Continuou June.
— Desista! Ele com certeza achou que
era brincadeira, mas você nem deu chance para ele te recusar. —
Diz Ana.
— Pare de jogar mau olhado. Está me
deixando mais nervosa com essas suas falsas acusações. Tchau! Não quero ouvir
mais nada de você, sei que serão só comentários
desencorajadores e tenho que me preparar para o meu encontro. —
Fala June.
— Ah tá. Então tchau, não falte da escola
amanhã, só por ser uma iludida, tá? — Ironiza
Ana.
— Não sei do que está falando.
Tchau. — Retruca June.
Mais tarde:
— Oi, Décio, Você tá esperando aqui,
está estiloso como sempre. — Comenta June.
— Obrigado. — Diz, sem
jeito, Décio. — Tenho que te dizer uma coisa.
— Eu te entendo, eu também estava muito
ansiosa para o nosso encontro, mas não sabia que você também estaria, isso me
alegra. Adoro sushi, mais ainda de sushi cru, e você, não acha que esse
alimento é perfeito? — Pergunta June.
— O
quê!? — Responde indignado e com raiva— Na verdade, eu
odeio sushi, não sei como alguém pode gostar de comer coisas
cruas: dá nojo! — Grita Décio.
— O que, como ousa falar isso do
maravilhoso sushi, você não pode ser feliz assim e se não gosta de sushi devia
ter me falado antes e eu não teria decidido assim.—
Diz June.
— E quando você me deu uma chance de te questionar
em algo? Eu gosto é de macarrão! Então com isso, o nosso primeiro
encontro está arruinado. Acho que...— Dizia Décio quando foi
interrompido.
June se lembrou do que a amiga
falou e sentiu uma imensa vontade de chorar, mas, apesar de não gostar de
macarrão, queria fazer mais um último esforço e com lágrimas nos
olhos o disse:
— Certo, eu também não quero que nosso encontro
termine assim, — ela seca as lágrimas — então teremos que fazer uma
adaptação nele, conheço ótimos restaurante de macarrão na região, então
vamos comer macarrão! — Conclui com lágrimas nos olhos novamente.
—O q... Ahh desisto. Certo, faremos
assim então. — Concorda Décio.
— Sim! — Diz
alegremente June. — E, no próximo, iremos ao parque de
diversões.
—Zoológico é uma opção melhor. — Contraria
Décio.
—Mas. — Insiste June.
—Tá, parque de diversões. — Concorda
Décio.
No dia seguinte, June não faltou à aula,
quebrando as expectativas da amiga que estava certa de seu fracasso. Outros
encontros vieram, e assim esse casal conviveu com várias outras
discordâncias, mas felizes para sempre. Afinal, com tantas
diferenças, descobriram que podiam aprender um com o outro além de aprenderem a
ser flexíveis em suas escolhas.
E tudo aconteceu pela determinação
de June em arrumar um namorado em junho.
Sarah Munaretti Fenerich - 1° ADM
Conto de junho
Bom, como eu já disse, a briga entre meus pais era eterna, e por mais que eu
tentasse entender esse dois, eu nunca conseguia.
Lá estava eu, em mais um dia me arrumando para ir
para a escola, quando então ouvi mais uma briga deles. Mas dessa vez, era
diferente. Eles pareciam, sei lá, perder p controle. Do meu quarto dava para
escutar perfeitamente minha mãe reclamando: “você não pensou na nossa família
quando fez isso! E agora? Que futuro você quer dar às nossas filhas carregando
esse segredo nas costas?”.
Fui pra escola com aquelas palavras da minha mãe
invadindo todos os meus pensamentos, mal consegui ouvir os professores falando
sobre aquelas bobagens históricas e matemáticas. Tudo que eu queria era saber o
que havia acontecido para a briga ser tão feia dessa vez, e o que meu pai
escondia que poderia arruinar meu futuro e o da minha irmã?
Quando cheguei em casa, fui até o quarto
deles, onde achei uma caixinha que não tinha visto antes em casa, era um
conjunto de mapas. Aquilo não pareceu nada de início, mas depois quando voltei
ao meu quarto esses mapas também não saíam da minha cabeça.
Voltei e
peguei a caixa, comecei a investigar. Depois de muitas pesquisas, descobri que
aqueles mapas levavam à um tesouro. Sim, um tesouro.
Passei dois meses da minha vida pesquisando e
tentando entender o que era esse tal “tesouro”, eu finalmente soube da verdade:
meu pai estava buscando por ouro, muito ouro. E em toda essa busca por
riquezas, ele tinha um sócio, seu nome era Billy.
Meu pai e
Billy faziam tudo juntos, quando meus pais brigavam, era para a casa do amigo
que ele ia. Todo esse companheirismo acabou quando o mesmo faleceu.
Meu pai ficou arrasado e ligeiramente esquisito.
Por que toda essa esquisitice? Porque ele fora
o responsável pela morte de Billy. Quando descobri isso, mal conseguia olhar
para cara do meu pai, que tipo de monstro morava comigo? Meu deus.
Naquela mesma semana, quando eu descobri a verdade,
a polícia também descobriu. Meu pai foi preso. A sensação era de alívio, pois
sabia que aquilo era o certo a se fazer, mas minha irmã não soube lidar com a
situação.
É, acho que a única lição que eu consegui tirar
disso, querido diário, é a de que as aparências podem muito enganar. E agora,
fico a me questionar, será que devo ir atrás do ouro?
Mariana de Oliveira Gomes – 1º
ADM
Espelho negro
Era começo do ano quando achei uma carta
bizarra na porta do meu castelo. Era uma vila pequena a que vivia e chefiava, a
minha propriedade rural, apenas algumas pequenas casas onde viviam meus servos
e suas famílias e o meu castelo, e como barão dessa vila, a vida dos
meus servos era parte de minha responsabilidade, afinal eram eles que
trabalhavam e cuidavam das plantações e colheitas dela, Por conta disso
fiquei um tanto preocupado e alerta quando li
essa misteriosa carta
“Até o fim de junho, todos os habitantes
dessa propriedade desaparecerão”
Como alguém podia fazer uma insinuação dessas?
Todos os meus servos desaparecerão? A audácia dessa carta me deixou perplexo.
Talvez alguma brincadeira de mau gosto das crianças da vila? Bom, de qualquer
jeito não posso deixar essa informação vazar pela vila ou chamar as
autoridades, afinal, o alvoroço imenso que essa ameaça iria causar seria um
grande pesadelo. Provavelmente é só uma brincadeira de mau gosto
mesmo... era isso que eu imaginava.
Não foi até o mês de marco que essas
ameaça ficou realmente amedrontadora. Uma das famílias da vila havia
de fato desaparecido, lembro-me até de ter conversado com seus integrantes
brevemente na tarde passada sobre a colheita, foi como se no deslumbrar da
noite a mãe, o pai, e seus três filhos, haviam sumido sem deixar nenhum
rastro para trás. perguntando para os guardas da vila e para as
outras famílias, nenhum deles havia visto ou ouvido nada. Como não tinha
nenhuma prova concreta ou sequer uma hipótese do que podia ter acontecido com
eles, dei-me como vencido e contei para o resto da vila que eles
haviam fugido daqui de alguma maneira. Obviamente isso causou um certo pânico e
confusão nas outras famílias, mas não tinha nada que podia fazer.
Apenas chamei a policia local e contei sobre o ocorrido. Mas havia uma coisa
que eu percebi que não contei para nenhuma outra pessoa, afinal provavelmente
não tinha nenhuma correlação, mas era um tanto peculiar, um espelho da casa, o
maior deles que ficava na sala de jantar, estava somente com sua moldura, o
espelho em si não estava lá, mas também não era como se tivesse quebrado,
afinal não era possível encontrar nenhuma parte dele pela casa. se eles
realmente fugiram, então porque levar o espelho de todas as coisas? Também
fui de observar uma coisa, os espelhos de minha casa estavam ficando cada vez
mais escuros, como uma vinheta vindo das bordas deles continuava o
escurecendo a cada dia que passava, isso podia ser verificado na casa das
outras famílias também, Nem me dei trabalho de avisa-las pois
esse macabro acontecimento iria apenas assusta-los ainda mais.
Mas era algo que eu não podia simplesmente ignorar, como seria
isso possível...o que era isso de fato? Não tinha a mínima ideia, mas
eu certamente não tive uma boa note de sono após saber disso, eu
prontamente guardei e escondi todos os espelhos do meu castelo e tentei
esquecer que percebi essa bizarrice, mas obviamente não
seria tão fácil assim.
Do mês de abril até o mês de maio todos
os habitantes da vila despareceram, exceto eu. O pânico dentro das
famílias e na vila foi rapidamente substituído pelo silencio ensurdecedor. Os
policiais que vinham frequentemente investigar os aparecimentos também pararam
de vir no final no mês de abril. Pelo que ouvi receberam uma carta parecida com
a colocada na frente do meu castelo, e prontamente desapareceram alguns dias
depois, com minha enorme curiosidade fui ver se o espelho deles
também estava faltando, e de fato, ele não estava lá. Todos os meus
servos também desapareceram junto de seus espelhos, como que
algo tão mundano como o espelho de uma casa tinha tamanha relação com
esses misteriosos desaparecimentos era algo que me deixava acordado a noite.
Sozinho no meu castelo, não conseguia dormir de jeito nenhum, a única coisa que
passava pela minha cabeça era o escurecimento dos espelhos e a possível relação
que isso tinha com os desaparecimentos. Pensei por várias semanas sobre
levantar de volta os meus próprios e ver se algo acontecia,
mas o pensamento no fundo da minha cabeça que feito isso, iria me
dissolver no ar ou algo do tipo, me manteve por muito
tempo paralisado.
Não foi até o fim do mês de junho que
finalmente criei coragem e fui pegar os espelhos novamente. A curiosidade
dentro de mim era forte demais para deixar passar. Ao chegar no meu porão, onde
haviam sido escondidos, a tensão e o clima macabro perambulando o ar
era algo impossível de se ignorar. Foi quando peguei o maior deles lá
de baixo e relutantemente fixei meu olhar nele, foi quando vi algo de
outro mundo, o espelho não estava somente preto, era uma cor jamais vista antes
por um ser humano, ele prontamente abriu-se para um brilho cegante, e
vi algo inimaginável, inconcebível para a mente humana. Olhando isso fui
devidamente sugado por esse brilho celestial e como num piscar de olhos, eu
havia sido completamente engolido pelo espelho, que desapareceu no
instante após esse ocorrido. Agora, assim, a vila estava
completamente vazia e a carta misteriosa foi revelada como verdadeira. Todos os
habitantes da propriedade desapareceram.
Felipe
Marques Leite – 1º ADM
Uma lição para a vida
Dia 23 de junho, uma manhã fria, a
maioria dos alunos da escola São Robert, desanimados para a tradicional festa
junina do colégio, inclusive eu. Sempre a mesma mesmice, tia Roberta servindo
milho, o porteiro, José, naquela noite, como de costume ficaria responsável
pelos doces. Ainda tínhamos que nos apresentar na frente de todos aquela dança
pacata.
Mas logo cedo, chegou uma notícia para
nos animar, acredito que todos receberam a mensagem, que dizia:
“Está cansado da tradicional festa
junina, hoje às 21h00 venha conhecer a VIP JUNE! A Melhor festa junina da
sua vida - rua Roberto azulão, nº 5678”
Na hora do intervalo, todos só comentavam sobre a tal festa, as meninas
combinando se encontrarem após a aula para se arrumarem e os meninos combinando
se encontrarem antes para fazer uma “resenha”, como os jovens dizem.
Queria muito ir, mas tinha certeza de
que meus pais, não deixariam. Como não tenho muitos amigos, acreditei que a
festa seria um local legal para interagir com o pessoal. Então tive a ideia de
mentir para meus pais, alegando que tinha um trabalho de escola e para não
voltar muito tarde sozinha, iria dormir na casa de minha única amiga,
Julia.
Após sair da escola, fui direto ao
shopping, lembro até hoje, tinha exatos R$150,80. Após procurar em muitas
lojas, já estava exausta, mas avistei uma loja toda temática de festa
junina. Fui até lá e comprei uma camisa xadrez rosa e uma calça jeans.
Fui correndo para casa, que sempre
estava vazia no dia de semana à tarde, o relógio principal da cidade já marcara
20h00, me arrumei e quando era 21h30, horário que meus pais chegavam do
trabalho, já havia saído de casa. Ao chegar, vi muitas pessoas conhecidas e
colegas de classe.
Como de costume, eu, sempre muito
tímida, acabei demorando um pouco para me enturmar. Com o passar do tempo, já
tinha feito muitos amigos, mas estava sentindo que algo de ruim iria
ocorrer.
Nunca tinha tomado bebidas alcoólicas,
mas naquela noite decidi experimentar. Após um longo tempo de festa, todos que
estavam lá já estavam alterados e eu comecei a passar muito mal, estava muito
tonta. No centro da festa tinha uma fogueira, que acidentalmente acabou pegando
muita chama e colocando fogo em toda a festa.
Muitos correndo, desesperados e a saída
muito pequena para a quantidade de pessoas. Muitos inalaram a fumaça e acabaram
ficando para trás, inclusive eu. Então esse foi o pior dia, fiz coisas que não
devia e por pouco não perdi minha vida. Até hoje tenho as marcas em meu
corpo.
Fernanda Costa de Loreto - 1° ADM
Conto de Junho
Ela era conhecida por toda a cidade pelos seus
quitutes, que encantavam a partir da primeira mordida, era amada por todos à
sua volta por ser uma mulher muito doce, talentosa e por ser apaixonada. Júlia
não era apaixonada por uma pessoa, mas sim por ler, cuidar de todos, por
cozinhar e por um mês em específico, um mês com muita música boa,
brincadeiras, comidas deliciosas, biribinhas e lembranças para a vida
toda. Junho vinha com a festa junina e Júlia sempre fazia uma no quintal
de sua casa, com muitas brincadeiras, música ao vivo e tinha até um casamento
mas a parte que Júlia mais gostava de preparar era a comida, e isso levava uns
três dias já que o banquete era completo e contava com
paçoca, vinho quente, bolos, pamonha, curau, pipoca, canjica e muitas
outras iguarias que eram perfeitamente executadas.
A maior festa junina ia ser realizada e a cidade
inteira fora convidada, dias de preparo foram gastos e tudo foi planejado
nos mínimos detalhes. Além da comida que Júlia preparou sozinha, ela tinha que
ver se as brincadeiras foram montadas da maneira correta, se o vestido e a
maquiagem da noiva estava como o planejado além de ter que mandar convites
feitos a mão. Era muito trabalho e Júlia evitava ajudas externas pois
obviamente tudo tinha de ser do seu jeito, mas essa não foi uma escolha sábia
já que agora ela estava extremamente exausta e sobrecarregada e não sabia ao
certo se estava realmente feliz com o seu evento favorito e talvez ela não
tinha realmente se sentindo feliz preparando a festa, e o que ela mais gostava
de fazer, que era estar na cozinha preparando iguarias para revelar o sorriso
das pessoas. Foi uma semana longa, mas a tão esperada festa junina
chegou, era a festa mais esperada do ano e toda a cidade estava se preparando
até que ao chegarem na casa de Júlia, ela se encontra caída no chão já sem
vida. Seu funeral foi no mesmo dia, a cidade inteira estava lá e havia a comida
que fora preparada pela defunta.
Dizem que a comida não tinha o mesmo sabor da de
Júlia, não tinha a sua essência e sua morte ainda é um mistério. Dizem que
Júlia foi abduzida por um alienígena e trocada e por isso sua comida estava
diferente, há quem acredite que ela foi morta por um lobisomem ou talvez por um
lobo, mas não temos como dizer ao certo. Já o meu avô acredita que Júlia estava
se cobrando muito, sendo perfeccionista e acabou não aguentando a pressão já
que estava exausta e sobrecarregada acabou tirando sua própria vida. Talvez meu
avô esteja errado, ou todas as teorias estejam mas nunca saberemos o que
realmente houve naquela noite em que ocorreria a maior
festa de todas e agora todo ano nas festas juninas da cidade um bolo bem grande
de milho (o favorito de Júlia) é feito em homenagem a Júlia, que encantava a
todos com seu jeitinho, que era boa com todos e cozinhava com todo o seu
coração.
Gabriela Akemi Kondo Sano – 1° ADM
A inconveniência do Universo
Em junho, estranhamente ou felizmente nada de diferente
aconteceu comigo.
Em julho, achei na minha mochila um caderno preto e
um bilhete, escrito que era uma recompensa, por toda a inconveniência cometida
e que tudo havia sido resolvido. Porém o destinatário era Anne Frank e até onde
eu sei, este não é meu nome.
Em agosto, uma mulher, que se dizia ser minha nova
vizinha, trouxe-me um bolo confeitado e me deu feliz aniversário. Meu
aniversário é maio.
Em setembro, chegaram duas caixas. Uma caixa, preta
por fora e azul por dentro, estava repleta de brinquedos, aparentemente
feitos para crianças de máximo 3 anos, todos em perfeito estado e um bilhete
amassado, com a frase “brinquedos novos para o filho mais lindo do
mundo que ainda irei conhecer, feliz junho!”, provavelmente era para ter chego
a alguém em junho, mas o correio deve ter atrasado. A outra caixa era toda
enfeitada e colorida, mas estava vazia.
De outubro a dezembro, as pessoas estavam muito
diferentes comigo, todo mundo estava gentil, prestativo e amoroso. Pessoas que
antes nem me olhavam nos olhos, como por exemplo a atendente da padaria aqui do
lado, passaram a me desejar bom dia e até dar desconto. Os meninos da minha rua
que antes passavam esbarrando em mim passaram a se oferecer para levar minhas
comprar até em casa. No natal, meu vizinho, que nunca conversou comigo,
veio a minha casa, trouxe biscoitos e me convidou para passar o
natal com a família dele. Ganhei um aumento no serviço e minha chefe
parecia estar de bom humor todos os dias. Foram ótimos 3 meses.
Até que chegou janeiro, resolvi então comentar com
uma amiga, Helena, sobre as coisas estranhas que haviam chegado até mim e as
situações que havia passado. Claro que ela não acreditou, disse que eu estava
paranoica e quando eu fui procurar todos os bilhetes e “presentes” para provar, tinham
misteriosamente desaparecido. Do momento em que falei com ela em diante, todas
pessoas que estavam sendo gentis voltaram ao comportamento de
antes.
Em fevereiro, achei um bilhete na cozinha, que
estava dizendo para ir até o meu quarto, por mais que eu tivesse acabado de vir
de lá, fui. Quando cheguei no quarto, havia uma mensagem escrita com tinta
preta na minha porta, pela parte de dentro: “RESOLVEMOS O PROBLEMA, O
UNIVERSO PEDE DESCULPAS PELA INCONVENIÊNCIA E AFIRMA QUE NUNCA MAIS ACONTECERÁ”.
Me virei para pegar meu celular que estava na cama, e quando olhei
novamente para tirar foto e enfim ter um registro, a mensagem tinha sido
apagada.
Em março e abril, nada de diferente aconteceu,
nenhum bilhete, nenhuma mensagem, nenhum comportamento estranho das pessoas.
Confesso que senti falta, parecia que meu psicológico já estava
preparado para receber mais uma surpresa misteriosa ou passar algo estranho
todo mês.
Em maio, ao mesmo tempo que não estava esperando
nada, imaginei que um cartão do dia das mães poderia, assim como nos outros
anos, chegar até mim. Era o mês do meu aniversário, o Universo poderia me
enviar só mais uma surpresa. E na verdade recebi, não era um bilhete, nem um
bolo de aniversário, mas um filho. Descobri que estava grávida só em junho e de
um menino, Nathan, nome que eu e meu marido gostamos bastante. Hoje ele
completa 10 anos, é muito amoroso, gosta bastante de ler, seu maior hobby é
escrever, cartas para sua avó, sobre seu dia a dia no seu diário e para
mim, bilhetes.
Danyelle Batista dos Santos – 1º ADM
Conto de Junho
A decoração e os enfeites indicam a chegada de uma
das melhores épocas do ano (depois do Natal, claro), bandeirinhas coloridas em
todos os cantos, cartazes, camisas xadrez, brincadeiras e
comida, muita comida.
O clima de festa junina já preenche todos os
ambientes, todos estão muito alegres e felizes. Numa escola conhecida
pelo sucesso de sua festa junina, o professor Matias, fanático por
essa data, organiza todo o evento, todos os anos. Todas as comidas, danças
e brincadeiras são planejadas por ele.
A cada ano Matias inventa algo novo e
extraordinário para incrementar em sua grande festa, apreciada e invejada por
todos. Esse ano o professor de ciências tinha uma surpresa. Inventou uma
fogueira que não saia fumaça do carvão, era como se fosse
artificial, mas exatamente como a
verdadeira, com detalhes imperceptíveis de diferença. A
fogueira ficaria no meio da grande quadra fechada, onde já imaginava as pessoas
dançando e festejando em sua volta.
Mas esse ano, a diretora da escola que
ficava na outra extremidade do quarteirão tinha um plano, pois todos os anos,
as pessoas deixavam de comparecer em sua festa junina para ir na “grande festa
do bairro”.
A diretora Regiane não podia tolerar mais
um ano de fracasso, então resolveu descobrir e roubar a ideia de Matias. Ao
longo dos últimos 10 meses ela veio se aproximando e se tornou
amiga de Matias para conseguir descobrir sua próxima inovação, e
assim foi feito. Regiane acabou lendo o caderno secreto de Matias e
descobriu a grande surpresa.
A diretora parecia estar obcecada, passava noites
estudando as fotos que tirou para tentar reproduzir a invenção de Matias,
mas era impossível. Resolveu então, roubar a fogueira tecnológica e se livrar
de seu caderno secreto, acabando com as provas.
Três dias antes da data prevista para ao evento, a
diretora invade a casa de seu “amigo” e tenta levar a fogueira, mas Matias já
estava esperando por ela, ele sabia de todos os seus planos e a observava
sempre. Mal sabia a coitada o que lhe esperava daquela noite.
Pegando Regiane no flagra e sem hesitar, da um
golpe na mulher desprevenida, com um taco velho. Mas seu movimento
acaba acertando a coluna de Regiane, que imediatamente da um berro de dor.
Minutos se passam e a diretora não conseguia mais se mexer do pescoço
para baixo.
Não era a intenção de Matias, nunca foi. Mas
desesperado, não podia imaginar o que aconteceria com ele e sua
reputação, se alguém descobrisse o que fez, e ainda pior, nunca mais
organizaria uma festa junina. Então sem pensar muito, pega um lenço e veda o
rosto da pobre diretora por um tempo, a qual se esparrama no chão, sem
reação.
Chegado o dia da grande e esperada festa, Matias já
não sabia como lidar com a culpa de ter uma mulher viúva e sem família
enterrada no quintal de sua casa. Ao anoitecer, quando revelaria sua surpresa,
ele revela seu segredo, ainda mais inesperado, chocando a todos. Sabendo
que não aguentaria a pressão e o julgamento, nem a vida numa cela, logo após a
confissão, ele corre para sua casa.
Minutos depois, Matias é encontrado pendurado a uma
corda em seu pescoço. O dia em que a escola jamais se esquecerá. Agora só
se espera desesperadamente as férias de julho, para que todos
possam sair e se reunir, fofocando sobre o ainda, assunto do
momento.
Julia Yumi Shundo – 1°ADM
Continuação do Conto de Junho
Mamãe e papai continuavam divergindo em suas
ideias, cada dia era um motivo diferente: Um dia, brigavam pela comida, mamãe
queria pizza e papai lasanha. Eu e minha irmã queríamos comer feijoada, mas
como nunca nos escutavam, né? Outro dia brigavam sobre quem dirigia melhor.
Mamãe dizia que papai era muito lerdo; papai dizia que mamãe corria demais “-
Qualquer dia você atropela alguém com esse seu jeito louco de dirigir.” – Dizia
ele. Ela respondia “- E você?! É tão lerdo que o mundo acaba, e você ainda tá no
mesmo lugar”- Já não aguentávamos mais tantas discussões.
O dia amanheceu frio, era Junho. Estava chegando o
dia de uma das festas que minha irmã e eu mais amávamos: A festa junina. É a
época em que todo mundo está vestido com roupas de xadrez, todas bem coloridas.
Comidas e doces deliciosos. Danças, quadrilhas, muita alegia. Definitivamente
tudo de bom. Eu estava ansiosa por essa festa. Acordei e fui me trocar. Percebi
que minha blusa xadrez tinha um rasgo abaixo do braço. “- Vou ter que comprar
outra.”- pensei. Desci para tomar café. Lá estavam meus pais
discutindo novamente por conta da consistência do café. Tentando interromper a
discussão dos dois, disse que precisava de dinheiro para comprar roupas novas
para a festa junina, porém estavam tão acostumados a brigar que, como de
costume, nem me escutaram. Fui conversar com minha irmã sobre o que fazer,
ela sugeriu que eu costurasse. Melhor do que ir com ela rasgada, ou pior, nem
ir à festa junina.
O dia da festa chegou, eu me irmã,
entusiasmadas, começamos a nos arrumar logo cedo. Fiz duas tranças em meu
cabelo, e uma maquiagem bem temática. Minha irmã usou sua camisa xadrez, um
shorts e uma bota, juntamente com o chapéu que ela tinha comprado no ano
anterior. Saímos; meus pais nem viram, pois estavam tão concentrados em sua
discussão que nem perceberam. Deixamos um recado, em cima do criado
mudo, que estávamos indo para a festa junina, que se acontecia a três
quarteirões de casa.
A festa estava maravilhosa, a mesma alegria de
todos os anos. Comemos muito e dançamos também. Em casa, meus pais, por algum
milagre, deram-se conta que tínhamos saído. Porém creio que não viram nosso
bilhete. Mamãe ficou preocupada e ligou para minha irmã, porém a música estava
tão alta que não escutamos. E ligaram, e ligaram, umas 22 vezes. Pela primeira
vez na vida concordaram em alguma coisa. Decidiram sair pelas ruas procurando
por nós. Depois de algum tempo, acharam-nos na festa. Ouvimos um sermão por
sairmos sem avisar, mesmo quando a gente tentava falar que deixamos um recado
avisando. “Se vocês brigassem menos, prestariam mais atenção em nós.” – Tomei
coragem e disse.
Acho que por um momento eles caíram em si, e a
forma como andava as coisas pesou na consciência. “- Já que estão aqui, fiquem!
Vamos dançar um pouco.” – Sugeriu minha irmã. Meus pais aceitaram. Aquela noite
foi extraordinária! Dançamos e comemos tanto que perdemos a noção do tempo.
Papai e mamãe não discordaram nem por um momento. Estava tudo em paz. Eu queria
que aquele momento durasse para sempre.
Já era madrugada, decidimos voltar para casa.
Estranhamente, ainda tudo estava bem. Dormi muito feliz. Porém como nem tudo é
conto de fadas, ao amanhecer tudo tinha voltado ao normal. Meus pais discutiam
sobre quem deveria lavar o quintal. E a cada dia que passavam a briga era sobre
um motivo diferente.
E minha irmã e eu apenas nos perguntávamos: por que
tudo não poderia seguir como na noite de festa junina? Em paz...
Yasmin Antunes da Silva – 1º ADM
As eleições vieram, o povo queria mudar, cansados
da corrupção elegeram Ricardo Mendonça, o homem que prometeu varrer a
corrupção, a nova política, defendo sempre a moral e os bons
costumes. No seu primeiro discurso após ser eleito prometeu mudar o país,
acabar com o toma lá dá cá, e que seus ministros serão os mais capacitados
e não aliados políticos.
No dia de sua posse fez seu discurso
defendendo o nacionalismo, dizendo que seus opositores eram anti-Brasil,
pois não queriam o desenvolvimento para acabar com seu governo, e que tinham um
plano maligno ditatorial para tomar o país.
No primeiro mês de seu governo a primeira crise, um
escândalo envolvendo as licitações das estradas que prometeu em
campanha, os donos das fábricas de asfalto bancaram publicidade ilegal
para que ele fosse eleito. A resposta do presidente foi que a grande mídia era
corrupta e opositora dele e faria de tudo para derrubá-lo, pois ele acabaria
com a corrupção.
No sétimo
mês de seu mandato uma crise internacional, ele prejudicou muito a
economia ao cortar relações com os países governados por
‘comunistas’, e isso prejudicou muito o seu governo.
No décimo terceiro mês de seu mandato um
assassinato a um opositor, a crise começa a estourar. Inicialmente ele deseja
toda sua solidariedade a família da vítima, e diz que não tem nada a ver com
isso.
Em fevereiro do segundo ano ele rompe com seu
partido, que era cercado de acusações de corrupção, e decide ficar sem partido.
A crise política começava ali, vaza um áudio de Marco Aurélio,
seu ex-aliado, que enviou a um copartidário um áudio que
revelaria muitas coisas caso algo aconteça com ele, três dias depois ele
faleceu por um acidente vascular cerebral aos 46 anos.
Em fevereiro é aberto um processo de impeachment,
pois seus ministros e ele fazem graves ameaças aos poderes Legislativo
e Judiciário, quando isso acontece ele diz que vai contra-atacar doa a
quem doer.
Após graves ameaças aos poderes em junho chegam as
votações do impeachment, ele incrivelmente escapa, curiosamente ele uma
semana depois recria seis ministérios e entrega a partidos do
centrão.
Um ano depois das votações de impeachment, dia
7 de junho ele não consegue governar, a maioria do povo é contra ele, dia 13 de
junho acaba os julgamentos do STF e ele é culpado por assassinato de opositores
e corrupção e para não sofrer impeachment e ser preso, ele renuncia e
foge do país, ninguém sabe seu paradeiro após isso.
Miguel Climério de Freitas R.
Vasquez – 1º ADM
A casa de Ana vivia lotada de visitas… desde parentes, até
seus melhores amigos da escola. Impressionantemente, mesmo cercada
que tanta gente que amava, ela não se sentia bem consigo mesma. E nem ela
sabia ao certo dizer o porquê.
Apesar disso, a
garota conseguia disfarçar seus sentimentos e angústias sempre que
recebia visitas. Na cabeça dela, este era o certo a se fazer. Não era justo
preocupar os outros com problemas sem importância.
Porém, Ana tinha a
consciência de que todo esse sentimento escondido ; guardado para si,
em algum momento iria atrapalha-la. E, infelizmente, a menina estava certa.
Quando toda essa bomba de sentimentos começou ela tinha apenas 13
anos. Com 16, já não conseguia mais aguentar tudo isso, suas angústias
passam a transbordar….
Ana passou a descontar tudo
isso nas pessoas a sua volta e até em si mesma. Durante as refeições em
família quase não falava, e quando dizia algo, era de forma
muito direta e, até mesmo ríspida. Na escola, aconteciam situações
parecidas, a garota tinha parado de falar, de contar piadas, e às vezes chegava
a explodir gritando com alguém ; aparentemente sem motivo algum. Ninguém
entendia o porquê de tudo aquilo, as pessoas começaram a se afastar da menina,
sem nem saber o que estava acontecendo de fato.
A autoestima de Ana era
extremamente baixa. Não a autoestima quanto à sua beleza física (até
porque muitos a elogiavam diariamente quanto a isso), mas quanto à sua
inteligência. Em vários momentos, a garota se sentia insuficiente para
diversas matérias da escola. E isso a abalava muito, por mais que nem mesmo ela
soubesse que era isso que a empurrava para baixo.
Com todo esse comportamento
compulsivo, Ana acabou afastando-se de diversas pessoas, que diziam que a
amavam, mas que na verdade nunca se importaram de fato com ela.
O
tempo foi passando, e a situação apenas piorando… Ana já não sabia mais o
que fazer, não se sentia confortável para se abrir com ninguém.
Decidiu tomar uma decisão que seu psicológico naquele momento permitia a ela
que tomasse.
Ana cometeu suicídio, no
dia 7 de junho de 2016. Muitos a chamaram de
louca, nos momentos em que ela explodiu e não soube se expressar ;
quando na verdade, foram eles que não tiveram empatia para entender seu
lado.
Dizem que junho é o mês do amor, mas para
muitos, é apenas mais um mês de dor.
Luiza Sayuri Moreira Barbosa – 1º
MA
A mulata que nunca chegou
Clara e Clarisse eram irmãs, eram meninas não tão
bonitas, altas e magricelas e chamadas pela comunidade como não tão
pretas com o cabelo ruim, e naquele mês de, Clara sempre fora mais
miudinha já Clarisse nem tanto...
No mês de junho, Clara e Clarisse iriam completar
10 anos e a família resolveu como sempre fazer uma festa para as
duas no mesmo dia. As irmãs foram com seu pai escolher o bolo. Já no
pequeno mercadinho que havia perto de sua casa, as irmãs foram escolher
o bolo e o pai passou a conversar com seus colegas do trabalho que estavam
ali.
- Papai, vamos levar este – Clarisse disse com o
bolo em mãos junto a Clara, interrompendo a conversa animada que seu pai
tinha com seus amigos
- Ok meninas, me esperem na fila do caixa que já
vou lá.
Enquanto obedeciam a ordem do pai, Clara pode
escutar a voz masculina de um dos amigos de seu pai, longe mais
audivelmente “Essas daí vão dar trabalho, heim?” - E reconheceu
a voz do pai logo em seguida “Eu espero que não”
O tempo passou e Clara passou a se perguntar o
que era ser mulata, constantemente escutava as
pessoas dizerem: “Você e sua irmã são tão feias que nem alisando o
cabelo tem jeito, ainda bem que não são tão pretas”. Logo, deduziu
que com certeza ser mulata era ser menos pior que preta, infelizmente,
não branca, mas mulata já era o suficiente, era o que ela e sua irmã
eram.
Percebeu que a mulata era aquela que
sambava, aquela que estava na bossa nova, era aquela que tinha “o corpo bonito”
sensualizado, aquela que era colocada na poesia. O grande problema era que
tinha treze anos e ainda era considera feinha, mas que em sua cabeça, só seria
bonita quando seu corpo se desenvolvesse e a mulata chegasse
Clara estava com dezessete e Clarisse com dezoito
anos e Clara se perguntou “Onde está a mulata? ” “Por que chegou
na minha irmã e não em mim?”. O grande problema era que, enquanto Clara
odiava seu corpo magro pela mulata não ter chegado, Clarisse começou a “dar
trabalho” e desejou por um momento nunca ter nascido
OBS: Conto inspirado em Nátaly Neri
Manuela dos Santos Carvalho – 1º MA
Incendiária
Já estava decidido. Aquela era a última noite.
Com olhos fixos nas chamas delicadas da fogueira, que dançavam ao vento
suave feito bailarinas no palco, Liara finalmente se conformou. Na verdade, a
falsa beleza daquele fenômeno lhe trouxe um tipo diferente de calmaria. Ela se
encontrou no tom laranja flamejante do fogo, naquela aparência tão serena e,
ainda assim, tão fatal.
A noite caíra há um bom tempo, mas a Lua já não atraía tanto sua atenção
como antes. A garota, que tanto amava contemplar o céu e as estrelas, agora só
tinha olhos para a terra. Porque sabia que era aquele seu destino, assim como o
fogo que uma hora se resumia em meras cinzas ao chão. Com aquilo Liara se
identificava, algo finito e nocivo. Ardente. Por isso havia decidido que aquela
seria a última noite.
De vez em quando, chamavam atenção as vozes infantis ao redor, a
correria das garotinhas em vestidos festivos e o som da música típica daquele
evento. Ainda não chegara a hora da quadrilha, mas os bigodes feitos com lápis
de olho acima dos lábios dos meninos sorridentes já não passavam de borrões
pretos e molhados de suor.
Liara já não achava graça em nada daquilo. Nas comidas, nas brincadeiras
ou na tia bêbada puxando seu primo para dançar. Sua infância havia acabado há
anos e não havia motivo para se permitir crescer mais, não quando sabia que
simplesmente era incapaz de tal. Por mais madura que fosse, não saberia lidar
com a falta da pureza da vida infantil, nem com o ódio por si mesma que
crescia cada dia mais no peito, muito menos com o constante medo que sentia do
próprio futuro. Liara não sabia ser adulta. Não sabia mais viver. Não sabia como
evitar queimar quando sua mente era composta apenas de fogo.
Naquela última noite, agradeceu pela primeira vez a falta de atenção que
a família costumava prestar em si e foi embora sem pedir emprestado o carro do
pai. Não pretendia voltar para pedir desculpas ou deixar uma carta de adeus,
estava vazia demais para sentir alguma coisa além de alívio. Na festa junina de
2015, Liara desistiu de conter a chama que há tempos impedia de crescer no
peito. Ela se permitiu incendiar. E suas cinzas foram jogadas aos mares do
Rio de Janeiro.
Julia da Silva Dantas - 1º MA
O amor de forma sucinta e junina
Minha vizinha que sempre me diz “bom dia”
quando passo na frente da casa dela a caminho do trabalho, não me disse o
costumeiro “bom dia”. Ela me disse algo diferente: “Sabia que o amor da nossa
vida nos faz vinho quente com pedaços de maçã e lascas de canela?” e depois
complementou com o bom dia, continuando a varrer aquela calçada que já deve
estar irritada de ser varrida toda santa manhã.
Como o tempo estava seco, preparo um chá
pela manhã para levar ao trabalho. Fui olhar o meu jardim e admirei o meu pé de
jabuticabeira que já está lá há anos, vejo pequenas flores brancas, a temporada
está chegando.
Abro meu notebook para ver se há notificações de alguma
rede social minha e olho para o canto inferior da tela e vejo: “quinta-feira,
11 de junho de 2015”. Fecho os meus olhos e respiro fundo.
- Hoje não vai ser um dia chafé. –
Ajeito meus cabelos curtos para relaxar e expiro profundamente.
Fecho o notebook, e vou para o banheiro me aprontar
para sair. Depois de alguns minutos, estou arrumado e organizado, quando
coloco a chave na fechadura da minha porta, encosto a cabeça na mesma e
lembro-me do chá que esqueci no fogão.
Corro que nem o Papa-Léguas e coloco às pressas
o chá dentro da garrafa térmica, olho meu relógio de pulso e me apresso ainda
mais.
Quando estou fora de casa, dou um gole da bebida e sinto um gosto
de déjà vu.
- Vish, deu erro no Matrix. – Solto uma risada brincalhona e volto
a dar mais um gole no chá.
- Eu não disse! – A minha vizinha diz assim que eu passo por ela.
Ando uns passos para trás.
- Como assim?
- Eu disse que o amor da nossa vida faz pra gente vinho
quente. – Ela dá um sorriso satisfeito e volta a varrer a calçada.
Fico embasbacado.
- Ah! – Ela levanta cabeça de supetão parando de esfregar a vassoura no
chão. –E bom dia, querido!
Marcella Ishii Costa Duarte - 1º
MA
A briga da semana
Voltei a morar com a minha irmã faz dois
meses, antes ela fazia faculdade em outra cidade e não morava na mesma casa que
eu, meus pais e meu irmão. Nós sempre brigamos muito, mas esses seis anos que
ela ficou fora me fizeram esquecer disso. Eu sentia muita saudade das nossas
tardes assistindo filme e comendo pipoca juntas, mas agora já não aguento
mais, ela grita, briga por nada, não aceita minhas opiniões e nunca aceita que
está errada.
O motivo da briga dessa semana foi uma camiseta.
Minha mãe tem o costume de comprar roupas iguais ou muito parecidas pra nós
para não brigarmos, mas nem sempre dá certo. As camisetas eram iguais, brancas
com listras e curtas, mas os tamanhos eram diferentes, uma tamanho Pequeno e
outra tamanho Médio. Eu disse que queria a M, porque era mais confortável e
minha irmã concordou em usar a P, pois era indiferente.
Decidi sair e usar a camiseta nova, estava atrasada
e peguei a primeira que encontrei, mas não era a minha. Percebi ao voltar para
casa e tirá-la, resolvi contar o que aconteceu já que havia
sujado a camiseta com sorvete de chocolate, e avisar que aquela
seria a minha... Pra quê? Foi uma gritaria exagerada, “Você sabia muito bem e
usou porque quis!” – ela dizia, eu explicava o que tinha acontecido, mas meu
ouvido continuava sendo feito de pinico. Me exaltei, bati a porta na
cara dela e não nos falamos mais, era assim sempre e estava cansada
dela.
No dia seguinte, me levantei para tomar café e lá
estava minha irmã, com a cara inchada e fechada. Fiz o café e perguntei se ela
queria, ela disse que sim e que tinha feito ovos para nós, ainda carrancuda fiz
o meu pão e levei o café até ela que estava sentada no tapete da sacada tomando
sol, me sentei ao seu lado para nossa refeição matinal. Colocamos
músicas que gostamos e aproveitamos o momento gostoso de
calmaria e vitamina D, até que não era tão ruim tê-la por perto e lembrei
o motivo da minha saudade, não nos desculpamos, mas estava tudo bem como
sempre.
Maria Luiza Randoli Pereira - 1ºMA
Uma semana de junho
Há muito tempo, antes do mundo conhecer a ciência
que conhecemos hoje, existia um jovem em um simples vilarejo seco, todos os que
o viam podiam afirmar que ele era uma rapaz muito bonito, com cabelos travessos
e um sorriso bondoso, no entanto, aqueles que tinham a oportunidade de passar
um tempo em sua companhia descobriam pensamentos singulares e que certamente
deviam ser repreendidos.
O menino por outro lado, estava constantemente
espalhando suas contemplações e as classificava como uma verdadeira benção em
um povoado tão pacato e comum, alimentando-as cada vez mais com a esperança de
um dia poder levar seus pensamentos a outros lugares, de fato, esperança era
uma boa palavra para sua cabeça.
Ocorreu que, em um mês de junho (sempre marcado por
tristeza naquele povoado), algo incrível aconteceu, até mesmo para uma mente
tão fértil como a do rapaz, um viajante, já de idade avançada, deu-lhe a
oportunidade de ser sua companhia e seu patrão mundo a fora, para tal deveriam
se encontrar após uma semana na saída do vilarejo, e quanto tempo parece ser
uma semana para um jovem ansioso!
No entanto, apesar de tão arrebatadora notícia,
junho continuava sendo junho e assim como estava predestinado pelos moradores,
a seca que já era grande tornou-se insuportável para muitos naquela semana,
crianças e idosos não resistiram, e a aqueles que ainda viviam se tornaram
poços de desesperança em poucos dias.
O único capaz de reanimar e ajudar o povo era
aquele jovem, que exatamente por estar se despedindo, sentia mais solidariedade
pela sua terra de nascimento do que havia sentido a vida inteira, era como se,
por finalmente perceber que aquelas pessoas precisavam dele, ele as amava mais.
Os moradores que por sua vez, já haviam deixado ir outros rapazes, perceberam
nestes últimos dias o quanto aquele ser era singular e necessário em suas
rotinas.
Terminada a semana, o garoto tomou uma decisão que
muitos de nós, se não conhecêssemos seus sentimentos, teríamos considerado
terrivelmente imprudente e triste, ao permanecer no vilarejo e cuidar dos seus,
muitos se tornaram gratos a ele pela vida inteira e a vila passou a ser um
lugar melhor, no entanto, ao entender a necessidade que tinha de ser aceito, a
felicidade de ser valorizado, e o quanto sua imaginação podia ser convertida ao
bem de outros, o garoto cresceu em alma e preparou-se para viajar o mundo livre
de arrependimentos e repleto de paz.
Letícia Neres Ribeiro - 1º MA
Olivia
São
Paulo, 02 de junho de 2020.
Os
protestos se intensificavam cada vez mais – mesmo com a repressão do
governo, a revolta popular era imensurável e o movimento estudantil e
demonstrações artísticas contra o regime tomavam cada vez mais
força.
A
ditadura havia sido iniciada em abril de 1964. Já estávamos em julho de 1965 e
não parecia que a democracia iria ser restabelecida novamente tão
cedo.
E foi
durante um dos atos de abaixo a repressão que eu te conheci. Você gritava
palavras antifascismo com um de seus punhos levantado enquanto o outro segurava
um cartaz enorme que era carregado por outras pessoas também, feito de
cartolina e canetão, escrito “contra a censura pela cultura” na parte frontal e
“a queda do militarismo significa nossa liberdade” na parte traseira, com
letras tortas e borradas. Conseguia ver sua aura, seu espírito de revolução e
sua sede de justiça naquele instante.
Me lembro
de como seus cabelos crespos e escuros caiam sobre seus ombros, de como
dançávamos músicas do movimento Tropicalista descalças e como seu
vestido florido rodava quando Rita Lee e Gilberto Gil tocavam, sei que eles
eram seus favoritos. De como você falava de bondade e sobre sempre
tratar as pessoas com gentileza, de políticas internacionais e de
como sorria durante as palavras “liberdade” e “revolução”, a ideia de
rebeliões pacíficas eram incríveis ao nosso ver.
Acredite,
eu idolatrava a luz de seus olhos, rezava por todos os novos deuses que você
havia me apresentado todas as noites para que ficasse ao meu lado para sempre.
No verão borboletas pousavam em suas madeixas e tudo o que fazia era se jogar
novamente para a grama, amassando algumas pequenas flores durante o processo. O
Sol brilhava em sua pele e até hoje juro que você poderia ser considerada o
próprio Sol; era brilhante, por dentro e por fora.
Costumávamos
conversar sobre o que faríamos no futuro. Planejamos comprar um apartamento
pequeno no centro, mas que fosse o suficiente para encaixar todos os nossos
gatos – que seriam adotados ou resgatados, também nossas plantas e é
claro, nosso amor. Criaríamos uma Ong, suas ideias de ajudar todas os seres
vivos no mundo, protestar com eles e por eles, que todos deveriam ter direitos
iguais e que a distribuição de riqueza seria algo presente em nosso
futuro, assim como o poder nas mãos do povo se juntaram com as minhas, que
eram bem parecidas.
Começamos
a namorar alguns meses depois, mas você sumiu em agosto de 1967 e o
medo tomou conta de todo meu corpo; já não conseguia comer ou sequer dormir
direito. As poucas ligações que eu tentava fazer nunca eram atendidas e seus
familiares pareciam não saber de muito também. Quase um ano depois recebemos a
notícia que indicava seu paradeiro.
Tiraram
você de mim assim como muitas outras pessoas foram tiradas de seus amados,
familiares e amigos. Te colocaram apenas como mais um número, destruíram seus
planos tão belos e apagaram sua vida, mas meu amor, ela foi a vida mais
linda que eu tive o privilégio de presenciar, e sei que
é exatamente o que qualquer outra pessoa que tenha te conhecido
pensa.
Não parei
de lutar, por você, por mim, por nós e por todo o povo brasileiro até que a
ditadura assassina tivesse seu fim, em 1985. Sei que se ainda estivesse viva
teria me abraçado e chorado, dizendo que tudo valeu a pena e que faríamos
justiça por todos aqueles que morreram nas mãos de um governo
fascista.
É 2020,
estou comemorando meu aniversário de 72 anos e tive como marco do dia o momento
em que vi uma foto de nós duas durante um dos protestos da época no livro de
história do meu neto. Precisei escrever para ti esta carta, mais uma das
tantas outras que nunca irá receber.
Onde quer
que esteja, saiba que nunca será esquecida. Sua luta não foi em vão e espero
que essa e as próximas gerações nunca deixem que isto se repita, mas temo que
estejamos indo para o caminho errado, não deixo de ter esperança, de qualquer
forma.
Para
sempre em meu coração, Olivia, de sua sincera amada, Aurora.
Giovana Camacho da Silva – 1º MA
A amizade de uma vida
Houve um dia em que um pequenino vira-lata sozinho
e perdido corria pela avenida assustado. Nesse dia uma
senhora avistou o pequenino e rezou para dar tudo certo
a ele. É importante ressaltar que ela só não o levou
consigo porque já tinha
outro cão.
Nesse mesmo dia, ela já estava começando
a se arrepender de não ter o pego e dado um lar àquele cão.
Foi então que teve a melhor notícia de todas, ao
passar em frente à casa de sua fiel amiga,
chamada Lucy, viu que ela e seu
marido John haviam resgatado o cãozinho, nesse
momento, a senhora sentiu-se aliviada e soube que ele teria
uma vida longa, ao tocá-lo sentiu que seria muito
amado e abençoou-o com os seus dons ocultos.
Lucy e John tinham outro cão
muito bravo, o qual nomeou com um latido, o
pequenino recém-resgatado de Half.
Surpreendentemente Half foi resgatado no dia
em que o neto Archie do casal de idosos nascera. Então,
após alguns dias, Half e Archie se conheceram, esse foi o início de uma longa
amizade, a qual ultrapassaria a vida e a morte...
Nesse dia em diante teve uma vida longa e
feliz. Half e Archie viveram juntos, brincando e passeando
lado a lado como um só.
Archie pegava um brinquedo, Half o tomava dele e
guardava em sua cesta, de certo, era um cachorro folgado e
organizado quando se tratava de seus preciosos
brinquedos.
Quando passeavam nas ruas e nos parques era a maior
correria e diversão, no entanto, tinham que tomar cuidado com cachorros
bravos soltos, mas Half queria mais é enfrenta-los, pois se achava o
maioral, então Archie tinha que pegá-lo no colo e ir para outro local
ou para casa de seus avós.
Então Half chegou aos seus 15
anos, e já não tinha tanta força como antes,
mas vivia sem dor, era até ágil e brincalhão demais para a
sua idade. No entanto, chegou um dia, no mês de junho, em que ele
realmente começou a se sentir debilitado e cansado, Archie pediu para os
seus pais se poderia dormir esses dias na casa de seus avós para que pudesse
cuidar mais de Half, então os seus pais o deixaram ir.
Ao vê-lo morrendo, começou a chorar
e permaneceu ao seu lado até os seus
últimos suspiros. Com muita relutância, Archie seguiu
em frente, levando em sua mente e em seu coração a alma de Half.
Passados 17 anos, Archie já
casado, avista um pequenino filhote vira-lata sozinho e perdido
correndo pela cidade assustado, então, sem poder explicar, sentiu algo
diferente quando o avistou, foi então resgatá-lo, o cãozinho veio
imediatamente em sua direção quando Archie agachou, foi como se anos de
amizade e lealdade voltassem à tona... Será que era Half? –
pensou Archie. Ao tocá-lo sentiu uma ligação muito
forte de uma amizade mútua e verdadeira.
Arthur Campos Ribeiro Ferrão Videira - 1º MA
Comentários
Postar um comentário