Contos de maio
As
cabeças de sirene continuavam a tocar, eu corria delas mas parecia impossível
de se livrar, quando dei por mim eu estava em um beco sem saída, o sol estava
se pondo e a sombra do beco começava a aumentar cada vez mais, me vi sem
escolha a não ser sentar no beco e esperar o barulho parar, as roupas que
eu estava usando podiam refletir a luz de forma a me deixar quase
invisível, eu vasculho minha mochila procurando minha bomba de
asma, estava difícil de respirar e o ar começava a ficar cada
vez mais pesado
—
Finalmente! - pego a bomba e tento usá-la, taco na parede logo em seguida,
estava quebrada não servia de nada - humph, que inútil
Sem nada pra fazer eu não tinha outra escolha a não ser revisar o pouco que eu
tinha
—
Eu ainda guardo isso? - eu pego com a mão e observo atentamente o Foco, um
pequeno aparelhinho triangular que não tinha mais do que 3 centímetros, estava
emitindo uma luz azul-isso ainda funciona? Não é possível, deve estar
quebrado
Eu coloco o aparelho por curiosidade para ver se funcionava, antigamente
todo mundo usava isso para registrar memórias ou saber do mundo, isso
havia substituído um aparelho muito mais antigo chamado celular, o Foco era
muito mais prático de usar, bastava colocar ao lado de um olho e pronto, você
entrava em contato com um mundo inteiro de dados, eu lembro que meu
pai... Usava um antes de morrer
Por incrível que pareça o aparelho estava funcionando, uma esfera
azul apareceu ao meu redor, junto a hologramas de várias funções
possíveis, achei interessante o fato de ainda usarem o sistema de
calendário, hoje seria dia 29 de maio, seleciono as gravações para ver o
que tinha e fui surpreendido por um holograma do meu pai que apareceu
diante de mim, eu sabia que ele não estava lá, mas era tão real.
— Olá filha, eu temo que quando tenha achado isso eu já esteja morto mas
aqui estou eu não é mesmo?-ele andava se aproximando para perto de mim-
eu estou aqui para dizer que você deve seguir a vida, eu não gostaria
que você ficasse triste por minha causa até porque foi erro meu, a
radiação do minério estelar está me afetando cada vez mais, mas
independente de mim, por favor seja feliz, você é minha filha e
vou sempre te observar- ele estava mais próximo de mim, era como se ele olhasse
nos meus olhos-agora eu tenho que ir, vou deixar este Foco na sua
mochila, até mais filhota.
Seus dedos holográficos tocaram na minha testa antes da gravação desligar,
o sol já se pôs, já não dava mais para se ouvir as cabeças de sirene.
Murilo Araújo
Rocha Tavela Alves –
1º ELO
Dia dos
Mortos
Há muito
tempo, em uma terra distante, um rei decide guardar toda a magia do mundo
para si. Mas, antes disso ele precisa aprender a utilizar a magia, então
ele chama alguém com habilidades mágicas para ensiná-lo. Nenhum bruxo, bruxa,
mago ou duende responde, mas um membro da corte finge ter habilidades mágicas e
se oferece para ensiná-lo.
Logo, o
homem exige dinheiro e tesouros por seus serviços. Maria, a cozinheira do
rei, se esconde e observa o homem ensinar magia ao rei.
Enquanto os
dois estão praticando, eles escutam Maria rindo. Isso deixa o rei furioso.
O homem tenta acalmá-lo dizendo que o povo não entende muito bem a
magia. O homem vai à casa de Maria, onde ele descobre que ela
é realmente uma bruxa. Então ele pede a ela para ajuda, ameaçando
entregá-la ao rei.
Maria concorda
em ajudar o homem. Após algumas semanas de treino, o rei decide se
apresentar ao povo no feriado do Dia dos Mortos (cinco de maio). O
povo se surpreende com as novas habilidades do rei, mas na
verdade era Maria escondida em um canto que realizava todas as magias.
Um jovem camponês pergunta se o rei pode fazer seu cão falar. O rei
tenta, mas nada acontece, porque Maria não sabe como
fazê-lo. O povo caçoa do rei, e o rei se irrita intensamente com o
homem. Ele aponta para o mato, e diz que uma bruxa está
atrapalhando-os. Maria foge correndo, mas o rei a avista.
O
rei diz à multidão que Maria se transformou na árvore e que ela
deve ser cortada. Logo a árvore é derrubada, mas eles escutam
uma voz vinda do tronco. A voz diz que o homem é uma
fraude que a cidade está amaldiçoada, pois todo mês um morto irá ressurgir
das covas.
Renato Félix Cavalcante – 1º ELO
Conto de maio
Era
um dia qualquer de maio quando eu conheci o Brabo. O Brabo era muito
brabo, eu me surpreendia com sua brabeza. Perguntavam quando e como ele tinha
se tornado brabo e ele sempre dizia que já nasceu brabo, só havia um brabo no
mundo e esse brabo era “O Brabo”.
O
Brabo já fez muitas coisas brabíssimas: ele parou um trem com o braço, ele
venceu um exército inteiro vendado, ele explodiu uma montanha só com o vento do
soco, ele se teletransportou, ele ficou preso na Lua e voltou para Terra
com o impulso do seu pulo, caindo de pé sem nenhum dano, tomou um balde
inteiro de raspadinha sem congelar o cérebro, ou seja, o Brabo era realmente
muito brabo.
Um dia, o Brabo
estava andando na rua normalmente fazendo suas brabezas diárias quando
um cara que não gostava do Brabo deu vários
tiros nele. Os tiros acertaram-no, só que não aconteceu
nada com o Brabo, mas sim com o casaco favorito dele, foi aí que o
Brabo ficou bravo e arremessou longe o cara com o vento causado pelo
seu peteleco.
Todos queriam saber o
segredo do poder do Brabo, todos que o conheciam, porque, na
verdade, o Brabo era um herói que agia em segredo, um cara que
era herói por diversão. A verdade é que o Brabo sempre foi brabo, mas nem
sempre foi poderoso, ele treinou tanto que ficou careca, além de ter
quebrado o seu Limitador de Poder, um órgão presente em todos os
seres humanos que limita todas as nossas capacidades até certo ponto.
Quando alguém quebra esse limitador, normalmente morre ou vira um dos
monstros com quem os heróis lutam, que não são muito fortes (a maioria), mas
com o Brabo foi diferente, ele quebrou o limitador e não morreu nem virou um
monstro, ele só ficou mais forte, muito mais forte, ele obteve um poder tão
grande que poderia até dizer que é ilimitado.
O Brabo virou um herói
só por diversão, mas já não é divertido, já que ele derrota todos só com
um soco, ele disse que ter uma força tão grande e descomunal é um tédio. O
Brabo continua sendo um herói, porque acredita que um dia vai encontrar um
oponente tão poderoso quanto ele e ter uma luta lendária que vai finalmente
valer a pena.
Renan Gonçalves - 1º ELO
Conto de
maio
Maio. Vida. Acho
que foi aí que tudo começou, foi nesse mês, dos dozes meses foi em maio, foi em
maio que eu comecei a viver.
Junho. Amor. Em
junho, comecei com tudo o que pensei, são sabia ao certo o que eu buscava,
uma amizade, uma companheiro, um amor, se eu procurava alguém, ou eu
não estava me encontrando, suponho que foi essa a premissa que eu buscava, eu
me encontro, ao mesmo tempo que encontro outras pessoas.
Julho.
Tempo. Tempo é algo infinito, na qual desenvolve infinitos caminhos, sem saber
onde acaba, ou até mesmo onde começa supondo que foi em maio onde eu comecei a
viver, e onde obtive conhecimento, faltaria 11 meses para eu morrer.
Agosto.
Conhecimento. Estou vivo há 4 meses, mas somente agora, eu me
aprofundei em conhecer, aprender, estudar, obtive compreensão sobre algo que eu
desconhecia a existência, cultura diferentes, seres diferentes, aprendendo que
não estou sozinho aqui.
Setembro. Diversão. Suponho
que foi em setembro onde obtive a conclusão de junho com agosto, e então
alcancei aqueles que eu seguia, além de alcançar-me, eu nunca soube o que eu
queria até obtiver conhecimento junto ao amor, e então solucionei com diversão.
Outubro. Observação.
Metade da minha vida passada, não sei mas ao certo o que eu almejo,
até observar tudo o que eu já vivi, talvez eu encontre algum propósito, porque
eu terminaria?
Novembro.
Percepção. Creio que foi este o exato momento em que eu percebo que eu não
gostaria de ir, voltar, ser, talvez eu nunca quisesse ter sido, ou ter voltado,
entristeço talvez pela primeira vez, talvez passe.
Dezembro.
Desfecho? Mentiria se dissesse que não sentiria nostalgia, ao recordar-me
do que vivi até agora, tudo de novo acontece, mesmo assim o tempo
nunca para, a vida continua, e assim se obtém mais experiencia.
Janeiro.
Recomeço. Talvez não seja só eu, outros seres sentiriam a mesma coisa que eu
sinto? Provavelmente não, mas assim seria, ou assim recomeçaria, não sei
ao certo o que eu faço ou o que vou fazer.
Fevereiro
Mudanças. Preencher o vazio que está em mim, talvez não seja algo errado, mas,
com certeza, mudanças aconteceriam, acredito que passados esses 10 meses de
vida, eu já estaria preparado para mudanças, mesmo sabendo quando seria meu
fim.
Março.
Sentimento. Acredito que passado o desfecho que vivi, tudo começou a mudar, ou
talvez não, tudo voltou a ser o que já era, mesmo assim sobe aquele sentimento.
Eu nunca quis que aquilo que aconteceu acontecesse, e esse sentimento talvez
seja pior que a morte
Abril. Medo.
Não, eu não quero isso, tantos acontecimentos tive ao longo da vida como: Amor,
tempo, conhecimento, diversão, observação, percepção, desfecho, recomeço,
mudanças e sentimentos. Eu acreditava que chegada a hora eu estaria preparado,
estaria pronto, mas não eu não quero isso, além de que eu nunca quis isso, qual
é o sentido de existir para depois sumir, nunca disse adeus para quem devia
estou tão triste, apavorado, frustrado, talvez esse seja o meu pecado.
Maio.
Morte. Fim
Alex Denner Laura Mamani – 1º ELO
Nightmare of may
Era maio
de 2042, no Arizona, Estados Unidos, em um
laboratório a alguns quilômetros de Sedona, onde cientistas
procuravam descobrir um medicamento que resultasse em uma melhor
recuperação de células do corpo que estivessem enfraquecidas.
Porém, para a supresa deles,
não somente encontraram o que recuperaria com maior
agilidade as células, por um pequeno descuido foram além
disso, e descobriram uma substância que seria capaz de
recuperar algo morto. Há cerca de uma semana antes,
Bernard Krüger, um ciêntista muito renomado que fazia parte do
projeto, tinha arranjado uma discussão com seu superior no laboratório, e mesmo
estando correto mediante ao assunto da discussão, foi exonerado, o que não
o deixou muito contente, então começou a planejar algo para que o projeto
vinhesse a falhar e pensassem que não houve êxito por causa da ausência
dele grupo.
O surgimento da nova
descoberta uma semana mais tarde foi a oportunidade perfeita
que Krüger encontrou para frustrar os palnos dos outros ciêntistas.
Mas ele não fazia idéia de que isso traria uma consequência gigantesca para
todos, não apenas no laboratório, mas em todo o
planeta. Krüger pretendia roubar a tal substância, atitude essa que
acarretou em algo que só se encontrava em filmes, um apocalipse zombie, isso
mesmo, um apocalipse zombie.
Krüger teve sucesso em sua “vingança”, a nova substância já se encontrava
em suas mãos. Como cientista e curioso em descobrir o que podia acontecer se
testasse o experimento, ele assim o fez, com o uso de um rato que
havia matado no dia anterior, testou, e imediatamente, da forma mais dolorosa,
ele descobriu que aquilo poderia ser um vírus que infectaria até mesmo os
vivos. E assim se iníciou o surto apocalíptico. A contaminação nas primeiras
horas foi consideravelmente lenta, mas não demorou muito para se espalhar ainda
mais rapidamente que o vírus da crise de 2020.
Patrick Galler, um
jovem estudante de medicina de uma faculdade em Phoenix, capital do
Arizona, ao ouvir boatos e reportagens do que estava ocorrendo, correu para
casa na intenção de encontrar sua família, e pra sua sorte ainda estavam todos
bem e protegidos, mas não por muito tempo. Galler sonhava em um dia se tornar
um ciêntista mundialmente conhecido e ter seu próprio laboratório, o que
não seria muito difícil para ele, sua mãe se orgulhava muito do filho tão
inteligente que tivera, mas agora seus sonhos também estavam em jogo, assim
como a existência de toda a humanidade. Com o crescimento da
propagação de contaminação, a esperança diminuía gradativamente, era
aterrorizante o que estava acontecendo, e ninguém fazia idéia de como combater
este mal que os consumia cada vez mais rápido. Até que Galler teve uma idéia
que poderia ser muito arriscada, pois fora de casa o risco era enorme, porém
estava disposto a enfrentá-lo, mesmo sua mãe não concordando com a idéia, ele
sabia que só encontraria um meio de combater isso indo onde tudo começou. Sem
muita demora, entrou em seu carro e foi ao laboratório perto de Sedona, os
jornais já afirmavam que a substância tinha sido descoberta alí, e que não se
sabia dizer se ainda havia alguém com vida no laboratório, ou melhor, se ainda
havia alguém que não tinha sido contaminado.
Chegando em frente
ao laboratório, tremendo de medo, abriu a porta e percebeu que o silêncio
reinava naquele lugar. Havia sangue para todos os lados, o
estrago causado era apavorante, e o que mais preocupava
Galler era a incerteza de sucesso, ainda mais em um ambiente
infestado de zombies. Sem saber para onde ir, começou a procurar alguma
sala segura, onde poderia de alguma forma encontrar a solução que
procurava. A cada passo seu coração disparava mais
rapidamente, e a cada barulho que ouvia nos corredores ficava mais
disperado, aparentava uma cena de filme de terror, tipo de filme o
qual ele já não gostava tanto de assistir. O medo o consumiu
completamente, e por um descuido, não percebeu e pisou em um frasco que estava
caído no chão, e devido ao silêncio, o barulho provocado atraíu os
temidos zombies. Correndo sem saber pra onde
estava indo, avistou uma porta e, sem exitar, entrou sem
saber o que encontraria atrás dela. Não era seu dia de sorte,
infelizmente, se via diante de seu fim, e este estava em grande
número em sua volta. Quando os zombies vieram sobre Galler, derrepente, em
um pulo, levantou de sua cama, assustado e suando exageradamente, porém
aliviado de tudo ter sido apenas um pesadelo.
Nícolas
Elias Moreira – 1o ELO
Conto de Maio
Maio é o último mês de primavera,
o último mês para as flores crescerem, o período de nascimento é substituido pelo caloroso e bondoso calor do verão, verão é época de união,
as pessoas unem para se divertirem, jogarem algum esporte ao ar livre, irem à praia ou fazerem algo
para se refrescarem.
Era maio quando um jovem aventureiro chamado John decidiu sair em mais uma de suas aventuras. O sol
era ardente como fogo e os campos não poderiam estar mais floridos, uma transição perceptível entre primavera
e verão.
Uma lenda antiga circulava na boca
do povo do vilarejo de John, ao norte de lá, uma grande montanha prometia guardar grandes conhecimentos em seu topo,
um prato cheio para o jovem aventureiro,
e então ele parte. A montanha pode ser avistada de longe, sua grandeza fazia com
que ela fosse inconfundível,
John conseguia sentir o ar de conhecimento.
Um velho se aproxima do aventureiro,
que, por sua vez, parece não ligar muito para sua presença e então o
senhor diz:
-
Queres subir a montanha, jovem?
John responde:
-
Quero sim, estou aqui pela lenda do
"grande conhecimento".
O velho dá uma pequena risada:
-
Sabe, jovem? Às vezes não conseguimos enxergar as coisas que são
realmente importantes.
O aventureiro fica meio confuso com fala do velho senhor,
mas confiante afirma:
-
Eu não sei
do que o senhor está falando,
mas eu sinto que estou destinado a subir a montanha,
é como se o conhecimento do
topo dela estivesse me chamando.
O
senhor responde com um sorriso irônico:
-
Você acredita em destino? Em qual destino você acredita?
John pensa por um longo tempo
e finalmente responde:
-
Em algum lugar no universo sinto que alguém escreveu que eu vou conseguir escalar essa montanha custe o
que custar!
O velho responde:
-
Jovem, eu acredito que o destino não é
algo que venho escrito e
que nunca poderá mudar, destino é como um objetivo final,
algo que todos têm,
é como um sentido para sua vida, uma coisa a que você dedica sua vida inteira para conquistar, sabendo você o
que é ou não. Se achas que subir a montanha em busca do conhecimento é seu destino, vá em frente, só posso te desejar boa sorte."
O velho senhor
some na frente de John, deixando-o confuso,
mas daquele dia em diante ele entendeu a mensagem,
o conhecimento não estava no fim da montanha e
sim e seu começo.
Gustavo Kenzo Mori - 1° ELO
Eu me concentro em você
_Eles são ok tocando, eu acho, mas eu não gosto
do ritmo dessa música.
Era 10 de maio de 1952, e o baile da primavera
finalmente havia chegado. Depois de algumas semanas trocando olhares e
sorrisos, ele finalmente tomou coragem pra chamar ela pra sair, já
pensando, é claro, no baile que estava por vir, pois ele não queria ser o único
da sua turma a deixar de ir ao baile no último ano do colegial. Eles combinaram
uma ida ao cinema e depois ao restaurante, e, ao notar o quanto tinha gostado
da companhia dela, ele decidiu já chamar ela pro baile ali mesmo.
Para a felicidade dele, ela prontamente aceitou.
_Eles são
ok tocando? Eu Me Concentro em Você é uma ótima canção.
E agora, ali estavam os dois, na pista de dança, no
que era a última música da noite, uma balada lenta. Próximos, eles dançavam
calmamente, tudo que ele conseguia pensar era no quão deslumbrante ela estava
naquele dia, e ela também passava por algo semelhante, enquanto tentava
aproveitar o momento, apesar da música não ser exatamente agradável para ela.
_Além
de música, não consigo me lembrar do que estávamos falando.
Pouco
depois, eles saiam juntos do ginásio da escola, caminhando de mãos dadas e
conversando sobre a última música, que era de um dos seus cantores
preferidos, enquanto ela preferia Johnnie Ray & The Four Lads. Sem parar de
prestar atenção na conversa, ele reparou em como a lua deixava o céu ainda mais
bonito naquela noite, que parecia ser perfeita. Foi então que surgiu um
convite.
_Eu lembro
que só tinha duas semanas que estávamos juntos, e não estávamos muito à vontade. Eu não estava relaxado, pelo
menos. Não conseguia ficar assim perto de você.
Eles
estavam na casa dele, mais especificamente, em seu quarto. Com as luzes
apagadas, o que iluminava o ambiente era o céu estrelado, através da janela,
por onde também era possível ver a lua. Ele ligou o rádio, e, depois de alguns
instantes de ruído, uma estação foi sintonizada. Aos poucos, o suave som de Eu
Me Concentro em Você invade o lugar. Ela se aproxima dele, eles se
abraçam e recomeçam, suavemente, a dançar, exatamente como estavam antes,
ainda no baile. Ao fim da música, então, ela se aproxima para beijá-lo, e ele
percebe que, caindo lentamente pela bochecha dela, estava uma pequena lágrima.
_Porque
era o jeito que eu sempre pensei que deveria ser. Era doce, é por isso.
ela disse, calmamente, sem nem mesmo parar de cortar
as rosas do canteiro com um mão e
jogá-las no cesto pendurado no braço oposto. Enquanto isso, ele a observava da
varanda, sentado na cadeira de balanço com o jornal que havia sido deixado ali
pela manhã ainda aberto em suas mãos. Era incrível como, mesmo depois de
tanto tempo, ela ainda fazia com que ele sentisse algo diferente perto dela,
algo que ele fazia questão de declarar todo dia.
_Você está
falando sério?
A essa
altura, ela já tinha terminado a colheita de rosas para colocar nos vasos espalhados
pela casa, e voltava lentamente, indo em direção a porta, com a cesta ainda
pendurada em seu braço, e a tesoura de jardinagem na mão.
_Sim, verdade. E eu não acredito que te levou 50
anos pra tomar coragem pra me perguntar isso.
Victor Emanuel - 1º Elô
Maio, que mês maravilho, repleto
de felicidades, nele temos a celebração do dia do trabalho; Nelson Mandela
assume a presidência da África do Sul, marco histórico importantíssimo; O
dia das mães; A Princesa Isabel faz um discurso referindo-se à abolição da
escravidão no Brasil; Entre outros. Mas, como nem tudo são flores, teve
também várias tragédias nesse mês, como por exemplo: A morte do Ayrton Senna,
que para muitos, foi o melhor piloto de Fórmula 1 até a atualidade.
Este mês me traz uma lembrança muito
específica de um sufoco que passei.
Em maio
do ano passado, estava ocorrendo um campeonato competitivo de um jogo de tiro
muito conhecido mundialmente, e a premiação era surpresa, o jogo consistia em
100 pessoas em um único mapa com itens espalhados por todo este mapa,
itens os quais ajudavam a vencer a partida, e esta, apenas vencia o último
sobrevivente.
Para se qualificar ao campeonato era
preciso passar pelas fases eliminatórias, estas fases eliminatórias eram bem
simples de realizar, apenas era preciso ter ganho 3 partidas consecutivas,
feito esse que eu já havia completado pois era um jogo que eu tinha muita
experiência.
Então, apenas aguardei me chamarem
para o grande campeonato. Eu estava mega ansioso para descobrir qual era o
prêmio surpresa. Fiquei dias treinando para conseguir me destacar, até que
então o grande dia chegou, foi anunciado a data da partida decisiva, e meu nome
estava na lista.
Quando chegou o dia, eu me preparei todo
para o momento tão esperado, foi anunciado o início: “Os jogos começaram em 5
minutos “, estava descrito assim que abria-se o jogo.
Faltando 10 segundos para começar,
agarrei firmemente o mouse e já posicionei a minha outra mão no teclado, estava
pronto.
“Contagem regressiva!”, escutei em meu
fone. “3,2,1, e que comecem os jogos!”
Fechei meus olhos, respirei fundo e
disse:
_ Seja o que Deus quiser,
amém!
Neste momento, eu senti minha alma sair do
meu corpo, como se tivesse morrido. Quando eu abri meus olhos percebi que eu
havia sido abduzido para dentro do jogo, eu e todos os outros 99
participantes.
Eu nasci dentro do mapa, ouvi uma voz
bem alta dizendo:
_ “Vocês estão dentro do jogo, o
grande prêmio para quem chegar ao final é: Realizar um desejo
e voltar ao mundo real.’’
Fiquei morrendo de medo, porém,
corajoso eu fui para cima deles, eu queria vencer de qualquer forma.
Passaram-se 20 minutos, eu já estava
equipado com vários itens, e o principal, armado até os dentes com armas dos
melhores calibres, eu estava preparado para qualquer tipo de situação.
E então, aquela voz tornou a falar:
_ Restam 10 jogadores vivos, a área
será diminuída!
Eu fiquei apenas esperando, escondido
como uma cobra, preparada para atacar em qualquer circunstância.
5 minutos depois a voz voltou outra
vez:
_ Restam 3 jogadores vivos!
Eu logo pensei: “São apenas eu e mais
2”, rapidamente tripliquei minha atenção, pois agora estava muito mais
complicado, o mapa diminuía cada vez mais, estávamos em uma área de
aproximadamente 250 metros quadrados.
Quando eu menos esperava, levei um
susto com o que eu reparei em minha frente:
_ Vitória, você foi o grande vencedor,
meus parabéns!!!
Em seguida a voz explicou que os outros
dois jogadores se mataram ao mesmo tempo, logo eu acabei sendo o campeão sem
disparar um único tiro.
Então eu perguntei a ela:
_ Todos os outros morreram
de verdade? Ela me respondeu que sim.
_ Então o meu desejo é que traga
de volta a vida de todos ou outros! Ela ficou surpresa com o meu pedido, mesmo
assim, o realizou.
Eu voltei para o mundo real com a
feliz por ter vencido e com a consciência limpa por ter recuperado a vida de
todos, mesmo perdendo o meu prêmio.
Luiz Felipe Feitosa Da Silva – 1º ELO
O DIA EM QUE O SOL SUMIU
Era uma bela madrugada
de maio de 2020, o cometa SWAN tinha acabado de passar, o dia mal
tinha começado e já prometia ser inesquecível, e infelizmente eu
estava terrivelmente correto. Eu e minha esposa Carla estávamos em casa,
observando a passagem do corpo celeste, o fenômeno tinha acontecido perto
do crepúsculo, o que deixava tudo mais lindo, mas ao invés da lua vir e
tomar o lugar do Sol, parecia que ela o tinha engolido, quando nós
percebemos, Carla me olha e diz:
– Renato, você viu aquilo? –
Com uma feição de medo, sendo que o pior ainda estava por vir.
– Sim, isso não é possível! – A
respondi mais aflito ainda.
Poucos momentos após isso, meu telefone
celular começa a vibrar freneticamente, eram mensagens de nossos
colegas que também viram o acontecimento e perguntando se tínhamos
visto. A notícia rapidamente estava em todos os jornais, o mundo
parou com isso.
Até o momento a situação estava
sob controle, entretanto, cerca de uma hora depois, não só luz do astro não
estava mais presente, mas também, a luz das ruas e de todas as casas
começam a piscar e desligam, foi possível ouvir gritos de desespero
de todas as direções. Foi nesse momento onde todos pensavam que não podia
piorar a situação, mas fomos surpreendidos novamente, pois estava tão
escuro que não era possível de se ver um palmo a frente sem o auxílio de
algum tipo de lanterna, com isso saques quase que imediatamente começam a
acontecer, apontando as fontes de luz de emergência, era possível ver as
pessoas indo direção ao mercado próximo de casa e pegando alimentos para
estocar, já que não se sabia quando e se iam voltar ao normal as coisas.
Carla e eu demos sorte de ter ido fazer
compras no dia anterior, então tinha comida para um período considerável,
mas ainda era necessário proteger nossa casa, já que não eram só mercados
que estavam sendo assaltados, e sim todos os lugares que as pessoas podiam
entrar. Indo até as saídas de casa, eu olho para Carla nos iluminando com
meu celular e a digo:
– Amor, teremos que nos separar, vou
deixar meu celular aqui e nos encontramos depois, certo? – Tremendo com
receio de que algo pudesse com ela. Ela pega na minha mão e
responde:
– Okay, por favor, toma cuidado. –
Com lágrimas escorrendo no rosto.
– Digo o mesmo – Falei já indo
para a porta dos fundos.
Após isso, há uma lacuna em minhas
lembranças, e começo a me recordar de tudo somente
quando estava sentado, preso e desnorteado. Carla tinha sumido,
e uma luz fraca de cor alaranjada estava sobre a minha cabeça. Fico zonzo
por um tempo considerável, e quando começo a recobrar a consciência, um
homem de terno preto se aproxima, me olha e me diz:
–
Olá Senhor Renato, desculpe-me pelo
inconveniente, iremos resolver este empecilho, tudo que aconteceu foi
o maior dos enganos, estamos atrás de outra pessoa. Não se preocupe em contar o
que aconteceu, você não ira conseguir.
Eu não entendi nada do que ele
disse e fiquei muito intrigado com tudo depois
disso, principalmente pois novamente um buraco aparecia em meus
pensamentos. Quando recobrei os sentidos, eu estava ao lado de Carla,
observando o SWAN, por um momento achei que foi tudo um pensamento
estranho em minha mente, mas quando nós estávamos indo para dentro de
casa, vi o mesmo homem acenando ao fundo, quando o vi tentei contar a minha
esposa, mas ele estava certo, eu não conseguia, as palavras não saiam da minha
boca. Ela me olhou e falou:
– Está tudo bem? – Com uma
preocupação enorme no rosto.
– Sim, estava só pensando no
cometa. Espero que ele traga coisas boas.
Gustavo Tavares de Sousa – 1º ELO
Órfã
Naquele domingo, eu completaria 12 anos dentro
daquele orfanato. Segundo a irmã Débora, na segunda semana do
mês de maio de 1974, especificamente naquele dia em que
celebram o dia das mães, uma mulher, supostamente minha
"mãe", me deixara em frente de sua porta. Desde
então fui cuidada pelas freiras. Mas não era a mesma coisa
que ter uma mãe.
Elas nos ensinavam e nos alimentavam,
porém não tinha ninguém em que eu
pudesse confiar, abraçar, contar meu dia, falar horas e horas sobre
minhas fantasias que escrevia ou até mesmo chorar em seu colo por
algum motivo alheio, alguém que realmente se importasse
comigo.
Também não possuía a melhor das relações com as
outras garotas de lá. Eu era sempre tachada de esquisita, lunática ou
"imaginativa demais" (que para a irmã Sarah era um enorme
problema). Não ligava para nada disso, com certeza era bem solitário, mas eu
tinha a ilustre companhia de um amiguinho, um gato, que uma vez ficara
preso entre as grades da janela da cozinha, desde que ajudei a
libertá-lo ele vem me visitar toda semana. Além disso, tinha uma
biblioteca enorme com livros incríveis só para mim, já que mais ninguém a
usava, pois era proibido entrar lá.
Um dia, em uma das
minhas "missões secretas" para entrar escondida na
biblioteca, Maria, uma das outras órfãs que não gostava de mim, me
flagrou, e mesmo insistindo para que não fizesse isso, ela me
entregou para as irmãs. Para minha infelicidade, trocaram o cadeado que
trancava a porta da biblioteca e me deixaram de castigo em meu quarto por mais
de um mês. Desde então, minha rotina ficou sem graça e pacata,
até o gato deixou de me visitar após eu não aparecer por causa de meu
castigo.
Em maio do ano seguinte, uma jovem
e bela mulher apareceu no orfanato, ainda triste por ter perdido sua
filha em um acidente, queria adotar uma criança para preencher o
espaço vazio que ficara em seu coração. Era muito raro aparecer alguém
querendo adotar uma de nós, então era motivo de muita euforia e felicidade.
Entretanto, eu não ligava mais para isso, já tinha desistido de
encontrar um lar... Mas, surpreendentemente, eu a lembrava
de sua filha, então por isso me escolheu para adotar. As irmãs, surpresas, a
alertaram sobre meus "problemas", mas ela não ligou:
_Uma jovem com uma imaginação tão fértil não é
um problema, é uma virtude!
Então, no mesmo domingo em que fui abandonada na
porta do orfanato há 13 anos, encontrei um lar e uma mãe. Doce,
gentil, bela e carinhosa, que em sua enorme casa tinha uma biblioteca
particular e um lindo gato cinzento.
Leonardo Pereira Tamasi – 1º ELO
Conto de maio
No início de maio, Ana Paula havia recebido um
convite para uma festa no céu, mas não sabia de quem ou o porquê, mas sempre
que abria o convite, o teto e o chão giravam, as paredes desapareciam, o mundo
parecia virar um conto de fadas. O convite dizia que a festa seria no salão
de nuvens, cercado pelas luzes das estrelas à meia-noite. Por
curiosidade, pensou em aceitar o convite.
No meio da noite, ela abriu novamente o convite,
mas diferente das outras vezes que ela aparecia em uma floresta com arco-íris e
rios cristalinos, ela havia sido levada à um palácio feito do que parecia
algodão doce, mas ao ver melhor era possível perceber que eram nuvens.
Encantada com o lugar, não parava de sorrir de tanta animação, Ana apenas
queria correr pelo lugar e ver tudo, mas havia muitas pessoas ao seu redor,
então não o fez.
Já estando parada pesando no que fazer já havia
algum tempo, acabou se decidindo a seguir as pessoas que entravam por um grande
portão. “Provavelmente ali deve de ser o salão de nuvens”, pensou. Ao entrar se
deparou com cascatas, cavalos brancos com asas, mesas cheias e muitas
coisas que nem sabia como descrever.
Ana estava se deparando com um novo mundo,
diferente de tudo que já tinha visto. Mesmo vendo em sua frente tudo, estava congelada,
talvez de animação por tantas coisas maravilhosas, ou de medo, por não saber
mais o que era real ou não.
Um jovem se aproximou de Ana, se apresentou como o
anfitrião do evento, disse seu nome, mas ela não entendeu, parecia um dialeto
completamente diferente, então apenas se apresentou a ele, disse o seu nome e
que estava tudo tão bonito. O jovem apenas sorriu e, logo em seguida, a
convidou para uma dança. Com a música tão suave, como se deitasse em seda e
voasse em meio às nuvens.
Depois de se encantar com o novo mundo, dançar e
conhecer o anfitrião da festa, pensou em ir embora, pois o dia seguinte seria
cheio. Ao tentar sair do majestoso salão, Ana se viu em um pequeno contratempo,
ela havia perdido o convite e não sabia como voltar. Ela pensou que deveria ter
deixado cair no meio da dança, então voltou para dentro para
procurar.
Depois que quase todos haviam desaparecido com
magia ou voado para longe com seus cavalos alados, Ana Paula, cansada sem
saber o que fazer começou a adormecer, seus olhos foram se fechando lentamente,
mas então viu um vulto, mas dormiu. No dia seguinte, acordou em seu quarto,
vestindo um pijama comum. Não havia mais cavalos com asas ou paredes de nuvens,
apenas seu próprio quarto.
Após alguns dias, já tinha de conformado de que
aquilo deveria de ter sido apenas um sonho. Bom, isso até receber outro convite
que dizia “Ansiosamente espero que nossos mundos se cruzem novamente”. Não
havia assinatura, nem nada mais do que esse recado.
Caio Shoji Yamaguchi- 1º ELO
O jardineiro e a flor-de-maio
Um jardineiro entusiasmado para comprar uma nova
flor para seu canteiro, foi ao mercado de plantas. Estava à procura de
alguma planta que o encantasse. Não sabia exatamente como queria que a
planta fosse, mas continuou procurando. Passou pelas tulipas, pelos
lírios, pelos girassóis, pelas gérberas, até que se deparou com a
flor mais bela que já havia visto em toda sua vida, foi amor à primeira vista.
Suas pétalas eram tão cor de rosas que qualquer rosa passaria
desapercebida perto dela, folhas tão verdes que até um limão não
chegava aos pés de sua cor, seus olhos brilhavam de tanta beleza em uma só
flor. Era a flor-de-maio.
Realizado voltou para seu jardim e plantou a flor
com a maior delicadeza. Todos os dias cuidava de seu canteiro com
muito amor, mas sempre dava um amor a mais para sua nova
companheira.
Com o passar dos dias, a belíssima flor foi
murchando, dia a dia mais pétalas caiam. O jardineiro sabia que
daqui a pouco ela iria florescer novamente. Mas, passaram-se meses e seus
botões não cresciam. Para saber mais sobre como era o período de florescimento
da planta, perguntou para um velho vizinho que também era jardineiro. Ele lhe
disse que não gostava daquela flor porque só florescia uma vez por ano, somente
nos meses de maio e falou que era por isso que muitas vezes era
desprezada.
Logo voltou para o seu jardim e observou
minunciosamente cada detalhe de sua planta e fez um voto de
eternidade para ela. Prometeu que todos os dias de sua vida cuidaria dela como
se fosse a única e última flor existente no mundo até o último dia de
sua vida.
Assim, o homem cumpriu sua promessa.
Cotidianamente, após um reforçado café da manhã ia ao canteiro regar seu
verdadeiro amor e cuidar de sua terra, de suas raízes, de suas folhas e no mês
de maio, de cada pétala. Todos os anos foram assim e sempre no
primeiro dia de maio, o homem comemorava que os botões
iriam florescer subitamente e aquela esplendida flor iria
renascer.
O jardineiro envelheceu, mas sua companheira
continuava a mesma desde o dia que tinha a comprado.
Em uma certa amanhã de
inverno, o homem não se levantou para tomar seu café da
manhã reforçado e não foi dar amor para sua planta. Sendo assim, no último dia
de vida, a flor-de-maio floresceu no inverno rigoroso, homenageando o amor
da sua vida, o jardineiro.
Camilla Matoba Aragaki – 1º EDI
São Paulo, 19 de maio de 2020
Tudo começou em maio, recebi uma carta sem
remetente, que dizia somente “Já faz muito tempo que eu escolhi você/ Confesso,
fiquei tenso/ Mas você me escolheu também”. Fiquei surpresa, já fazia
tanto tempo que eu não me relacionava com ninguém. Acabei não dando muita
atenção a isso porque poderia ter sido engano.
Em junho, recebi outra carta, novamente sem remetente.
“Ver nossas mudanças/ E o que nos fez crescer”, será que isso seria uma
continuação da primeira carta? Comecei a ficar intrigada, quem estaria me
enviando aquilo? Será que eram realmente para mim?
Em
julho, dessa vez a frase era “O amor é tão bonito/ E também pode
doer”, se fosse realmente para mim, tinha a chance de serem tantas pessoas,
porque de sofrer por amor eu entendi bem quando mais nova.
Em agosto, agora as cartas chegavam sempre no
mesmo dia, já tinha começado até a me acostumar com a situação “Tenho
idade o suficiente/ Pra saber que nada é pra sempre/ Sem saber de
nada ao mesmo tempo/ Mas, com você, tudo pode ser”. Acho que essa
história já deve ter acabo, será que quem me envia isso quer lembrar a pessoa
amada do ocorrido?
Em setembro, “Tudo pode ser”.
Em novembro, “Quanto tempo faz que nossas vidas
se cruzaram?/ Deu até pra ver você envelhecer” percebi que eu
estava acompanhando uma história de amor que nem minha era, mas de qualquer
forma, estava achando tudo tão lindo, porque não continuar acompanhando?
Em dezembro, a cada carta, eu ia sentindo mais
realidade nessa história, como se eu entendesse cada momento. “Tomamos
aquele troço estranho/ Dançamos no apartamento/ Até hoje eu não me
lembro/ Acho que nem você”
Em janeiro, “Hoje sei que já fui ferido/ E
também já feri você/ Sem saber/ Foi tudo ao mesmo tempo”, com certeza
esse relacionamento não foi um mar de rosas, o que poderia ter acontecido? Só
esperando a próxima carta para saber...
Em fevereiro, “Mas, com você, tudo pode ser”,
depois de ler essa frase, quis tanto ser a personagem principal dessa linda
história.
Em março, recebi mais uma vez a frase que me
deixa tão instigada “Tudo pode ser”. Quantos sentidos ela poderia ter?
Acho que agora estou vivendo para ver qual o fim dessa história.
Em abril, já estava tão imersa nessa história.
Fiquei a espera de mais uma carta, uma continuação para aquela última frase,
mas ela não veio.
Em maio, quando já nem tinha mais expectativas
de que viesse algo novo. Fui olhar minha correspondência e lá estava ela, a
minha tão esperada carta. “Você apareceu na hora certa/ Das coisas
abstratas que se passam da cabeça ao coração”. Depois de ler, fiquei pensando
que aquilo não me parecia estranho, tive certeza de já ter lido – a antes, então
comecei a pesquisar. Assim que coloquei a frase no site de busca, apareceu uma
música chamada “Oh meu bem”, decidi ouvir, não custava nada.
No instante em que coloquei o play, me
vieram todas as memórias à tona. A cada frase, a cada nota; vinham mais e mais
memórias, mas era uma eu diferente do que sempre me entendi ser. Lembrei- me de
cada detalhe, cada sentimento...
Agora só me resta saber, terá isso acontecido
de verdade, mesmo que em outras vidas ou foi tudo fruto de minha
imaginação?
Beatriz de Oliveira Besseler – 1º
EDI
Perda
Hoje, era um dia alegre para
muitas pessoas menos para ele. Em pé em frente a uma lápide, em
um cemitério mais distante da
cidade, encontrava-se um rapaz coberto por um sobretudo
preto que encarava uma das lápides com tristeza e pesar em seu
olhar.
O mês de maio para ele sempre fora
o mais alegre, porém, agora, esse mês só lhe trazia
mais dor e sofrimento pela perda de alguém tão importante, já se
passaram anos desde que o acidente aconteceu. Para muitas
pessoas foi só mais um que apareceu na Tv, que elas nem ao menos se deram ao trabalho de
olhar, pois ninguém acha que algo tão horrível vai acontecer com
você, até acontecer. Ele era uma dessas pessoas.
O universo é traiçoeiro, vira tudo de
ponta cabeça quando se menos espera. E, com certeza, ele não esperava
que, ao voltar para casa, naquele mesmo
dia, há anos, receberia a pior notícia que já recebera em toda
sua vida.
O dia das mães não poderia estar mais bonito, o céu
estava azul celeste repleto de nuvens branquinhas e as ruas por onde passava
nunca pareceram tão brilhantes. Fazia algum tempo desde
a última vez em que esteve em casa,
agora voltara para passar esse feriado com sua família. Ao andar pelas
ruas, avista uma lojinha com fachada simples, porém, lustrosa e
elegante, e algo em sua vitrine chamou a atenção do jovem rapaz, ele
avista um lindo colar com uma correntinha de ouro e um pingente com uma rosa
vermelha, vai até a loja na intensão de olhar melhor e, quando para em
frente à vitrine, uma senhora que, já parecia desgastada
pelo modo de vida, aproxima-se de si e diz:
- Ó, meu menino, eu sinto
muito por sua perda.
O rapaz encarou a senhora confuso,
nunca perdera ninguém durante toda a vida, por conseguinte então resolveu
ignorar o que ela havia dito e perguntar o preço do colar.
- Se quer o colar, pode ficar com
ele, menino. Você precisará bem mais que as outras pessoas que o
quiseram comprar.
- O colar não é
para mim, é um presente. - Diz o rapaz pegando o colar que
a senhora acabara de lhe estender.
- Ó, menino, este
colar ficará com você por muito tempo.
O rapaz não entende o que ela quer
dizer, então, simplesmente, se afasta da loja voltando a seguir
seu caminho. Ao se afastar, seu celular toca em um som estridente e ao
olhar vê uma chamada de um número desconhecido e logo resolve atendê-lo.
- Alô, senhor, você é parente
de uma senhora chamada Mary Barrow?
Ao ouvir aquele nome, um desespero
se aloja em seu peito, porém, tudo que responde é:
- Sim.
- Sinto lhe informar, mas a
senhora Barrow acabou de falecer devido a um acidente de
carro. O senhor ou algum responsável deve vir ao hospital dar baixa
nos documentos...
O celular escorre entre os dedos do
rapaz e desaba colidindo com o chão, ele não conseguia acreditar naquela
notícia, e ao pensar nisso logo se lembra da senhora daquela pequena loja
que o havia consolado sobre uma perda que nem sabia que tinha.
Ele corre em
direção à loja, pois não achava possível
uma desconhecida saber sobre aquela morte antes do
mesmo, porém, quando chega lá, a loja estava vazia e
escura, quase parecendo abandonada, bem diferente de como ele havia
visto.
Quando pega o colar em
seu bolso, olha para a rosa que antes era bem
vermelha e agora estava enegrecida e sombria. Aquele colar
era para Mary Barrow, a pessoa mais especial do mundo, aquela que podia
mudar seu humor apenas com poucas palavras. Sua mãe.
Depois que as lembranças do
dia do acidente voltaram a sua mente, ele sabe que é hora de
partir daquele cemitério sombrio e pútrido, com uma promessa silenciosa de que
não voltaria mais lá com tanta frequência. E para selar a
promessa, deixa sobre a pequena lápide o colar de rosa que havia
comprado naquele mesmo dia a muito tempo. No final das
contas, aquela senhora tinha razão, ele tinha ficado com o colar por
muito tempo desde que o comprara, agora era hora
de dá-lo à verdadeira dona.
Camila Rodrigues Santa Rosa
da Cunha - 1º EDI
Cosmos
A bagunça havia começado no mês de maio. Era
descontrolada como um furacão e forte como um terremoto. Essa confusão
afetou não somente a vida dos seres humanos, mas como também a vida existente
em todo universo.
O jovem novato que tinha um sorriso travesso desenhado
em seus lábios era o responsável pela confusão. Havia sido
contratado naquele mês como coordenador de entregas no
trabalho do seu tio.
Caos, seu tio, tinha o trabalho de controlar e
manter a ordem do Universo. Sim, ele era o deus do Universo, porém, os
humanos não podiam saber disso. Por esse motivo, Caos havia
criado uma empresa de fachada, chamada Universe, disfarçando o
seu trabalho.
Ele havia convidado o jovem Luke para ajudá-lo
nas entregas intergalácticas que a empresa fazia. O rapaz aceitou de
imediato, e, já no primeiro dia de maio, estava caminhando em
direção à sede da Universe, um grande edifício de 46 andares
localizado em Redwood City.
O iniciante treinou e aprendeu por uma semana, e já
havia memorizado todos os controles básicos para realizar as entregas. Seu
trabalho consistia em comandar as entregas por meio de uma grande máquina
cheia de botões, e assim manter a ordem do universo. Era bom no
que fazia, apesar de ser brincalhão.
Porém, o desastre começou no dia 8 de
maio, exatamente às 23 horas. Luke estava de plantão quando as pequenas
fissuras no espaço-tempo começaram a se abrir, e assim que viu que
algo estava errado, apertou quase todos os botões na tentativa
de pará-las.
Estava em pânico. Tudo que fazia não estava funcionando.
Até que encontrou o botão que memorizou em suas aulas com o seu tio. O
botão parava as fissuras, porém resultava em fortes consequências nos
universos paralelos. Apertou-o.
No dia das mães, tudo estava uma bagunça. Milhares
de pessoas haviam recebido certas entregas estranhas que pareciam de um conto
de fadas. A desordem estava instalada. E não havia como parar.
Enquanto o normal não voltava,
Luke exaustivamente entregava bilhetes dizendo que “O atendimento
será regularizado assim que possível” para todas pessoas afetadas, sendo
esse o castigo dado por seu tio.
Cindy Midori Honda -
1° EDI
Conto de Maio
Ao olhar para fora da janela de seu antigo quarto,
Júlia depara-se com uma neblina que varre as árvores. Observa que as
folhas estão demorando a cair esse ano. Mesmo assim, as lembranças dos momentos
que passava com sua mãe tomam sua mente. Especialmente hoje.
Mais um período da faculdade encerrou-se, por isso
voltou para casa no dia anterior. Porém, esse regresso é diferente dos de
costume. Sua mãe não foi lhe buscar na rodoviária, e nem tinha bolo de cenoura
na bancada da cozinha quando chegou. Hoje, um membro importante da família não
estaria presente na hora de assistir ao jogo.
Júlia e a mãe sempre foram muito unidas, e o carinho
que nutriam pela natureza era algo que compartilhavam. O programa favorito das
duas nessa temporada, era andar pelos parques da cidade e sentir as folhas das
árvores caírem sobre seus cabelos. E, mesmo sendo um mês de clima ameno, na
maioria das vezes, tomavam sorvete à beira do lago ao final da tarde.
Com o tempo, essas saídas ao parque passaram a ser
apenas memórias, que causavam tristeza à Júlia. Mas, como sua mãe sempre
disse: “Vamos pensar no futuro, e acima de tudo, sermos felizes sempre.” Então,
era o que Júlia tentava fazer. Viver com felicidade.
Observou que seu pai estava muito contente, com um
sorriso de orelha a orelha. Curiosamente, a casa cheirava o famoso bolo de
cenoura de sua mãe. Estranhando toda a situação Júlia perguntou a seu
pai:
- Mas, pai, por que o senhor fez tudo isso?
Está tudo bem?
- Agora que você está aqui, posso dizer que está
tudo bem! Sei que para você não tem sido fácil também, mas saiba
que, apesar de tudo o que aconteceu, devemos nos lembrar dessa
data com gratidão e ternura. Tenho certeza de que esse era o maior
desejo de sua mãe. - disse o pai de Júlia.
Com isso em mente, Júlia tentou deixar ao máximo
aquele desânimo de lado, e começou a preparar os pratos para o evento daquela
noite. Era uma tradição que, independentemente de quanto tempo passasse, ela a
manteria.
A hora chegou, e quando se deu conta, todos da
família, desde seus avós até seus primos, encontravam-se aconchegados no sofá
de casa esperando o jogo começar. Esse episódio era quase sagrado para eles.
Principalmente agora, que era a melhor forma de se recordarem de sua
mãe.
Sua mãe se foi há um ano, porém, suas
memórias com ela se mantêm vivas. E se manterão ad aeternum. A
saudade a consome dia após dia, mas como seu pai disse, ela adoraria que a
alegria da vida se mantivesse, e era nisso que Júlia se empenhava todos os
dias. Após uma noite de muitas risadas, brincadeiras e recordações, Júlia foi
dormir feliz e sem aquela tristeza em seu peito. Disse a seu pai que tentaria visitá-lo
sempre que pudesse. E isso era uma promessa.
Isabella Gozzi C. S de Oliveira - 1º EDI
O caminho da esperança
Flores
estão por todos os lados, sumindo aos poucos nesse mês de maio. Todos ao meu
redor estão felizes, rindo ao lado de alguém, deve ser um sentimento bom.
Realmente
não entendo o motivo de ter levantado da cama hoje. Tenho a sensação de que a
qualquer passo eu vou cair, mas continuo, mesmo com medo. O vento surge e assim
eu paro.
Meus
olhos se fecham, imagino como seria se houvesse apenas eu e o vento
que sopra forte no meu rosto, trazendo uma sensação de liberdade, o mundo pode
ser assim fora da minha imaginação? Esse vazio nunca foi tão confortante.
Respiro
forte, a luz natural aos poucos começa a ressurgir e assim percebo que andei 10
passos para trás durante todo esse tempo. Dessa vez corro, a vida me deu mais
um motivo para viver.
No meio
do caminho, encontro pessoas de todos os tipos e elas olham para mim com um
sorriso verdadeiro no rosto. Isso me anima, me deixa feliz, me deixa viva.
Lágrimas de alegria caem do meu rosto. Emocionada, chego ao fim do caminho onde
havia uma mulher me esperando.
-
Mãe?
A única
resposta que recebo é um sorriso em minha direção, então tudo desaparece e
volto para minha casa em um piscar de olhos. Tudo foi em vão, minha esperança
era apenas fruto de minha imaginação, estou perdida no escuro novamente.
E quando
estou prestes a deitar na cama, ouço alguém me chamar. Assusto-me, mas viro
para trás e o cinza vira colorido. Recebo um abraço puro de amor e
retribuo.
-
Feliz Dia das Mães! – Diz a pequena criança na minha frente.
Ana Gabriela Paduan da
Silva – 1º EDI
Há dias que é fatigante me manter na luz.
Talvez seja pelo constante conflito sobre que irá se manter sob os holofotes,
não vou mentir, não gosto quando elas tomam a luz. Beth sempre pinta
lugares do mundo real, porém com algumas formas abstratas ou entidades que
parecem ser de outro mundo, então suas roupas estão
sempre cheias de tinta.
Em seus diários (lidos sem seu consentimento),
ela relata que vê seres de outro mundo e que esses seres sempre estão
falando em sua cabeça. A doutora Collins receitou alguns
remédios para Beth após uma consulta em que ela estava na luz.
Disse que não se pode esquecer de tomá-los, então sempre no mesmo horário
Beth assume para se medicar. Eu não sei por que ela os
toma, nem me diz a razão. Eu sei que, desde
sempre, ela agia de forma peculiar, por assim dizer, mas sempre achei que
era uma forma de mostrar que se preocupa com Laura, até porque nós
existimos graças a ela. Mas, há algum tempo, ela diz que as
vozes ficaram mais altas. Acho que ela não tem tomado os remédios corretamente,
ou talvez seja pelo fato de que fomos expostas ao mundo, devido à pesquisa
da Doutora.
Lisa é louca, no pior sentido da
palavra. Ela é totalmente desequilibrada e apática, por essas razões
ela não assume a luz por muito tempo, somente nas consultas com a Doutora
Collins. Ao que me parece, Lisa gosta da doutora, mas ainda temo
que ela se descontrole na consulta. Lisa tem uma aversão aos
homens, provavelmente por causa do irmão de Laura. Laura sofreu muito
devido a esse sujeito deplorável, então imagino que Lisa foi
originada da dor e raiva de Laura, e talvez isso explique o desequilíbrio de
Lisa, e talvez mostre que ela se importa com Laura.
A exposição causada pela Doutora acabou
nos fazendo mal. Parecemos animais em um zoológico ou peixes em um aquário
sendo alvos de pesquisas invasivas. Todas nós concordamos que já está
na hora disso acabar. A repercussão desta pesquisa foi tamanha e acabou
sendo insuportável para nós. Beth não assume a luz faz tempo, pois
diz que os pesquisadores são vampiros que querem se alimentar de seu
cérebro, então, na maior parte do tempo, sou eu que me mantenho na
luz e Lisa acaba assumindo poucas vezes. Então tomamos uma
decisão que será melhor para nós. Estamos nos protegendo e
evitando sermos tratadas como ratos de laboratório, tudo que
conquistamos será deixado para trás. Obrigada, Doutora Collins, por
nos ajudar. Adeus.
Carla de Almeida Batista – 1º DS
Invasão
Hackers, são malvados, são indetectáveis,
são destemidos. Acho que não. Sábado, dia de descanso, Joel, um
menino alto de olhos escuros, seu objetivo era conseguir acessar
o principal banco de dados dos EUA.
Ele tinha que criptografar uma série de
arquivos, ele começou tentando quebrar a senha da chave de acesso, ele resolveu
em 15 minutos e divulgou no seu Twitter.
Mais tarde ele recebe uma mensagem em seu celular,
com o DDD de um país desconhecido, era uma mensagem em código Morse, traduziu e
estava escrito “Você descodificou a chave mais segura do planeta, queremos você
conosco, nessa mensagem há um enigma, se você encontrar, está
dentro, assinado Anonymous”
Ele passou horas e horas trabalhando nisso,
finalmente conseguiu, no mesmo instante ele recebe uma mensagem “dizendo olhe
para trás”, ele olha e algo cobre seu rosto com um pano e ele desmaia.
Acorda em um galpão, escuro, sujo, ele sem entender
nada, olha para frente, vê um homem com uma mascará estranha, ele fala
que nosso amigo Joel descodificou uma coisa em 15 minutos que
nunca ninguém havia conseguido, e me disse que agora eu estava sendo procurado
em 156 países do mundo.
Volta para casa desesperado, alguém bate em sua
porta, era alguém não muito conhecido, Donald Trump, ele ficou com muito medo,
até tentou correr para a janela da cozinha, havia 4 seguranças em
cada saída de toda casa.
O pegaram e levaram para um quarto
escuro, ele já sabia que o seu fim estava próximo, até que entra o
presidente e lhe convida para fazer parte das forças especiais de tecnologia
dos EUA.
Não entendo esses hackers, na verdade não entendo
os humanos.
Mateus Freitas Cintra - 1º DS
Quarentena
Maio, meu mês favorito, todo final de semana eu ia
andar de skate com meus primos, segunda ia pra escola de metrô, o que
já havia virado rotina, tudo se repetia, dia por dia, semana por semana.
Junho, comecei a perceber algo estranho no meio da
agitada cidade onde moro, algumas pessoas com a pele meio esverdeada, não sei
se eram meus olhos ou algo muito errado estava acontecendo.
Julho, estava assistindo televisão com meu
cachorro, comecei a ouvir um barulho muito alto vindo do céu, quando
olhei vi um anel gigante flutuando, na hora liguei para meu vizinho, ele
não estava vendo, logo percebi que o anel estava em frente à minha casa e
alguém estava chamando meu nome, saí de casa e fui conferir, nesse momento vi
um ser muito diferente de tudo que eu já havia visto em toda minha vida, ele
falava uma língua estranha e algo em seu pescoço traduzia para português. Ele
me disse que seus amigos estavam no meio de nós, humanos, e foi embora.
Agosto, ainda confuso, fui para escola
tranquilamente, na hora de minha chegada, olhei para dentro da escola e vi
homens com máscaras e roupas especiais, eles estavam com mangueiras que
soltavam um tipo de gás. Vi minha professora de português ao lado da porta, ela
estava com rosto de desesperada e me disse que as aulas haviam sido
canceladas e que todos precisavam ficar em casa.
Setembro, já estava no meu terceiro sono, quando
escutei aquele barulho novamente, fui lá para fora, encontrei aquele mesmo ser,
ele me disse que eu deveria evitar pessoas pois eu corria
perigo, mesmo muito confuso entrei em sua “nave” e apaguei.
Acordei em uma maca de um hospital, que por sinal
parecia muito tecnológico, percebi olhando pela janela, muitas casas
destruídas, e vários daqueles seres circulando pela cidade, olho para o
lado, havia uma enfermeira bem baixinha com a pele verde, perguntei em que mês
estávamos, ela respondeu maio.
Mateus Freitas
Cintra - 1º DS
A escultura
Havia em uma caverna, escura, sombria, triste, uma
escultura, a mais perfeita, a escultura de uma mulher.
Começamos em uma cidadezinha, chamada Ayr,
uma menina, muito curioso, todos os dias queria sair de casa, para fazer
qualquer coisa, menos fazer nada.
Em uma de suas expedições, ele acabou encontrando
crianças fora de sua cidade, elas eram estranhas, de longe, parecia que não
tinham olhos, escutando o que eles estavam conversando, nosso menino percebe
que estavam se alertando sobre algum mal que estaria perto.
A menina, não pensa duas vezes, vira e na hora
que daria seu primeiro passo para fugir, ele pisa em um galho, as crianças
percebem sua presença e o chamam.
Elas o contam que existe um homem, chamado Logan,
que quer tirar toda vida, da cidade que moro, e ele faria isso quebrando a
escultura da vida, que estaria em uma caverna, as crianças o pediram para pegar
e escultura antes do Logan, e que se o fizesse, ele teria poderes
inimagináveis, poderia enfrenta-lo, voltou para casa.
No dia seguinte, ele tomou café reforçado e foi
para a tal caverna, lá chegando, ficou amedrontado, pois eram pedras cheias de
lodo, parecia algo que existe desde sempre, ele entrou mesmo assim, o quanto
mais entrava na caverna, via uma luz verde no fim de seu campo de visão,
eram cristais, que apontavam para uma escultura.
No momento que ele encostou na escultura, viu tudo,
tudo o que havia ocorrido com sua cidade e com o mundo, sentia coisas que
nunca havia nem sonhado.
Não demorou muito para Logan chegar, era um homem
alto, com uma espada, que parecia muito poderosa, ele conta que havia dizimado
todos na cidade de Ayr, com ódio no coração, a menina não hesitou, partiu
para cima dele, com seus poderes, podia controlar os animais e se
transformar.
Acorrentou Logan com cipós e o prendeu dentro da
caverna.
Ela agora cuida da floresta ao lado de sua antiga
cidade, e “Sim!”, seu nome é Ashlin.
Mateus Freitas Cintra - 1º DS
A besta protetora
Era dia 20 de maio, tinha saído de casa para ir
visitar minha família do outro lado da vila, mas tinha que ter cuidado,
infelizmente só havia um caminho possível para que eu chegasse na casa de meus pais,
e este caminho era bem perigoso, mas não um perigoso “normal”, com ladrões
e outros tipos de criminosos, muitas pessoas que passaram por lá recentemente
disseram que havia uma criatura que atacava todos que passassem pela rua,
mas como eu tinha prometido há mais de um mês que ia visitá-los hoje,
então fui.
Quando cheguei no local onde disseram que a
criatura poderia começar a aparecer estava um silêncio total, parecia que não
havia uma alma viva por lá, mas segui meu caminho, teria que aguentar mais um
quilômetro com esta tenção e o silêncio gelado que estava na rua. Depois de
andar um pouco mais consegui ver alguém e fui falar com ele, mas quando cheguei
perto da do homem ele virou para mim e gritou:
- Melhor você correr enquanto pode! A besta está vindo,
e você está no território dela, melhor sair logo daqui!
Perguntei se ele estava bem, mas logo depois o
homem saiu correndo pelo caminho que eu estava vindo, o ignorei e
continuei andando, devia ser somente um louco que estava passando por
ali.
Após um certo tempo andando, a rua já estava
acabando e eu estava chegando na casa de meus pais, porém, quando estava perto
do fim da trilha, escutei um barulho vindo de trás de uma árvore, então uma
sombra saltou e começou a correr de um lado para o outro, não consegui ver o
que era exatamente, mas corri imaginando que seria a besta que todos estavam
falando e que o louco tinha me avisado, mas antes que eu pudesse andar 50
metros, a sombra pulou e parou na minha frente, acabei caindo com o susto
e a besta apoiou sua pata em cima do meu peito, neste momento pensei que tudo
tinha acabado, então somente fechei meus olhos para não ver o que iria
acontecer e falei alto:
- Por favor me deixe ir, prometo que não irei mais
passar por aqui, só me deixe ir embora!
Mas, a única resposta que tive foi um rugido acima
do meu rosto, até que, inesperadamente, escutei um rugido bem mais fraco, como
se fosse de um filhote, o peso da pata no meu peito sumiu, então abri meus
olhos para ver o que tinha acontecido, e o que vi foi a “besta que estava
tentando me devorar” segurando um filhote com sua boca e o escondendo atrás da
árvore porque ele tinha fugido, quando vi isto entendi que, na verdade, a
criatura só estava protegendo seus filhotes.
Minha primeira reação foi tentar explicar que não
iria fazer nenhum mal para eles, que só precisava passar para ir a casa de meus
pais e depois voltar, mas ela não parou e rugiu novamente, quando isso
aconteceu vi que havia um corte na nuca dela e parecia ter sido feito por uma espada.
Prometi novamente que não iria machucar ela e nem os filhotes, acho que dessa
vez ela percebeu que estava sendo sincero e foi embora, consegui ir à casa de
meus pais, e quando cheguei lá me perguntaram por quê demorei tanto, expliquei
tudo que tinha acontecido no caminho e para evitarmos que qualquer outra pessoa
passasse por lá, eles se mudaram e continuei contando a história de uma besta
que vivia por lá, mas o que não contei para ninguém foi que ela só queria
proteger seus filhotes, por isso a raiva.
Henrique Alves Ferreira – 1º DS
O dever de um cavaleiro. Contos
de Arkia.
Vivia, no reino de Arkia, um jovem rapaz que
sonhava tornar-se um cavaleiro. Ele foi criado por seu avô, pois seus pais
faleceram após terem sido atacados por um dragão branco no mês de abril. O
jovem sobrevivente cresceu desejando vingança contra o dragão que
tirou a vida de seus pais, por isso, ele passou sua vida inteira treinando
para ter sua vingança.
Anos se passaram e, em maio, o sonho do rapaz
foi realizado, ele se tornou um cavaleiro. Um dia, o rei ordenou que
os cavaleiros mais corajosos lutassem contra o poderoso
Dragão Branco, que há anos havia tomado o território do reino. Nenhum cavaleiro
se ofereceu para enfrentar a criatura, afinal, enfrentar o dragão era pior do
que uma sentença de morte, entretanto, o jovem cavaleiro se ofereceu para
lutar, afinal, essa era a sua chance de ter sua vingança.
O rei então foi a público anunciar que o jovem
cavaleiro iria trazer a cabeça do dragão e retomar o território que
haviam perdido e que, com ele, usariam os recursos para melhorar a
qualidade de vida da população. O jovem cavaleiro se sentiu honrado e
feliz, pois agora a luta contra o dragão não era mais apenas uma questão de
vingança, mas sim pelo futuro e bem-estar do seu povo.
E assim, o cavaleiro foi em busca de realizar
sua missão, no caminho, ele encontrou um homem, vestindo um manto azul e
segurando um cajado, que o abordou.
-Você planeja derrotar o poderoso Dragão
Branco, não é mesmo? - Perguntou o homem.
-Sim, como o senhor sabe? - Perguntou o
cavaleiro.
-Eu sei de muitas coisas meu jovem, sei
inclusive as reais intenções do rei ao querer que você mate aquele
dragão.
-Do que está falando? - Perguntou o cavaleiro
curioso.
O homem ergueu seu cajado e, de sua ponta, uma
esfera de luz apareceu e mostrou uma visão para o cavaleiro. Ela revelou que o
rei, na verdade, queria o território para construir um novo e
gigantesco palácio, um desejo egoísta impulsionado pela sua extrema
vaidade e falta de preocupação com seu povo. Após a visão terminar, o
homem de manto azul desapareceu, deixando apenas uma espada e um bilhete que
dizia: “Com essa espada, forjada por 10 poderosos magos, você será
capaz de matar o dragão e revelar a verdade a qualquer um, mas pense bem
em quem você deve usar essa espada”. O cavaleiro passou horas pensando, aquela
visão era real, ele sentia isso, mesmo assim, ele ainda tinha sua vingança a
ser realizada.
Finalmente, o cavaleiro encontrou o dragão e
com a espada, conseguiu derrotá-lo. O dragão estava caído, fraco, bastava um
golpe para finalizar o serviço.
- É o fim! - Gritou o cavaleiro - Eu
terei minha vingança pelo que você fez com meus pais.
-Então você está aqui por vingança?
- Perguntou o dragão surpreso. - Pensei que havia sido enviado pelo
rei de Arkia.
- Mas eu fui. - Falou o cavaleiro,
relutante, após lembrar de sua visão- Você conhece o rei?
- Anos atrás, ele tomou quase todo o meu
território, quando eu o retomei, tentei propor um tratado de paz, mas ele
queria meu território para construir seu palácio e por
isso, ignorou-me completamente. Se você só deseja a vingança, vá em
frente e termine o serviço.
O cavaleiro abaixou a espada e percebeu que a sua
visão era realmente verdadeira. Ele estava em um conflito. O código
de honra de um cavaleiro, dizia que: um cavaleiro deve sempre lutar
pelo povo e pela justiça, logo, o dragão não era seu inimigo e,
além disso, ele só estava protegendo o que era dele, por tanto,
não era justo tomar seu território, mas se não o matasse, ele nunca teria sua
vingança e estaria descumprindo com as ordens do rei e seria sentenciado a
morte por traição ao reino. Após pensar, ele tomou sua decisão.
No final do mês de maio, o cavaleiro retornou ao
reino de Arkia e, em praça pública, ergueu sua espada e uma esfera
de luz surgir em sua ponta, após a luz baixar, ele revelou uma
cabeça que estava segurando em sua outra mão, mas a sua coroa, agora
pertencia a outra pessoa.
Nota: Esse
conto está ligado com o conto de abril.
Henrique Yudi Ikeshiro – 1º DS
A miragem do quadro
Em Paris, na França, existia um artista austríaco
chamado Ludwig. Trabalhava fazendo encomenda de quadros, ou seja, era só
ir em sua galeria de artes e pedir um quadro,
que ele fazia. Depois de um dia cansativo, Ludwig foi
dormir e teve um sonho um tanto inusitado. Sonhou com uma obra que
despertava diversos sentimentos. Ele não sabia os descrever, porém, era uma
pintura muito tocante.
No dia seguinte, Ludwig não parava de pensar no que
havia sonhado, mas, mesmo assim, foi trabalhar. Após ter atendido alguns
clientes, chegou uma senhora em sua loja. Ela começou a descrever seu pedido e,
por ironia do destino, a descrição era idêntica ao quadro que ele
havia sonhado. Apesar, de sentir que conhecia aquela senhora, ele não
perguntou. Apenas disse que iria terminar o trabalho imediatamente.
Então, ele começou a fazer o
quadro. Independentemente de ser um artista bastante experiente, Ludwig teve
muita dificuldade para fazer a obra. Mas, com muito esforço e diversas
tentativas, lá estava o quadro. Ele havia começado em fevereiro e só
foi terminar em maio. Na opinião de Ludwig, aquela era sua melhor
obra até o momento, tanto que, até estava cogitando em ficar com o quadro.
Porém, a cliente já havia pago, então ele precisava entregar.
No meio do caminho, até a casa da senhora, ele
acabou sendo atropelado. Mas, de repente, ele acorda... Era tudo um sonho.
Intrigado com tudo isso que havia acontecido, em seu sonho, Ludwig foi até a
cozinha para tomar seu café da manhã. Porém,
a senhora que havia pedido o quadro, estava na cozinha
fazendo o seu café da manhã e o quadro estava emoldurado na parede de
sua sala. Sem entender nada, ele apenas desmaiou.
Artista têm
uma galeria de artes, na qual, ele faz quadros.
Depois de
um dia cansativo, ele vai dormir.
Quando
dormiu, ele sonhou com um quadro estranho.
No dia
seguinte, vem uma senhora e pede para ele fazer um quadro e a descrição se
parecia muito com que ele viu no sonho.
Ele
sentia que conhecia a pessoa, porém, não se lembrava dela.
Porém, na
hora de fazer, ele não consegue.
Tenta
várias vezes.
No fim,
quando termina, ele vai entregar o quadro para a senhora, mas, no meio do
caminho, ele é atropelado.
De
repente, ele acorda novamente.
Otto Almeida Laham – 1º DS
Ciclo de Cem Anos
Dia cinco de maio de dois mil e cinco, esse foi o
dia em que a minha vida mudou de uma vez por todas. Para muitos, apenas um dia
qualquer, mas, na verdade, se trata de um ciclo que se repete a cada cem anos.
Eu ainda posso ouvir os gritos das pessoas na minha mente, o medo, o pânico,
toda a dor que aquelas pessoas sentiam, isso não sai da minha cabeça, em um mês
que devia ser considerado o mês da felicidade acontecer uma tragédia dessas,
isso é uma coisa que você nunca esquece.
Para melhor compreensão desse acontecimento, é
preciso voltar alguns anos no tempo. Mil novecentos e quinze anos para ser mais
exato, uma mulher acaba de dar à luz a um menino, ninguém imaginava no que isso
poderia resultar, naquela época isso foi motivo de festa, nesse mesmo dia, no
dia cinco de maio do ano cento e cinco, o destino do mundo foi selado com uma
maldição.
Ninguém estranhou nada de imediato, mas, com o passar
dos anos, a criança que acabara de nascer foi se tornando pouco a pouco a
sentença da humanidade.
Ano após ano, a natureza monstruosa daquele menino
foi se revelando, ninguém sabe ao certo de onde ele veio, tudo o que sabem é
que ele era apenas um filho bastardo criado pela mãe, mas, com o passar dos
anos, diversos historiadores foram dedicando suas vidas a explicar esse
fenômeno. A cada cem anos, nascia um monstro, uma criatura abominável que era
movida por carnificina, que matava tudo e todos a sua volta, e o resultado dos
corpos era assustador.
E esse ciclo foi se repetindo, a cada cem anos,
nascia um monstro que dizimava tudo e todos ao seu redor, pelo o que falam os
estudos, a transformação só se concretizava quando a criatura completava quinze
anos, era nesse momento que a carnificina começava. Essa criatura é chamada de
vários nomes, ninguém sabe seu nome ao cento, várias pessoas tentaram explicar
a sua existência, surgiram até religiões para adorá-la, mas nada disso importa
mais.
O que começou no ano cento e cinco, estendeu-se até
os dias de hoje. Foi no dia cinco de maio de dois mil e cinco, em que eu vi com
os meus próprios olhos aquela criatura, eu havia acabado de entrar no ensino
médio, aqueles dentes afiados, aquelas garras gigantescas, os olhos cheios de
sangue e suas orelhas pontudas, isso não sai da minha mente, todo aquele
sangue, todos aqueles corpos dilacerados, mesmo depois de quinze anos o grito
de toda aquela gente não sai da minha mente. Tudo o que eu queria era poder esquecer
o mês de maio.
André Portela Lino – 1º DS
Declarações de uma ajudante.
Todos os anos, sou obrigada a trabalhar
para o bom velhinho, morar no pólo norte faz de você um escravo, eu queria
fugir de tudo isso.
Felizmente nós, seres mágicos, podemos
controlar o tempo, afinal, como conseguiríamos entregar tantos presentes em uma
única noite? Bastava eu parar o tempo e correr, assim que estivesse bem longe
eu descongelaria, e foi o que eu fiz, em maio, que fique claro, não temos muito
para fazer nesse mês. Porém, eu acabei fraturando o universo, fiquei tão feliz
com a liberdade que acabei demorando demais, e logo, meu chefe viria me
buscar, mas eu queria conhecer o mundo dos humanos e saber o que
é Superman ou será que era Shakespeare?
Não importava, eu estava livre,
mas, nesse mundo, eu conheci coisas que o ar frio do polo norte nos impede de
ter. Infelizmente, fui descoberta e o meu superintendente me buscou às pressas,
o bom velhinho me fez pedir desculpas para todos os prejudicados que receberam
cartas e travessuras ao invés de presentes, mas eu fui obrigada a assinar em
nome de Norman para que não suspeitassem.
Carolina Dutra Moreira - 1º DS
O Gari
Era um dia comum em maio, um dia calmo, silencioso
nessa pacata cidade, um clima seco e nublado, não havia nada de diferente nesse
dia, todos trabalhavam normalmente, como qualquer dia normal, especialmente o
Eduardo, que trabalhara como gari, e que nesse exato mesmo dia, não pôde passar
com a família, e mais uma vez, passou o dia da família trabalhando e limpando
sua cidade.
Todo dia, Eduardo passava pela cidade, limpando
todas as ruas e tornando a cidade mais limpa. Ele também acabava por olhar as
outras casas, vendo as famílias reunidas tendo refeições grandes e bonitas,
Eduardo sentia-se excluído, mas infelizmente estava acostumado com esse tipo de
pensamento, mas sabia que seu trabalho na sociedade era super importante, mesmo
os outros não demonstrando isso.
No final do dia, quando começara a escurecer,
Eduardo estava a caminho da sua casa, num bairro simples, porém muito limpo,
que ele fazia questão de manter limpo.
Seus vizinhos apreciavam o seu trabalho e achavam
Eduardo uma pessoa incrível, todos os dias alguma pessoa agradecia o trabalho
que ele fazia para as ruas e as poucas praças da cidade.
Alguns vizinhos até convidaram-no para jantar em
suas casas, já que sabiam que ele morava sozinho e tinha pouco contato com a
família. Mas como ele era alguém muito humilde e não gostava de atrapalhar, ele
recusava respeitosamente os convites.
O próximo dia era 16 de maio, um dia, quando as
pessoas de outros bairros, agradeciam ele por seu trabalho. Ele se sentia
super honrado, mas não sabia o porquê de, naquele dia em específico,
as pessoas o agradecerem, se em todos os dias da semana, ele era
evitado pelos olhares e não recebia muitos agradecimentos.
Depois de um dia cansativo, como qualquer outro,
Eduardo volta a seu bairro, um dia calmo porém com um ar mais alegre, afinal,
Eduardo começou a perceber que os outros o achavam algo insignificante na
sociedade, pois existia uma data comemorativa conhecida como “dia do gari”, na
qual ele descobriu quando chegou no bairro e foi aplaudido por alguns moradores
de sua rua, que fizeram daquela noite, especial para Eduardo.
Arthur Mariano Percinoto – 1º DS
O hotel
No final de maio, com a temperatura
aumentando, um homem chamado Steve decidiu tirar uma
folga, na Flórida, de seu trabalho.
Hospedou-se no hotel mais barato que conseguiu
achar, o que pode não ter sido uma boa ideia. Descansaria por uma semana,
esquecendo de seus problemas... Ou era o que pensava.
Quando chegou no hotel, fez a reserva lá
mesmo, pois não era possível fazer pela internet. Ele havia ouvido falar de um
hotel incomum, mas barato, e por isso decidiu tirar uma folga.
Foi em direção a seu quarto, passando por um
corredor estreito, entrou, fechou a
porta e o arrumou. Então escutou a porta bater atrás dele e
abriu ela.
– Olá vizinho! – disse um homenzinho sujo e
estranho. – Eu moro aqui do lado do seu quarto, e tenho certeza de
que vai amar esse hotel!
– Ah... Você mora em um hotel? –
perguntou confuso Steve.
– Sim! O preço é tão baixo que isso é possível!
Aposto que você também vai querer morar aqui no final...
– Ok...
O homem foi embora sem dizer mais nada.
No dia seguinte, depois de acordar, Steve foi
informado que era oferecido café da manhã, “que bom!”, pensou, não sabia
que café era servido lá.
Primeiro, deram-lhe bacon e ovos, e eles
tinham uma aparência ótima, depois de comer, disseram a Steve que havia
mais um prato melhor do que esse. Steve estava com fome e
aceitou, mas o segundo prato não parecia melhor que o
outro. Era verde, com um toque vermelho, gosmento, tinha pelos e pedaços
estranhos dentro.
Steve não sabia o que era aquilo, mas lhe tirou
todo o apetite e lhe deu uma incrível ânsia. Saiu correndo para o
banheiro e vomitou no vaso sanitário. Ele podia jurar que o que ele vomitou era
a mesma gosma nojenta. Quando voltou, no prato só havia uma torta.
Steve já não estava gostando muito de ficar no
hotel, mas estava de visitar os pontos turísticos e relaxar na praia. No
terceiro dia, Steve, ao acordar, quis sair do hotel o mais rápido possível para
aproveitar o dia lá fora e evitar seja lá o que tivesse no
hotel, porém, um grupo de hóspedes bloqueava o corredor dos
quartos.
– Aonde você pensa que vai? – os
hóspedes diziam em uníssono. – Você não quer ficar mais? Não
gostou de nós? Ora, nem lhe mostramos tudo o que temos! Pelo menos prove
um pedaço de bolo!
As pessoas ofereceram um pedaço de bolo a Steve,
Steve recusou, mas as pessoas ficaram mais agressivas. “Coma! Coma agora!”, foi
nesse momento que Steve realmente percebeu o enorme problema em que tinha se
metido. Tarde demais. De uma coisa estava certo, não comeria o bolo,
mas o que faria? Precisava pensar, mas não tinha tempo.
As pessoas começaram a se aproximar, emitiam uma
aura extremamente hostil, e ao mesmo tempo, seus olhos eram vazios. Steve
entrou em um profundo e dominante desespero, “Por que eu não tinha
ido embora antes? Pra que eu vim aqui?!”. Tomou uma decisão, uma decisão
precipitada, pulou da janela.
Steve nunca mais voltou ao trabalho.
Asaph de Jesus Santos - 1°DS
A Maçã de Heilvstone
No ano de 2135, Heilvstone, uma cidade que foi
pacífica por um tempo, perdeu sua paz quando uma epidemia atacou
a cidade. Depois de tal acontecimento, os dias comuns se tornaram trágicos, com
mortes a todo momento.
Essa epidemia se tratava de uma bactéria
naturalmente existente em porcos.
Há muito
tempo foi encontrado em pintura rupestre, uma representação de uma doença que
se espalhou pela cidade e que possuía uma cura: a maça prateada.
Os moradores da cidade, após o surto da
bactéria, começaram desesperadamente procurar esta maça milagrosa que
poderia salvar a todos.
Um certo dia, um jovem rapaz
estava à procura de sua irmã que já era vítima do vírus que
desaparecera, procurou por toda a cidade, mas não
conseguiu encontrá-la. Logo veio a pior hipótese em sua mente:”
será que ela foi para a floresta proibida?”
Com tanto medo, mas com curiosidade e preocupação,
decidiu adentrar a floresta, na qual ninguém nunca voltou...
Caminhando pela floresta, ouve sussurros, depois
vozes, e por fim gritos, todos eles pertenciam a sua irmã. Saiu correndo em
direção a sua irmã. Porém quando chegou, viu uma cena chocante... sua irmã
estava ao lado de uma árvore negra cheia
de maçãs estranhas, e comendo uma delas, de
coloração prateada. A aparência de sua irmã muda, aparentando ter perdido
todas as sequelas deixadas pela bactéria. Isso gerou grande felicidade ao jovem
rapaz, conseguia ver sua irmã curada.
Logo ele pergunta a ela:
- Por que estava gritando?
- Gritando? – Respondeu ela confusa- Eu não estava
gritando.
- Então de quem era aquela voz?
Decidem voltar para casa e contar que acharam a
maça prateada. Todos os médicos da cidade vão até a árvore e colhem todas
as maçãs.
Quando eles saem, podia se perceber vários
espíritos, sendo um deles uma menina, rodeando a árvore, pareciam estar felizes
e era possível ouvir uma conversa entre eles:
- Muito bem minha filha, você fez o certo em atrair
aquele jovem a arvore.
- Quando encontramos essa árvore na nossa época era
tarde demais, conseguimos apenas deixar uma pintura para avisá-los da
cura.
- Pelo menos nós fizemos nossa parte e ajudamos
eles a descobrirem a árvore, se livraram da doença...
Depois desse ano, não houve mais a lenda da
floresta amaldiçoada, mas sim a floresta milagrosa. Os tempos de caos passaram
e a cidade voltou a viver pacificamente.
Cleiton Ferreira Silva – 1º DS
Carteiro de bicicleta
Estava, como sempre, sentado na cadeira
velha de madeira escrevendo uma carta de desculpas. Desculpas para
minha esposa, desculpas para minha família. O que eu estava fazendo? Estava
estudando? Não, mas devia. Por que estava aqui se não estava estudando? E
nesse pensamento acabei fazendo aquilo de
novo, rabisquei a folha inteira com partituras, meus
sentimentos.
- Droga! – e bati mais uma vez
na pequena mesa – Eu tinha que estudar, meu Deus.
Fugi da minha família, da minha vida, tudo porque não conseguia me
concentrar em casa, mas então eu preciso conseguir me
concentrar aqui, Deus. Desse jeito vou perder o emprego.
Comecei a chorar.
- Mas por quê? Por que não consigo me
concentrar?
A noite chegou. Tentei estudar o dia inteiro, mas
tudo que consegui foi ler duas páginas, e, no meu
caderno, onde devia ter resumido a matéria, apenas
partituras foram escritas.
-Não devia mesmo ter vindo
aqui. - Pensei.
Eu era mais feliz tocando piano para
minha esposa, e minha filha queria que
eu a ensinasse a ler minhas partituras. Mas, mesmo eu
sendo feliz, nosso dinheiro ia acabar, eu não podia perder esse
emprego. Foi nesse pensamento que meus olhos se fecharam, encostei minha
cabeça na mesa e dormi sentado mesmo.
Estava tendo pesadelos, como sempre,
mas desta vez acordei no meio da noite com o barulho do vento alto
batendo nas janelas do meu pequeno apartamento. Uma delas até se
abriu, porém, estava tão cansado que não consegui nem pensar direito, já
tinha dormido de novo.
Agora sonhei com o jardim, nosso
quintal, onde eu tocava piano e minha
filha corria pela grama, podia até ver a praia dali. Não
durou muito tempo, mas o tempo curto não importava, a paz que eu
senti naquele sonho foi infinita.
- O quê? – Acordei sentindo meu pé
molhado.
Tirei a cabeça da mesa, tinha uma
carta, olhei confuso e bocejei. Olhei a rua pela janela, olhei o chão
da minha casa, nada fazia sentido. Estava tudo inundado, o nível da água
estava com uns 50 centímetros acima do chão. O que tinha
acontecido?
Abri a carta. A letra pequena e defeituosa não
me dava dúvidas, era de minha filha.
-Papai, o tsunami quebrou tudo, mas não se
preocupe, eu protegi seu piano.
Como assim? Um tsunami? Boba, não era com o
piano que eu me preocupava, era com minha família. Sai correndo de
casa ainda confuso, peguei minha bicicleta e segui os postes de
eletricidade, pois sabia que eles me levariam para a cidade de minha esposa.
Pedalei, pedalei, na minha cabeça já se passava uma música
para expressar minha ansiedade, minha confusão e minha
dor naquele momento, tudo aconteceu tão rápido que não sabia nem se ainda
estava sonhando.
Assim eu pedalei, vendo o reflexo do nascer do sol
naquele mar infinito, onde mesmo no morro alto da cidade as rodas de minha
bicicleta se afundavam um pouco.
Pedalei muito, por horas, até passar mal.
Pedalei cada vez mais devagar até cair no cair no chão. Deitei-me na
água de cabeça para cima, comecei a chorar. Nada mais
importava, nem o dinheiro que tanto corria atrás. Não sabia nem
se minha família estava viva. Foi nesse momento, que eu
parei por um segundo. Respirei. Foi o primeiro segundo em que eu
parei de pensar. Minha cabeça estava sempre cheia, mas, naquela
hora, eu estava quieto, ouvindo o silêncio ao invés de uma música que
procurava compor.
Ouvi a água batendo nas minhas orelhas, me
sentia mal, acabado, mas ao mesmo tempo sentir a água me deixava em
paz. Foi aí que comecei a ouvir a chuva. Ouvi uma
carroça, várias carroças passando e pessoas conversando.
Olhei, estava cansado, com sono. Queria só fechar
os olhos, mas calma, o quê?
- O quê?
Abri os olhos, tinha esquecido de
fechar a janela e a água da chuva estava entrando
no meu pequeno apartamento. Estava confuso, fui até a
janela e olhei para a
rua, muitas pessoas passavam e conversavam usando
seus guarda-chuvas naquela rua de pedra. Respirei
fundo e ouvi o barulho da chuva por um instante. Fechei a
janela.
Fiquei parado por um momento. Liguei o rádio.
Tudo estava normal. Olhei para a mesa, acabei escrevendo uma
música na carta enquanto dormia, porém essa música não era triste,
era linda. Ainda confuso com tudo, não
tentei refazer a carta de desculpas, deixei assim,
só coloquei um recado no final:
“Não se preocupe por não conseguir
ler as partituras minha filha, eu ainda vou te
ensinar.”
Foi só em maio que minha família recebeu
a carta, mas não era um simples carteiro entregando uma carta. Era eu, de
bicicleta, entregando um pedido de desculpas.
Lucas Hideki Toyofuku Turri - 1º DS
Conto de Maio
Ao abrir meus olhos, me deparei com um
cenário esplêndido. A luz do Sol entrava pelas frestas da janela do quarto,
pintando parte dele com um tom amarelo de um dia ensolarado.
A temperatura estava agradável, dando uma sensação magnífica de conforto,
um daqueles momentos em que você pensa “ah, como este mundo é
lindo”. É uma manhã realmente encantadora, típica de um dia
de primavera, porém de certa forma estranha, já que ontem a noite estava
frio quando fui me deitar.
Levantei da cama e caminhei até a janela,
abrindo-a. O que vi do lado de fora era ainda mais bonito, a fazenda de flores
no sítio de minha madrinha. Inicialmente, achei que estava no meu quarto, na
minha casa, mas olhando agora, não parece ser o caso. Enfim, é uma vista
linda.
Não sei quanto tempo fiquei em um transe
tentando guardar na memória a perfeita existência da cena diante de meus olhos,
mas voltei à realidade ao ouvir o som de batidas na porta, acompanhadas de uma
voz que murmurou algo em um tom baixo, de forma que não fui capaz de
entender o que dizia. Abri a porta e fui recebido, não por uma pessoa como
esperava, mas pelo cheiro cativante, vindo da cozinha, de panquecas
cobertas de mel e um café quente. Meu humor que já estava ótimo acabara de
ficar melhor ainda. Parece que neste dia, Deus resolveu abençoar meus olhos,
nariz e boca, já que o gosto do café da manhã estava tão bom quanto o
cheiro.
Após terminar de comer, fui para fora e
comecei a correr em meio às flores. A brisa bagunçava meus cabelos, batendo no
meu rosto e todo o meu corpo, de forma que me sentia refrescado, mesmo correndo
sob a quente luz do Sol, brilhando no céu limpo sem nuvens. Passado esse
instante de euforia, resolvi deitar para descansar na sombra de uma
árvore. Olhei para cima, e percebi que acho o contraste da luz solar
passando pelos espaços entre as folhas atraente também.
Sentindo-me em paz, fechei os olhos. De repente, algo estranho aconteceu. A
temperatura parecia ter caído uns cinco graus, e minha visão
ficou ainda mais escura, como se alguém tivesse desligado o Sol.
Então, abri os olhos.
A luz do Sol entrava pelas frestas da janela
do quarto, pintando parte dele com um tom amarelo mais pálido, que não era de
um dia ensolarado, mas de um dia nublado. A temperatura estava fria, dando uma
sensação de desconforto, um daqueles momentos em que você pensa “não
quero me levantar da cama hoje”. É uma manhã deprimente.
Depois de alguns minutos que levei para
despertar completamente, sentei-me e olhei para o calendário na parede:
“13 de maio, 2020”.
Outono.
Meu perfeito e acolhedor dia de primavera se
transformou, em questão de segundos, em um típico dia frio de
outono. Odeio outono.
Giulia Quinto Brasil - 1° ADM
Todos me julgavam
Todos me julgavam, tudo que fazia era errado. Desde
que tinha dez anos me sentia deslocada, nunca acreditei em alguém que pudesse
me ajudar, nunca acreditaram em mim. Sempre fui “diferente” ao comparar com
minhas irmãs, claro, as duas eram lindas, inteligentes altas e poderosas, nunca
gostei de me colocar lado a lado com elas. Quando criança não gostava de
bonecas, todas tinham um final trágico, com o cabelo cortado e a cara
rabiscada.
Nunca gostei de arrumar o cabelo nem de pentear
ele, talvez eu era daquele jeito, porque tinha nascido assim, mas não
gostava do título de estranha. Agora com mais idade, fico em minha varanda
relembrando das águas passadas e sempre remoendo o sentimento de solidão. Vejo
o mar e me identifico com os peixes que navegam sozinhos, como as pessoas não
esperavam muito de mim, acaba achando que era insuficiente.
Eu comecei a “cavar meu próprio buraco” achando que
não era importante para ninguém e que talvez o mundo seria melhor sem
mim, olho para trás e imagino quantas besteiras eu fiz, já não me
importava comigo e nem com ninguém à minha volta e para mim era
indiferente me chamarem de esquisita ou estranha, já tinha aceitado. Agora
olhando para o Sol, lembro da luz do túnel que me tirou desta
depressão.
Era final de maio e meu coração estava gelado como
o clima, uma menina, assim como eu, se sentia deslocada e se identificava
comigo, tínhamos passado por coisas iguais. Com o passar do
tempo fomos, aos poucos, nos aproximando ao ponto de
virarmos melhores amigas, dependíamos uma da outra e sempre passávamos o tempo
juntas, não existia nada que fazíamos separadas. O cabelo dela era loiro como
as pétalas de um girassol, os olhos verdes escuros como a água salgada do mar e
a valentia de um urso, tudo que não existia em mim ela completava.
Comecei a enxergar ela não só como amiga, pensei que
estava apaixonada e fiquei procurando formas de me
abrir para ela. Então em uma noite conversei com ela sobre o assunto
e percebi que não era mais tão insegura como quando criança, disse a ela
que me via deitada na mesma cama que ela, e assim foi. Ao passar dos anos
fomos ficando mais velhas e adultas fazendo amigos de todos os tipos. Decidimos
adotar um bebê e assumi-lo como nosso filho.
Eu tento imaginar como seria minha vida sem ela e
penso que seria um grande problema, eu teria sido capaz de fazer coisas
precipitadas e chegar a níveis extremos. Desde que adotamos um filho sempre me
importei com ele e como ele se sentia, sempre estarei lá para ajudá-lo,
como eu e minha amada fizemos, para que ele não passe pelas mesmas coisas
que passamos.
Henrique Guimarães Cabarl – 1º ADM
Era Maio, para muitos um mês que marca
liberdade, pois é neste mês em que os nazistas foram derrotados e os judeus,
libertados. Mas a única coisa que via eram pássaros engaiolados. Já se
colocou no lugar deles? Todos os dias patrulhando aquela
fronteira, era o que eu me perguntava. Pássaros engaiolados podem voltar
ao azul do céu? Ainda sabem voar?
Perdido em meus pensamentos em mais um dia de
muitos outros, escutei gritos e tiros perto de onde estava. Corri para ver
o que havia acontecido e ajudar e no chão, vi um pássaro morto, um pássaro que
como muitos outros tentou fugir da gaiola que o afugentava, mas que caiu
antes mesmo de conseguir sair. E era por estes acontecimentos que a maioria se
contentava com a vida sufocante que tinham.
Peguei a parte inferior enquanto o outro
soldado pegava a parte superior, carregávamos o corpo envolto por uma capa
preta para longe dali e minha mente apenas me dizia para largar aquele corpo,
para descansar daqueles sentimentos frustrantes que despertavam em mim. Por que
eu, que também estou preso, não o deixei sair dessas grades? O que eu
estou protegendo?
Depois de jogar o corpo em uma tenda perto dali,
saí para me distrair. Sentei-me no chão, afastado dos demais soldados.
Deixando o vento que soprava levar todos os meus suspiros consigo.
- Tentando esquecer de tudo que viu para
voltar a brincar de soldado? Que patético... – Zombando de mim mesmo, me
levantei para voltar a patrulhar. Mas estão vi folhas se mexendo em meio
às árvores perto de mim, aproximei-me cautelosamente, aquele homem morto estava
acompanhado? Então avancei na folhagem e senti um corpo, o qual logo coloquei
contra o chão. Era um corpo frágil e pequeno que segurava... Olhei melhor
e vi uma garotinha de cinco ou seis anos, uma criança.
Aquele homem, ele era um pai...? Não podia ser, não
queria que fosse. Soltei a criança no chão aterrorizado com a ideia e ela
logo adentrou mais na região arborizada. Deixei que fosse e fiquei
encarando as árvores por um tempo, mas voltei ao trabalho quando outro soldado
veio me chamar. Durante todo meu turno só pensava na menina, tentava colocar em
minha mente como era bondoso de deixá-la fugir e não falar nada a
ninguém. “Eu a deixei viver, eu a deixei viver...”
Me convenci da minha bondade e logo fui
descansar e me alimentar quando meu turno acabou. Mas então ouvi um
tiro, saí correndo para o último lugar onde a tinha visto, entrei
entre as árvores e a vi encolhida no chão. Comecei a chorar, havia cortado suas
asas, tirado seu pai de si e qualquer sonho que poderia ter de ver o mundo.
Olhei para aquela garota, sentei-me no chão junto a ela.
- Tome – falei dando a ela um pedaço de pão e
segurando as lágrimas. Mas ela negou, devolveu para mim.
- Depois que comer, não vai doer mais. – Senti
meu coração se partir em pedaços. Quem é bondoso de verdade? O
que eu estou protegendo?
Fingi dar uma mordida e fazer um sorriso, secando
meu rosto. Ela sorriu concordando e quando a ofereci mais uma vez o pedaço de
pão, ela pegou, comendo rapidamente.
- Como se chama? – perguntei.
- Miya. Papai me deixou aqui ontem. Ele falou
que viria mas eu não gosto daqui, tem homens fantasiados e
um deles até me derrubou! Estou esperando-o voltar para sairmos
daqui... Mas ele falou que vamos para outro lugar mais
bonito. Eu quero ir com ele!
A cada vez que ela falava sobre esse lugar mais
bonito eu sentia uma pontada, todos os dias eu protejo a fronteira que leva a
este lugar mais bonito, todo dia eu olho para as minhas mãos, com o sangue de
todos os pássaros que tentam voar. O que eu protejo? Eu protejo o cadeado das
gaiolas, mas não por mais tempo.
- Miya, seu pai pediu que te levasse para
este lugar mais bonito, vêm comigo? – Vi afirmar com sua cabeça, e então a
peguei pelo braço e saí discretamente no escuro, e comecei a andar devagar
com ela até perto de uma base, passamos discretamente, mas então
quando chegamos mais perto da fronteira, nos perceberam. Saí correndo para cima
dos soldados que estavam na linha da fronteira e a joguei para o outro
lado.
- Corre! – eu gritei para ela.
Mas percebi soldados tentando atirar em Miya,
não podia deixar. Sem pensar saí correndo e entrei na frente e a última coisa
que gritei foi:
- Olhe para o céu, não olhe para trás e
não pare!
Era Maio, para muitos um mês que marca
liberdade, pois é neste mês em que os nazistas foram derrotados e os judeus,
libertados. E o que via agora era um pássaro voar com as asas que eu havia
curado e dessa vez, protegido.
Marina Nishimura de
Carvalho - 1°ADM
Conto de Maio
Não conseguia ter a menor noção do que eram essas
encomendas. Elas ainda não faziam o menor sentido na minha cabeça. Comecei a
procurar, então, freneticamente por pistas, li diversas vezes cada palavra e
cada vírgula que tivera sido escrita nesse cartão.
Até que, me deparei com um pequeno símbolo,
desenhado ao lado da letra “N”, que assinou aquele papel. Na mesma hora, já fui
pesquisar em todos os lugares que podia imaginar, para tentar descobrir quem
era o remetente de todas aquelas encomendas que vinham me
perturbando por meses. Depois de muito tempo procurando, achei o que o
símbolo queria dizer. Ele significava “SOL”, e vinha de um antigo livro grego.
Fique a pensar e me questionar, por qual motivo alguém me mandaria coisas desse
tipo? Aquilo não fazia nenhum sentido.
Passado um tempo, no final do mês de julho, voltei
a receber um cartão, havia coordenadas nele. Procurei em mapas, e eles me
levaram até um Observatório, em uma cidade vizinha. Quando
cheguei no local, perguntei para todos os funcionários se eles sabiam
de algo, e um deles, que se chamava Neil, me disse que eu deveria olhar para
Lua, e que lá, entenderia tudo.
Peguei o primeiro telescópio que vi por ali, e
comecei a observar. O que será que a Lua tinha para me dizer?
Logo, as coisas começaram a fazer mais sentido. Era
o Universo tentando, de todas as formas, me chamar atenção. Me
voltar para vida. Eu passei 1 anos e 3 meses desacordada. Tinha
sofrido um acidente no último dia das mães, e daí muita coisa
aconteceu. Todos aqueles presentes, eram coisas que eu estava ouvindo
acontecerem ao meu redor, por exemplo, a carta que eu tinha recebido me dizendo
“Coloque sua máscara primeiro para, em seguida, ajudar os outros” era uma
enfermeira que estava dando instruções para um recém formado. Pouco a pouco, a
peças se encaixaram, e com um pouco da ajuda de minha família, tudo foi fazendo
sentido.
Mariana de Oliveira Gomes – 1º
ADM
Mármore Branco
Então o ano começara, mês de janeiro, ano
novo, talvez um ano que mudaria a sua vida. Bom, pelo menos era isso que o
homem tinha em mente, era isso que ele imaginava todo ano, desde
o início do milênio até duas décadas do mesmo, o homem
sonhava na mudança, mas não fazia nada para justificá-la. E Assim
terminava janeiro e como se fosse apenas um longo feriado, começava marco.
dizem que o tempo é relativo, e isso era uma certeza absoluta para o homem,
seus dias passavam cada vez mais rápido e sua produtividade caia na mesma
velocidade. Dos dias gastados em casa, deitado na sua cama, com dívidas do ano
passado. Até as caminhadas insignificantes pela cidade, o homem se recusava a
trabalhar, a fazer algo, a desenvolver um interesse, conhecer alguém ou
conseguir dinheiro
-Farei Amanhã! Exclamava o homem
Se esquecia apenas que o hoje não passa do amanhã
de ontem, e assim se repetia.
Veja, o homem não fora sempre assim, a três anos
atrás o homem tinha uma grande vida planejada para si, tinha uma família ao seu
lado, bons amigos, havia entrado em uma boa universidade, podemos dizer que sua
vida seria boa. O que impedia isso de acontecer era apenas o próprio homem,
parece que abruptamente, ele havia se tornado uma pessoa completamente
diferente, ele não tinha mais motivação para sua carreira, parou de
estudar, parou de cuidar de se mesmo e também foi demitido de seu modesto emprego,
sem fazer nada de relevante ou beneficial, o homem havia virado a
personificação da preguiça, - “Por que decidiu afundar sua
vida?” “você tinha um grande futuro e agora faz isso?” “você mudou, o que antes
considerava um amigo agora é um exemplo do que não se tornar” - eram
algumas das coisas que o diziam, mas isso tudo parecia entrar em um ouvido
e sair pelo outro. O homem não passava de uma sombra do seu antigo eu.
Com o fim de março, era como se
tivesse passado cinco dias para o homem, para ele, era apenas o término
de um e o começo de outro, com 9 ainda por vir após este. Mal sabia ele o que
estava a acontecer.
Começava assim o mês de abril, o mês das
responsabilidades, ironicamente. Neste mês a vida inteira do homem mudaria, ou
melhor, acabaria.
Em uma manhã como qualquer outra para o homem,
deitado em sua cama, o homem sentiu algo estranho dentro de si,
no início pensou que não era nada de mais, mas as dores começaram e
se intensificar e multiplicar, era como se seu corpo fervesse e imediatamente
depois congelasse, o homem começara a sentir o seu corpo cada vez
mais pesado, algo não estava certo, em poucos minutos essa dor começou a se
tornar onipresente, da ponta de sua cabeça até o dedão de seu pé o
homem sentira essa dor, era como se seu corpo estivesse se tornando uma peça de
mármore, E assim, num piscar de olhos, o homem petrificou, o que era apenas um
homem ordinário agora inimaginavelmente se tornara uma peça de
mármore branco, mas isso não significa que ele havia morrido, não, ele
estava plenamente consciente, ele foi sim amaldiçoado a “viver” como uma
das clássicas esculturas da renascença, uma vida de reflexão sobre como havia
desperdiçado a sua forma humana...mas não era isso que ele queria?
Desperdiçando dias, meses e anos, como uma alma insignificante que passava
meses apenas esperando os dias passarem. Ser uma peça de mármore não é muito
diferente disso, mas o homem não podia simplesmente aceitar isso, ele “chorava”
lamentando como havia desperdiçado sua vida, bom agora era tarde demais... e
com isso fica a pergunta: será que essas antigas esculturas de Michelangelo são
esculturas mesmo?
Felipe
Marques Leite – 1º ADM
Conto de Maio
Tinha começado mais um mês, Deckard
estava um tanto quanto entediado dentro de sua casa, sua
família sempre trabalhava muito e estava em outras cidades, cada
parente fazendo seu trabalho. Deckard era estudante, e estava em período de
férias, porém estava em um intenso tédio, e devido ao frio intenso, não poderia
sair de casa nem se quisesse.
Fazia quase um ano que Deckard vinha adiando isso,
porém agora finalmente tinha o tempo, e a desculpa perfeita, para treinar sua
habilidade de sonhos lúcidos, como forma de se distrair de seus problemas.
Colocou ao lado da sua cama um pequeno caderno em
branco, que usaria para catalogar seus sonhos, e saber identificá-los mais
facilmente, além de um pouco de água e seu despertador.
Após algumas noites tentando, e tendo algumas
paralisias do sono, as quais ele já tinha se acostumado, Deckard
conseguira, pela primeira vez, perceber que estava sonhando enquanto
estava dentro de um sonho, pois, ao checar a realidade ao seu redor,
percebeu que sua mão tinha seis dedos.
Ele então passou a andar pelos seus sonhos,
passando por diversos lugares que conhecia, e lugares únicos que sua mente
criara. Passou por sua escola do Ensino Fundamental, viu seus amigos com a
idade de 10 anos ao brincar no pátio; e continuou a andar, Deckard sentia
saudade de caminhar com seus amigos, e das aventuras que tivera com eles,
pensou. Logo em seguida, encontrou uma casa abandonada na floresta, ao
entrar achou um sofá velho, vários livros, a lareira cheia de cinza, e
fotos de seus amigos penduradas no teto.
Estava no esconderijo da sua turma, onde passou
várias noites com seus amigos lendo, jogando, contando histórias e assistindo
filmes no tablet que seu amigo Garreth trazia.
Subiu as escadas já em decomposição e chegou
em um dos quartos, onde havia um tapete e várias velas, seu violão, e livros de
poesia. Foi ali que passara diversas noites conversando com sua namorada, onde
deram seu primeiro beijo, onde dividiram um jantar a luz de velas, onde
recitara poesia caseira e tocara músicas para ela enquanto olhava para a
lua.
Deckard começou a chorar, sentia saudades dos seus
amigos e de sua namorada, e se arrependera de como a magoou ao sentir
inveja de seu melhor amigo, ele apenas tinha medo de ser deixado de lado, de
não ser o suficiente para ela, e acabou a deixando sozinha
em um encontro enquanto ela falava com seu melhor amigo, por puro medo
de enfrentá-lo.
Deckard pediu desculpas ao chorar, tentou evitar ao
máximo pensar sobre isto, porém não conseguiu se segurar, pediu desculpas por
sua atitude, e por achar que seria deixado de lado
Ao olhar para a porta, viu que sua namorada,
Luciane, havia aparecido, Deckard a abraçou, e pediu desculpas, ela perguntou
se Deckard confiava nela, e a amava, ele respondeu que sim, mais que tudo, cada
momento que tiveram no Ensino Fundamental, nesta casa, em saídas com amigos,
tudo foi incrível. Luciane disse que então, não precisava ter medo de nada, e
que sempre estaria lá por ele, e lhe deu um beijo. Deckard se recompôs, e disse
que não deixará que seus sentimentos e inseguranças consumam-no assim
outra vez, e o façam ter comportamentos tóxicos, e disse que fará isto por ela,
por ele mesmo, e pela relação entre os dois.
Ao ouvir isto, Luciane agradeceu, e se transformou
em poeira nos braços de Deckard, que ouviu seu despertador tocar.
Deckard, já consciente, após o frio passar, foi até
a casa de Luciane, e pediu desculpas, Luciane o perdoou, e disse que estava
orgulhosa de sua atitude, e passaram o resto daquela tarde do final de Maio
tocando músicas, recitando poesia caseira, preparando um jantar juntos, e vendo
filmes em frente à lareira.
Enrico da Silva Lopes – 1º ADM
Desejos de maio
Fim de tarde, muitas folhas caídas no chão e a
paisagem realmente muito bonita. Jaqueline e a minha melhor amiga, Thaís,
estavam caminhando pelo bosque, conversando sobre o futuro e Jaqueline comenta
que o sonho dela seria se casar no mês de maio, como diz ela, mês das
noivas. Elas estavam apaixonadas, só não sabiam que era pelo mesmo
garoto.
Na manhã seguinte, quando chega à escola, Thaís
avista a amiga conversando com Bernardo, pessoa a qual Thaís gostava desde o
fundamental. As amigas têm uma briga feia e acabam se distanciando.
Alguns anos depois, Jaqueline e Bernardo, estão
trabalhando nos preparativos para o casamento deles. Thaís logo fica sabendo do
evento, Jaqueline faz questão de convidar a amiga, que se arrepende de ter se
distanciando.
Dia da compra do tão desejado vestido,
chegando à loja, Thaís vendedora da Your Dream vai atender a cliente e
tem uma surpresa ao ver que é sua antiga melhor amiga. Thaís faz de tudo para
atrapalhar a compra do vestido perfeito, sempre colocando um defeito falando
que não tinha o tamanho, a cor ou mesmo o modelo.
Jaqueline decide então dar uma olhada sozinha na
loja e encontra o vestido perfeito para ela, do modelo de princesa, com muito
brilho e com o tamanho ideal. Jaqueline tem uma conversa com a amiga, fala que
o acontecimento foi algo do destino que era para ocorrer e elas finalmente
fazem as pazes após 10 anos.
Algumas semanas depois, chega o grande dia, 20 de
maio, tudo está como Jaqueline sempre sonhou. Ela alugou um espaço com bastante
vegetação, por ser uma tarde de outono como a de 10 anos atrás quando ela
caminhava no bosque com a amiga, muitas folhas estão caídas no chão enfeitando
ainda mais o casamento.
Chega a hora tão esperada da noiva entrar, lá de
cima do altar ela avista a amiga com um acompanhante, Leonardo. O casamento
estava lindo e todos se divertem a tarde inteira e elas logo veem que todo o
tempo que ficaram brigadas foi horrível e daí para frente elas continuam unidas
como nunca.
Fernanda Costa de Loreto - 1° ADM
Conto de maio
“Ser mãe é padecer no Paraíso”
- Frase roubada dos peixes e difundida entre
humanos
Maio, mês do Dia das Mães. Já disse que no fundo da
água ninguém dá muito valor para isso? Se já não disse, digo agora: peixes não
comemoram o Dia das Mães. Não que somos todos uns chatos de galocha – sim,
peixes usam galochas. Não como os humanos que usam no pé, usamos como isca de
vara para nos livrar de “pescamadores” (pescadores amadores) que, apesar
de quererem nos fisgar, insistem em acabar com todo o estoque diário de sapatos
– mas como eu ia dizendo (peixes são um pouco difusos), não se comemora tal
data tão especial simplesmente porque alguns humanos são cruéis.
Entenda, não estou falando dos pescamadores, eles
acabam com nosso estoque de botinas, mas, no fundo, os peixes gostam deles.
Estou me referindo aos pescadores de verdade, aqueles que... bem... alimentam a
gente com comida recheada com um espinho (eles nem se dão ao trabalho de tirar
o espinho), depois nos tiram do lar molhado e nos levam para o Espaço (sabe
aquele lugar seco e acima da linha d’água? Acho que é o que humanos chamam de
Espaço...). Alguns de nós vão em direção ao Céu, mas muitos voltam, talvez
não foram considerados bons o suficiente para habitarem o Espaço (mal sabem os
humanos como isso arrasa a autoestima de um peixe).
Nunca sabemos o que acontece após serem escolhidos
para o Espaço, e a Mitologia Pisciana nunca ajudou muito: alguns que retornam
relatam que foram parar em outro lar molhado, mas muitos acreditam que o
destino é a morte. Mas imagine... todos morremos, não seria mais interessante
morrer no Céu? E aqui chegamos ao ponto principal, o motivo pelo qual peixes
não comemoram o Dia das Mães.
Um dia um passarinho verde me contou que muitos
humanos pelo Espaço não comemoram o Dia das Mães, achei um
absurdo, mas Verdinho me disse que é tudo questões culturais. Acredito que
peixes também têm questões culturais, que foram se alterando conforme o tempo
foi passando. Antigamente, neste pesqueiro que sempre vivi, os peixes mais
antigos dizem que seus ancestrais vieram de tanques infinitos e que eles
comemoravam a Data Tão Especial. Quando os imigrantes foram trazidos para cá,
muitos acabaram sendo separados se suas mães e, dos que restaram, todos os dias
alguns eram levados para morrer no Céu junto aos humanos.
Por isso, os filhotes que nasciam raramente tinham
um tempo longo com suas mães. Eles sempre escolhem as grandes mamães peixes
para ir para o Espaço. Como poucos sabiam o que era o amor de mãe, eram
separados precocemente e peixes não escrevem bilhetes (fica a questão de como
estou escrevendo isto), o Dia das Mães perdeu o sentido. Ser mãe em um
pesqueiro é tão somente esperar para então morrer no Céu.
Karen Luny Ikefuti Morishigue –
1º ADM
Baile do mês de maio
Havia uma menina chamada Manu. Ela morava numa
casinha simples no meio do bosque. Era uma jovem muito bela, que se sentia
sozinha. Seus pais haviam morrido em um acidente de trânsito fazia alguns anos.
Por isso, ela vivia em busca de um amor que pudesse suprir essa solidão que
sentia.
O bosque
onde morava era perto da cidade. – “Ahh, a cidade!!!” - Seu sonho era morar lá.
Não era uma cidade tão grande, mas era muito organizada, e ficava mais linda
ainda no mês de maio. Era o mês dos bailes.
Durante todos os sábados de maio, organizavam uma
festa, com muitos comes e bebes. Manu, a cada ano, se impressionava mais com a
criatividade com que decoravam esses bailes. Chegou a ir umas duas vezes, no
máximo! Ela se sentia muito simples para uma festa tão importante para a
cidade.
Mas esse ano seria diferente, ela queria se
divertir! E quem sabe encontrar seu par romântico. Manu colocou sua melhor
roupa e foi. Ao chegar lá, percebeu como as pessoas eram elegantes e como ela
estava simples para aquela ocasião. Manu tentou não se abalar com esses
pensamentos. Ela só queria se divertir.
A jovem estava andando pelo ambiente, quando
observou, ao longe, um lindo rapaz. Ele era alto, moreno e tinha belos olhos
castanhos. Manu se apaixonou à primeira vista. Observou-o a festa inteira.
Estava sempre cercado de várias garotas lindas. Ela começou a se sentir mal,
uma crise de choro a acometeu. Era tão simples! Ele nunca olharia para
ela.
Perdeu sua animação em participar do baile. Decidiu
ir embora. Manu seguiu vivendo. Nunca esqueceu aquele rapaz. Mesmo que dentro
de si, ela tentava relutar contra isso dizendo para si mesma: “Nem o nome dele
eu sei.”.
Um certo dia, conseguiu ser contratada como
doméstica por uma moça que morava na cidade. Todo dia, Manu arrumava a casa, e
a patroa gostava muito dela, pois, além de ser humilde, Manu era muito dedicada
e honesta. E Estér (a patroa) gostava disso.
O que
Manu não sabia era que naquela casa onde havia começado a trabalhar, era
exatamente onde morava o rapaz, por quem ela tinha se apaixonado no baile. Nos
primeiros dias de trabalho, ela não o viu, porque ele estava viajando a
passeio. Mas o encontraria logo.
Era segunda de manhã. Estér chamou Manu e
disse:
- Manu, quero que arrume a casa, e faça um almoço
bem caprichado, pois meu filho chegará de viagem, dentro de poucas horas, e
quero servi-lo um excelente almoço.
-
Sim senhora, patroa!
Manu fez tudo o que lhe foi pedido. Além de ser
muito caprichosa no trabalho, ela era uma cozinheira de mão cheia. Uma vez que
teve que se virar sozinha, depois da morte de seus pais.
De repente, a campainha tocou. Manu se apressou
para atendê-la. Um belo rapaz surgiu em sua frente, e foi entrando. Ao ver
Manu, por não conhecê-la, disse:
- Olá, eu sou Fernando, filho da
dona Estér, e você quem é?
Manu,
ficou perplexa por perceber, que aquele rapaz, tão lindo e educado, era o mesmo
por quem ela tinha se encantado. Ficou alguns momentos sem palavras, até
gaguejou, e só então conseguiu falar:
- Pode me chamar de Manu, sou a nova
empregada, sua mãe me pediu que esperasse pela sua chegada, pois ela iria ao
supermercado.
- Ah sim! – respondeu ele com um sorriso
Manu se
ofereceu para ajudá-lo a carregar as malas, e Fernando aceitou. Após sua
refeição, elogiou muito a comida e foi deitar-se.
Dias foram se passando, e o rapaz, cada vez mais,
se encantava com a dedicação e o jeitinho meigo de Manu. Eles passaram a ser
bem próximos. Claro que Manu sempre respeitou o limite entre empregada e
patrão. Nunca demonstrou seus sentimentos. Mas gostava de passar o tempo com
ele.
Fernando, por ser quase um galã de novela, sempre
atraiu muitos olhares. Viveu alguns romances, mas todos tiveram a interferência
e a reprovação da mãe.
Certo
dia, ele, percebendo o sentimento que havia criado pela jovem empregada,
decidiu chamá-la para conversar:
- Olha, Manu, eu sei que, o que eu vou falar é uma
loucura, mas estou apaixonado por você. Eu não me importo se você é uma pessoa
humilde, ou se minha mãe vai reprovar nosso relacionamento. Eu só quero ficar
com você!
Ela respondeu emocionada:
- Faz muito tempo que eu gosto de você. Desde
o baile que aconteceu em maio. Foi lá que eu te vi pela primeira vez. Se você
realmente não liga para minha condição financeira, e se realmente gosta de mim,
é claro que eu também quero ficar contigo.
Ao contar para a mãe, inicialmente ela não gostou
muito, mas com o tempo, percebeu que seu filho seria muito feliz ao lado de
Manu, e passou a fazer gosto pela relação.
O tempo passou, eles se casaram.
Fizeram uma festa linda e foram morar no exterior. Uma vez por mês, vinham
visitar dona Ester.
Essa estava muito feliz, logo conheceria seu netinho
que estava para nascer.
Yasmin Antunes da Silva – 1º ADM
Joe Watson, piloto da McLaren, lidera o Campeonato
de Pilotos da Fórmula 1, após uma grande vitória no GP da
Catalunha em 14 de maio. A McLaren está facilmente na liderança do Campeonato
de Equipes da Fórmula 1, superando as favoritas Racing
Point e Scuderia Ferrari.
Há uma grande expectativa para o GP de Mônaco, que
ocorreria no domingo 24 de maio, os treinos de sexta-feira indicam uma
grande vitória para Joe Watson, após ele liderar as três sessões. Na
classificação, o top 3 fica com Watson na pole position, segundo lugar
fica com Lance Stroll e o terceiro lugar fica com
Charles Leclerc.
A corrida começa, Joe Watson logo
perde duas posições, e na quarta volta bate forte na Sainte Dovote,
a corrida o Safety Car entra na pista durante o atendimento a
Joe Watson, a situação é grave. Watson é levado ao hospital e a corrida
volta, vitória de Lance Stroll. Após a corrida chega a
notícia do falecimento de Joe Watson, e o choque entre os pilotos é
grande.
A polícia fez as investigações e achou o culpado
pelo acidente, os freios estavam com problema, e logo veio uma suspeita:
teriam a Racing Point ou a Scuderia Ferrari feito algum tipo de
sabotagem nos freios para vencer a corrida? Após ver falhas também no
carro de Norris, a polícia deixou as teorias de lado.
Apesar do choque pela morte de Watson o campeonato
continuou, com uma grande retomada da Renault, que melhorou muito seu
desempenho. No último GP do ano uma vitória de Esteban Ocon garantiu
o título surpreendente da equipe.
Daniel Ricciardo não teve seu contrato
renovado com a Renault, após a equipe descumprir um acordo verbal com o piloto,
ele prometeu fazer fortes revelações sobre a chefia da
equipe. Daniel Ricciardo fechou com a Red Bull Racing
para a temporada seguinte.
No GP da Catalunha, última vitória de
Watson, foram feitas homenagens a ele, mas o comentarista
Reginaldo Leme fez a grande revelação, a Renault espionou a McLaren para
melhorar seu carro, e na noite anterior ao GP de Mônaco invadiu
os boxes da equipe, danificando os freios do carro de Watson, o que causou
seu acidente na Sainte Dovote.
A Federação foi dura com os chefes da
Renault, Ocon não foi punido por não saber do
caso, Ricciardo não foi punido por colaborar com as investigações, já
Flávio Briatore e os mecânicos invasores receberam banimento
vitalício da Fórmula 1 e prisão de 20 anos por homicídio.
Miguel Climério de Freitas R.
Vasquez – 1º ADM
Thiago
Todos os meses, a professora do 6° ano;
pedia para seus alunos redigirem uma fábula. Ela amava ver os rostos
criativos de seus alunos produzindo textos cada vez mais
interessantes.
Sempre teve carinho por cada um dos
estudantes pra quem dava aula. Porém, havia um aluno o qual
ela guardava um sentimento diferente. O nome dele era Thiago. Ele
sempre foi muito bem em diversas matérias da escola, e em Língua
Portuguesa não era diferente.
Mas então por que ele comete
esse erro tão bobo? – indagava-se a professora toda vez que recebia, mas
uma de suas produções de texto. O garoto sempre colocava o mês na data da
tarefa, como o mês de maio.
Essa incessante dúvida, tomou conta
da mente da professora durante meses... Até que resolveu perguntar seriamente
ao menino, o que acontecia. E ele tranquilamente a respondeu:
- Ah, desculpe professora, foi um engano.
- Você cometeu este “engano” todos os meses,
Thiago...
- Tudo bem, irei prestar mais atenção.
O que mais surpreendeu a
professora, nesta conversa; não foi apenas a tranquilidade do garoto, mas
também algo estranho que sentia ao olhar diretamente em seus olhos. Tinha
a sensação de se ver extremamente mais velha, pálida e fraca; apenas
no reflexo do olhar de Thiago.
Depois disso, a professora decidiu
afastar-se do garoto, e deixar passar aqueles míseros equívocos de data.
Até que em uma manhã de domingo tranquila, enquanto fazia seu café; a
professora o viu.
Thiago estava bem ali,
sentado na mesa de jantar de sua casa. A professora muito assustada e
ofegante, questiona:
- O que faz aqui!?
- Foi hoje, professora... -diz o menino com
um sorriso leve e ligeiramente ameaçador de canto
de boca- hoje faz dois anos...- era 31 de maio.
Luiza Sayuri Moreira Barbosa – 1º
MA
Conto de Maio
Clarisse tinha um monstro, um monstro que a
perseguia sempre, e não foi diferente naquele dia de maio.
Ela se levantou de sua cama ao amanhecer, e ele
estava lá. Tomou seu café da manhã e ele está lá. Seguiu para seu trabalho e
ele estava lá. Foi para um barzinho com seus amigos e ele
está. Lia Brené Brown e ele estava lá. Apesar de estar em todos
os lugares, seu monstro só a perturbava à noite, a noite
era seu pior momento do dia. Seu monstro falava e falava fazendo a se
machucar, falava e falava até sentir escorrer lágrimas
Mas naquele dia ela resolveu fugir, pegou suas
bolinhas de gude em um pote e saiu correndo de sua casa, ela só
tinha três pensamentos, correr e fugir, medo, correr e
fugir, medo. Olhou para trás e viu o monstro correndo atrás de si. Correr
e fugir, correr e fugir, medo. Olhou para o céu e viu uma galáxia,
sua mãe dizia que cada pessoa tinha uma galáxia e cada uma precisava encontrar
a sua
Correr e fugir, medo, correr e fugir,
medo. Até que ela parou e encarou o monstro que jazia atrás de si, apertou suas
bolinhas de gude com força e pela primeira vez, estando vulnerável, encarou o
monstro nos olhos. Ele se espantou, tropeçou e caiu. Ela sentiu sua galáxia a
envolver junto com suas bolinhas de gude, passou por ele para voltar para casa,
mas dessa vez, ele não a seguiu, e olhou para trás, ele já não
estava mais lá.
Manuela dos Santos Carvalho – 1º MA|
Fantasma
Ele não a matou.
Bernardo repetiu aquela frase na
própria cabeça tantas vezes que as palavras passaram a nem ao menos fazer
sentido. O corpo franzino tremia e o ar lhe faltava, já não havia
lágrimas que pudessem escapar, mas seus olhos ainda pareciam embaçados,
não era como se quisesse enxergar qualquer outra coisa além das próprias mãos
pálidas.
Na segunda semana de maio, Melissa dera
seu último suspiro. Duas, três, quatro horas se passaram e o irmão ainda não
conseguia se mover nem ao menos para comer. Ele sabia que o mundo lá fora
estava caótico, jovens ricas da elite não morriam todos os dias, muito menos de
forma tão brutal. Mais cedo ou mais tarde, alguém descobriria.
Talvez a morte da primeira herdeira da
família Davillier nunca fosse solucionada, mas um mistério um pouco
mais frágil pairava sobre a mansão. Afinal, a própria Melissa descobrira o
segredo mais sujo do caçula. E nada daquilo podia ser coincidência. Mais alguém
sabia.
— Você acha que eu fiz aquilo. — Uma
voz baixa disse, sem ao menos anunciar presença antes. Não era uma
pergunta.
— Não. — Respondeu com convicção, até
então aquela fora a única coisa que a boca conseguira proferir além de soluços
desordenados. Mas Bernardo não chorava mais.
O silêncio caiu sobre o quarto frio e
um movimento foi feito. Ao lado do menino frágil e assustado, Pedro se sentou.
Nenhum dos dois parecia saber o que dizer ou como agir, mas o último herdeiro
dos Davillier tinha certeza de uma coisa: Ele não a matou.
Pedro não a matou. Não ousaria machucar a própria esposa.
— Ela sabia. Sua irmã descobriu, você
sabe. Talvez ela tenha...
— Não. — Repetiu. — Melissa era feliz.
E tinha princípios. Ela não... não tiraria a própria vida por nossa
causa.
Aquela foi a primeira vez que Bernardo
se moveu. E ele pôde ver cada gota de chuva que caía na janela se refletir no
rosto do cunhado. Era até irônico chamá-lo assim, principalmente considerando a
forma como ambos se olharam em perfeita sincronia. Ele não a matou e daquela
vez o abastado jovem teve certeza. Talvez a dor não fosse tamanha no peito se
não confiasse tanto naquele rapaz.
— Eu a amava. — Completou, finalmente
deixando o tom de voz vacilar. Máscaras não eram mais necessárias. — E mesmo
assim, a traí.
— Você não manda no que sente.
— Oh... — Um riso quase frio escapou
dos lábios. — Pois eu devia mandar. Não mereço a felicidade. Não depois de
trair minha própria irmã. Não mereço o sobrenome que carrego. Não mereço fingir
que...
— Se é isso que insinua, pirralho, eu
não vou te deixar fugir. — O moreno interrompeu. Seu defeito fatal era
conhecê-lo tão bem. — Não sem mim.
Então, o pecado caiu sobre os dois
novamente. Um beijo doloroso calou a discussão que nasceria ali e Bernardo não
percebeu quando voltou a chorar. Traição, vulgaridade, impureza; mais de mil
termos podiam descrever aquele momento, mas aos olhos de Pedro só havia amor. E
ele amava incondicionalmente o irmão mais novo de sua recém falecida esposa,
amou por mais de dezessete anos, sem saber que mais alguém conhecia aquele
segredo imoral. Sem saber que o assassinato da
senhorita Davillier era um mero truque e que nenhum dos dois sairia
da lista de suspeitos enquanto aquele relacionamento não viesse à
tona.
Julia da Silva Dantas
– 1º MA
Conexão mais forte que a consanguínea
Estou no avião neste momento, indo visitar meus pais que
moram no Rio de Janeiro. O aniversário da minha mãe é no dia 31 de maio.
Meus pensamentos vagam ao som de alguma banda genérica de
pop rock do hemisfério norte, acima das nuvens é bem calmo, puxo
minhas mangas para cobrir as minhas mãos e me encolho ficando mais próximo da
janela a cada batida lenta e forte do bombo da bateria.
Quando solto uma lufada de ar tediosa e me ajeito no banco virando um
pouco a cabeça para o corredor do avião, vejo um homem em pé, com um
sorriso de orelha a orelha, ele estava eufórico. Sigo-o com o olhar,
porque simplesmente não dá para desviar, o homem, que parecia mais uma
criança vendo balões de hélio no shopping, assemelhava-se a um
carro rosa choque, impossível não encarar. Mas esse moço me fita com o sorriso
brilhoso estampado no rosto.
- Meu Deus! Eu nunca estive em um avião. – Ele se senta
na poltrona vaga ao meu lado e olha para a paisagem que a janela
mostra. – Você – Aponta o dedo para mim.
– é um baita sortudo!
Dou uma risada fraca com a animação inocente dele, encaro-o.
- Eu não sou sortudo, sou privilegiado. Tem diferença. – Arrumo meus
fones e clico no pause de novo para voltar a tocar o pop rock chiclete.
- Pelo menos você pode ver sua mãe. – Viro para ele de supetão. – Sabe.
Eu sonho com ela ainda, mas toda vez que eu acordo. – Ele olha para frente
fitando o encosto do outro banco e aperta um pouco o braço da cadeira. – Ela
não está mais lá.
Marcella Ishii Costa Duarte - 1º
MA
Relato de uma adoção
nada planejada
Há duas semanas, foi divulgada a lista
dos estudantes da Universidade Federal do Ceará sorteados para morar na
república da mesma, sinceramente, fiquei extasiada quando li Nicolle Apolônio,
pois venho gastando o dinheiro que não possuo com transporte e aluguel da minha
casa.
...
No dia que fui buscar meu livro de
literatura geral, encontrei uma cadela abandonada em meu
portão, a mesma aparentava estar com sede por conta do calor e com muita fome,
por esse motivo, cuidei dela e a deixei para o lado de dentro do quintal.
...
O tempo foi passando, e minha suspeita
se confirmou verdadeira, Sofie estava prenha... e sim, isso era um
grande problema, por conta que, no mês de maio, eu iria me mudar e se não o
fizesse perderia minha vaga...
Comecei então a procurar lares nos
quais Sofie e seus filhotes pudessem ficar juntos, ao menos pelo
período de desmame e isso claramente era quase impossível.
Naquele mesmo dia, eu meditei,
organizei a sala com velas e apaguei as luzes, dez minutos depois, abri os
olhos e as chamas estavam roxas, não tive medo, apenas certeza que tudo daria
certo....
Os filhotes RÁ, TIM e BUM nasceram e,
pouco tempo depois, levei-os ao veterinário (Gabriel) que fazia consultas na
chácara de sua esposa (Liz). A mesma ficou apaixonada pelos recém chegados e se
disponibilizou a adotá-los.
Quando fui entrar no carro, para buscar
os filhotes e entregá-los a eles, Sofie estava lá, ela havia seguido
o carro de meu pai até ali?
...
Hoje estou no segundo semestre da
faculdade de letras, e toda semana recebo fotos dos meus anjinhos em suas
aventuras com Liz, pois a mesma é bióloga de campo e os leva para todo canto,
seja em acampamentos em montanhas, trilhas em parques ou unidades de
conservação, rios, cachoeiras ou até mesmo a praia ver o pôr do sol.
Leticia Lopes Gonçalves – 1º MA
Amor infinito
Olho para o lado e lá está ela, com sua blusa
violeta levemente surrada, seu rosto corado pelo frio e seu cabelo cor de mel
se espalhando pela cama, me mostrando, novamente, toda sua beleza. Hoje é nosso
aniversário de namoro.
Dou um beijo na bochecha dela, que ainda está
dormindo. Levanto e sinto o amargo frio do outono, reluto um pouco, mas eu
precisava preparar uma surpresa para ela. Vou até a cozinha e começo a preparar
algo para comermos.
- Ah, saco! É a caneca preferida dela. – exclamo
depois de derrubar uma caneca no chão que se quebrou em inúmeros pedaços.
Recolho os cacos e volto a cozinhar. Depois de alguns segundos, ela aparece,
perguntando se estava tudo bem e pedindo para voltar a dormir. Dou um beijo em
sua testa em forma de bom dia e, instantaneamente, sou abraçada pelo seu abraço
caloroso.
Envolvida em seus braços, naquele momento me
recordo de tudo que havia acontecido uns meses antes, Hanna, o amor da minha
vida, já não estava mais ao meu lado. Naquele momento, sinto novamente o amargo
frio do outono. Minhas pernas tremem e começo a chorar de forma desesperada. E
como em um loop eterno, volto ao dia do acontecido.
No verão alegre de 2018, estávamos voltando de uma
festa, como sempre, Hanna estava esplêndida. Porém, em poucos segundos, aquela
alegria desapareceu e o medo tomou conta de nossos olhares. Hanna estava morta,
e eu presa eternamente. Desde então, todos os dias, ela aparece para mim como
um inferno pessoal.
Giovanna Silva Guimarães – 1° MA
As pedras e o
maravilhoso vulcão
Em um dia a cada 1
século, todas as pedras de todos os tipos ganham vida e se juntam para perfurar
a crosta e formar um vulcão. Mas nesse dia, o grupo do granito não criou vida e
sem ele não daria para fazer o esperado vulcão. Naquela hora, as pedras estavam
desesperadas, pois o tempo de adquirir vida é de apenas 1 dia, elas sabiam
disso porque durante o tempo elas conseguiram contar enquanto faziam um vulcão.
Depois de 6 horas
elas já estavam bolando um plano para conseguir um substituto, que eram os
metais preciosos, como diamante, esmeralda, rubi e outros metais, eles eram
perfeitos para perfurar a crosta. Para formar o vulcão, usariam o magma e a
água para formar mais rochas que seria suficiente para formar o vulcão em menos
de 18h.
Após mais 6h, começaram
a construção do vulcão, mas viram que tinham baixa quantidade de integrante,
então resolveram pedir ajuda ao solo, a areia e a argila para dar consistência
ao vulcão que, na opinião das pedras, iria ficar perfeito. Enquanto faziam o
vulcão, as pedras perceberam que só faltava 1h.
Quando perceberam,
elas começaram a ficar aterrorizadas, porque só a primeira etapa estava pronta,
que era perfurar a crosta, mas o resto estava intacto, porém não contavam com
um outro amigo voador de aparência cósmica que já estava chegando. Quando
faltava 7 segundos o amigo, mais conhecido cometa, atingiu a terra e formou um
maravilhoso vulcão que era enorme, entretanto nenhuma pedra ou outros elementos
conseguiram ver como a criação ficou.
Caio Ryuichi Kamimura – 1º MA
O paraíso
“A sociedade é um inferno de salvadores.”
Emil Cioran
Era maio quando tudo começou. Um movimento
religioso em favor ao governo teocrático e seu representante
escolhido por Deus tomava o país. E hoje é um governo cujos todos
filhos de Deus são sempre felizes e prósperos, esse é o Paraíso.
Sophia não se lembrava de como era a
sociedade antes da libertação. Mas não podia sequer pensar sobre
isso, e se alguém estivesse a observando? Afinal,
como você esconde algo da onipotência divina?
Ao andar pelas ruas, vê a população aplaudindo
ao redor de uma patrulha de 'anjos' matando uma família dos poucos negros
que ainda restavam, sem prisão, nem julgamento; a plateia estava
atônita, torcendo pelos seus gladiadores e Sophia odiava muito
isso. Ela, vivendo a sua pacata vida, se
negava a ver tais cenas, mas sabia que aqui,
qualquer ‘aparente’ infração contra a lei, é punido com a
morte ou a servidão nos campos de purificação em ilhas remotas que
quem vai, nunca volta.
Sem fazer barulho, Sophia passa
silenciosamente pela patrulha, finalmente, chegando em casa. Ao chegar, evita
ao máximo pensar sobre isso, mas não pode, vê naquele horror a mesma
forma cruel que provavelmente mataram seus pais, toda
aquela tortura, porque tinham um livro guardado em casa, que por ironia do
destino era considerado ilegal, a Bíblia. Lembrava de seus pais a
deixando na casa de sua tia dizendo que a amavam e que estava
tudo bem, poucos minutos antes de serem levados por seus
algozes. A sua mãe foi asfixiada e seu pai, executado
á sangue frio.
Os pensamentos a torturam de uma forma que ela não
aguenta mais, então por um momento de loucura decide sair em direção
a praça central, e começa a gritar por socorro. Os gritos de
desespero ecoam, mas ninguém se manifesta, ninguém se importa.
Dois oficiais a reprime, e um a
pergunta:
- Louca! Por que está fazendo isso?
A mulher responde:
- Tudo está errado! Por que matamos tanto? Por
que não podermos ler? Antigamente as coisas eram assim? Eu não
entendo!
O oficial ri e diz:
- Sempre foi assim, sempre matávamos sem pudor,
mas era esquecido. Agora é simplesmente, legal fazer
isso! Apenas se cale e finja que não aconteceu como vocês sempre
fizeram.
Assim, os oficiais a levam. E essa foi a última vez
que se viu Sophia.
Júlia Freitas Lima – 1º MA
Maio
Maio, mês de tantas perdas, mas que,
mesmo assim, contém certo teor revolucionário. Fez com que nos movêssemos ainda
mais. Obrigou-nos a lidar com nós mesmos e a conhecermos cada parte de
nosso templo, que podemos também chamar de corpo. Fez com que transformássemos
dor em luta. Luta a qual ninguém é capaz de parar, pois ela é chama ardente que
nunca irá se apagar. Enquanto corpos estiverem no chão, eles ainda terão
muito o que pagar.
É nesse contexto que Capitu, mesmo
sentindo seu coração despedaçado e sua alma desfigurada, ainda encontra forças
para lutar. Esse mês em específico foi muito doloroso para ela. É que, mais e
mais vidas se foram por conta de um sistema falho. Foi tiro, vírus, suicídio,
ou melhor, assassinato. Assassinato decretado e assinado por uma estrutura que
não te aceita. Que te desmerece até que você desmorone. Isso daqui é uma roleta
russa sem escapatória. São pessoas como ela que estão morrendo nessa
história. Pessoas que para muita gente são "aquelas". Pois bem,
não para Capitu.
Como já deve ter dado para perceber, a
trama da moça não é se ela traiu ou não Bentinho. Por mais que esse ainda seja
um tema relevante nos dias de hoje. A trama dela é esse nó na garganta que não
quer se desfazer. Essa angústia combinada com esse aperto no peito que parece
nunca cessar.
Aprendeu desde cedo que o mundo não é
justo. Enterrou um irmão. Mais uma vez, foi pega no susto. Como tantas outras
meninas, fora induzida a não sonhar. A acreditar que é perda de tempo. Que seus
sonhos não importam. Acostumou-se a ouvir "não", por mais
que merecesse "sim". Mesmo assim, nunca deixou de sonhar. Nunca
deixou de realizar.
Cansou-se de
olhares tortos. Não gosta de dogmas, prefere ser heresia. Capitu venta. É filha
do vento. A própria ventania. Furacão. Mas não precisa ter medo, ela
sabe abraçar, só que também pode causar destruição.
É poeta. Entendeu que
a poesia caminha junto da revolução. Alguns não compreendem o porquê de
tanta indignação em seu coração. É que ontem morreu mais um menino. Disseram
que portava um fuzil, porém tudo que tinha era um livro na mão.
Ana
Luíza Kokado de Oliveira - 1° MA
Conto de Maio
Era tarde quando recebi a notícia de
que minha mãe havia falecido. Fiquei sem reação, só desejando que fosse uma
pegadinha e que as câmeras aparecessem. Mas era a verdade, e, muitas
vezes, ela pode machucar muito.
No funeral, todos tentavam consolar-me,
mas será que é possível? Consolar alguém que perdeu a pessoa que sempre te
apoiou, não importando as circunstâncias? Pois estava eu, no escritório dela,
apenas me lembrando dos bons e maus momentos juntas, até que avisto um
livro que ela sempre lia para mim. Pego-o e começo a folhear, quando dele cai
um pedaço de papel que dizia “Rua Bondors – 139”. Perguntava-me o que
era aquilo, claro que era um endereço, mas de onde?
Fui até meu celular para procurar
na internet, mas, no momento que iria aparecer os
resultados, acaba a bateria e ele desliga automaticamente.
Tomada de curiosidade, procurei o nome
da rua em um antigo mapa da cidade e me dirigi até lá.
Chegando à rua, procurei
pelo número da casa, mas não achei, pulava do 138 para o 140. Por que
minha mãe recém falecida guardaria um endereço que não existe em um velho
livro? Talvez ela esperasse que eu achasse, afinal ela me conhecia melhor que
eu mesma.
Desci do carro e fui até as casas 138 e
140 para, de repente, descobrir algo surpreendente, mas não achei
nada, nem uma pista. Quando me dirigia para meu carro, que se
localizava do outro lado da rua, me deparei com uma tampa de bueiro,
marcada com o número 139. Nesse momento, passaram-me diversas
coisas pela cabeça: “Teria eu descoberto que minha mãe participava de uma
facção? E se isso tenha causado sua morte?” Só havia uma maneira de
descobrir.
Com uma ferramenta tirada do
porta-malas do carro, consegui levantar a tampa, e logo abaixo havia uma escada
que levava ao fundo do esgoto obviamente. Nesse momento, parei um instante
e pensei: “O que eu estou fazendo? Abrindo um bueiro para tentar justificar
a morte de minha mãe? Ela está morta”.
Quando ia colocar a tampa de
volta, percebi que no outro lado dela havia escrito uma coisa: “Câmera
Indiscreta”. Eu já havia lido aquilo em algum lugar quando pequena. Nesse mesmo
instante, lembrei-me. É o título de uma poesia, feita por Ademir
Assunção e Madan, e que minha mãe adorava ler em momentos
difíceis.
Parei para lembrar os trechos da
poesia. Depois de repetir todos em voz alta, um me chamou atenção: “O olho
que me olha, mas não lê”. Como eu poderia interligar isso à morte da minha
mãe e a um bueiro? Sem respostas decidi, depois de me encorajar muito, descer
as escadas do esgoto.
Ao descer toda
escada, percebi que ali a água passava cristalina. Como isso é possível?
Afinal, é um esgoto, certo? Olhando mais a fundo por esse
corredor de água, percebi que havia uma espécie de mini porta. Ao
abri-la, achei um caixa à prova d’água, claro, e ao abrir
havia uma carta escrita:
“Querida Clara, se você está lendo isso provavelmente eu devo estar
morta. Mas enquanto lê isso se pergunta, por que fiz tudo isso apenas para te
entregar apenas uma carta? Bom o que mais importa não é a carta e sim o
caminho que você fez para chegar aqui. Não chore minha morte, a vida é muito
curta para isso. Viva a vida da melhor maneira possível, não se
lamentando. Espero te ver novamente, seja onde eu estiver.
Ass: Sua mãe”
Ao ler isso, desabei-me de chorar, mas
não eram lágrimas de tristeza. Ao reler a carta novamente, com mais atenção,
percebi que ela começou a carta com “Querida Clara”, mas eu não me chamo
Clara.
Obs: A poesia existe
mesmo, se quiser procurar.
João Ruffino dos Santos – 1º MA
Era final de maio, e eu recebi outra das
“correspondências misteriosas”. Duas no mesmo mês era uma novidade, então
comecei a me perguntar se tudo aquilo era mesmo apenas um engano. Eram coisas
muito improváveis acontecendo, afinal. “Por que eu não parei para pensar tudo
isso antes?” É a pergunta que mais me faço. Todas essas correspondências realmente
me deixaram um pouco incomodada, mas achei que era apenas um erro do serviço de
entregas. Acontece sempre, né? E aquilo que pintaram no teto da minha da minha
cozinha, deve ter sido apenas um dos meus amigos tentando me assustar.
O que me fez realmente ficar intrigada não foi
apenas ter recebido o cartão de dia das mães, novamente, quando já haviam me
dito que tudo foi regularizado, mas também o fato de ter, mais uma vez, uma
caixa de bombons alegando ser uma evidência para um caso judicial, pois 1- isso
poderia realmente me envolver em problemas e 2- foram duas entregas no mesmo
mês, o que nunca havia acontecido.
Fico horas pensando nisso enquanto ouço minha playlist “bad vibes” e
tomo uma taça de um vinho barato que comprei na vendinha em frente à minha
casa. Eu poderia acionar a polícia. E se for um assassino em série? Existem
tantas histórias como essa por aí. Mas não faz sentido. Já tem quase um ano que
recebo todas essas coisas e acredito que um assassino já teria
tido oportunidades suficientes para me matar. Descarto a hipótese. Talvez
eu devesse falar com o serviço de entregas da minha cidade, fazer
uma reclamação. Mas aí eles poderiam envolver a polícia, o que talvez não seja
bom. Seria muito estranho chegar e dizer que venho recebendo cartões de dia das
mães e de natal com selos do Polo Norte e a, olha só, está assinado com uma
letra N possivelmente de Papai Noel! Eles me achariam louca e talvez eu
acabasse em um hospício.
Mas talvez eu esteja mesmo louca, né? Quer dizer,
eu SEI que eu não tenho um filho nem nada, mas e se eu tiver me esquecido? É
possível ter Alzheimer com 32 anos? Ok, talvez essas sejam ideias um pouco
absurdas. Decido parar de beber e ir dormir um pouco.
Algumas semanas se passam então, e esqueço um pouco
o assunto. Mas aí, no último dia de maio, recebo uma terceira encomenda. Três
em um mês. Dessa vez recebo o clássico “Crime e castigo” em uma versão muito
bonita para colecionadores. Isso está realmente ficando estranho e penso que
tenho que resolver logo isso tudo.
Sou uma pessoa muito organizada e sinto que
funciono melhor com uma lista. Então resolvo anotar as possibilidades e escrevo
qualquer coisa que venha na minha cabeça, o que para falar a verdade, nem é
tanto.
Primeiro anoto que poderia ser um assassino
em série. É a que menos faz sentido para mim, mas anoto mesmo assim. Um
possível admirador secreto? Também não faz sentido, pois que admirador secreto
me enviaria um cartão de dia das mães, sendo que eu não tenho um filho? Anoto
também “possível erro do serviço de entregas” e acho que é uma das opções mais
plausíveis.
É então que tenho uma grande ideia: e se eu
instalasse câmeras pela casa? Decido que é o que vou fazer. Ligo para diversas
empresas de monitoramento e como isso é caro! Opto pela opção mais em conta, o
que na verdade nem é tão em conta, e em menos de dois dias eles vêm fazer a
instalação. Ensinam-me como posso acessar as câmeras em meu computador e
assino uns documentos. Acho que finalmente vou descobrir quem anda fazendo isso
comigo.
No dia 3 de junho, recebo uma nova encomenda: uma
caixa com paçocas. Nem penso muito nisso e já vou logo ligando meu computador
para olhar as câmeras. Finalmente isso vai acabar!
Assim que acesso a noite anterior levo um
choque. Sou eu entregando as paçocas? Não faz sentido. Será que sou sonâmbula?
Talvez uma irmã gêmea ou uma sósia? Procuro em outros dias para ver se me acho
andando por aí em mais alguma ocasião, porém nada. Só no dia da encomenda. Acho
que estou ficando louca.
Decido consultar um amigo meu que é médico
especialista do sono, porque, agora, estou realmente assustada, e depois de
algumas consultas ele me diz que não acha que eu seja louca, o que
sinceramente, é um alívio. Ele diz que episódios de sonambulismo são comuns,
principalmente na minha idade, quando as pessoas passam pela “crise dos 30”.
Ele me recomenda alguns remédios para dormir e diz para explorar melhor as
encomendas e tentar entender o significado delas. Ele cita por exemplo o cartão
de dia das mães:
-Essa pode ser uma maneira do seu subconsciente
lidar com a vontade de ter filhos. Você deseja ter filhos?
Respondo que não sei, o que é verdade.
Depois de algumas semanas usando o medicamento, não
recebo nenhuma correspondência mais. Pensar que era tudo tão simples e eu
achando que poderia ser um assassino em série. Preciso parar de
assistir a tantos filmes de suspense.
Giovanna Santiago Siqueira – 1º MA
Costumes
No teatro, quando os atores saem,
sempre deixam uma cadeira no centro do palco e uma luz ligada. Há pessoas
que dizem que é para mostrar que os atores voltarão, mas Janny, minha
amiga, dizia que era para que os espíritos não se esquecessem dos atores
durante a apresentação. Entretanto, Janny sempre me alertou, dizendo
que, às vezes, esses costumes vão longe demais.
Conhecia Janny fazia muito
tempo, aliás foi por ela que entrei no teatro. Víamo-nos duas vezes
por ano, quando ela apresentava no Global Theatre, na
verdade, ela só apresentava duas vezes por ano, sempre em maio (para
falar a verdade, não sei o motivo) e o elenco era praticamente igual, porém
sempre trocavam um ou outro.
Ano passado, fui
assistir a “Um Sonho de Uma Noite de Verão” com Janny Jells no
elenco. Foi incrível!
Após a belíssima
apresentação, decidi tomar um café naquela cafeteria próxima ao
teatro. O café estava ótimo por sinal, mas o fato não
está aí e sim no aconteceu enquanto bebia o café.
Estava sentado sozinho na
mesa, porém havia uma cadeira vazia, foi aí que um homem com uma cabeça de
jumento sentou-se a meu lado, teria ele saído da peça de Janny? Sim,
definitivamente sim, mas o que ele fazia aqui?!??
- VOCÊ PRECISA FAZER ALGO
- gritou o sujeito - não pode deixar que aconteça. A associação escolheu ela. -
ele colocou uma chave sobre a mesa - Próxima apresentação e
chegue cedo.
O homem não me deu tempo para
perguntasse, o que me restava fazer era comparecer à próxima
apresentação com antecedência.
◉◉◉
No dia da apresentação, descobri
que aquela chave abria o camarim do Global Theatre, sempre quis
entrar ali, mas não imaginava que a decoração fosse tão medonha. Havia velas
acesas e panos vermelhos em toda parte, ao centro via uma mesa com um recipiente
(que abrigava um líquido também vermelho) e uma punhal. Achei um
pouco cafona, faltava realidade, porém as vozes eram bem realistas.
Não houve apresentação naquele
dia, não sei o motivo. Na verdade, tirando o fato do camarim, nada havia
acontecido naquele dia, era um dia vazio.
Nunca mais vi Janny, mas ela
me mandava cartas, apesar de não reconhecer suas palavras.
No ano seguinte, fui
assistir a “O Rei Leão” com o elenco que Janny costumava se
apresentar, mas desta vez não vi Janny.
Gabriel Pinheiro -
1º MA
A Separação da Fúria e da Compaixão
Eu repugnava os leões, pois eles haviam matado uma
grande parte do meu povo, invadiram nossa aldeia e nos atacaram. Apenas um
quarto da nossa aldeia sobreviveu a esse ataque, mas, o pior disso, é
que eles apenas mataram por matar... eu vi a sede de sangue no olhar
de um desses leões, o qual tinha uma peculiaridade, possuía patas
pretas, quando matava a minha irmãzinha, entretanto, eu era muito novo,
não teria como defendê-la... Desde esse dia, não conseguia dormir sem
pensar no ataque sofrido e nas vidas perdidas. Então jurei encontrar esse leão,
o qual nomeei de Vórtex, e matar sua descendência...
Certo dia, no mês de maio, enquanto eu estava
caçando impalas para alimentar o meu povo, avisto ao longe um clã de hienas
seguindo em direção a uma leoa e aos seus filhotes, os quais logo
percebi que eram, não só filhotes dessa leoa, mas também de Vórtex,
pois vi a mesma peculiaridade que o infeliz leão que matou minha
irmãzinha possuía. Por mais que eu repugnasse os leões, e principalmente
essa descendência, não podia deixá-los lá para morrerem, pois eram inocentes e
não iguais à Vórtex. Então, enquanto eu pensava em como salvá-los, as hienas se
aproximaram mais e começaram a atacá-los.
A leoa estava protegendo com garras e dentes
os seus filhotes, pois não aguentaria mais por tanto tempo, então foi
aí que entrei em cena, atirei flechas em direções diferentes com minha besta,
amarrei uma corda entre elas e pus fogo, a fim de fazer uma barreira para
impedir que as hienas viessem me atacar, com minha besta atiro novamente, para
proteger a leoa e os amparados, afastando as hienas deles, o que
incrivelmente estava funcionando, mas isso não era o bastante, então, as
próximas flechas que atirei foram flechas flamejantes, isso sim fez com que as
hienas fugissem em debandada.
Quando elas já estavam longe, me aproximei da leoa
e dos filhotes com cautela, e verifiquei se estavam machucados, mas,
infelizmente, a leoa estava muito ferida, e acabou morrendo, deixando
os seus filhotes sozinhos no mundo. Eu não podia
deixá-los ali abandonados e desprotegidos, aliás, as hienas poderiam
voltar ou, até mesmo, outros animais poderiam matá-los. Peguei-os em
meus braços e percebi naquele exato momento que aqueles filhotes eram inofensivos e
estavam amedrontados, incapazes de me atacar e que os leões não
eram apenas assassinos e sim que lutavam para sobreviver e protegerem a
sua família.
Depois que eu os salvei, levei-os para um
abrigo de animais selvagens, onde irão cuidar deles, e, quando
eles atingirem a maioridade serão, novamente, reintroduzidos à
natureza junto aos outros de sua espécie.
Volto para a aldeia e com satisfação do dever
cumprido e das vidas salvas, consigo finalmente dormir em
paz.
Arthur Campos Ribeiro Ferrão Videira - 1º MA
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