Contos de maio

 

As cabeças de sirene continuavam a tocar, eu corria delas mas parecia impossível de se livrar, quando dei por mim eu estava em um beco sem saída, o sol estava se pondo e a sombra do beco começava a aumentar cada vez mais, me vi sem escolha a não ser sentar no beco e esperar o barulho parar, as roupas que eu estava usando podiam refletir a luz de forma a me deixar quase invisível, eu vasculho minha mochila procurando minha bomba de asma, estava difícil de respirar e o ar começava a ficar cada vez mais pesado 

      — Finalmente! - pego a bomba e tento usá-la, taco na parede logo em seguida, estava quebrada não servia de nada - humph, que inútil 

      Sem nada pra fazer eu não tinha outra escolha a não ser revisar o pouco que eu tinha 

      — Eu ainda guardo isso? - eu pego com a mão e observo atentamente o Foco, um pequeno aparelhinho triangular que não tinha mais do que 3 centímetros, estava emitindo uma luz azul-isso ainda funciona? Não é possível, deve estar quebrado 

        Eu coloco o aparelho por curiosidade para ver se funcionava, antigamente todo mundo usava isso para registrar memórias ou saber do mundo, isso havia substituído um aparelho muito mais antigo chamado celular, o Foco era muito mais prático de usar, bastava colocar ao lado de um olho e pronto, você entrava em contato com um mundo inteiro de dados, eu lembro que meu pai... Usava um antes de morrer 

         Por incrível que pareça o aparelho estava funcionando, uma esfera azul apareceu ao meu redor, junto a hologramas de várias funções possíveis, achei interessante o fato de ainda usarem o sistema de calendário, hoje seria dia 29 de maio, seleciono as gravações para ver o que tinha e fui surpreendido por um holograma do meu pai que apareceu diante de mim, eu sabia que ele não estava lá, mas era tão real. 

          — Olá filha, eu temo que quando tenha achado isso eu já esteja morto mas aqui estou eu não é mesmo?-ele andava se aproximando para perto de mim- eu estou aqui para dizer que você deve seguir a vida, eu não gostaria que você ficasse triste por minha causa até porque foi erro meu, a radiação do minério estelar está me afetando cada vez mais, mas independente de mim, por favor seja feliz, você é minha filha e vou sempre te observar- ele estava mais próximo de mim, era como se ele olhasse nos meus olhos-agora eu tenho que ir, vou deixar este Foco na sua mochila, até mais filhota. 

         Seus dedos holográficos tocaram na minha testa antes da gravação desligar, o sol já se pôs, já não dava mais para se ouvir as cabeças de sirene. 

           

 

Murilo Araújo Rocha Tavela Alves – 1º ELO

 

Dia dos Mortos 

 

Há muito tempo, em uma terra distante, um rei decide guardar toda a magia do mundo para si. Mas, antes disso ele precisa aprender a utilizar a magia, então ele chama alguém com habilidades mágicas para ensiná-lo. Nenhum bruxo, bruxa, mago ou duende responde, mas um membro da corte finge ter habilidades mágicas e se oferece para ensiná-lo.  

Logo, o homem exige dinheiro e tesouros por seus serviços. Maria, a cozinheira do rei, se esconde e observa o homem ensinar magia ao rei.  

Enquanto os dois estão praticando, eles escutam Maria rindo. Isso deixa o rei furioso. O homem tenta acalmá-lo dizendo que o povo não entende muito bem a magia. O homem vai à casa de Maria, onde ele descobre que ela é realmente uma bruxa. Então ele pede a ela para ajuda, ameaçando entregá-la ao rei. 

 

Maria concorda em ajudar o homem. Após algumas semanas de treino, o rei decide se apresentar ao povo no feriado do Dia dos Mortos (cinco de maio). O povo se surpreende com as novas habilidades do rei, mas na verdade era Maria escondida em um canto que realizava todas as magias. Um jovem camponês pergunta se o rei pode fazer seu cão falar. O rei tenta, mas nada acontece, porque Maria não sabe como fazê-lo. O povo caçoa do rei, e o rei se irrita intensamente com o homem. Ele aponta para o mato, e diz que uma bruxa está atrapalhando-os. Maria foge correndo, mas o rei a avista. 

O rei diz à multidão que Maria se transformou na árvore e que ela deve ser cortada. Logo a árvore é derrubada, mas eles escutam uma voz vinda do tronco. A voz diz que o homem é uma fraude que a cidade está amaldiçoada, pois todo mês um morto irá ressurgir das covas. 

 

Renato Félix Cavalcante – 1º ELO

 

 

Conto de maio 

 

 Era um dia qualquer de maio quando eu conheci o Brabo. O Brabo era muito brabo, eu me surpreendia com sua brabeza. Perguntavam quando e como ele tinha se tornado brabo e ele sempre dizia que já nasceu brabo, só havia um brabo no mundo e esse brabo era “O Brabo”. 

 O Brabo já fez muitas coisas brabíssimas: ele parou um trem com o braço, ele venceu um exército inteiro vendado, ele explodiu uma montanha só com o vento do soco, ele se teletransportou, ele ficou preso na Lua e voltou para Terra com o impulso do seu pulo, caindo de pé sem nenhum dano, tomou um balde inteiro de raspadinha sem congelar o cérebro, ou seja, o Brabo era realmente muito brabo. 

 Um dia, o Brabo estava andando na rua normalmente fazendo suas brabezas diárias quando um cara que não gostava do Brabo deu vários tiros nele. Os tiros acertaram-no, só que não aconteceu nada com o Brabo, mas sim com o casaco favorito dele, foi aí que o Brabo ficou bravo e arremessou longe o cara com o vento causado pelo seu peteleco. 

 Todos queriam saber o segredo do poder do Brabo, todos que o conheciam, porque, na verdade, o Brabo era um herói que agia em segredo, um cara que era herói por diversão. A verdade é que o Brabo sempre foi brabo, mas nem sempre foi poderoso, ele treinou tanto que ficou careca, além de ter quebrado o seu Limitador de Poder, um órgão presente em todos os seres humanos que limita todas as nossas capacidades até certo ponto. Quando alguém quebra esse limitador, normalmente morre ou vira um dos monstros com quem os heróis lutam, que não são muito fortes (a maioria), mas com o Brabo foi diferente, ele quebrou o limitador e não morreu nem virou um monstro, ele só ficou mais forte, muito mais forte, ele obteve um poder tão grande que poderia até dizer que é ilimitado. 

 O Brabo virou um herói só por diversão, mas já não é divertido, já que ele derrota todos só com um soco, ele disse que ter uma força tão grande e descomunal é um tédio. O Brabo continua sendo um herói, porque acredita que um dia vai encontrar um oponente tão poderoso quanto ele e ter uma luta lendária que vai finalmente valer a pena. 

 

Renan Gonçalves - 1º ELO

 

Conto de maio 

 

 

Maio. Vida. Acho que foi aí que tudo começou, foi nesse mês, dos dozes meses foi em maio, foi em maio que eu comecei a viver. 

Junho. Amor. Em junho, comecei com tudo o que pensei, são sabia ao certo o que eu buscava, uma amizade, uma companheiro, um amor, se eu procurava alguém, ou eu não estava me encontrando, suponho que foi essa a premissa que eu buscava, eu me encontro, ao mesmo tempo que encontro outras pessoas. 

Julho. Tempo. Tempo é algo infinito, na qual desenvolve infinitos caminhos, sem saber onde acaba, ou até mesmo onde começa supondo que foi em maio onde eu comecei a viver, e onde obtive conhecimento, faltaria 11 meses para eu morrer. 

Agosto. Conhecimento. Estou vivo há 4 meses, mas somente agora, eu me aprofundei em conhecer, aprender, estudar, obtive compreensão sobre algo que eu desconhecia a existência, cultura diferentes, seres diferentes, aprendendo que não estou sozinho aqui. 

Setembro. Diversão. Suponho que foi em setembro onde obtive a conclusão de junho com agosto, e então alcancei aqueles que eu seguia, além de alcançar-me, eu nunca soube o que eu queria até obtiver conhecimento junto ao amor, e então solucionei com diversão. 

Outubro. Observação. Metade da minha vida passada, não sei mas ao certo o que eu almejo, até observar tudo o que eu já vivi, talvez eu encontre algum propósito, porque eu terminaria? 

Novembro. Percepção. Creio que foi este o exato momento em que eu percebo que eu não gostaria de ir, voltar, ser, talvez eu nunca quisesse ter sido, ou ter voltado, entristeço talvez pela primeira vez, talvez passe. 

Dezembro. Desfecho? Mentiria se dissesse que não sentiria nostalgia, ao recordar-me do que vivi até agora, tudo de novo acontece, mesmo assim o tempo nunca para, a vida continua, e assim se obtém mais experiencia. 

Janeiro. Recomeço. Talvez não seja só eu, outros seres sentiriam a mesma coisa que eu sinto? Provavelmente não, mas assim seria, ou assim recomeçaria, não sei ao certo o que eu faço ou o que vou fazer. 

Fevereiro Mudanças. Preencher o vazio que está em mim, talvez não seja algo errado, mas, com certeza, mudanças aconteceriam, acredito que passados esses 10 meses de vida, eu já estaria preparado para mudanças, mesmo sabendo quando seria meu fim. 

Março. Sentimento. Acredito que passado o desfecho que vivi, tudo começou a mudar, ou talvez não, tudo voltou a ser o que já era, mesmo assim sobe aquele sentimento. Eu nunca quis que aquilo que aconteceu acontecesse, e esse sentimento talvez seja pior que a morte 

Abril. Medo. Não, eu não quero isso, tantos acontecimentos tive ao longo da vida como: Amor, tempo, conhecimento, diversão, observação, percepção, desfecho, recomeço, mudanças e sentimentos. Eu acreditava que chegada a hora eu estaria preparado, estaria pronto, mas não eu não quero isso, além de que eu nunca quis isso, qual é o sentido de existir para depois sumir, nunca disse adeus para quem devia estou tão triste, apavorado, frustrado, talvez esse seja o meu pecado. 

Maio. Morte. Fim 

 

Alex Denner Laura Mamani – 1º  ELO

 

Nightmare of may 

 

          Era maio de 2042, no Arizona, Estados Unidos, em um laboratório a alguns quilômetros de Sedona, onde cientistas procuravam descobrir um medicamento que resultasse em uma melhor recuperação de células do corpo que estivessem enfraquecidas. Porém, para a supresa deles, não somente encontraram o que recuperaria com maior agilidade as células, por um pequeno descuido foram além disso, e descobriram uma substância que seria capaz de recuperar algo morto. Há cerca de uma semana antes, Bernard Krüger, um ciêntista muito renomado que fazia parte do projeto, tinha arranjado uma discussão com seu superior no laboratório, e mesmo estando correto mediante ao assunto da discussão, foi exonerado, o que não o deixou muito contente, então começou a planejar algo para que o projeto vinhesse a falhar e pensassem que não houve êxito por causa da ausência dele grupo.  

          O surgimento da nova descoberta uma semana mais tarde foi a oportunidade perfeita que Krüger encontrou para frustrar os palnos dos outros ciêntistas. Mas ele não fazia idéia de que isso traria uma consequência gigantesca para todos, não apenas no laboratório, mas em todo o planeta. Krüger pretendia roubar a tal substância, atitude essa que acarretou em algo que só se encontrava em filmes, um apocalipse zombie, isso mesmo, um apocalipse zombie. 

Krüger teve sucesso em sua “vingança”, a nova substância já se encontrava em suas mãos. Como cientista e curioso em descobrir o que podia acontecer se testasse o experimento, ele assim o fez, com o uso de um rato que havia matado no dia anterior, testou, e imediatamente, da forma mais dolorosa, ele descobriu que aquilo poderia ser um vírus que infectaria até mesmo os vivos. E assim se iníciou o surto apocalíptico. A contaminação nas primeiras horas foi consideravelmente lenta, mas não demorou muito para se espalhar ainda mais rapidamente que o vírus da crise de 2020. 

          Patrick Galler, um jovem estudante de medicina de uma faculdade em Phoenix, capital do Arizona, ao ouvir boatos e reportagens do que estava ocorrendo, correu para casa na intenção de encontrar sua família, e pra sua sorte ainda estavam todos bem e protegidos, mas não por muito tempo. Galler sonhava em um dia se tornar um ciêntista mundialmente conhecido e ter seu próprio laboratório, o que não seria muito difícil para ele, sua mãe se orgulhava muito do filho tão inteligente que tivera, mas agora seus sonhos também estavam em jogo, assim como a existência de toda a humanidade. Com o crescimento da propagação de contaminação, a esperança diminuía gradativamente, era aterrorizante o que estava acontecendo, e ninguém fazia idéia de como combater este mal que os consumia cada vez mais rápido. Até que Galler teve uma idéia que poderia ser muito arriscada, pois fora de casa o risco era enorme, porém estava disposto a enfrentá-lo, mesmo sua mãe não concordando com a idéia, ele sabia que só encontraria um meio de combater isso indo onde tudo começou. Sem muita demora, entrou em seu carro e foi ao laboratório perto de Sedona, os jornais já afirmavam que a substância tinha sido descoberta alí, e que não se sabia dizer se ainda havia alguém com vida no laboratório, ou melhor, se ainda havia alguém que não tinha sido contaminado. 

          Chegando em frente ao laboratório, tremendo de medo, abriu a porta e percebeu que o silêncio reinava naquele lugar. Havia sangue para todos os lados, o estrago causado era apavorante, e o que mais preocupava Galler era a incerteza de sucesso, ainda mais em um ambiente infestado de zombies. Sem saber para onde ir, começou a procurar alguma sala segura, onde poderia de alguma forma encontrar a solução que procurava. A cada passo seu coração disparava mais rapidamente, e a cada barulho que ouvia nos corredores ficava mais disperado, aparentava uma cena de filme de terror, tipo de filme o qual ele já não gostava tanto de assistir. O medo o consumiu completamente, e por um descuido, não percebeu e pisou em um frasco que estava caído no chão, e devido ao silêncio, o barulho provocado atraíu os temidos zombies. Correndo sem saber pra onde estava indo, avistou uma porta e, sem exitar, entrou sem saber o que encontraria atrás dela. Não era seu dia de sorte, infelizmente, se via diante de seu fim, e este estava em grande número em sua volta. Quando os zombies vieram sobre Galler, derrepente, em um pulo, levantou de sua cama, assustado e suando exageradamente, porém aliviado de tudo ter sido apenas um pesadelo. 

 

Nícolas Elias Moreira – 1o ELO

 

 Conto de Maio 

 

Maio é o último mês de primavera, o último mês para as flores crescerem, o período de nascimento é substituido pelo caloroso e bondoso calor do verão, verão é época de união, as pessoas unem para se divertirem, jogarem algum esporte ao ar livre, irem à praia ou fazerem algo para se refrescarem.

Era maio quando um jovem aventureiro chamado John decidiu sair em mais uma de suas aventuras. O sol era ardente como fogo e os campos não poderiam estar mais floridos, uma transição perceptível entre primavera e verão.

Uma lenda antiga circulava na boca do povo do vilarejo de John, ao norte de lá, uma grande montanha prometia guardar grandes conhecimentos em seu topo, um prato cheio para o jovem aventureiro, e então ele parte. A montanha pode ser avistada de longe, sua grandeza fazia com que ela fosse inconfundível, John conseguia sentir o ar de conhecimento.

Um velho se aproxima do aventureiro, que, por sua vez, parece não ligar muito para sua presença e então o senhor diz:

-         Queres subir a montanha, jovem?

John responde:

-         Quero sim, estou aqui pela lenda do "grande conhecimento".

O velho dá uma pequena risada:

-         Sabe, jovem? Às vezes não conseguimos enxergar as coisas que são realmente importantes.

O aventureiro fica meio confuso com fala do velho senhor, mas confiante afirma:

-         Eu não sei do que o senhor está falando, mas eu sinto que estou destinado a subir a montanha, é como se o conhecimento do topo dela estivesse me chamando.

O senhor responde com um sorriso irônico:

-         Você acredita em destino? Em qual destino você acredita?

John pensa por um longo tempo e finalmente responde:

-         Em algum lugar no universo sinto que alguém escreveu que eu vou conseguir escalar essa montanha custe o que custar!

O velho responde:

-         Jovem, eu acredito que o destino não é algo que venho escrito e que nunca poderá mudar, destino é como um objetivo final, algo que todos têm, é como um sentido para sua vida, uma coisa a que você dedica sua vida inteira para conquistar, sabendo você o que é ou não. Se achas que subir a montanha em busca do conhecimento é seu destino, vá em frente, só posso te desejar boa sorte."

O velho senhor some na frente de John, deixando-o confuso, mas daquele dia em diante ele entendeu a mensagem, o conhecimento não estava no fim da montanha e sim e seu começo.

 

Gustavo Kenzo Mori - 1° ELO 

 

Eu me concentro em você

 

_Eles são ok tocando, eu acho, mas eu não gosto do ritmo dessa música. 
Era 10 de maio de 1952, e o baile da primavera finalmente havia chegado. Depois de algumas semanas trocando olhares e sorrisos, ele finalmente tomou coragem pra chamar ela pra sair, já pensando, é claro, no baile que estava por vir, pois ele não queria ser o único da sua turma a deixar de ir ao baile no último ano do colegial. Eles combinaram uma ida ao cinema e depois ao restaurante, e, ao notar o quanto tinha gostado da companhia dela, ele decidiu já chamar ela pro baile ali mesmo. Para a felicidade dele, ela prontamente aceitou. 
           _Eles são ok tocando? Eu Me Concentro em Você é uma ótima canção. 
E agora, ali estavam os dois, na pista de dança, no que era a última música da noite, uma balada lenta. Próximos, eles dançavam calmamente, tudo que ele conseguia pensar era no quão deslumbrante ela estava naquele dia, e ela também passava por algo semelhante, enquanto tentava aproveitar o momento, apesar da música não ser exatamente agradável para ela. 
          _Além de música, não consigo me lembrar do que estávamos falando. 
          Pouco depois, eles saiam juntos do ginásio da escola, caminhando de mãos dadas e conversando sobre a última música, que era de um dos seus cantores preferidos, enquanto ela preferia Johnnie Ray & The Four Lads. Sem parar de prestar atenção na conversa, ele reparou em como a lua deixava o céu ainda mais bonito naquela noite, que parecia ser perfeita. Foi então que surgiu um convite. 

          _Eu lembro que só tinha duas semanas que estávamos juntos, e não estávamos muito à vontade. Eu não estava relaxado, pelo menos. Não conseguia ficar assim perto de você. 
          Eles estavam na casa dele, mais especificamente, em seu quarto. Com as luzes apagadas, o que iluminava o ambiente era o céu estrelado, através da janela, por onde também era possível ver a lua. Ele ligou o rádio, e, depois de alguns instantes de ruído, uma estação foi sintonizada. Aos poucos, o suave som de Eu Me Concentro em Você invade o lugar. Ela se aproxima dele, eles se abraçam e recomeçam, suavemente, a dançar, exatamente como estavam antes, ainda no baile. Ao fim da música, então, ela se aproxima para beijá-lo, e ele percebe que, caindo lentamente pela bochecha dela, estava uma pequena lágrima. 
          _Porque era o jeito que eu sempre pensei que deveria ser. Era doce, é por isso. 
ela disse, calmamente, sem nem mesmo parar de cortar as rosas do canteiro com um mão e jogá-las no cesto pendurado no braço oposto. Enquanto isso, ele a observava da varanda, sentado na cadeira de balanço com o jornal que havia sido deixado ali pela manhã ainda aberto em suas mãos. Era incrível como, mesmo depois de tanto tempo, ela ainda fazia com que ele sentisse algo diferente perto dela, algo que ele fazia questão de declarar todo dia. 

          _Você está falando sério? 

          A essa altura, ela já tinha terminado a colheita de rosas para colocar nos vasos espalhados pela casa, e voltava lentamente, indo em direção a porta, com a cesta ainda pendurada em seu braço, e a tesoura de jardinagem na mão. 

          _Sim, verdade. E eu não acredito que te levou 50 anos pra tomar coragem pra me perguntar isso. 

 

Victor Emanuel - 1º Elô 

Maio, que mês maravilho, repleto de felicidades, nele temos a celebração do dia do trabalho; Nelson Mandela assume a presidência da África do Sul, marco histórico importantíssimo; O dia das mães; A Princesa Isabel faz um discurso referindo-se à abolição da escravidão no Brasil; Entre outros. Mas, como nem tudo são flores, teve também várias tragédias nesse mês, como por exemplo: A morte do Ayrton Senna, que para muitos, foi o melhor piloto de Fórmula 1 até a atualidade. 

          Este mês me traz uma lembrança muito específica de um sufoco que passei. 

Em maio do ano passado, estava ocorrendo um campeonato competitivo de um jogo de tiro muito conhecido mundialmente, e a premiação era surpresa, o jogo consistia em 100 pessoas em um único mapa com  itens espalhados por todo este mapa, itens os quais ajudavam a vencer a partida, e esta, apenas vencia o último sobrevivente. 

          Para se qualificar ao campeonato era preciso passar pelas fases eliminatórias, estas fases eliminatórias eram bem simples de realizar, apenas era preciso ter ganho 3 partidas consecutivas, feito esse que eu já havia completado pois era um jogo que eu tinha muita experiência. 

          Então, apenas aguardei me chamarem para o grande campeonato. Eu estava mega ansioso para descobrir qual era o prêmio surpresa. Fiquei dias treinando para conseguir me destacar, até que então o grande dia chegou, foi anunciado a data da partida decisiva, e meu nome estava na lista. 

          Quando chegou o dia, eu me preparei todo para o momento tão esperado, foi anunciado o início: “Os jogos começaram em 5 minutos “, estava descrito assim que abria-se o jogo. 

          Faltando 10 segundos para começar, agarrei firmemente o mouse e já posicionei a minha outra mão no teclado, estava pronto.  

          “Contagem regressiva!”, escutei em meu fone. “3,2,1, e que comecem os jogos!” 

          Fechei meus olhos, respirei fundo e disse: 

           _ Seja o que Deus quiser, amém!  

          Neste momento, eu senti minha alma sair do meu corpo, como se tivesse morrido. Quando eu abri meus olhos percebi que eu havia sido abduzido para dentro do jogo, eu e todos os outros 99 participantes.  

          Eu nasci dentro do mapa, ouvi uma voz bem alta dizendo: 

          _ “Vocês estão dentro do jogo, o grande prêmio para quem chegar ao final é: Realizar um desejo e voltar ao mundo real.’’  

          Fiquei morrendo de medo, porém, corajoso eu fui para cima deles, eu queria vencer de qualquer forma. 

          Passaram-se 20 minutos, eu já estava equipado com vários itens, e o principal, armado até os dentes com armas dos melhores calibres, eu estava preparado para qualquer tipo de situação. 

          E então, aquela voz tornou a falar: 

          _ Restam 10 jogadores vivos, a área será diminuída!  

          Eu fiquei apenas esperando, escondido como uma cobra, preparada para atacar em qualquer circunstância. 

          5 minutos depois a voz voltou outra vez: 

          _ Restam 3 jogadores vivos! 

          Eu logo pensei: “São apenas eu e mais 2”, rapidamente tripliquei minha atenção, pois agora estava muito mais complicado, o mapa diminuía cada vez mais, estávamos em uma área de aproximadamente 250 metros quadrados. 

          Quando eu menos esperava, levei um susto com o que eu reparei em minha frente: 

          _ Vitória, você foi o grande vencedor, meus parabéns!!! 

          Em seguida a voz explicou que os outros dois jogadores se mataram ao mesmo tempo, logo eu acabei sendo o campeão sem disparar um único tiro. 

          Então eu perguntei a ela: 

           _ Todos os outros morreram de verdade? Ela me respondeu que sim.  

           _ Então o meu desejo é que traga de volta a vida de todos ou outros! Ela ficou surpresa com o meu pedido, mesmo assim, o realizou. 

            Eu voltei para o mundo real com a feliz por ter vencido e com a consciência limpa por ter recuperado a vida de todos, mesmo perdendo o meu prêmio. 

 

Luiz Felipe Feitosa Da Silva – 1º  ELO 

 

O DIA EM QUE O SOL SUMIU 

 

Era uma bela madrugada de maio de 2020, o cometa SWAN tinha acabado de passar, o dia mal tinha começado e já prometia ser inesquecível, e infelizmente eu estava terrivelmente correto. Eu e minha esposa Carla estávamos em casa, observando a passagem do corpo celeste, o fenômeno tinha acontecido perto do crepúsculo, o que deixava tudo mais lindo, mas ao invés da lua vir e tomar o lugar do Sol, parecia que ela o tinha engolido, quando nós percebemos, Carla me olha e diz: 

– Renato, você viu aquilo? – Com uma feição de medo, sendo que o pior ainda estava por vir. 

– Sim, isso não é possível! – A respondi mais aflito ainda. 

Poucos momentos após isso, meu telefone celular começa a vibrar freneticamente, eram mensagens de nossos colegas que também viram o acontecimento e perguntando se tínhamos visto. A notícia rapidamente estava em todos os jornais, o mundo parou com isso. 

Até o momento a situação estava sob controle, entretanto, cerca de uma hora depois, não só luz do astro não estava mais presente, mas também, a luz das ruas e de todas as casas começam a piscar e desligam, foi possível ouvir gritos de desespero de todas as direções. Foi nesse momento onde todos pensavam que não podia piorar a situação, mas fomos surpreendidos novamente, pois estava tão escuro que não era possível de se ver um palmo a frente sem o auxílio de algum tipo de lanterna, com isso saques quase que imediatamente começam a acontecer, apontando as fontes de luz de emergência, era possível ver as pessoas indo direção ao mercado próximo de casa e pegando alimentos para estocar, já que não se sabia quando e se iam voltar ao normal as coisas. 

Carla e eu demos sorte de ter ido fazer compras no dia anterior, então tinha comida para um período considerável, mas ainda era necessário proteger nossa casa, já que não eram só mercados que estavam sendo assaltados, e sim todos os lugares que as pessoas podiam entrar. Indo até as saídas de casa, eu olho para Carla nos iluminando com meu celular e a digo: 

– Amor, teremos que nos separar, vou deixar meu celular aqui e nos encontramos depois, certo? – Tremendo com receio de que algo pudesse com ela. Ela pega na minha mão e responde: 

– Okay, por favor, toma cuidado. – Com lágrimas escorrendo no rosto. 

– Digo o mesmo – Falei já indo para a porta dos fundos. 

Após isso, há uma lacuna em minhas lembranças, e começo a me recordar de tudo somente quando estava sentado, preso e desnorteado. Carla tinha sumido, e uma luz fraca de cor alaranjada estava sobre a minha cabeça. Fico zonzo por um tempo considerável, e quando começo a recobrar a consciência, um homem de terno preto se aproxima, me olha e me diz: 

– Olá Senhor Renato, desculpe-me pelo inconveniente, iremos resolver este empecilho, tudo que aconteceu foi o maior dos enganos, estamos atrás de outra pessoa. Não se preocupe em contar o que aconteceu, você não ira conseguir. 

Eu não entendi nada do que ele disse e fiquei muito intrigado com tudo depois disso, principalmente pois novamente um buraco aparecia em meus pensamentos. Quando recobrei os sentidos, eu estava ao lado de Carla, observando o SWAN, por um momento achei que foi tudo um pensamento estranho em minha mente, mas quando nós estávamos indo para dentro de casa, vi o mesmo homem acenando ao fundo, quando o vi tentei contar a minha esposa, mas ele estava certo, eu não conseguia, as palavras não saiam da minha boca. Ela me olhou e falou: 

– Está tudo bem? – Com uma preocupação enorme no rosto. 

– Sim, estava só pensando no cometa. Espero que ele traga coisas boas.  

 

 Gustavo Tavares de Sousa – 1º ELO

 

Órfã 

 

Naquele domingo, eu completaria 12 anos dentro daquele orfanato. Segundo a irmã Débora, na segunda semana do mês de maio de 1974, especificamente naquele dia em que celebram o dia das mães, uma mulher, supostamente minha "mãe", me deixara em frente de sua porta. Desde então fui cuidada pelas freiras. Mas não era a mesma coisa que ter uma mãe.  

Elas nos ensinavam e nos alimentavam, porém não tinha ninguém em que eu pudesse confiar, abraçar, contar meu dia, falar horas e horas sobre minhas fantasias que escrevia ou até mesmo chorar em seu colo por algum motivo alheio, alguém que realmente se importasse comigo.  

Também não possuía a melhor das relações com as outras garotas de lá. Eu era sempre tachada de esquisita, lunática ou "imaginativa demais" (que para a irmã Sarah era um enorme problema). Não ligava para nada disso, com certeza era bem solitário, mas eu tinha a ilustre companhia de um amiguinho, um gato, que uma vez ficara preso entre as grades da janela da cozinha, desde que ajudei a libertá-lo ele vem me visitar toda semana. Além disso, tinha uma biblioteca enorme com livros incríveis só para mim, já que mais ninguém a usava, pois era proibido entrar lá. 

Um dia, em uma das minhas "missões secretas" para entrar escondida na biblioteca, Maria, uma das outras órfãs que não gostava de mim, me flagrou, e mesmo insistindo para que não fizesse isso, ela me entregou para as irmãs. Para minha infelicidade, trocaram o cadeado que trancava a porta da biblioteca e me deixaram de castigo em meu quarto por mais de um mês. Desde então, minha rotina ficou sem graça e pacata, até o gato deixou de me visitar após eu não aparecer por causa de meu castigo. 

Em maio do ano seguinte, uma jovem e bela mulher apareceu no orfanato, ainda triste por ter perdido sua filha em um acidente, queria adotar uma criança para preencher o espaço vazio que ficara em seu coração. Era muito raro aparecer alguém querendo adotar uma de nós, então era motivo de muita euforia e felicidade. Entretanto, eu não ligava mais para isso, já tinha desistido de encontrar um lar...  Mas, surpreendentemente, eu a lembrava de sua filha, então por isso me escolheu para adotar. As irmãs, surpresas, a alertaram sobre meus "problemas", mas ela não ligou:  

_Uma jovem com uma imaginação tão fértil não é um problema, é uma virtude!  

Então, no mesmo domingo em que fui abandonada na porta do orfanato há 13 anos, encontrei um lar e uma mãe. Doce, gentil, bela e carinhosa, que em sua enorme casa tinha uma biblioteca particular e um lindo gato cinzento. 

 

Leonardo Pereira Tamasi – 1º ELO 

 

 

Conto de maio 

 

No início de maio, Ana Paula havia recebido um convite para uma festa no céu, mas não sabia de quem ou o porquê, mas sempre que abria o convite, o teto e o chão giravam, as paredes desapareciam, o mundo parecia virar um conto de fadas. O convite dizia que a festa seria no salão de nuvens, cercado pelas luzes das estrelas à meia-noite. Por curiosidade, pensou em aceitar o convite. 

No meio da noite, ela abriu novamente o convite, mas diferente das outras vezes que ela aparecia em uma floresta com arco-íris e rios cristalinos, ela havia sido levada à um palácio feito do que parecia algodão doce, mas ao ver melhor era possível perceber que eram nuvens. Encantada com o lugar, não parava de sorrir de tanta animação, Ana apenas queria correr pelo lugar e ver tudo, mas havia muitas pessoas ao seu redor, então não o fez.  

Já estando parada pesando no que fazer já havia algum tempo, acabou se decidindo a seguir as pessoas que entravam por um grande portão. “Provavelmente ali deve de ser o salão de nuvens”, pensou. Ao entrar se deparou com cascatas, cavalos brancos com asas, mesas cheias e muitas coisas que nem sabia como descrever.  

Ana estava se deparando com um novo mundo, diferente de tudo que já tinha visto. Mesmo vendo em sua frente tudo, estava congelada, talvez de animação por tantas coisas maravilhosas, ou de medo, por não saber mais o que era real ou não. 

Um jovem se aproximou de Ana, se apresentou como o anfitrião do evento, disse seu nome, mas ela não entendeu, parecia um dialeto completamente diferente, então apenas se apresentou a ele, disse o seu nome e que estava tudo tão bonito. O jovem apenas sorriu e, logo em seguida, a convidou para uma dança. Com a música tão suave, como se deitasse em seda e voasse em meio às nuvens.  

Depois de se encantar com o novo mundo, dançar e conhecer o anfitrião da festa, pensou em ir embora, pois o dia seguinte seria cheio. Ao tentar sair do majestoso salão, Ana se viu em um pequeno contratempo, ela havia perdido o convite e não sabia como voltar. Ela pensou que deveria ter deixado cair no meio da dança, então voltou para dentro para procurar.  

Depois que quase todos haviam desaparecido com magia ou voado para longe com seus cavalos alados, Ana Paula, cansada sem saber o que fazer começou a adormecer, seus olhos foram se fechando lentamente, mas então viu um vulto, mas dormiu. No dia seguinte, acordou em seu quarto, vestindo um pijama comum. Não havia mais cavalos com asas ou paredes de nuvens, apenas seu próprio quarto.  

Após alguns dias, já tinha de conformado de que aquilo deveria de ter sido apenas um sonho. Bom, isso até receber outro convite que dizia “Ansiosamente espero que nossos mundos se cruzem novamente”. Não havia assinatura, nem nada mais do que esse recado. 

 

Caio Shoji Yamaguchi- 1º ELO

 

 

O jardineiro e a flor-de-maio 

 

Um jardineiro entusiasmado para comprar uma nova flor para seu canteiro, foi ao mercado de plantas. Estava à procura de alguma planta que o encantasse. Não sabia exatamente como queria que a planta fosse, mas continuou procurando. Passou pelas tulipas, pelos lírios, pelos girassóis, pelas gérberas, até que se deparou com a flor mais bela que já havia visto em toda sua vida, foi amor à primeira vista. Suas pétalas eram tão cor de rosas que qualquer rosa passaria desapercebida perto dela, folhas tão verdes que até um limão não chegava aos pés de sua cor, seus olhos brilhavam de tanta beleza em uma só flor. Era a flor-de-maio.  

Realizado voltou para seu jardim e plantou a flor com a maior delicadeza. Todos os dias cuidava de seu canteiro com muito amor, mas sempre dava um amor a mais para sua nova companheira.  

Com o passar dos dias, a belíssima flor foi murchando, dia a dia mais pétalas caiam. O jardineiro sabia que daqui a pouco ela iria florescer novamente. Mas, passaram-se meses e seus botões não cresciam. Para saber mais sobre como era o período de florescimento da planta, perguntou para um velho vizinho que também era jardineiro. Ele lhe disse que não gostava daquela flor porque só florescia uma vez por ano, somente nos meses de maio e falou que era por isso que muitas vezes era desprezada.  

Logo voltou para o seu jardim e observou minunciosamente cada detalhe de sua planta e fez um voto de eternidade para ela. Prometeu que todos os dias de sua vida cuidaria dela como se fosse a única e última flor existente no mundo até o último dia de sua vida. 

Assim, o homem cumpriu sua promessa. Cotidianamente, após um reforçado café da manhã ia ao canteiro regar seu verdadeiro amor e cuidar de sua terra, de suas raízes, de suas folhas e no mês de maio, de cada pétala. Todos os anos foram assim e sempre no primeiro dia de maio, o homem comemorava que os botões iriam florescer subitamente e aquela esplendida flor iria renascer. 

O jardineiro envelheceu, mas sua companheira continuava a mesma desde o dia que tinha a comprado.  

Em uma certa amanhã de inverno, o homem não se levantou para tomar seu café da manhã reforçado e não foi dar amor para sua planta. Sendo assim, no último dia de vida, a flor-de-maio floresceu no inverno rigoroso, homenageando o amor da sua vida, o jardineiro.  

 

 Camilla Matoba Aragaki – 1º EDI

 

São Paulo, 19 de maio de 2020

 

Tudo começou em maio, recebi uma carta sem remetente, que dizia somente “Já faz muito tempo que eu escolhi você/ Confesso, fiquei tenso/ Mas você me escolheu também”. Fiquei surpresa, já fazia tanto tempo que eu não me relacionava com ninguém. Acabei não dando muita atenção a isso porque poderia ter sido engano.  

Em junho, recebi outra carta, novamente sem remetente. “Ver nossas mudanças/ E o que nos fez crescer”, será que isso seria uma continuação da primeira carta? Comecei a ficar intrigada, quem estaria me enviando aquilo? Será que eram realmente para mim? 

Em julho, dessa vez a frase era “O amor é tão bonito/ E também pode doer”, se fosse realmente para mim, tinha a chance de serem tantas pessoas, porque de sofrer por amor eu entendi bem quando mais nova.  

Em agosto, agora as cartas chegavam sempre no mesmo dia, já tinha começado até a me acostumar com a situação “Tenho idade o suficiente/ Pra saber que nada é pra sempre/ Sem saber de nada ao mesmo tempo/ Mas, com você, tudo pode ser”. Acho que essa história já deve ter acabo, será que quem me envia isso quer lembrar a pessoa amada do ocorrido? 

Em setembro, “Tudo pode ser”.  

Em novembro, “Quanto tempo faz que nossas vidas se cruzaram?/ Deu até pra ver você envelhecer” percebi que eu estava acompanhando uma história de amor que nem minha era, mas de qualquer forma, estava achando tudo tão lindo, porque não continuar acompanhando? 

Em dezembro, a cada carta, eu ia sentindo mais realidade nessa história, como se eu entendesse cada momento. “Tomamos aquele troço estranho/ Dançamos no apartamento/ Até hoje eu não me lembro/ Acho que nem você” 

Em janeiro, “Hoje sei que já fui ferido/ E também já feri você/ Sem saber/ Foi tudo ao mesmo tempo”, com certeza esse relacionamento não foi um mar de rosas, o que poderia ter acontecido? Só esperando a próxima carta para saber... 

Em fevereiro, “Mas, com você, tudo pode ser”, depois de ler essa frase, quis tanto ser a personagem principal dessa linda história.  

Em março, recebi mais uma vez a frase que me deixa tão instigada “Tudo pode ser”. Quantos sentidos ela poderia ter? Acho que agora estou vivendo para ver qual o fim dessa história.  

Em abril, já estava tão imersa nessa história. Fiquei a espera de mais uma carta, uma continuação para aquela última frase, mas ela não veio. 

Em maio, quando já nem tinha mais expectativas de que viesse algo novo. Fui olhar minha correspondência e lá estava ela, a minha tão esperada carta. “Você apareceu na hora certa/ Das coisas abstratas que se passam da cabeça ao coração”. Depois de ler, fiquei pensando que aquilo não me parecia estranho, tive certeza de já ter lido – a antes, então comecei a pesquisar. Assim que coloquei a frase no site de busca, apareceu uma música chamada “Oh meu bem”, decidi ouvir, não custava nada.  

No instante em que coloquei o play, me vieram todas as memórias à tona. A cada frase, a cada nota; vinham mais e mais memórias, mas era uma eu diferente do que sempre me entendi ser. Lembrei- me de cada detalhe, cada sentimento... 

Agora só me resta saber, terá isso acontecido de verdade, mesmo que em outras vidas ou foi tudo fruto de minha imaginação? 

 

Beatriz de Oliveira Besseler – 1º EDI

 

 

Perda  

 

Hoje, era um dia alegre para muitas pessoas menos para ele. Em pé em frente a uma lápide, em um cemitério mais distante da cidade, encontrava-se um rapaz coberto por um sobretudo preto que encarava uma das lápides com tristeza e pesar em seu olhar.  

O mês de maio para ele sempre fora o mais alegre, porém, agora, esse mês só lhe trazia mais dor e sofrimento pela perda de alguém tão importante, já se passaram anos desde que o acidente aconteceu. Para muitas pessoas foi só mais um que apareceu na Tv, que elas nem ao menos se deram ao trabalho de olhar, pois ninguém acha que algo tão horrível vai acontecer com você, até acontecer. Ele era uma dessas pessoas.  

O universo é traiçoeiro, vira tudo de ponta cabeça quando se menos espera. E, com certeza, ele não esperava que, ao voltar para casa, naquele mesmo dia, há anos, receberia a pior notícia que já recebera em toda sua vida.  

O dia das mães não poderia estar mais bonito, o céu estava azul celeste repleto de nuvens branquinhas e as ruas por onde passava nunca pareceram tão brilhantes.  Fazia algum tempo desde a última vez em que esteve em casa, agora voltara para passar esse feriado com sua família. Ao andar pelas ruas, avista uma lojinha com fachada simples, porém, lustrosa e elegante, e algo em sua vitrine chamou a atenção do jovem rapaz, ele avista um lindo colar com uma correntinha de ouro e um pingente com uma rosa vermelha, vai até a loja na intensão de olhar melhor e, quando para em frente à vitrine, uma senhora que, já parecia desgastada pelo modo de vida, aproxima-se de si e diz: 

- Ó, meu menino, eu sinto muito por sua perda.  

O rapaz encarou a senhora confuso, nunca perdera ninguém durante toda a vida, por conseguinte então resolveu ignorar o que ela havia dito e perguntar o preço do colar. 

- Se quer o colar, pode ficar com ele, menino. Você precisará bem mais que as outras pessoas que o quiseram comprar. 

-  O colar não é para mim, é um presente. - Diz o rapaz pegando o colar que a senhora acabara de lhe estender. 

- Ó, menino, este colar ficará com você por muito tempo. 

O rapaz não entende o que ela quer dizer, então, simplesmente, se afasta da loja voltando a seguir seu caminho. Ao se afastar, seu celular toca em um som estridente e ao olhar vê uma chamada de um número desconhecido e logo resolve atendê-lo. 

- Alô, senhor, você é parente de uma senhora chamada Mary Barrow? 

Ao ouvir aquele nome, um desespero se aloja em seu peito, porém, tudo que responde é: 

- Sim. 

- Sinto lhe informar, mas a senhora Barrow acabou de falecer devido a um acidente de carro. O senhor ou algum responsável deve vir ao hospital dar baixa nos documentos... 

O celular escorre entre os dedos do rapaz e desaba colidindo com o chão, ele não conseguia acreditar naquela notícia, e ao pensar nisso logo se lembra da senhora daquela pequena loja que o havia consolado sobre uma perda que nem sabia que tinha.  

Ele corre em direção à loja, pois não achava possível uma desconhecida saber sobre aquela morte antes do mesmo, porém, quando chega lá, a loja estava vazia e escura, quase parecendo abandonada, bem diferente de como ele havia visto.  

Quando pega o colar em seu bolso, olha para a rosa que antes era bem vermelha e agora estava enegrecida e sombria.  Aquele colar era para Mary Barrow, a pessoa mais especial do mundo, aquela que podia mudar seu humor apenas com poucas palavras. Sua mãe. 

Depois que as lembranças do dia do acidente voltaram a sua mente, ele sabe que é hora de partir daquele cemitério sombrio e pútrido, com uma promessa silenciosa de que não voltaria mais lá com tanta frequência. E para selar a promessa, deixa sobre a pequena lápide o colar de rosa que havia comprado naquele mesmo dia a muito tempo. No final das contas, aquela senhora tinha razão, ele tinha ficado com o colar por muito tempo desde que o comprara, agora era hora de dá-lo à verdadeira dona.  

 

 Camila Rodrigues Santa Rosa da Cunha - 1º EDI 

 

Cosmos 

 

A bagunça havia começado no mês de maio. Era descontrolada como um furacão e forte como um terremoto. Essa confusão afetou não somente a vida dos seres humanos, mas como também a vida existente em todo universo. 

O jovem novato que tinha um sorriso travesso desenhado em seus lábios era o responsável pela confusão. Havia sido contratado naquele mês como coordenador de entregas no trabalho do seu tio. 

Caos, seu tio, tinha o trabalho de controlar e manter a ordem do Universo. Sim, ele era o deus do Universo, porém, os humanos não podiam saber disso. Por esse motivo, Caos havia criado uma empresa de fachada, chamada Universe, disfarçando o seu trabalho. 

Ele havia convidado o jovem Luke para ajudá-lo nas entregas intergalácticas que a empresa fazia. O rapaz aceitou de imediato, e, já no primeiro dia de maio, estava caminhando em direção à sede da Universe, um grande edifício de 46 andares localizado em Redwood City. 

O iniciante treinou e aprendeu por uma semana, e já havia memorizado todos os controles básicos para realizar as entregas. Seu trabalho consistia em comandar as entregas por meio de uma grande máquina cheia de botões, e assim manter a ordem do universo. Era bom no que fazia, apesar de ser brincalhão. 

Porém, o desastre começou no dia 8 de maio, exatamente às 23 horas. Luke estava de plantão quando as pequenas fissuras no espaço-tempo começaram a se abrir, e assim que viu que algo estava errado, apertou quase todos os botões na tentativa de pará-las. 

Estava em pânico. Tudo que fazia não estava funcionando. Até que encontrou o botão que memorizou em suas aulas com o seu tio. O botão parava as fissuras, porém resultava em fortes consequências nos universos paralelos. Apertou-o. 

No dia das mães, tudo estava uma bagunça. Milhares de pessoas haviam recebido certas entregas estranhas que pareciam de um conto de fadas. A desordem estava instalada. E não havia como parar.  

Enquanto o normal não voltava, Luke exaustivamente entregava bilhetes dizendo que “O atendimento será regularizado assim que possível” para todas pessoas afetadas, sendo esse o castigo dado por seu tio. 

 

Cindy Midori Honda - 1° EDI 

 

 

Conto de Maio 

 

Ao olhar para fora da janela de seu antigo quarto, Júlia depara-se com uma neblina que varre as árvores. Observa que as folhas estão demorando a cair esse ano. Mesmo assim, as lembranças dos momentos que passava com sua mãe tomam sua mente. Especialmente hoje.  

 

Mais um período da faculdade encerrou-se, por isso voltou para casa no dia anterior. Porém, esse regresso é diferente dos de costume. Sua mãe não foi lhe buscar na rodoviária, e nem tinha bolo de cenoura na bancada da cozinha quando chegou. Hoje, um membro importante da família não estaria presente na hora de assistir ao jogo. 

 

Júlia e a mãe sempre foram muito unidas, e o carinho que nutriam pela natureza era algo que compartilhavam. O programa favorito das duas nessa temporada, era andar pelos parques da cidade e sentir as folhas das árvores caírem sobre seus cabelos. E, mesmo sendo um mês de clima ameno, na maioria das vezes, tomavam sorvete à beira do lago ao final da tarde.  

 

Com o tempo, essas saídas ao parque passaram a ser apenas memórias, que causavam tristeza à Júlia. Mas, como sua mãe sempre disse: “Vamos pensar no futuro, e acima de tudo, sermos felizes sempre.” Então, era o que Júlia tentava fazer. Viver com felicidade.  

 

Observou que seu pai estava muito contente, com um sorriso de orelha a orelha. Curiosamente, a casa cheirava o famoso bolo de cenoura de sua mãe. Estranhando toda a situação Júlia perguntou a seu pai:  

-  Mas, pai, por que o senhor fez tudo isso? Está tudo bem?  

-  Agora que você está aqui, posso dizer que está tudo bem! Sei que para você não tem sido fácil também, mas saiba que, apesar de tudo o que aconteceu, devemos nos lembrar dessa data com gratidão e ternura. Tenho certeza de que esse era o maior desejo de sua mãe. - disse o pai de Júlia. 

 

Com isso em mente, Júlia tentou deixar ao máximo aquele desânimo de lado, e começou a preparar os pratos para o evento daquela noite. Era uma tradição que, independentemente de quanto tempo passasse, ela a manteria.  

 

A hora chegou, e quando se deu conta, todos da família, desde seus avós até seus primos, encontravam-se aconchegados no sofá de casa esperando o jogo começar. Esse episódio era quase sagrado para eles. Principalmente agora, que era a melhor forma de se recordarem de sua mãe.  

 

Sua mãe se foi há um ano, porém, suas memórias com ela se mantêm vivas. E se manterão ad aeternum. A saudade a consome dia após dia, mas como seu pai disse, ela adoraria que a alegria da vida se mantivesse, e era nisso que Júlia se empenhava todos os dias. Após uma noite de muitas risadas, brincadeiras e recordações, Júlia foi dormir feliz e sem aquela tristeza em seu peito. Disse a seu pai que tentaria visitá-lo sempre que pudesse. E isso era uma promessa.  

 

Isabella Gozzi C. S de Oliveira - 1º EDI 

 

 

O caminho da esperança

 

Flores estão por todos os lados, sumindo aos poucos nesse mês de maio. Todos ao meu redor estão felizes, rindo ao lado de alguém, deve ser um sentimento bom. 

Realmente não entendo o motivo de ter levantado da cama hoje. Tenho a sensação de que a qualquer passo eu vou cair, mas continuo, mesmo com medo. O vento surge e assim eu paro. 

Meus olhos se fecham, imagino como seria se houvesse apenas eu e o vento que sopra forte no meu rosto, trazendo uma sensação de liberdade, o mundo pode ser assim fora da minha imaginação? Esse vazio nunca foi tão confortante. 

Respiro forte, a luz natural aos poucos começa a ressurgir e assim percebo que andei 10 passos para trás durante todo esse tempo. Dessa vez corro, a vida me deu mais um motivo para viver. 

No meio do caminho, encontro pessoas de todos os tipos e elas olham para mim com um sorriso verdadeiro no rosto. Isso me anima, me deixa feliz, me deixa viva. Lágrimas de alegria caem do meu rosto. Emocionada, chego ao fim do caminho onde havia uma mulher me esperando. 

- Mãe? 

A única resposta que recebo é um sorriso em minha direção, então tudo desaparece e volto para minha casa em um piscar de olhos. Tudo foi em vão, minha esperança era apenas fruto de minha imaginação, estou perdida no escuro novamente. 

E quando estou prestes a deitar na cama, ouço alguém me chamar. Assusto-me, mas viro para trás e o cinza vira colorido. Recebo um abraço puro de amor e retribuo. 

- Feliz Dia das Mães! – Diz a pequena criança na minha frente. 

 

 Ana Gabriela Paduan da Silva – 1º EDI

 

Há dias que é fatigante me manter na luz. Talvez seja pelo constante conflito sobre que irá se manter sob os holofotes, não vou mentir, não gosto quando elas tomam a luz. Beth sempre pinta lugares do mundo real, porém com algumas formas abstratas ou entidades que parecem ser de outro mundo, então suas roupas estão sempre cheias de tinta.  

Em seus diários (lidos sem seu consentimento), ela relata que vê seres de outro mundo e que esses seres sempre estão falando em sua cabeça. A doutora Collins receitou alguns remédios para Beth após uma consulta em que ela estava na luz. Disse que não se pode esquecer de tomá-los, então sempre no mesmo horário Beth assume para se medicar. Eu não sei por que ela os toma, nem me diz a razão. Eu sei que, desde sempre, ela agia de forma peculiar, por assim dizer, mas sempre achei que era uma forma de mostrar que se preocupa com Laura, até porque nós existimos graças a ela. Mas, há algum tempo, ela diz que as vozes ficaram mais altas. Acho que ela não tem tomado os remédios corretamente, ou talvez seja pelo fato de que fomos expostas ao mundo, devido à pesquisa da Doutora. 

Lisa é louca, no pior sentido da palavra. Ela é totalmente desequilibrada e apática, por essas razões ela não assume a luz por muito tempo, somente nas consultas com a Doutora Collins. Ao que me parece, Lisa gosta da doutora, mas ainda temo que ela se descontrole na consulta. Lisa tem uma aversão aos homens, provavelmente por causa do irmão de Laura. Laura sofreu muito devido a esse sujeito deplorável, então imagino que Lisa foi originada da dor e raiva de Laura, e talvez isso explique o desequilíbrio de Lisa, e talvez mostre que ela se importa com Laura. 

A exposição causada pela Doutora acabou nos fazendo mal. Parecemos animais em um zoológico ou peixes em um aquário sendo alvos de pesquisas invasivas. Todas nós concordamos que já está na hora disso acabar. A repercussão desta pesquisa foi tamanha e acabou sendo insuportável para nós. Beth não assume a luz faz tempo, pois diz que os pesquisadores são vampiros que querem se alimentar de seu cérebro, então, na maior parte do tempo, sou eu que me mantenho na luz e Lisa acaba assumindo poucas vezes. Então tomamos uma decisão que será melhor para nós. Estamos nos protegendo e evitando sermos tratadas como ratos de laboratório, tudo que conquistamos será deixado para trás. Obrigada, Doutora Collins, por nos ajudar. Adeus. 

 

Carla de Almeida Batista – 1º DS 

 

 

Invasão 

 

Hackers, são malvados, são indetectáveis, são destemidos. Acho que não. Sábado, dia de descanso, Joel, um menino alto de olhos escuros, seu objetivo era conseguir acessar o principal banco de dados dos EUA. 

         Ele tinha que criptografar uma série de arquivos, ele começou tentando quebrar a senha da chave de acesso, ele resolveu em 15 minutos e divulgou no seu Twitter. 

Mais tarde ele recebe uma mensagem em seu celular, com o DDD de um país desconhecido, era uma mensagem em código Morse, traduziu e estava escrito “Você descodificou a chave mais segura do planeta, queremos você conosco, nessa mensagem há um enigma, se você encontrar, está dentro, assinado Anonymous” 

Ele passou horas e horas trabalhando nisso, finalmente conseguiu, no mesmo instante ele recebe uma mensagem “dizendo olhe para trás”, ele olha e algo cobre seu rosto com um pano e ele desmaia. 

Acorda em um galpão, escuro, sujo, ele sem entender nada, olha para frente, vê um homem com uma mascará estranha, ele fala que nosso amigo Joel descodificou uma coisa em 15 minutos que nunca ninguém havia conseguido, e me disse que agora eu estava sendo procurado em 156 países do mundo. 

Volta para casa desesperado, alguém bate em sua porta, era alguém não muito conhecido, Donald Trump, ele ficou com muito medo, até tentou correr para a janela da cozinha, havia 4 seguranças em cada saída de toda casa. 

O pegaram e levaram para um quarto escuro, ele já sabia que o seu fim estava próximo, até que entra o presidente e lhe convida para fazer parte das forças especiais de tecnologia dos EUA. 

Não entendo esses hackers, na verdade não entendo os humanos. 

 

Mateus Freitas Cintra - 1º DS 

 

Quarentena 

 

Maio, meu mês favorito, todo final de semana eu ia andar de skate com meus primos, segunda ia pra escola de metrô, o que já havia virado rotina, tudo se repetia, dia por dia, semana por semana. 

Junho, comecei a perceber algo estranho no meio da agitada cidade onde moro, algumas pessoas com a pele meio esverdeada, não sei se eram meus olhos ou algo muito errado estava acontecendo. 

Julho, estava assistindo televisão com meu cachorro, comecei a ouvir um barulho muito alto vindo do céu, quando olhei vi um anel gigante flutuando, na hora liguei para meu vizinho, ele não estava vendo, logo percebi que o anel estava em frente à minha casa e alguém estava chamando meu nome, saí de casa e fui conferir, nesse momento vi um ser muito diferente de tudo que eu já havia visto em toda minha vida, ele falava uma língua estranha e algo em seu pescoço traduzia para português. Ele me disse que seus amigos estavam no meio de nós, humanos, e foi embora. 

Agosto, ainda confuso, fui para escola tranquilamente, na hora de minha chegada, olhei para dentro da escola e vi homens com máscaras e roupas especiais, eles estavam com mangueiras que soltavam um tipo de gás. Vi minha professora de português ao lado da porta, ela estava com rosto de desesperada e me disse que as aulas haviam sido canceladas e que todos precisavam ficar em casa. 

Setembro, já estava no meu terceiro sono, quando escutei aquele barulho novamente, fui lá para fora, encontrei aquele mesmo ser, ele me disse que eu deveria evitar pessoas pois eu corria perigo, mesmo muito confuso entrei em sua “nave” e apaguei. 

Acordei em uma maca de um hospital, que por sinal parecia muito tecnológico, percebi olhando pela janela, muitas casas destruídas, e vários daqueles seres circulando pela cidade, olho para o lado, havia uma enfermeira bem baixinha com a pele verde, perguntei em que mês estávamos, ela respondeu maio. 

 

 Mateus Freitas Cintra - 1º DS 

 

A escultura 

 

Havia em uma caverna, escura, sombria, triste, uma escultura, a mais perfeita, a escultura de uma mulher. 

Começamos em uma cidadezinha, chamada Ayr, uma menina, muito curioso, todos os dias queria sair de casa, para fazer qualquer coisa, menos fazer nada. 

Em uma de suas expedições, ele acabou encontrando crianças fora de sua cidade, elas eram estranhas, de longe, parecia que não tinham olhos, escutando o que eles estavam conversando, nosso menino percebe que estavam se alertando sobre algum mal que estaria perto. 

A menina, não pensa duas vezes, vira e na hora que daria seu primeiro passo para fugir, ele pisa em um galho, as crianças percebem sua presença e o chamam. 

Elas o contam que existe um homem, chamado Logan, que quer tirar toda vida, da cidade que moro, e ele faria isso quebrando a escultura da vida, que estaria em uma caverna, as crianças o pediram para pegar e escultura antes do Logan, e que se o fizesse, ele teria poderes inimagináveis, poderia enfrenta-lo, voltou para casa. 

No dia seguinte, ele tomou café reforçado e foi para a tal caverna, lá chegando, ficou amedrontado, pois eram pedras cheias de lodo, parecia algo que existe desde sempre, ele entrou mesmo assim, o quanto mais entrava na caverna, via uma luz verde no fim de seu campo de visão,  eram cristais, que apontavam para uma escultura. 

No momento que ele encostou na escultura, viu tudo, tudo o que havia ocorrido com sua cidade e com o mundo, sentia coisas que nunca havia nem sonhado. 

Não demorou muito para Logan chegar, era um homem alto, com uma espada, que parecia muito poderosa, ele conta que havia dizimado todos na cidade de Ayr, com ódio no coração, a menina não hesitou, partiu para cima dele, com seus poderes, podia controlar os animais e se transformar. 

Acorrentou Logan com cipós e o prendeu dentro da caverna. 

Ela agora cuida da floresta ao lado de sua antiga cidade, e “Sim!”, seu nome é Ashlin. 

 

Mateus Freitas Cintra - 1º DS 

 

A besta protetora 

 

Era dia 20 de maio, tinha saído de casa para ir visitar minha família do outro lado da vila, mas tinha que ter cuidado, infelizmente só havia um caminho possível para que eu chegasse na casa de meus pais, e este caminho era bem perigoso, mas não um perigoso “normal”, com ladrões e outros tipos de criminosos, muitas pessoas que passaram por lá recentemente disseram que havia uma criatura que atacava todos que passassem pela rua, mas como eu tinha prometido há mais de um mês que ia visitá-los hoje, então fui. 

Quando cheguei no local onde disseram que a criatura poderia começar a aparecer estava um silêncio total, parecia que não havia uma alma viva por lá, mas segui meu caminho, teria que aguentar mais um quilômetro com esta tenção e o silêncio gelado que estava na rua. Depois de andar um pouco mais consegui ver alguém e fui falar com ele, mas quando cheguei perto da do homem ele virou para mim e gritou: 

- Melhor você correr enquanto pode! A besta está vindo, e você está no território dela, melhor sair logo daqui! 

Perguntei se ele estava bem, mas logo depois o homem saiu correndo pelo caminho que eu estava vindo, o ignorei e continuei andando, devia ser somente um louco que estava passando por ali. 

Após um certo tempo andando, a rua já estava acabando e eu estava chegando na casa de meus pais, porém, quando estava perto do fim da trilha, escutei um barulho vindo de trás de uma árvore, então uma sombra saltou e começou a correr de um lado para o outro, não consegui ver o que era exatamente, mas corri imaginando que seria a besta que todos estavam falando e que o louco tinha me avisado, mas antes que eu pudesse andar 50 metros, a sombra pulou e parou na minha frente, acabei caindo com o susto e a besta apoiou sua pata em cima do meu peito, neste momento pensei que tudo tinha acabado, então somente fechei meus olhos para não ver o que iria acontecer e falei alto: 

- Por favor me deixe ir, prometo que não irei mais passar por aqui, só me deixe ir embora! 

Mas, a única resposta que tive foi um rugido acima do meu rosto, até que, inesperadamente, escutei um rugido bem mais fraco, como se fosse de um filhote, o peso da pata no meu peito sumiu, então abri meus olhos para ver o que tinha acontecido, e o que vi foi a “besta que estava tentando me devorar” segurando um filhote com sua boca e o escondendo atrás da árvore porque ele tinha fugido, quando vi isto entendi que, na verdade, a criatura só estava protegendo seus filhotes. 

Minha primeira reação foi tentar explicar que não iria fazer nenhum mal para eles, que só precisava passar para ir a casa de meus pais e depois voltar, mas ela não parou e rugiu novamente, quando isso aconteceu vi que havia um corte na nuca dela e parecia ter sido feito por uma espada. Prometi novamente que não iria machucar ela e nem os filhotes, acho que dessa vez ela percebeu que estava sendo sincero e foi embora, consegui ir à casa de meus pais, e quando cheguei lá me perguntaram por quê demorei tanto, expliquei tudo que tinha acontecido no caminho e para evitarmos que qualquer outra pessoa passasse por lá, eles se mudaram e continuei contando a história de uma besta que vivia por lá, mas o que não contei para ninguém foi que ela só queria proteger seus filhotes, por isso a raiva.

 

Henrique Alves Ferreira – 1º DS 

 

 

O dever de um cavaleiro. Contos de Arkia. 

 

Vivia, no reino de Arkia, um jovem rapaz que sonhava tornar-se um cavaleiro. Ele foi criado por seu avô, pois seus pais faleceram após terem sido atacados por um dragão branco no mês de abril. O jovem sobrevivente cresceu desejando vingança contra o dragão que tirou a vida de seus pais, por isso, ele passou sua vida inteira treinando para ter sua vingança. 

Anos se passaram e, em maio, o sonho do rapaz foi realizado, ele se tornou um cavaleiro. Um dia, o rei ordenou que os cavaleiros mais corajosos lutassem contra o poderoso Dragão Branco, que há anos havia tomado o território do reino. Nenhum cavaleiro se ofereceu para enfrentar a criatura, afinal, enfrentar o dragão era pior do que uma sentença de morte, entretanto, o jovem cavaleiro se ofereceu para lutar, afinal, essa era a sua chance de ter sua vingança.  

O rei então foi a público anunciar que o jovem cavaleiro iria trazer a cabeça do dragão e retomar o território que haviam perdido e que, com ele, usariam os recursos para melhorar a qualidade de vida da população. O jovem cavaleiro se sentiu honrado e feliz, pois agora a luta contra o dragão não era mais apenas uma questão de vingança, mas sim pelo futuro e bem-estar do seu povo. 

E assim, o cavaleiro foi em busca de realizar sua missão, no caminho, ele encontrou um homem, vestindo um manto azul e segurando um cajado, que o abordou. 

-Você planeja derrotar o poderoso Dragão Branco, não é mesmo? - Perguntou o homem. 

-Sim, como o senhor sabe? - Perguntou o cavaleiro. 

-Eu sei de muitas coisas meu jovem, sei inclusive as reais intenções do rei ao querer que você mate aquele dragão. 

-Do que está falando? - Perguntou o cavaleiro curioso. 

O homem ergueu seu cajado e, de sua ponta, uma esfera de luz apareceu e mostrou uma visão para o cavaleiro. Ela revelou que o rei, na verdade, queria o território para construir um novo e gigantesco palácio, um desejo egoísta impulsionado pela sua extrema vaidade e falta de preocupação com seu povo. Após a visão terminar, o homem de manto azul desapareceu, deixando apenas uma espada e um bilhete que dizia: “Com essa espada, forjada por 10 poderosos magos, você será capaz de matar o dragão e revelar a verdade a qualquer um, mas pense bem em quem você deve usar essa espada”. O cavaleiro passou horas pensando, aquela visão era real, ele sentia isso, mesmo assim, ele ainda tinha sua vingança a ser realizada. 

Finalmente, o cavaleiro encontrou o dragão e com a espada, conseguiu derrotá-lo. O dragão estava caído, fraco, bastava um golpe para finalizar o serviço. 

- É o fim! - Gritou o cavaleiro - Eu terei minha vingança pelo que você fez com meus pais. 

-Então você está aqui por vingança? - Perguntou o dragão surpreso. - Pensei que havia sido enviado pelo rei de Arkia. 

- Mas eu fui. - Falou o cavaleiro, relutante, após lembrar de sua visão- Você conhece o rei? 

- Anos atrás, ele tomou quase todo o meu território, quando eu o retomei, tentei propor um tratado de paz, mas ele queria meu território para construir seu palácio e por isso, ignorou-me completamente. Se você só deseja a vingança, vá em frente e termine o serviço. 

O cavaleiro abaixou a espada e percebeu que a sua visão era realmente verdadeira. Ele estava em um conflito. O código de honra de um cavaleiro, dizia que: um cavaleiro deve sempre lutar pelo povo e pela justiça, logo, o dragão não era seu inimigo e, além disso, ele só estava protegendo o que era dele, por tanto, não era justo tomar seu território, mas se não o matasse, ele nunca teria sua vingança e estaria descumprindo com as ordens do rei e seria sentenciado a morte por traição ao reino. Após pensar, ele tomou sua decisão. 

No final do mês de maio, o cavaleiro retornou ao reino de Arkia e, em praça pública, ergueu sua espada e uma esfera de luz surgir em sua ponta, após a luz baixar, ele revelou uma cabeça que estava segurando em sua outra mão, mas a sua coroa, agora pertencia a outra pessoa. 

 

Nota: Esse conto está ligado com o conto de abril. 

 

Henrique Yudi Ikeshiro – 1º DS

 

A miragem do quadro 

 

Em Paris, na França, existia um artista austríaco chamado Ludwig. Trabalhava fazendo encomenda de quadros, ou seja, era só ir em sua galeria de artes e pedir um quadro, que ele fazia. Depois de um dia cansativo, Ludwig foi dormir e teve um sonho um tanto inusitado. Sonhou com uma obra que despertava diversos sentimentos. Ele não sabia os descrever, porém, era uma pintura muito tocante. 

No dia seguinte, Ludwig não parava de pensar no que havia sonhado, mas, mesmo assim, foi trabalhar. Após ter atendido alguns clientes, chegou uma senhora em sua loja. Ela começou a descrever seu pedido e, por ironia do destino, a descrição era idêntica ao quadro que ele havia sonhado. Apesar, de sentir que conhecia aquela senhora, ele não perguntou. Apenas disse que iria terminar o trabalho imediatamente. 

Então, ele começou a fazer o quadro. Independentemente de ser um artista bastante experiente, Ludwig teve muita dificuldade para fazer a obra. Mas, com muito esforço e diversas tentativas, lá estava o quadro. Ele havia começado em fevereiro e só foi terminar em maio. Na opinião de Ludwig, aquela era sua melhor obra até o momento, tanto que, até estava cogitando em ficar com o quadro. Porém, a cliente já havia pago, então ele precisava entregar.  

No meio do caminho, até a casa da senhora, ele acabou sendo atropelado. Mas, de repente, ele acorda... Era tudo um sonho. Intrigado com tudo isso que havia acontecido, em seu sonho, Ludwig foi até a cozinha para tomar seu café da manhã. Porém, a senhora que havia pedido o quadro, estava na cozinha fazendo o seu café da manhã e o quadro estava emoldurado na parede de sua sala. Sem entender nada, ele apenas desmaiou. 

Artista têm uma galeria de artes, na qual, ele faz quadros. 

Depois de um dia cansativo, ele vai dormir. 

Quando dormiu, ele sonhou com um quadro estranho. 

No dia seguinte, vem uma senhora e pede para ele fazer um quadro e a descrição se parecia muito com que ele viu no sonho. 

Ele sentia que conhecia a pessoa, porém, não se lembrava dela. 

Porém, na hora de fazer, ele não consegue. 

Tenta várias vezes. 

No fim, quando termina, ele vai entregar o quadro para a senhora, mas, no meio do caminho, ele é atropelado. 

De repente, ele acorda novamente. 

 

Otto Almeida Laham – 1º DS

 

 

Ciclo de Cem Anos 

 

Dia cinco de maio de dois mil e cinco, esse foi o dia em que a minha vida mudou de uma vez por todas. Para muitos, apenas um dia qualquer, mas, na verdade, se trata de um ciclo que se repete a cada cem anos. Eu ainda posso ouvir os gritos das pessoas na minha mente, o medo, o pânico, toda a dor que aquelas pessoas sentiam, isso não sai da minha cabeça, em um mês que devia ser considerado o mês da felicidade acontecer uma tragédia dessas, isso é uma coisa que você nunca esquece.   

Para melhor compreensão desse acontecimento, é preciso voltar alguns anos no tempo. Mil novecentos e quinze anos para ser mais exato, uma mulher acaba de dar à luz a um menino, ninguém imaginava no que isso poderia resultar, naquela época isso foi motivo de festa, nesse mesmo dia, no dia cinco de maio do ano cento e cinco, o destino do mundo foi selado com uma maldição.   

Ninguém estranhou nada de imediato, mas, com o passar dos anos, a criança que acabara de nascer foi se tornando pouco a pouco a sentença da humanidade.   

Ano após ano, a natureza monstruosa daquele menino foi se revelando, ninguém sabe ao certo de onde ele veio, tudo o que sabem é que ele era apenas um filho bastardo criado pela mãe, mas, com o passar dos anos, diversos historiadores foram dedicando suas vidas a explicar esse fenômeno. A cada cem anos, nascia um monstro, uma criatura abominável que era movida por carnificina, que matava tudo e todos a sua volta, e o resultado dos corpos era assustador.  

E esse ciclo foi se repetindo, a cada cem anos, nascia um monstro que dizimava tudo e todos ao seu redor, pelo o que falam os estudos, a transformação só se concretizava quando a criatura completava quinze anos, era nesse momento que a carnificina começava. Essa criatura é chamada de vários nomes, ninguém sabe seu nome ao cento, várias pessoas tentaram explicar a sua existência, surgiram até religiões para adorá-la, mas nada disso importa mais.  

O que começou no ano cento e cinco, estendeu-se até os dias de hoje. Foi no dia cinco de maio de dois mil e cinco, em que eu vi com os meus próprios olhos aquela criatura, eu havia acabado de entrar no ensino médio, aqueles dentes afiados, aquelas garras gigantescas, os olhos cheios de sangue e suas orelhas pontudas, isso não sai da minha mente, todo aquele sangue, todos aqueles corpos dilacerados, mesmo depois de quinze anos o grito de toda aquela gente não sai da minha mente. Tudo o que eu queria era poder esquecer o mês de maio.  

  

 

André Portela Lino – 1º DS

 

Declarações de uma ajudante. 

 

Todos os anos, sou obrigada a trabalhar para o bom velhinho, morar no pólo norte faz de você um escravo, eu queria fugir de tudo isso.   

Felizmente nós, seres mágicos, podemos controlar o tempo, afinal, como conseguiríamos entregar tantos presentes em uma única noite? Bastava eu parar o tempo e correr, assim que estivesse bem longe eu descongelaria, e foi o que eu fiz, em maio, que fique claro, não temos muito para fazer nesse mês. Porém, eu acabei fraturando o universo, fiquei tão feliz com a liberdade que acabei demorando demais, e logo, meu chefe viria me buscar, mas eu queria conhecer o mundo dos humanos e saber o que é Superman ou será que era Shakespeare?   

Não importava, eu estava livre, mas, nesse mundo, eu conheci coisas que o ar frio do polo norte nos impede de ter. Infelizmente, fui descoberta e o meu superintendente me buscou às pressas, o bom velhinho me fez pedir desculpas para todos os prejudicados que receberam cartas e travessuras ao invés de presentes, mas eu fui obrigada a assinar em nome de Norman para que não suspeitassem.  

 

Carolina Dutra Moreira -  1º DS 

 

O Gari 

 

Era um dia comum em maio, um dia calmo, silencioso nessa pacata cidade, um clima seco e nublado, não havia nada de diferente nesse dia, todos trabalhavam normalmente, como qualquer dia normal, especialmente o Eduardo, que trabalhara como gari, e que nesse exato mesmo dia, não pôde passar com a família, e mais uma vez, passou o dia da família trabalhando e limpando sua cidade. 

Todo dia, Eduardo passava pela cidade, limpando todas as ruas e tornando a cidade mais limpa. Ele também acabava por olhar as outras casas, vendo as famílias reunidas tendo refeições grandes e bonitas, Eduardo sentia-se excluído, mas infelizmente estava acostumado com esse tipo de pensamento, mas sabia que seu trabalho na sociedade era super importante, mesmo os outros não demonstrando isso. 

No final do dia, quando começara a escurecer, Eduardo estava a caminho da sua casa, num bairro simples, porém muito limpo, que ele fazia questão de manter limpo. 

Seus vizinhos apreciavam o seu trabalho e achavam Eduardo uma pessoa incrível, todos os dias alguma pessoa agradecia o trabalho que ele fazia para as ruas e as poucas praças da cidade. 

Alguns vizinhos até convidaram-no para jantar em suas casas, já que sabiam que ele morava sozinho e tinha pouco contato com a família. Mas como ele era alguém muito humilde e não gostava de atrapalhar, ele recusava respeitosamente os convites. 

O próximo dia era 16 de maio, um dia, quando as pessoas de outros bairros, agradeciam ele por seu trabalho. Ele se sentia super honrado, mas não sabia o porquê de, naquele dia em específico, as pessoas o agradecerem, se em todos os dias da semana, ele era evitado pelos olhares e não recebia muitos agradecimentos. 

Depois de um dia cansativo, como qualquer outro, Eduardo volta a seu bairro, um dia calmo porém com um ar mais alegre, afinal, Eduardo começou a perceber que os outros o achavam algo insignificante na sociedade, pois existia uma data comemorativa conhecida como “dia do gari”, na qual ele descobriu quando chegou no bairro e foi aplaudido por alguns moradores de sua rua, que fizeram daquela noite, especial para Eduardo. 

 

Arthur Mariano Percinoto – 1º DS

 

 

O hotel 

 

No final de maio, com a temperatura aumentando, um homem chamado Steve decidiu tirar uma folga, na Flórida, de seu trabalho. 

Hospedou-se no hotel mais barato que conseguiu achar, o que pode não ter sido uma boa ideia. Descansaria por uma semana, esquecendo de seus problemas... Ou era o que pensava. 

Quando chegou no hotel, fez a reserva lá mesmo, pois não era possível fazer pela internet. Ele havia ouvido falar de um hotel incomum, mas barato, e por isso decidiu tirar uma folga. 

Foi em direção a seu quarto, passando por um corredor estreito, entrou, fechou a porta e o arrumou. Então escutou a porta bater atrás dele e abriu ela. 

– Olá vizinho! – disse um homenzinho sujo e estranho. – Eu moro aqui do lado do seu quarto, e tenho certeza de que vai amar esse hotel! 

– Ah... Você mora em um hotel? – perguntou confuso Steve. 

– Sim! O preço é tão baixo que isso é possível! Aposto que você também vai querer morar aqui no final... 

– Ok... 

O homem foi embora sem dizer mais nada. 

No dia seguinte, depois de acordar, Steve foi informado que era oferecido café da manhã, “que bom!”, pensou, não sabia que café era servido lá. 

Primeiro, deram-lhe bacon e ovos, e eles tinham uma aparência ótima, depois de comer, disseram a Steve que havia mais um prato melhor do que esse. Steve estava com fome e aceitou, mas o segundo prato não parecia melhor que o outro. Era verde, com um toque vermelho, gosmento, tinha pelos e pedaços estranhos dentro. 

Steve não sabia o que era aquilo, mas lhe tirou todo o apetite e lhe deu uma incrível ânsia. Saiu correndo para o banheiro e vomitou no vaso sanitário. Ele podia jurar que o que ele vomitou era a mesma gosma nojenta. Quando voltou, no prato só havia uma torta. 

Steve já não estava gostando muito de ficar no hotel, mas estava de visitar os pontos turísticos e relaxar na praia. No terceiro dia, Steve, ao acordar, quis sair do hotel o mais rápido possível para aproveitar o dia lá fora e evitar seja lá o que tivesse no hotel, porém, um grupo de hóspedes bloqueava o corredor dos quartos. 

– Aonde você pensa que vai? – os hóspedes diziam em uníssono. – Você não quer ficar mais? Não gostou de nós? Ora, nem lhe mostramos tudo o que temos! Pelo menos prove um pedaço de bolo! 

As pessoas ofereceram um pedaço de bolo a Steve, Steve recusou, mas as pessoas ficaram mais agressivas. “Coma! Coma agora!”, foi nesse momento que Steve realmente percebeu o enorme problema em que tinha se metido. Tarde demais. De uma coisa estava certo, não comeria o bolo, mas o que faria? Precisava pensar, mas não tinha tempo. 

As pessoas começaram a se aproximar, emitiam uma aura extremamente hostil, e ao mesmo tempo, seus olhos eram vazios. Steve entrou em um profundo e dominante desespero, “Por que eu não tinha ido embora antes? Pra que eu vim aqui?!”. Tomou uma decisão, uma decisão precipitada, pulou da janela. 

Steve nunca mais voltou ao trabalho. 

 

Asaph de Jesus Santos - 1°DS 

 

A Maçã de Heilvstone 

 

No ano de 2135, Heilvstone, uma cidade que foi pacífica por um tempo, perdeu sua paz quando uma epidemia atacou a cidade. Depois de tal acontecimento, os dias comuns se tornaram trágicos, com mortes a todo momento. 

Essa epidemia se tratava de uma bactéria naturalmente existente em porcos. 

Há muito tempo foi encontrado em pintura rupestre, uma representação de uma doença que se espalhou pela cidade e que possuía uma cura: a maça prateada. 

Os moradores da cidade, após o surto da bactéria, começaram desesperadamente procurar esta maça milagrosa que poderia salvar a todos. 

Um certo dia, um jovem rapaz estava à procura de sua irmã que já era vítima do vírus que desaparecera, procurou por toda a cidade, mas não conseguiu encontrá-la. Logo veio a pior hipótese em sua mente:” será que ela foi para a floresta proibida?” 

Com tanto medo, mas com curiosidade e preocupação, decidiu adentrar a floresta, na qual ninguém nunca voltou... 

Caminhando pela floresta, ouve sussurros, depois vozes, e por fim gritos, todos eles pertenciam a sua irmã. Saiu correndo em direção a sua irmã. Porém quando chegou, viu uma cena chocante... sua irmã estava ao lado de uma árvore negra cheia de maçãs estranhas, e comendo uma delas, de coloração prateada. A aparência de sua irmã muda, aparentando ter perdido todas as sequelas deixadas pela bactéria. Isso gerou grande felicidade ao jovem rapaz, conseguia ver sua irmã curada. 

Logo ele pergunta a ela: 

- Por que estava gritando? 

- Gritando? – Respondeu ela confusa- Eu não estava gritando. 

- Então de quem era aquela voz? 

Decidem voltar para casa e contar que acharam a maça prateada. Todos os médicos da cidade vão até a árvore e colhem todas as maçãs. 

Quando eles saem, podia se perceber vários espíritos, sendo um deles uma menina, rodeando a árvore, pareciam estar felizes e era possível ouvir uma conversa entre eles: 

- Muito bem minha filha, você fez o certo em atrair aquele jovem a arvore. 

- Quando encontramos essa árvore na nossa época era tarde demais, conseguimos apenas deixar uma pintura para avisá-los da cura. 

- Pelo menos nós fizemos nossa parte e ajudamos eles a descobrirem a árvore, se livraram da doença... 

Depois desse ano, não houve mais a lenda da floresta amaldiçoada, mas sim a floresta milagrosa. Os tempos de caos passaram e a cidade voltou a viver pacificamente. 

 

Cleiton Ferreira Silva – 1º DS

 

Carteiro de bicicleta

 

Estava, como sempre, sentado na cadeira velha de madeira escrevendo uma carta de desculpas. Desculpas para minha esposa, desculpas para minha família. O que eu estava fazendo? Estava estudando? Não, mas devia. Por que estava aqui se não estava estudando? E nesse pensamento acabei fazendo aquilo de novo, rabisquei a folha inteira com partituras, meus sentimentos. 

- Droga! – e bati mais uma vez na pequena mesa – Eu tinha que estudar, meu Deus. Fugi da minha família, da minha vida, tudo porque não conseguia me concentrar em casa, mas então eu preciso conseguir me concentrar aqui, Deus. Desse jeito vou perder o emprego. 

Comecei a chorar. 

- Mas por quê? Por que não consigo me concentrar?  

A noite chegou. Tentei estudar o dia inteiro, mas tudo que consegui foi ler duas páginas, e, no meu caderno, onde devia ter resumido a matéria, apenas partituras foram escritas. 

-Não devia mesmo ter vindo aqui. - Pensei. 

Eu era mais feliz tocando piano para minha esposa, e minha filha queria que eu a ensinasse a ler minhas partituras. Mas, mesmo eu sendo feliz, nosso dinheiro ia acabar, eu não podia perder esse emprego. Foi nesse pensamento que meus olhos se fecharam, encostei minha cabeça na mesa e dormi sentado mesmo. 

Estava tendo pesadelos, como sempre, mas desta vez acordei no meio da noite com o barulho do vento alto batendo nas janelas do meu pequeno apartamento. Uma delas até se abriu, porém, estava tão cansado que não consegui nem pensar direito, já tinha dormido de novo. 

Agora sonhei com o jardim, nosso quintal, onde eu tocava piano e minha filha corria pela grama, podia até ver a praia dali. Não durou muito tempo, mas o tempo curto não importava, a paz que eu senti naquele sonho foi infinita. 

- O quê? – Acordei sentindo meu pé molhado. 

Tirei a cabeça da mesa, tinha uma carta, olhei confuso e bocejei. Olhei a rua pela janela, olhei o chão da minha casa, nada fazia sentido. Estava tudo inundado, o nível da água estava com uns 50 centímetros acima do chão. O que tinha acontecido? 

Abri a carta. A letra pequena e defeituosa não me dava dúvidas, era de minha filha. 

-Papai, o tsunami quebrou tudo, mas não se preocupe, eu protegi seu piano. 

Como assim? Um tsunami? Boba, não era com o piano que eu me preocupava, era com minha família. Sai correndo de casa ainda confuso, peguei minha bicicleta e segui os postes de eletricidade, pois sabia que eles me levariam para a cidade de minha esposa. Pedalei, pedalei, na minha cabeça já se passava uma música para expressar minha ansiedade, minha confusão e minha dor naquele momento, tudo aconteceu tão rápido que não sabia nem se ainda estava sonhando.  

Assim eu pedalei, vendo o reflexo do nascer do sol naquele mar infinito, onde mesmo no morro alto da cidade as rodas de minha bicicleta se afundavam um pouco. 

Pedalei muito, por horas, até passar mal. Pedalei cada vez mais devagar até cair no cair no chão. Deitei-me na água de cabeça para cima, comecei a chorar. Nada mais importava, nem o dinheiro que tanto corria atrás. Não sabia nem se minha família estava viva. Foi nesse momento, que eu parei por um segundo. Respirei. Foi o primeiro segundo em que eu parei de pensar. Minha cabeça estava sempre cheia, mas, naquela hora, eu estava quieto, ouvindo o silêncio ao invés de uma música que procurava compor. 

Ouvi a água batendo nas minhas orelhas, me sentia mal, acabado, mas ao mesmo tempo sentir a água me deixava em paz. Foi aí que comecei a ouvir a chuva. Ouvi uma carroça, várias carroças passando e pessoas conversando. 

Olhei, estava cansado, com sono. Queria só fechar os olhos, mas calma, o quê? 

- O quê? 

Abri os olhos, tinha esquecido de fechar a janela e a água da chuva estava entrando no meu pequeno apartamento. Estava confuso, fui até a janela e olhei para a rua, muitas pessoas passavam e conversavam usando seus guarda-chuvas naquela rua de pedra. Respirei fundo e ouvi o barulho da chuva por um instante. Fechei a janela. 

Fiquei parado por um momento. Liguei o rádio. Tudo estava normal. Olhei para a mesa, acabei escrevendo uma música na carta enquanto dormia, porém essa música não era triste, era linda. Ainda confuso com tudo, não tentei refazer a carta de desculpas, deixei assim, só coloquei um recado no final: 

“Não se preocupe por não conseguir ler as partituras minha filha, eu ainda vou te ensinar.” 

Foi só em maio que minha família recebeu a carta, mas não era um simples carteiro entregando uma carta. Era eu, de bicicleta, entregando um pedido de desculpas. 

 

 

Lucas Hideki Toyofuku Turri - 1º DS

 

Conto de Maio 

 

         Ao abrir meus olhos, me deparei com um cenário esplêndido. A luz do Sol entrava pelas frestas da janela do quarto, pintando parte dele com um tom amarelo de um dia ensolarado. A temperatura estava agradável, dando uma sensação magnífica de conforto, um daqueles momentos em que você pensa “ah, como este mundo é lindo”. É uma manhã realmente encantadora, típica de um dia de primavera, porém de certa forma estranha, já que ontem a noite estava frio quando fui me deitar. 

 Levantei da cama e caminhei até a janela, abrindo-a. O que vi do lado de fora era ainda mais bonito, a fazenda de flores no sítio de minha madrinha. Inicialmente, achei que estava no meu quarto, na minha casa, mas olhando agora, não parece ser o caso. Enfim, é uma vista linda. 

 Não sei quanto tempo fiquei em um transe tentando guardar na memória a perfeita existência da cena diante de meus olhos, mas voltei à realidade ao ouvir o som de batidas na porta, acompanhadas de uma voz que murmurou algo em um tom baixo, de forma que não fui capaz de entender o que dizia. Abri a porta e fui recebido, não por uma pessoa como esperava, mas pelo cheiro cativante, vindo da cozinha, de panquecas cobertas de mel e um café quente. Meu humor que já estava ótimo acabara de ficar melhor ainda. Parece que neste dia, Deus resolveu abençoar meus olhos, nariz e boca, já que o gosto do café da manhã estava tão bom quanto o cheiro. 

 Após terminar de comer, fui para fora e comecei a correr em meio às flores. A brisa bagunçava meus cabelos, batendo no meu rosto e todo o meu corpo, de forma que me sentia refrescado, mesmo correndo sob a quente luz do Sol, brilhando no céu limpo sem nuvens. Passado esse instante de euforia, resolvi deitar para descansar na sombra de uma árvore. Olhei para cima, e percebi que acho o contraste da luz solar passando pelos espaços entre as folhas atraente também. Sentindo-me em paz, fechei os olhos. De repente, algo estranho aconteceu. A temperatura parecia ter caído uns cinco graus, e minha visão ficou ainda mais escura, como se alguém tivesse desligado o Sol. 

 Então, abri os olhos. 

 A luz do Sol entrava pelas frestas da janela do quarto, pintando parte dele com um tom amarelo mais pálido, que não era de um dia ensolarado, mas de um dia nublado. A temperatura estava fria, dando uma sensação de desconforto, um daqueles momentos em que você pensa “não quero me levantar da cama hoje”. É uma manhã deprimente. 

         Depois de alguns minutos que levei para despertar completamente, sentei-me e olhei para o calendário na parede: 

 “13 de maio, 2020”. 

 Outono. 

 Meu perfeito e acolhedor dia de primavera se transformou, em questão de segundos, em um típico dia frio de outono. Odeio outono. 

 

Giulia Quinto Brasil - 1° ADM 

 

Todos me julgavam 

 

Todos me julgavam, tudo que fazia era errado. Desde que tinha dez anos me sentia deslocada, nunca acreditei em alguém que pudesse me ajudar, nunca acreditaram em mim. Sempre fui “diferente” ao comparar com minhas irmãs, claro, as duas eram lindas, inteligentes altas e poderosas, nunca gostei de me colocar lado a lado com elas. Quando criança não gostava de bonecas, todas tinham um final trágico, com o cabelo cortado e a cara rabiscada.  

Nunca gostei de arrumar o cabelo nem de pentear ele, talvez eu era daquele jeito, porque tinha nascido assim, mas não gostava do título de estranha. Agora com mais idade, fico em minha varanda relembrando das águas passadas e sempre remoendo o sentimento de solidão. Vejo o mar e me identifico com os peixes que navegam sozinhos, como as pessoas não esperavam muito de mim, acaba achando que era insuficiente. 

Eu comecei a “cavar meu próprio buraco” achando que não era importante para ninguém e que talvez o mundo seria melhor sem mim, olho para trás e imagino quantas besteiras eu fiz, já não me importava comigo e nem com ninguém à minha volta e para mim era indiferente me chamarem de esquisita ou estranha, já tinha aceitado. Agora olhando para o Sol, lembro da luz do túnel que me tirou desta depressão. 

Era final de maio e meu coração estava gelado como o clima, uma menina, assim como eu, se sentia deslocada e se identificava comigo, tínhamos passado por coisas iguais. Com o passar do tempo fomos, aos poucos, nos aproximando ao ponto de virarmos melhores amigas, dependíamos uma da outra e sempre passávamos o tempo juntas, não existia nada que fazíamos separadas. O cabelo dela era loiro como as pétalas de um girassol, os olhos verdes escuros como a água salgada do mar e a valentia de um urso, tudo que não existia em mim ela completava.  

Comecei a enxergar ela não só como amiga, pensei que estava apaixonada e fiquei procurando formas de me abrir para ela. Então em uma noite conversei com ela sobre o assunto e percebi que não era mais tão insegura como quando criança, disse a ela que me via deitada na mesma cama que ela, e assim foi. Ao passar dos anos fomos ficando mais velhas e adultas fazendo amigos de todos os tipos. Decidimos adotar um bebê e assumi-lo como nosso filho. 

Eu tento imaginar como seria minha vida sem ela e penso que seria um grande problema, eu teria sido capaz de fazer coisas precipitadas e chegar a níveis extremos. Desde que adotamos um filho sempre me importei com ele e como ele se sentia, sempre estarei lá para ajudá-lo, como eu e minha amada fizemos, para que ele não passe pelas mesmas coisas que passamos. 

 

 

Henrique Guimarães Cabarl – 1º ADM

 

 

 

Era Maio, para muitos um mês que marca liberdade, pois é neste mês em que os nazistas foram derrotados e os judeus, libertados. Mas a única coisa que via eram pássaros engaiolados. Já se colocou no lugar deles? Todos os dias patrulhando aquela fronteira, era o que eu me perguntava. Pássaros engaiolados podem voltar ao azul do céu? Ainda sabem voar?  

Perdido em meus pensamentos em mais um dia de muitos outros, escutei gritos e tiros perto de onde estava. Corri para ver o que havia acontecido e ajudar e no chão, vi um pássaro morto, um pássaro que como muitos outros tentou fugir da gaiola que o afugentava, mas que caiu antes mesmo de conseguir sair. E era por estes acontecimentos que a maioria se contentava com a vida sufocante que tinham. 

Peguei a parte inferior enquanto o outro soldado pegava a parte superior, carregávamos o corpo envolto por uma capa preta para longe dali e minha mente apenas me dizia para largar aquele corpo, para descansar daqueles sentimentos frustrantes que despertavam em mim. Por que eu, que também estou preso, não o deixei sair dessas grades? O que eu estou protegendo? 

Depois de jogar o corpo em uma tenda perto dali, saí para me distrair. Sentei-me no chão, afastado dos demais soldados. Deixando o vento que soprava levar todos os meus suspiros consigo. 

- Tentando esquecer de tudo que viu para voltar a brincar de soldado? Que patético... – Zombando de mim mesmo, me levantei para voltar a patrulhar. Mas estão vi folhas se mexendo em meio às árvores perto de mim, aproximei-me cautelosamente, aquele homem morto estava acompanhado? Então avancei na folhagem e senti um corpo, o qual logo coloquei contra o chão. Era um corpo frágil e pequeno que segurava... Olhei melhor e vi uma garotinha de cinco ou seis anos, uma criança. 

Aquele homem, ele era um pai...? Não podia ser, não queria que fosse. Soltei a criança no chão aterrorizado com a ideia e ela logo adentrou mais na região arborizada. Deixei que fosse e fiquei encarando as árvores por um tempo, mas voltei ao trabalho quando outro soldado veio me chamar. Durante todo meu turno só pensava na menina, tentava colocar em minha mente como era bondoso de deixá-la fugir e não falar nada a ninguém. “Eu a deixei viver, eu a deixei viver...” 

Me convenci da minha bondade e logo fui descansar e me alimentar quando meu turno acabou. Mas então ouvi um tiro, saí correndo para o último lugar onde a tinha visto, entrei entre as árvores e a vi encolhida no chão. Comecei a chorar, havia cortado suas asas, tirado seu pai de si e qualquer sonho que poderia ter de ver o mundo. Olhei para aquela garota, sentei-me no chão junto a ela. 

- Tome – falei dando a ela um pedaço de pão e segurando as lágrimas. Mas ela negou, devolveu para mim. 

- Depois que comer, não vai doer mais. – Senti meu coração se partir em pedaços. Quem é bondoso de verdade? O que eu estou protegendo? 

Fingi dar uma mordida e fazer um sorriso, secando meu rosto. Ela sorriu concordando e quando a ofereci mais uma vez o pedaço de pão, ela pegou, comendo rapidamente. 

- Como se chama? – perguntei. 

- Miya. Papai me deixou aqui ontem. Ele falou que viria mas eu não gosto daqui, tem homens fantasiados e um deles até me derrubou! Estou esperando-o voltar para sairmos daqui... Mas ele falou que vamos para outro lugar mais bonito. Eu quero ir com ele! 

A cada vez que ela falava sobre esse lugar mais bonito eu sentia uma pontada, todos os dias eu protejo a fronteira que leva a este lugar mais bonito, todo dia eu olho para as minhas mãos, com o sangue de todos os pássaros que tentam voar. O que eu protejo? Eu protejo o cadeado das gaiolas, mas não por mais tempo. 

- Miya, seu pai pediu que te levasse para este lugar mais bonito, vêm comigo? – Vi afirmar com sua cabeça, e então a peguei pelo braço e saí discretamente no escuro, e comecei a andar devagar com ela até perto de uma base, passamos discretamente, mas então quando chegamos mais perto da fronteira, nos perceberam. Saí correndo para cima dos soldados que estavam na linha da fronteira e a joguei para o outro lado. 

- Corre! – eu gritei para ela. 

Mas percebi soldados tentando atirar em Miya, não podia deixar. Sem pensar saí correndo e entrei na frente e a última coisa que gritei foi: 

- Olhe para o céu, não olhe para trás e não pare!  

Era Maio, para muitos um mês que marca liberdade, pois é neste mês em que os nazistas foram derrotados e os judeus, libertados. E o que via agora era um pássaro voar com as asas que eu havia curado e dessa vez, protegido. 

 

Marina Nishimura de Carvalho - 1°ADM 

 

 

Conto de Maio

 

Não conseguia ter a menor noção do que eram essas encomendas. Elas ainda não faziam o menor sentido na minha cabeça. Comecei a procurar, então, freneticamente por pistas, li diversas vezes cada palavra e cada vírgula que tivera sido escrita nesse cartão. 

Até que, me deparei com um pequeno símbolo, desenhado ao lado da letra “N”, que assinou aquele papel. Na mesma hora, já fui pesquisar em todos os lugares que podia imaginar, para tentar descobrir quem era o remetente de todas aquelas encomendas que vinham me perturbando por meses. Depois de muito tempo procurando, achei o que o símbolo queria dizer. Ele significava “SOL”, e vinha de um antigo livro grego. Fique a pensar e me questionar, por qual motivo alguém me mandaria coisas desse tipo? Aquilo não fazia nenhum sentido.  

Passado um tempo, no final do mês de julho, voltei a receber um cartão, havia coordenadas nele. Procurei em mapas, e eles me levaram até um Observatório, em uma cidade vizinha. Quando cheguei no local, perguntei para todos os funcionários se eles sabiam de algo, e um deles, que se chamava Neil, me disse que eu deveria olhar para Lua, e que lá, entenderia tudo.  

Peguei o primeiro telescópio que vi por ali, e comecei a observar. O que será que a Lua tinha para me dizer? 

Logo, as coisas começaram a fazer mais sentido. Era o Universo tentando, de todas as formas, me chamar atenção. Me voltar para vida. Eu passei 1 anos e 3 meses desacordada. Tinha sofrido um acidente no último dia das mães, e daí muita coisa aconteceu. Todos aqueles presentes, eram coisas que eu estava ouvindo acontecerem ao meu redor, por exemplo, a carta que eu tinha recebido me dizendo “Coloque sua máscara primeiro para, em seguida, ajudar os outros” era uma enfermeira que estava dando instruções para um recém formado. Pouco a pouco, a peças se encaixaram, e com um pouco da ajuda de minha família, tudo foi fazendo sentido. 

 

Mariana de Oliveira Gomes – 1º ADM

 

Mármore Branco

 

Então o ano começara, mês de janeiro, ano novo, talvez um ano que mudaria a sua vida. Bom, pelo menos era isso que o homem tinha em mente, era isso que ele imaginava todo ano, desde o início do milênio até duas décadas do mesmo, o homem sonhava na mudança, mas não fazia nada para justificá-la. E Assim terminava janeiro e como se fosse apenas um longo feriado, começava marco. dizem que o tempo é relativo, e isso era uma certeza absoluta para o homem, seus dias passavam cada vez mais rápido e sua produtividade caia na mesma velocidade. Dos dias gastados em casa, deitado na sua cama, com dívidas do ano passado. Até as caminhadas insignificantes pela cidade, o homem se recusava a trabalhar, a fazer algo, a desenvolver um interesse, conhecer alguém ou conseguir dinheiro 

 

-Farei Amanhã! Exclamava o homem 

 

Se esquecia apenas que o hoje não passa do amanhã de ontem, e assim se repetia. 

Veja, o homem não fora sempre assim, a três anos atrás o homem tinha uma grande vida planejada para si, tinha uma família ao seu lado, bons amigos, havia entrado em uma boa universidade, podemos dizer que sua vida seria boa. O que impedia isso de acontecer era apenas o próprio homem, parece que abruptamente, ele havia se tornado uma pessoa completamente diferente, ele não tinha mais motivação para sua carreira, parou de estudar, parou de cuidar de se mesmo e também foi demitido de seu modesto emprego, sem fazer nada de relevante ou beneficial, o homem havia virado a personificação da preguiça,  - “Por que decidiu afundar sua vida?” “você tinha um grande futuro e agora faz isso?” “você mudou, o que antes considerava um amigo agora é um exemplo do que não se tornar” - eram algumas das coisas que o diziam, mas isso tudo parecia entrar em um ouvido e sair pelo outro. O homem não passava de uma sombra do seu antigo eu. 

Com o fim de março, era como se tivesse passado cinco dias para o homem, para ele, era apenas o término de um e o começo de outro, com 9 ainda por vir após este. Mal sabia ele o que estava a acontecer. 

Começava assim o mês de abril, o mês das responsabilidades, ironicamente. Neste mês a vida inteira do homem mudaria, ou melhor, acabaria. 

Em uma manhã como qualquer outra para o homem, deitado em sua cama, o homem sentiu algo estranho dentro de si, no início pensou que não era nada de mais, mas as dores começaram e se intensificar e multiplicar, era como se seu corpo fervesse e imediatamente depois congelasse, o homem começara a sentir o seu corpo cada vez mais pesado, algo não estava certo, em poucos minutos essa dor começou a se tornar onipresente, da ponta de sua cabeça até o dedão de seu pé o homem sentira essa dor, era como se seu corpo estivesse se tornando uma peça de mármore, E assim, num piscar de olhos, o homem petrificou, o que era apenas um homem ordinário agora inimaginavelmente se tornara uma peça de mármore branco, mas isso não significa que ele havia morrido, não, ele estava plenamente consciente, ele foi sim amaldiçoado a “viver” como uma das clássicas esculturas da renascença, uma vida de reflexão sobre como havia desperdiçado a sua forma humana...mas não era isso que ele queria? Desperdiçando dias, meses e anos, como uma alma insignificante que passava meses apenas esperando os dias passarem. Ser uma peça de mármore não é muito diferente disso, mas o homem não podia simplesmente aceitar isso, ele “chorava” lamentando como havia desperdiçado sua vida, bom agora era tarde demais... e com isso fica a pergunta: será que essas antigas esculturas de Michelangelo são esculturas mesmo? 

 

Felipe Marques Leite – 1º ADM

Conto de Maio 

 

Tinha começado mais um mês, Deckard estava um tanto quanto entediado dentro de sua casa, sua família sempre trabalhava muito e estava em outras cidades, cada parente fazendo seu trabalho. Deckard era estudante, e estava em período de férias, porém estava em um intenso tédio, e devido ao frio intenso, não poderia sair de casa nem se quisesse. 

Fazia quase um ano que Deckard vinha adiando isso, porém agora finalmente tinha o tempo, e a desculpa perfeita, para treinar sua habilidade de sonhos lúcidos, como forma de se distrair de seus problemas. 

Colocou ao lado da sua cama um pequeno caderno em branco, que usaria para catalogar seus sonhos, e saber identificá-los mais facilmente, além de um pouco de água e seu despertador. 

Após algumas noites tentando, e tendo algumas paralisias do sono, as quais ele já tinha se acostumado, Deckard conseguira, pela primeira vez, perceber que estava sonhando enquanto estava dentro de um sonho, pois, ao checar a realidade ao seu redor, percebeu que sua mão tinha seis dedos. 

Ele então passou a andar pelos seus sonhos, passando por diversos lugares que conhecia, e lugares únicos que sua mente criara. Passou por sua escola do Ensino Fundamental, viu seus amigos com a idade de 10 anos ao brincar no pátio; e continuou a andar, Deckard sentia saudade de caminhar com seus amigos, e das aventuras que tivera com eles, pensou. Logo em seguida, encontrou uma casa abandonada na floresta, ao entrar achou um sofá velho, vários livros, a lareira cheia de cinza, e fotos de seus amigos penduradas no teto. 

Estava no esconderijo da sua turma, onde passou várias noites com seus amigos lendo, jogando, contando histórias e assistindo filmes no tablet que seu amigo Garreth trazia. 

Subiu as escadas já em decomposição e chegou em um dos quartos, onde havia um tapete e várias velas, seu violão, e livros de poesia. Foi ali que passara diversas noites conversando com sua namorada, onde deram seu primeiro beijo, onde dividiram um jantar a luz de velas, onde recitara poesia caseira e tocara músicas para ela enquanto olhava para a lua. 

Deckard começou a chorar, sentia saudades dos seus amigos e de sua namorada, e se arrependera de como a magoou ao sentir inveja de seu melhor amigo, ele apenas tinha medo de ser deixado de lado, de não ser o suficiente para ela, e acabou a deixando  sozinha em  um encontro enquanto ela falava com seu melhor amigo, por puro medo de enfrentá-lo. 

Deckard pediu desculpas ao chorar, tentou evitar ao máximo pensar sobre isto, porém não conseguiu se segurar, pediu desculpas por sua atitude, e por achar que seria deixado de lado 

Ao olhar para a porta, viu que sua namorada, Luciane, havia aparecido, Deckard a abraçou, e pediu desculpas, ela perguntou se Deckard confiava nela, e a amava, ele respondeu que sim, mais que tudo, cada momento que tiveram no Ensino Fundamental, nesta casa, em saídas com amigos, tudo foi incrível. Luciane disse que então, não precisava ter medo de nada, e que sempre estaria lá por ele, e lhe deu um beijo. Deckard se recompôs, e disse que não deixará que seus sentimentos e inseguranças consumam-no assim outra vez, e o façam ter comportamentos tóxicos, e disse que fará isto por ela, por ele mesmo, e pela relação entre os dois.  

Ao ouvir isto, Luciane agradeceu, e se transformou em poeira nos braços de Deckard, que ouviu seu despertador tocar. 

Deckard, já consciente, após o frio passar, foi até a casa de Luciane, e pediu desculpas, Luciane o perdoou, e disse que estava orgulhosa de sua atitude, e passaram o resto daquela tarde do final de Maio tocando músicas, recitando poesia caseira, preparando um jantar juntos, e vendo filmes em frente à lareira. 

 

Enrico da Silva Lopes – 1º ADM

 

Desejos de maio   

 

Fim de tarde, muitas folhas caídas no chão e a paisagem realmente muito bonita. Jaqueline e a minha melhor amiga, Thaís, estavam caminhando pelo bosque, conversando sobre o futuro e Jaqueline comenta que o sonho dela seria se casar no mês de maio, como diz ela, mês das noivas. Elas estavam apaixonadas, só não sabiam que era pelo mesmo garoto.   

Na manhã seguinte, quando chega à escola, Thaís avista a amiga conversando com Bernardo, pessoa a qual Thaís gostava desde o fundamental. As amigas têm uma briga feia e acabam se distanciando.   

Alguns anos depois, Jaqueline e Bernardo, estão trabalhando nos preparativos para o casamento deles. Thaís logo fica sabendo do evento, Jaqueline faz questão de convidar a amiga, que se arrepende de ter se distanciando.   

Dia da compra do tão desejado vestido, chegando à loja, Thaís vendedora da Your Dream vai atender a cliente e tem uma surpresa ao ver que é sua antiga melhor amiga. Thaís faz de tudo para atrapalhar a compra do vestido perfeito, sempre colocando um defeito falando que não tinha o tamanho, a cor ou mesmo o modelo.   

Jaqueline decide então dar uma olhada sozinha na loja e encontra o vestido perfeito para ela, do modelo de princesa, com muito brilho e com o tamanho ideal. Jaqueline tem uma conversa com a amiga, fala que o acontecimento foi algo do destino que era para ocorrer e elas finalmente fazem as pazes após 10 anos.   

Algumas semanas depois, chega o grande dia, 20 de maio, tudo está como Jaqueline sempre sonhou. Ela alugou um espaço com bastante vegetação, por ser uma tarde de outono como a de 10 anos atrás quando ela caminhava no bosque com a amiga, muitas folhas estão caídas no chão enfeitando ainda mais o casamento.   

Chega a hora tão esperada da noiva entrar, lá de cima do altar ela avista a amiga com um acompanhante, Leonardo. O casamento estava lindo e todos se divertem a tarde inteira e elas logo veem que todo o tempo que ficaram brigadas foi horrível e daí para frente elas continuam unidas como nunca.   

  

 

Fernanda Costa de Loreto - 1° ADM

 

Conto de maio  

“Ser mãe é padecer no Paraíso”  

- Frase roubada dos peixes e difundida entre humanos  

  

Maio, mês do Dia das Mães. Já disse que no fundo da água ninguém dá muito valor para isso? Se já não disse, digo agora: peixes não comemoram o Dia das Mães. Não que somos todos uns chatos de galocha – sim, peixes usam galochas. Não como os humanos que usam no pé, usamos como isca de vara para nos livrar de “pescamadores” (pescadores amadores) que, apesar de quererem nos fisgar, insistem em acabar com todo o estoque diário de sapatos – mas como eu ia dizendo (peixes são um pouco difusos), não se comemora tal data tão especial simplesmente porque alguns humanos são cruéis.  

Entenda, não estou falando dos pescamadores, eles acabam com nosso estoque de botinas, mas, no fundo, os peixes gostam deles. Estou me referindo aos pescadores de verdade, aqueles que... bem... alimentam a gente com comida recheada com um espinho (eles nem se dão ao trabalho de tirar o espinho), depois nos tiram do lar molhado e nos levam para o Espaço (sabe aquele lugar seco e acima da linha d’água? Acho que é o que humanos chamam de Espaço...). Alguns de nós vão em direção ao Céu, mas muitos voltam, talvez não foram considerados bons o suficiente para habitarem o Espaço (mal sabem os humanos como isso arrasa a autoestima de um peixe).  

Nunca sabemos o que acontece após serem escolhidos para o Espaço, e a Mitologia Pisciana nunca ajudou muito: alguns que retornam relatam que foram parar em outro lar molhado, mas muitos acreditam que o destino é a morte. Mas imagine... todos morremos, não seria mais interessante morrer no Céu? E aqui chegamos ao ponto principal, o motivo pelo qual peixes não comemoram o Dia das Mães.  

Um dia um passarinho verde me contou que muitos humanos pelo Espaço não comemoram o Dia das Mães, achei um absurdo, mas Verdinho me disse que é tudo questões culturais. Acredito que peixes também têm questões culturais, que foram se alterando conforme o tempo foi passando. Antigamente, neste pesqueiro que sempre vivi, os peixes mais antigos dizem que seus ancestrais vieram de tanques infinitos e que eles comemoravam a Data Tão Especial. Quando os imigrantes foram trazidos para cá, muitos acabaram sendo separados se suas mães e, dos que restaram, todos os dias alguns eram levados para morrer no Céu junto aos humanos.  

Por isso, os filhotes que nasciam raramente tinham um tempo longo com suas mães. Eles sempre escolhem as grandes mamães peixes para ir para o Espaço. Como poucos sabiam o que era o amor de mãe, eram separados precocemente e peixes não escrevem bilhetes (fica a questão de como estou escrevendo isto), o Dia das Mães perdeu o sentido. Ser mãe em um pesqueiro é tão somente esperar para então morrer no Céu.  

 

Karen Luny Ikefuti Morishigue – 1º ADM

 

 

Baile do mês de maio

 

Havia uma menina chamada Manu. Ela morava numa casinha simples no meio do bosque. Era uma jovem muito bela, que se sentia sozinha. Seus pais haviam morrido em um acidente de trânsito fazia alguns anos. Por isso, ela vivia em busca de um amor que pudesse suprir essa solidão que sentia.  

O bosque onde morava era perto da cidade. – “Ahh, a cidade!!!” - Seu sonho era morar lá. Não era uma cidade tão grande, mas era muito organizada, e ficava mais linda ainda no mês de maio. Era o mês dos bailes.  

Durante todos os sábados de maio, organizavam uma festa, com muitos comes e bebes. Manu, a cada ano, se impressionava mais com a criatividade com que decoravam esses bailes. Chegou a ir umas duas vezes, no máximo! Ela se sentia muito simples para uma festa tão importante para a cidade. 

Mas esse ano seria diferente, ela queria se divertir! E quem sabe encontrar seu par romântico. Manu colocou sua melhor roupa e foi. Ao chegar lá, percebeu como as pessoas eram elegantes e como ela estava simples para aquela ocasião. Manu tentou não se abalar com esses pensamentos. Ela só queria se divertir. 

A jovem estava andando pelo ambiente, quando observou, ao longe, um lindo rapaz. Ele era alto, moreno e tinha belos olhos castanhos. Manu se apaixonou à primeira vista. Observou-o a festa inteira. Estava sempre cercado de várias garotas lindas. Ela começou a se sentir mal, uma crise de choro a acometeu. Era tão simples! Ele nunca olharia para ela.  

Perdeu sua animação em participar do baile. Decidiu ir embora. Manu seguiu vivendo. Nunca esqueceu aquele rapaz. Mesmo que dentro de si, ela tentava relutar contra isso dizendo para si mesma: “Nem o nome dele eu sei.”.  

Um certo dia, conseguiu ser contratada como doméstica por uma moça que morava na cidade. Todo dia, Manu arrumava a casa, e a patroa gostava muito dela, pois, além de ser humilde, Manu era muito dedicada e honesta. E Estér (a patroa) gostava disso. 

O que Manu não sabia era que naquela casa onde havia começado a trabalhar, era exatamente onde morava o rapaz, por quem ela tinha se apaixonado no baile. Nos primeiros dias de trabalho, ela não o viu, porque ele estava viajando a passeio. Mas o encontraria logo. 

Era segunda de manhã. Estér chamou Manu e disse: 

- Manu, quero que arrume a casa, e faça um almoço bem caprichado, pois meu filho chegará de viagem, dentro de poucas horas, e quero servi-lo um excelente almoço. 

- Sim senhora, patroa! 

 

Manu fez tudo o que lhe foi pedido. Além de ser muito caprichosa no trabalho, ela era uma cozinheira de mão cheia. Uma vez que teve que se virar sozinha, depois da morte de seus pais. 

De repente, a campainha tocou. Manu se apressou para atendê-la. Um belo rapaz surgiu em sua frente, e foi entrando. Ao ver Manu, por não conhecê-la, disse: 

-  Olá, eu sou Fernando, filho da dona Estér, e você quem é? 

Manu, ficou perplexa por perceber, que aquele rapaz, tão lindo e educado, era o mesmo por quem ela tinha se encantado. Ficou alguns momentos sem palavras, até gaguejou, e só então conseguiu falar: 

- Pode me chamar de Manu, sou a nova empregada, sua mãe me pediu que esperasse pela sua chegada, pois ela iria ao supermercado. 

- Ah sim! – respondeu ele com um sorriso 

Manu se ofereceu para ajudá-lo a carregar as malas, e Fernando aceitou. Após sua refeição, elogiou muito a comida e foi deitar-se. 

Dias foram se passando, e o rapaz, cada vez mais, se encantava com a dedicação e o jeitinho meigo de Manu. Eles passaram a ser bem próximos. Claro que Manu sempre respeitou o limite entre empregada e patrão. Nunca demonstrou seus sentimentos. Mas gostava de passar o tempo com ele. 

Fernando, por ser quase um galã de novela, sempre atraiu muitos olhares. Viveu alguns romances, mas todos tiveram a interferência e a reprovação da mãe. 

Certo dia, ele, percebendo o sentimento que havia criado pela jovem empregada, decidiu chamá-la para conversar: 

- Olha, Manu, eu sei que, o que eu vou falar é uma loucura, mas estou apaixonado por você. Eu não me importo se você é uma pessoa humilde, ou se minha mãe vai reprovar nosso relacionamento. Eu só quero ficar com você!  

Ela respondeu emocionada: 

- Faz muito tempo que eu gosto de você. Desde o baile que aconteceu em maio. Foi lá que eu te vi pela primeira vez. Se você realmente não liga para minha condição financeira, e se realmente gosta de mim, é claro que eu também quero ficar contigo. 

Ao contar para a mãe, inicialmente ela não gostou muito, mas com o tempo, percebeu que seu filho seria muito feliz ao lado de Manu, e passou a fazer gosto pela relação. 

O tempo passou, eles se casaram. Fizeram uma festa linda e foram morar no exterior. Uma vez por mês, vinham visitar dona Ester.  

Essa estava muito feliz, logo conheceria seu netinho que estava para nascer. 

 

Yasmin Antunes da Silva – 1º ADM

 

Joe Watson, piloto da McLaren, lidera o Campeonato de Pilotos da Fórmula 1, após uma grande vitória no GP da Catalunha em 14 de maio. A McLaren está facilmente na liderança do Campeonato de Equipes da Fórmula 1, superando as favoritas Racing Point e Scuderia Ferrari. 

Há uma grande expectativa para o GP de Mônaco, que ocorreria no domingo 24 de maio, os treinos de sexta-feira indicam uma grande vitória para Joe Watson, após ele liderar as três sessões. Na classificação, o top 3 fica com Watson na pole position, segundo lugar fica com Lance Stroll e o terceiro lugar fica com Charles Leclerc. 

A corrida começa, Joe Watson logo perde duas posições, e na quarta volta bate forte na Sainte Dovote, a corrida o Safety Car entra na pista durante o atendimento a Joe Watson, a situação é grave. Watson é levado ao hospital e a corrida volta, vitória de Lance Stroll. Após a corrida chega a notícia do falecimento de Joe Watson, e o choque entre os pilotos é grande. 

A polícia fez as investigações e achou o culpado pelo acidente, os freios estavam com problema, e logo veio uma suspeita: teriam a Racing Point ou a Scuderia Ferrari feito algum tipo de sabotagem nos freios para vencer a corrida? Após ver falhas também no carro de Norris, a polícia deixou as teorias de lado. 

Apesar do choque pela morte de Watson o campeonato continuou, com uma grande retomada da Renault, que melhorou muito seu desempenho. No último GP do ano uma vitória de Esteban Ocon garantiu o título surpreendente da equipe. 

Daniel Ricciardo não teve seu contrato renovado com a Renault, após a equipe descumprir um acordo verbal com o piloto, ele prometeu fazer fortes revelações sobre a chefia da equipe. Daniel Ricciardo fechou com a Red Bull Racing para a temporada seguinte. 

No GP da Catalunha, última vitória de Watson, foram feitas homenagens a ele, mas o comentarista Reginaldo Leme fez a grande revelação, a Renault espionou a McLaren para melhorar seu carro, e na noite anterior ao GP de Mônaco invadiu os boxes da equipe, danificando os freios do carro de Watson, o que causou seu acidente na Sainte Dovote. 

A Federação foi dura com os chefes da Renault, Ocon não foi punido por não saber do caso, Ricciardo não foi punido por colaborar com as investigações, já Flávio Briatore e os mecânicos invasores receberam banimento vitalício da Fórmula 1 e prisão de 20 anos por homicídio. 

 

Miguel Climério de Freitas R. Vasquez – 1º ADM

 

Thiago 

 

          Todos os meses, a professora do 6° ano; pedia para seus alunos redigirem uma fábula. Ela amava ver os rostos criativos de seus alunos produzindo textos cada vez mais interessantes.  

           Sempre teve carinho por cada um dos estudantes pra quem dava aula. Porém, havia um aluno o qual ela guardava um sentimento diferente. O nome dele era Thiago. Ele sempre foi muito bem em diversas matérias da escola, e em Língua Portuguesa não era diferente. 

           Mas então por que ele comete esse erro tão bobo? – indagava-se a professora toda vez que recebia, mas uma de suas produções de texto. O garoto sempre colocava o mês na data da tarefa, como o mês de maio.  

           Essa incessante dúvida, tomou conta da mente da professora durante meses... Até que resolveu perguntar seriamente ao menino, o que acontecia. E ele tranquilamente a respondeu:  

- Ah, desculpe professora, foi um engano. 

- Você cometeu este “engano” todos os meses, Thiago... 

- Tudo bem, irei prestar mais atenção. 

            O que mais surpreendeu a professora, nesta conversa; não foi apenas a tranquilidade do garoto, mas também algo estranho que sentia ao olhar diretamente em seus olhos. Tinha a sensação de se ver extremamente mais velha, pálida e fraca; apenas no reflexo do olhar de Thiago.  

          Depois disso, a professora decidiu afastar-se do garoto, e deixar passar aqueles míseros equívocos de data. Até que em uma manhã de domingo tranquila, enquanto fazia seu café; a professora o viu.  

            Thiago estava bem ali, sentado na mesa de jantar de sua casa. A professora muito assustada e ofegante, questiona: 

- O que faz aqui!? 

- Foi hoje, professora... -diz o menino com um sorriso leve e ligeiramente ameaçador de canto de boca- hoje faz dois anos...- era 31 de maio. 

 

Luiza Sayuri Moreira Barbosa – 1º MA

 

Conto de Maio  

 

Clarisse tinha um monstro, um monstro que a perseguia sempre, e não foi diferente naquele dia de maio.  

Ela se levantou de sua cama ao amanhecer, e ele estava lá. Tomou seu café da manhã e ele está lá. Seguiu para seu trabalho e ele estava lá. Foi para um barzinho com seus amigos e ele está. Lia Brené Brown e ele estava lá. Apesar de estar em todos os lugares, seu monstro só a perturbava à noite, a noite era seu pior momento do dia. Seu monstro falava e falava fazendo a se machucar, falava e falava até sentir escorrer lágrimas  

Mas naquele dia ela resolveu fugir, pegou suas bolinhas de gude em um pote e saiu correndo de sua casa, ela só tinha três pensamentos, correr e fugir, medo, correr e fugir, medo. Olhou para trás e viu o monstro correndo atrás de si. Correr e fugir, correr e fugir, medo. Olhou para o céu e viu uma galáxia, sua mãe dizia que cada pessoa tinha uma galáxia e cada uma precisava encontrar a sua 

Correr e fugir, medo, correr e fugir, medo. Até que ela parou e encarou o monstro que jazia atrás de si, apertou suas bolinhas de gude com força e pela primeira vez, estando vulnerável, encarou o monstro nos olhos. Ele se espantou, tropeçou e caiu. Ela sentiu sua galáxia a envolver junto com suas bolinhas de gude, passou por ele para voltar para casa, mas dessa vez, ele não a seguiu, e olhou para trás, ele já não estava mais lá. 

 

 Manuela dos Santos Carvalho – 1º MA|

 

Fantasma

 

Ele não a matou.  

Bernardo repetiu aquela frase na própria cabeça tantas vezes que as palavras passaram a nem ao menos fazer sentido. O corpo franzino tremia e o ar lhe faltava, já não havia lágrimas que pudessem escapar, mas seus olhos ainda pareciam embaçados, não era como se quisesse enxergar qualquer outra coisa além das próprias mãos pálidas.  

Na segunda semana de maio, Melissa dera seu último suspiro. Duas, três, quatro horas se passaram e o irmão ainda não conseguia se mover nem ao menos para comer. Ele sabia que o mundo lá fora estava caótico, jovens ricas da elite não morriam todos os dias, muito menos de forma tão brutal. Mais cedo ou mais tarde, alguém descobriria. 

Talvez a morte da primeira herdeira da família Davillier nunca fosse solucionada, mas um mistério um pouco mais frágil pairava sobre a mansão. Afinal, a própria Melissa descobrira o segredo mais sujo do caçula. E nada daquilo podia ser coincidência. Mais alguém sabia. 

— Você acha que eu fiz aquilo. — Uma voz baixa disse, sem ao menos anunciar presença antes. Não era uma pergunta.  

— Não. — Respondeu com convicção, até então aquela fora a única coisa que a boca conseguira proferir além de soluços desordenados. Mas Bernardo não chorava mais.  

O silêncio caiu sobre o quarto frio e um movimento foi feito. Ao lado do menino frágil e assustado, Pedro se sentou. Nenhum dos dois parecia saber o que dizer ou como agir, mas o último herdeiro dos Davillier tinha certeza de uma coisa: Ele não a matou. Pedro não a matou. Não ousaria machucar a própria esposa.  

— Ela sabia. Sua irmã descobriu, você sabe. Talvez ela tenha... 

— Não. — Repetiu. — Melissa era feliz. E tinha princípios. Ela não... não tiraria a própria vida por nossa causa.  

Aquela foi a primeira vez que Bernardo se moveu. E ele pôde ver cada gota de chuva que caía na janela se refletir no rosto do cunhado. Era até irônico chamá-lo assim, principalmente considerando a forma como ambos se olharam em perfeita sincronia. Ele não a matou e daquela vez o abastado jovem teve certeza. Talvez a dor não fosse tamanha no peito se não confiasse tanto naquele rapaz. 

— Eu a amava. — Completou, finalmente deixando o tom de voz vacilar. Máscaras não eram mais necessárias. — E mesmo assim, a traí.  

— Você não manda no que sente. 

— Oh... — Um riso quase frio escapou dos lábios. — Pois eu devia mandar. Não mereço a felicidade. Não depois de trair minha própria irmã. Não mereço o sobrenome que carrego. Não mereço fingir que... 

— Se é isso que insinua, pirralho, eu não vou te deixar fugir. — O moreno interrompeu. Seu defeito fatal era conhecê-lo tão bem. — Não sem mim.  

Então, o pecado caiu sobre os dois novamente. Um beijo doloroso calou a discussão que nasceria ali e Bernardo não percebeu quando voltou a chorar. Traição, vulgaridade, impureza; mais de mil termos podiam descrever aquele momento, mas aos olhos de Pedro só havia amor. E ele amava incondicionalmente o irmão mais novo de sua recém falecida esposa, amou por mais de dezessete anos, sem saber que mais alguém conhecia aquele segredo imoral. Sem saber que o assassinato da senhorita Davillier era um mero truque e que nenhum dos dois sairia da lista de suspeitos enquanto aquele relacionamento não viesse à tona. 

 

 

Julia da Silva Dantas – 1º MA

 

Conexão mais forte que a consanguínea

 

         Estou no avião neste momento, indo visitar meus pais que moram no Rio de Janeiro. O aniversário da minha mãe é no dia 31 de maio. 

Meus pensamentos vagam ao som de alguma banda genérica de pop rock do hemisfério norte, acima das nuvens é bem calmo, puxo minhas mangas para cobrir as minhas mãos e me encolho ficando mais próximo da janela a cada batida lenta e forte do bombo da bateria.  

Quando solto uma lufada de ar tediosa e me ajeito no banco virando um pouco a cabeça para o corredor do avião, vejo um homem em pé, com um sorriso de orelha a orelha, ele estava eufórico. Sigo-o com o olhar, porque simplesmente não dá para desviar, o homem, que parecia mais uma criança vendo balões de hélio no shopping, assemelhava-se a um carro rosa choque, impossível não encarar. Mas esse moço me fita com o sorriso brilhoso estampado no rosto. 

- Meu Deus! Eu nunca estive em um avião. – Ele se senta na poltrona vaga ao meu lado e olha para a paisagem que a janela mostra. – Você – Aponta o dedo para mim. – é um baita sortudo!  

Dou uma risada fraca com a animação inocente dele, encaro-o. 

- Eu não sou sortudo, sou privilegiado. Tem diferença. – Arrumo meus fones e clico no pause de novo para voltar a tocar o pop rock chiclete. 

- Pelo menos você pode ver sua mãe. – Viro para ele de supetão. – Sabe. Eu sonho com ela ainda, mas toda vez que eu acordo. – Ele olha para frente fitando o encosto do outro banco e aperta um pouco o braço da cadeira. – Ela não está mais lá.  

 

Marcella Ishii Costa Duarte - 1º MA  

 

Relato de uma adoção nada planejada

 

Há duas semanas, foi divulgada a lista dos estudantes da Universidade Federal do Ceará sorteados para morar na república da mesma, sinceramente, fiquei extasiada quando li Nicolle Apolônio, pois venho gastando o dinheiro que não possuo com transporte e aluguel da minha casa. 

... 

No dia que fui buscar meu livro de literatura geral, encontrei uma cadela abandonada  em meu portão, a mesma aparentava estar com sede por conta do calor e com muita fome, por esse motivo, cuidei dela e a deixei para o lado de dentro do quintal. 

... 

O tempo foi passando, e minha suspeita se confirmou verdadeira, Sofie estava prenha... e sim, isso era um grande problema, por conta que, no mês de maio, eu iria me mudar e se não o fizesse perderia minha vaga... 

Comecei então a procurar lares nos quais Sofie e seus filhotes pudessem ficar juntos, ao menos pelo período de desmame e isso claramente era quase impossível.  

Naquele mesmo dia, eu meditei, organizei a sala com velas e apaguei as luzes, dez minutos depois, abri os olhos e as chamas estavam roxas, não tive medo, apenas certeza que tudo daria certo.... 

Os filhotes RÁ, TIM e BUM nasceram e, pouco tempo depois, levei-os ao veterinário (Gabriel) que fazia consultas na chácara de sua esposa (Liz). A mesma ficou apaixonada pelos recém chegados e se disponibilizou a adotá-los.  

Quando fui entrar no carro, para buscar os filhotes e entregá-los a eles, Sofie estava lá, ela havia seguido o carro de meu pai até ali? 

 ... 

Hoje estou no segundo semestre da faculdade de letras, e toda semana recebo fotos dos meus anjinhos em suas aventuras com Liz, pois a mesma é bióloga de campo e os leva para todo canto, seja em acampamentos em montanhas, trilhas em parques ou unidades de conservação, rios, cachoeiras ou até mesmo a praia ver o pôr do sol. 

 

 

Leticia Lopes Gonçalves – 1º MA

 

 

 

Amor infinito

 

Olho para o lado e lá está ela, com sua blusa violeta levemente surrada, seu rosto corado pelo frio e seu cabelo cor de mel se espalhando pela cama, me mostrando, novamente, toda sua beleza. Hoje é nosso aniversário de namoro.  

Dou um beijo na bochecha dela, que ainda está dormindo. Levanto e sinto o amargo frio do outono, reluto um pouco, mas eu precisava preparar uma surpresa para ela. Vou até a cozinha e começo a preparar algo para comermos.  

- Ah, saco! É a caneca preferida dela. – exclamo depois de derrubar uma caneca no chão que se quebrou em inúmeros pedaços. Recolho os cacos e volto a cozinhar. Depois de alguns segundos, ela aparece, perguntando se estava tudo bem e pedindo para voltar a dormir. Dou um beijo em sua testa em forma de bom dia e, instantaneamente, sou abraçada pelo seu abraço caloroso.  

Envolvida em seus braços, naquele momento me recordo de tudo que havia acontecido uns meses antes, Hanna, o amor da minha vida, já não estava mais ao meu lado. Naquele momento, sinto novamente o amargo frio do outono. Minhas pernas tremem e começo a chorar de forma desesperada. E como em um loop eterno, volto ao dia do acontecido.  

No verão alegre de 2018, estávamos voltando de uma festa, como sempre, Hanna estava esplêndida. Porém, em poucos segundos, aquela alegria desapareceu e o medo tomou conta de nossos olhares. Hanna estava morta, e eu presa eternamente. Desde então, todos os dias, ela aparece para mim como um inferno pessoal. 

 

Giovanna Silva Guimarães – 1° MA  

 

As pedras e o maravilhoso vulcão 

 

Em um dia a cada 1 século, todas as pedras de todos os tipos ganham vida e se juntam para perfurar a crosta e formar um vulcão. Mas nesse dia, o grupo do granito não criou vida e sem ele não daria para fazer o esperado vulcão. Naquela hora, as pedras estavam desesperadas, pois o tempo de adquirir vida é de apenas 1 dia, elas sabiam disso porque durante o tempo elas conseguiram contar enquanto faziam um vulcão. 

Depois de 6 horas elas já estavam bolando um plano para conseguir um substituto, que eram os metais preciosos, como diamante, esmeralda, rubi e outros metais, eles eram perfeitos para perfurar a crosta. Para formar o vulcão, usariam o magma e a água para formar mais rochas que seria suficiente para formar o vulcão em menos de 18h. 

Após mais 6h, começaram a construção do vulcão, mas viram que tinham baixa quantidade de integrante, então resolveram pedir ajuda ao solo, a areia e a argila para dar consistência ao vulcão que, na opinião das pedras, iria ficar perfeito. Enquanto faziam o vulcão, as pedras perceberam que só faltava 1h. 

Quando perceberam, elas começaram a ficar aterrorizadas, porque só a primeira etapa estava pronta, que era perfurar a crosta, mas o resto estava intacto, porém não contavam com um outro amigo voador de aparência cósmica que já estava chegando. Quando faltava 7 segundos o amigo, mais conhecido cometa, atingiu a terra e formou um maravilhoso vulcão que era enorme, entretanto nenhuma pedra ou outros elementos conseguiram ver como a criação ficou. 

 

 

 Caio Ryuichi Kamimura – 1º MA 

 

O paraíso  

“A sociedade é um inferno de salvadores.” 

Emil Cioran 

 

Era maio quando tudo começou. Um movimento religioso em favor ao governo teocrático e seu representante escolhido por Deus tomava o país. E hoje é um governo cujos todos filhos de Deus são sempre felizes e prósperos, esse é o Paraíso. 

Sophia não se lembrava de como era a sociedade antes da libertação. Mas não podia sequer pensar sobre isso, e se alguém estivesse a observando?  Afinal, como você esconde algo da onipotência divina? 

Ao andar pelas ruas, vê a população aplaudindo ao redor de uma patrulha de 'anjos' matando uma família dos poucos negros que ainda restavam, sem prisão, nem julgamento; a plateia estava atônita, torcendo pelos seus gladiadores e Sophia odiava muito isso. Ela, vivendo a sua pacata vida, se negava a ver tais cenas, mas sabia que aqui, qualquer ‘aparente’ infração contra a lei, é punido com a morte ou a servidão nos campos de purificação em ilhas remotas que quem vai, nunca volta.  

Sem fazer barulho, Sophia passa silenciosamente pela patrulha, finalmente, chegando em casa. Ao chegar, evita ao máximo pensar sobre isso, mas não pode, vê naquele horror a mesma forma cruel que provavelmente mataram seus pais, toda aquela tortura, porque tinham um livro guardado em casa, que por ironia do destino era considerado ilegal, a Bíblia. Lembrava de seus pais a deixando na casa de sua tia dizendo que a amavam e que estava tudo bem, poucos minutos antes de serem levados por seus algozes.  A sua mãe foi asfixiada e seu pai, executado á sangue frio.  

Os pensamentos a torturam de uma forma que ela não aguenta mais, então por um momento de loucura decide sair em direção a praça central, e começa a gritar por socorro. Os gritos de desespero ecoam, mas ninguém se manifesta, ninguém se importa.  

Dois oficiais a reprime, e um a pergunta: 

- Louca! Por que está fazendo isso? 

A mulher responde: 

- Tudo está errado! Por que matamos tanto? Por que não podermos ler? Antigamente as coisas eram assim? Eu não entendo! 

O oficial ri e diz: 

- Sempre foi assim, sempre matávamos sem pudor, mas era esquecido. Agora é simplesmente, legal fazer isso! Apenas se cale e finja que não aconteceu como vocês sempre fizeram.  

Assim, os oficiais a levam. E essa foi a última vez que se viu Sophia. 

 

Júlia Freitas Lima – 1º MA

 

Maio 

 

Maio, mês de tantas perdas, mas que, mesmo assim, contém certo teor revolucionário. Fez com que nos movêssemos ainda mais. Obrigou-nos a lidar com nós mesmos e a conhecermos cada parte de nosso templo, que podemos também chamar de corpo. Fez com que transformássemos dor em luta. Luta a qual ninguém é capaz de parar, pois ela é chama ardente que nunca irá se apagar. Enquanto corpos estiverem no chão, eles ainda terão muito o que pagar.   

É nesse contexto que Capitu, mesmo sentindo seu coração despedaçado e sua alma desfigurada, ainda encontra forças para lutar. Esse mês em específico foi muito doloroso para ela. É que, mais e mais vidas se foram por conta de um sistema falho. Foi tiro, vírus, suicídio, ou melhor, assassinato. Assassinato decretado e assinado por uma estrutura que não te aceita. Que te desmerece até que você desmorone. Isso daqui é uma roleta russa sem escapatória. São pessoas como ela que estão morrendo nessa história. Pessoas que para muita gente são "aquelas".  Pois bem, não para Capitu.   

Como já deve ter dado para perceber, a trama da moça não é se ela traiu ou não Bentinho. Por mais que esse ainda seja um tema relevante nos dias de hoje. A trama dela é esse nó na garganta que não quer se desfazer. Essa angústia combinada com esse aperto no peito que parece nunca cessar.   

Aprendeu desde cedo que o mundo não é justo. Enterrou um irmão. Mais uma vez, foi pega no susto. Como tantas outras meninas, fora induzida a não sonhar. A acreditar que é perda de tempo. Que seus sonhos não importam. Acostumou-se a ouvir "não", por mais que merecesse "sim". Mesmo assim, nunca deixou de sonhar. Nunca deixou de realizar.   

         Cansou-se de olhares tortos. Não gosta de dogmas, prefere ser heresia. Capitu venta. É filha do vento. A própria ventania. Furacão. Mas não precisa ter medo, ela sabe abraçar, só que também pode causar destruição.   

É poeta. Entendeu que a poesia caminha junto da revolução. Alguns não compreendem o porquê de tanta indignação em seu coração. É que ontem morreu mais um menino. Disseram que portava um fuzil, porém tudo que tinha era um livro na mão.  

 

Ana Luíza Kokado de Oliveira - 1° MA 

 

Conto de Maio 

 

Era tarde quando recebi a notícia de que minha mãe havia falecido. Fiquei sem reação, só desejando que fosse uma pegadinha e que as câmeras aparecessem. Mas era a verdade, e, muitas vezes, ela pode machucar muito.  

No funeral, todos tentavam consolar-me, mas será que é possível? Consolar alguém que perdeu a pessoa que sempre te apoiou, não importando as circunstâncias? Pois estava eu, no escritório dela, apenas me lembrando dos bons e maus momentos juntas, até que avisto um livro que ela sempre lia para mim. Pego-o e começo a folhear, quando dele cai um pedaço de papel que dizia “Rua Bondors – 139”. Perguntava-me o que era aquilo, claro que era um endereço, mas de onde?  

Fui até meu celular para procurar na internet, mas, no momento que iria aparecer os resultados, acaba a bateria e ele desliga automaticamente. 

Tomada de curiosidade, procurei o nome da rua em um antigo mapa da cidade e me dirigi até lá.  

Chegando à rua, procurei pelo número da casa, mas não achei, pulava do 138 para o 140. Por que minha mãe recém falecida guardaria um endereço que não existe em um velho livro? Talvez ela esperasse que eu achasse, afinal ela me conhecia melhor que eu mesma.  

Desci do carro e fui até as casas 138 e 140 para, de repente, descobrir algo surpreendente, mas não achei nada, nem uma pista. Quando me dirigia para meu carro, que se localizava do outro lado da rua, me deparei com uma tampa de bueiro, marcada com o número 139. Nesse momento, passaram-me diversas coisas pela cabeça: “Teria eu descoberto que minha mãe participava de uma facção? E se isso tenha causado sua morte?” Só havia uma maneira de descobrir. 

Com uma ferramenta tirada do porta-malas do carro, consegui levantar a tampa, e logo abaixo havia uma escada que levava ao fundo do esgoto obviamente. Nesse momento, parei um instante e pensei: “O que eu estou fazendo? Abrindo um bueiro para tentar justificar a morte de minha mãe? Ela está morta”.  

Quando ia colocar a tampa de volta, percebi que no outro lado dela havia escrito uma coisa: “Câmera Indiscreta”. Eu já havia lido aquilo em algum lugar quando pequena. Nesse mesmo instante, lembrei-me. É o título de uma poesia, feita por Ademir Assunção e Madan, e que minha mãe adorava ler em momentos difíceis. 

Parei para lembrar os trechos da poesia. Depois de repetir todos em voz alta, um me chamou atenção: “O olho que me olha, mas não lê”. Como eu poderia interligar isso à morte da minha mãe e a um bueiro? Sem respostas decidi, depois de me encorajar muito, descer as escadas do esgoto.  

Ao descer toda escada, percebi que ali a água passava cristalina. Como isso é possível? Afinal, é um esgoto, certo? Olhando mais a fundo por esse corredor de água, percebi que havia uma espécie de mini porta. Ao abri-la, achei um caixa à prova d’água, claro, e ao abrir havia uma carta escrita:  

 

Querida Clara, se você está lendo isso provavelmente eu devo estar morta. Mas enquanto lê isso se pergunta, por que fiz tudo isso apenas para te entregar apenas uma carta? Bom o que mais importa não é a carta e sim o caminho que você fez para chegar aqui. Não chore minha morte, a vida é muito curta para isso. Viva a vida da melhor maneira possível, não se lamentando. Espero te ver novamente, seja onde eu estiver. 

Ass: Sua mãe” 

 

Ao ler isso, desabei-me de chorar, mas não eram lágrimas de tristeza. Ao reler a carta novamente, com mais atenção, percebi que ela começou a carta com “Querida Clara”, mas eu não me chamo Clara. 

 

Obs: A poesia existe mesmo, se quiser procurar. 

 

João Ruffino dos Santos – 1º MA

 

Era final de maio, e eu recebi outra das “correspondências misteriosas”. Duas no mesmo mês era uma novidade, então comecei a me perguntar se tudo aquilo era mesmo apenas um engano. Eram coisas muito improváveis acontecendo, afinal. “Por que eu não parei para pensar tudo isso antes?” É a pergunta que mais me faço. Todas essas correspondências realmente me deixaram um pouco incomodada, mas achei que era apenas um erro do serviço de entregas. Acontece sempre, né? E aquilo que pintaram no teto da minha da minha cozinha, deve ter sido apenas um dos meus amigos tentando me assustar.  

O que me fez realmente ficar intrigada não foi apenas ter recebido o cartão de dia das mães, novamente, quando já haviam me dito que tudo foi regularizado, mas também o fato de ter, mais uma vez, uma caixa de bombons alegando ser uma evidência para um caso judicial, pois 1- isso poderia realmente me envolver em problemas e 2- foram duas entregas no mesmo mês, o que nunca havia acontecido.  

Fico horas pensando nisso enquanto ouço minha playlist “bad vibes” e tomo uma taça de um vinho barato que comprei na vendinha em frente à minha casa. Eu poderia acionar a polícia. E se for um assassino em série? Existem tantas histórias como essa por aí. Mas não faz sentido. Já tem quase um ano que recebo todas essas coisas e acredito que um assassino já teria tido oportunidades suficientes para me matar. Descarto a hipótese. Talvez eu devesse falar com o serviço de entregas da minha cidade, fazer uma reclamação. Mas aí eles poderiam envolver a polícia, o que talvez não seja bom. Seria muito estranho chegar e dizer que venho recebendo cartões de dia das mães e de natal com selos do Polo Norte e a, olha só, está assinado com uma letra N possivelmente de Papai Noel! Eles me achariam louca e talvez eu acabasse em um hospício.  

Mas talvez eu esteja mesmo louca, né? Quer dizer, eu SEI que eu não tenho um filho nem nada, mas e se eu tiver me esquecido? É possível ter Alzheimer com 32 anos? Ok, talvez essas sejam ideias um pouco absurdas. Decido parar de beber e ir dormir um pouco.  

Algumas semanas se passam então, e esqueço um pouco o assunto. Mas aí, no último dia de maio, recebo uma terceira encomenda. Três em um mês. Dessa vez recebo o clássico “Crime e castigo” em uma versão muito bonita para colecionadores. Isso está realmente ficando estranho e penso que tenho que resolver logo isso tudo.  

Sou uma pessoa muito organizada e sinto que funciono melhor com uma lista. Então resolvo anotar as possibilidades e escrevo qualquer coisa que venha na minha cabeça, o que para falar a verdade, nem é tanto.  

Primeiro anoto que poderia ser um assassino em série. É a que menos faz sentido para mim, mas anoto mesmo assim. Um possível admirador secreto? Também não faz sentido, pois que admirador secreto me enviaria um cartão de dia das mães, sendo que eu não tenho um filho? Anoto também “possível erro do serviço de entregas” e acho que é uma das opções mais plausíveis.  

É então que tenho uma grande ideia: e se eu instalasse câmeras pela casa? Decido que é o que vou fazer. Ligo para diversas empresas de monitoramento e como isso é caro! Opto pela opção mais em conta, o que na verdade nem é tão em conta, e em menos de dois dias eles vêm fazer a instalação. Ensinam-me como posso acessar as câmeras em meu computador e assino uns documentos. Acho que finalmente vou descobrir quem anda fazendo isso comigo.  

No dia 3 de junho, recebo uma nova encomenda: uma caixa com paçocas. Nem penso muito nisso e já vou logo ligando meu computador para olhar as câmeras. Finalmente isso vai acabar!  

Assim que acesso a noite anterior levo um choque. Sou eu entregando as paçocas? Não faz sentido. Será que sou sonâmbula? Talvez uma irmã gêmea ou uma sósia? Procuro em outros dias para ver se me acho andando por aí em mais alguma ocasião, porém nada. Só no dia da encomenda. Acho que estou ficando louca.  

Decido consultar um amigo meu que é médico especialista do sono, porque, agora, estou realmente assustada, e depois de algumas consultas ele me diz que não acha que eu seja louca, o que sinceramente, é um alívio. Ele diz que episódios de sonambulismo são comuns, principalmente na minha idade, quando as pessoas passam pela “crise dos 30”. Ele me recomenda alguns remédios para dormir e diz para explorar melhor as encomendas e tentar entender o significado delas. Ele cita por exemplo o cartão de dia das mães:  

-Essa pode ser uma maneira do seu subconsciente lidar com a vontade de ter filhos. Você deseja ter filhos?  

Respondo que não sei, o que é verdade.  

Depois de algumas semanas usando o medicamento, não recebo nenhuma correspondência mais. Pensar que era tudo tão simples e eu achando que poderia ser um assassino em série. Preciso parar de assistir a tantos filmes de suspense.  

 

 

Giovanna Santiago Siqueira – 1º MA 

 

Costumes 

 

No teatro, quando os atores saem, sempre deixam uma cadeira no centro do palco e uma luz ligada. Há pessoas que dizem que é para mostrar que os atores voltarão, mas Janny, minha amiga, dizia que era para que os espíritos não se esquecessem dos atores durante a apresentação. Entretanto, Janny sempre me alertou, dizendo que, às vezes, esses costumes vão longe demais. 

Conhecia Janny fazia muito tempo, aliás foi por ela que entrei no teatro. Víamo-nos duas vezes por ano, quando ela apresentava no Global Theatre, na verdade, ela só apresentava duas vezes por ano, sempre em maio (para falar a verdade, não sei o motivo) e o elenco era praticamente igual, porém sempre trocavam um ou outro.  

Ano passado, fui assistir a “Um Sonho de Uma Noite de Verão” com Janny Jells no elenco. Foi incrível!  

Após a belíssima apresentação, decidi tomar um café naquela cafeteria próxima ao teatro. O café estava ótimo por sinal, mas o fato não está aí e sim no aconteceu enquanto bebia o café.  

Estava sentado sozinho na mesa, porém havia uma cadeira vazia, foi aí que um homem com uma cabeça de jumento sentou-se a meu lado, teria ele saído da peça de Janny? Sim, definitivamente sim, mas o que ele fazia aqui?!?? 

- VOCÊ PRECISA FAZER ALGO - gritou o sujeito - não pode deixar que aconteça. A associação escolheu ela. - ele colocou uma chave sobre a mesa - Próxima apresentação e chegue cedo.  

O homem não me deu tempo para perguntasse, o que me restava fazer era comparecer à próxima apresentação com antecedência.  

◉◉◉ 

No dia da apresentação, descobri que aquela chave abria o camarim do Global Theatre, sempre quis entrar ali, mas não imaginava que a decoração fosse tão medonha. Havia velas acesas e panos vermelhos em toda parte, ao centro via uma mesa com um recipiente (que abrigava um líquido também vermelho) e uma punhal. Achei um pouco cafona, faltava realidade, porém as vozes eram bem realistas.  

 

Não houve apresentação naquele dia, não sei o motivo. Na verdade, tirando o fato do camarim, nada havia acontecido naquele dia, era um dia vazio. 

Nunca mais vi Janny, mas ela me mandava cartas, apesar de não reconhecer suas palavras.  

No ano seguinte, fui assistir a “O Rei Leão” com o elenco que Janny costumava se apresentar, mas desta vez não vi Janny. 

 

Gabriel Pinheiro - 1º MA 

 

A Separação da Fúria e da Compaixão 

 

Eu repugnava os leões, pois eles haviam matado uma grande parte do meu povo, invadiram nossa aldeia e nos atacaram. Apenas um quarto da nossa aldeia sobreviveu a esse ataque, mas, o pior disso, é que eles apenas mataram por matar... eu vi a sede de sangue no olhar de um desses leões, o qual tinha uma peculiaridade, possuía patas pretas, quando matava a minha irmãzinha, entretanto, eu era muito novo, não teria como defendê-la... Desde esse dia, não conseguia dormir sem pensar no ataque sofrido e nas vidas perdidas. Então jurei encontrar esse leão, o qual nomeei de Vórtex, e matar sua descendência... 

Certo dia, no mês de maio, enquanto eu estava caçando impalas para alimentar o meu povo, avisto ao longe um clã de hienas seguindo em direção a uma leoa e aos seus filhotes, os quais logo percebi que eram, não só filhotes dessa leoa, mas também de Vórtex, pois vi a mesma peculiaridade que o infeliz leão que matou minha irmãzinha possuía. Por mais que eu repugnasse os leões, e principalmente essa descendência, não podia deixá-los lá para morrerem, pois eram inocentes e não iguais à Vórtex. Então, enquanto eu pensava em como salvá-los, as hienas se aproximaram mais e começaram a atacá-los.  

 A leoa estava protegendo com garras e dentes os seus filhotes, pois não aguentaria mais por tanto tempo, então foi aí que entrei em cena, atirei flechas em direções diferentes com minha besta, amarrei uma corda entre elas e pus fogo, a fim de fazer uma barreira para impedir que as hienas viessem me atacar, com minha besta atiro novamente, para proteger a leoa e os amparados, afastando as hienas deles, o que incrivelmente estava funcionando, mas isso não era o bastante, então, as próximas flechas que atirei foram flechas flamejantes, isso sim fez com que as hienas fugissem em debandada.  

Quando elas já estavam longe, me aproximei da leoa e dos filhotes com cautela, e verifiquei se estavam machucados, mas, infelizmente, a leoa estava muito ferida, e acabou morrendo, deixando os seus filhotes sozinhos no mundo. Eu não podia deixá-los ali abandonados e desprotegidos, aliás, as hienas poderiam voltar ou, até mesmo, outros animais poderiam matá-los. Peguei-os em meus braços e percebi naquele exato momento que aqueles filhotes eram inofensivos e estavam amedrontados, incapazes de me atacar e que os leões não eram apenas assassinos e sim que lutavam para sobreviver e protegerem a sua família. 

Depois que eu os salvei, levei-os para um abrigo de animais selvagens, onde irão cuidar deles, e, quando eles atingirem a maioridade serão, novamente, reintroduzidos à natureza junto aos outros de sua espécie.  

Volto para a aldeia e com satisfação do dever cumprido e das vidas salvas, consigo finalmente dormir em paz.   

  

Arthur Campos Ribeiro Ferrão Videira - 1º MA 

 

 

 

 

 

 

 

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