Contos de Março

 

Bolhas de Holanda

 

Fred morava em bolhas de Holanda, um lar onde ele se sentia acolhido, mas não compreendido, teve de sair pois o calor de março a fez estourar, lhe proporcionando um mundo inteiro para explorar, mas, sem lugar, talvez em uma dobradiça de um quadro cujo artista morrera de desgosto. 

Durante sua longa jornada se apaixonou por um pedaço de madeira, do qual poderia esculpir o que quisesse, um amigo, ou um galho para se coçar(...), mas como era solitário, decidiu fazer um amigo, e mesmo a sua imagem reduzida não tendo expressão, via-o como um grande poeta sonhador e do qual mataria e morreria por ele, pois seu fiel amigo era o único pedaço de madeira que o entendia, e nessa estranha parceria encontrou o lar que tanto procurava. 

Carolina Dutra Moreira - 1º DS 

Meados de Março de 2020 

 

A Jornada que Nunca Acabava 

 

Parecia que a jornada estava chegando ao seu fim, mas não era bem assim. Agora com idade avançada, o velho marujo olhava para o mar enquanto gotas salgadas respingavam em sua pele enrugada e o fazia relembrar de suas histórias inesquecíveis enquanto velejava em alto mar.  

Um pequeno menino que havia nascido no oceano tinha virado um grande adulto onde o brilho do olhar por querer “mais” era como o raiar do Sol, seus olhos verdes escuros como a cor da água salgada e a valentia de um tubarão em caça. Era lá que teria passado os melhores anos de sua vida, mas para tal, decisões foram tomadas e como tudo tem seu preço um dia ele teria que pagar. Sua vida era complicada e como vivia do roubo, para uma vida boa era preciso de muitas pessoas furiosas. Ele não sentia nada por ninguém, tanto afeto, quanto ódio, mas dessa vez foi diferente, foi quando ele avistou uma mulher com cabeleira ruiva como o pôr do sol e olhos azuis como o céu, cujo ar era seco e frio devido o outono.  

Estava decidido em conquistar aquela mulher e assim o fez, viveram anos juntos, se tornando um casal conhecido aos redores, até que decidiram ter uma continuação para a família. O marujo dizia que seu passado não era o dos melhores e que já havia passado maus momentos, mas isso não os impediu de terem o próprio filho. O marinheiro, antes de conhecer a amada, havia participado de um saque juntamente com sua tripulação e desde então tem sido perseguido. Corajoso como sempre não optou em contar nem se quer uma palavra para a pobre donzela.  

O marinheiro passava noite olhando para o céu tentando prestar atenção no vazio das estrelas para procurar uma solução onde ele sua família saia sem ser afetados e ninguém seria pego pela insistente lei que o perseguia. Os dias e as noites foram passando lentamente como as ondas que batiam no casco do navio, porém os pensamentos do condenado eram turbulentos como uma tempestade. Uma hora ele conseguiu imaginar sua família livre e unida e sem nem hesitar foi executá-lo. 

Ele finalmente achava que toda essa bagunça enfim iria acabar, mas enquanto ia para o lugar que tinha imaginado, parou para refletir por alguns instantes e olhando para o nascer do sol percebeu que a razão de todos  problemas era ele mesmo, e que com ele por perto sempre sua família sempre correria um risco, então ao lado de sua companheira ele deixou uma carta explicando toda a história e um pedido de perdão. Pegou o barco reserva e partiu para o continente enquanto o sol nascia e tudo era calma. 

Ele pensava que iria conseguir ficar com seu bebê e sua amada, o marujo que até então vivia uma vida boa teve que pagar o preço de suas ações. Parecia que a jornada estava chegando ao seu fim, mas não foi bem assim. Sabe-se muito pouco aonde ele teria ido mas com certeza sobreviveria para contar essa história. 

 

Henrique Guimarães Cabral 1º - ADM 

 

 

O poço

 

No começo do ano, em janeiro, decidi finalmente comprar minha casa própria, a grana estava curta e estava difícil achar empregos mas é bom sair do seu ninho depois de muito tempo embaixo das asas de sua mãe, de qualquer jeito ela me expulsar de casa era uma questão de tempo, afinal um adulto como eu precisa ficar independente algum dia. 

 

Chegando fevereiro aconteceu algo inusitado, já tinha guardado algum dinheiro para a casa, claro, mas eu nunca pensei que ia realmente comprar uma casa à vista com essa quantia, daria pra pagar no máximo 2 ou 3 meses de aluguel com ela seguindo o padrão da minha cidade, acho que eu dei sorte grande, mas lembrando agora a vendedora era um tanto estranha, ela era uma senhora, provavelmente tinha uns 70 anos, quando eu disse que estava interessado ela ficou estranhamente animada, exaltando e reafirmando o quanto estava contente, como se estivesse se livrando de um grande problema na vida dela. Com o preço sugerido por ela eu obviamente aceitei a oferta na hora, muito feliz. A senhora antes de partir disse algo peculiar “tome cuidado com o poço” o que ela quis dizer com isso? 

 

Em março, eu já estava me acomodando na casa, era bem melhor do que o preço sugeria, dois banheiros e três quartos, uma sala enorme, eu tinha de fato me dado muito bem. Na parte exterior da casa, pros fundos, parecia até que foi escondido, havia um porão, uma porta de madeira apodrecida que se dava para uma grande escadaria de concreto, tão extensa que era impossível ver o fundo, um som sinistro ecoava por lá, como o canto de uma baleia, sua grossa aura tenebrosa me impediu de checar mais afundo. Será que isso tem a ver com o tal poço que a senhora se referia? 

 

Em abril, eu decidi criar coragem e checar o tal do porão, chegando lá o som parecia mais alto e agressivo e o ar tenebroso se mantinha, tremendo, desci a extensa escadaria, realmente extensa, como se nunca fosse acabar. Cheguei no fundo e me deparei com uma área minúscula, toda escura com absolutamente nada dentro, apenas um poço. Me aproximando dele ele era bem longo, mas dessa vez o fundo era visível, e ele estava...seco. não havia nada lá embaixo, nem uma gota de água, mas estava bem claro que o som sinistro vinha de lá. Eu subi novamente as escadas assustado e confuso. O que seria aquilo? 

 

Em maio, eu desci novamente para o poço, eu não sei o que deu em mim mas eu acordei com a ideia de descer lá embaixo de novo, algo espontâneo, eu sabia que não tinha nada lá mas a minha mente não parava de pensar no poço, e não era só curiosidade, eu juro que era como se eu involuntariamente estivesse dirigindo para lá. Descendo a escadaria ela parecia ainda mais 

 

Felipe Marques Leite – 1º ADM

 

Transcendi ao império 

 

 

Por volta de 1950, minhas bisa e avó (Izabel e Judith) fundaram a grife AURA PARIS, inicialmente, fabricavam vestidos e chalés femininos. 

Seguindo o dom familiar, minha mãe (Nicolle) se mostrou um prodígio na área, modelando aos cinco anos de idade e exibindo um vasto conhecimento na arte da confecção de peças desde a infância. Na fase adulta, foi a responsável por expandir o eixo do empreendimento, incluindo as seções de luvas, chapéus e roupas sociais que se destacavam por seus tecidos e cores singulares além de tornar a grife AURA a mais popular de Paris. 

A pessoa que mais amei, faleceu em junho de 1978, quando eu tinha quatro anos de idade devido ao câncer de mama... Desde então, sou crida pela minha avó Judith, que, assim como eu, sente uma esmagadora saudade da mamãe. 

Atualmente, moro numa mansão clássica na cidade do romance, a mesma contém 27 cômodos, um vasto pátio, fonte, cavalos e muitos outros artefatos luxuosos. 

Desde pequena, vovó financia para mim, professores particulares de conhecimentos básicos, administração e moda, além de oficinas semanais de história fashion, modelagem, estilos, acessórios, estampas, caimento e costura, para que eu esteja preparada para assumir sua sucessão com a excelência de minha mãe. 

TUDO PERFEITO, NÃO? 

Até eu contar a ela que sonho em ser atriz e aos 18 anos fui admitida na Universidade Paris 8, para o curso de teatro. 

A reação ao descobrir que eu não almejava chefiar o    império familiar foi desde me proibir de frequentar as aulas e sair da propriedade, contratar dois seguranças para me vigiar até dizer que eu envergonho o legado da minha mãe. 

... 

A faculdade considerava abandono se o aluno faltasse nos quatro primeiros dias, e a minha contagem estava em 3, quando decidi deixar de me ausentar. 

Na manhã do dia seguinte, o plano começou a ocorrer, contei aos guardas que iria visitar o túmulo de minha mãe e os mesmos insistiram para me levar. 

Ao chegar no cemitério, pedi privacidade, pois era um momento íntimo e afirmei que poderiam vigiar a saída. Lá dentro, a “princesa da moda”, que inicialmente trajava um vestido galante azul claro, acessórios e chapéu saiu com um look de astro do rock que incluía camiseta de banda, calça preta, peruca loira e, para finalizar, comprei a bolsa para violão do musicista que tocava no velório. 

Com tal disfarce, caminhei até a faculdade e tive a majestosa experiência do primeiro dia na universidade, meus colegas de classe me reconheceram de propagandas ou revistas e Jhulia me alugou um cômodo provisório em sua casa em troca do vestido azul e poucas joias. 

Mandei notícias de que estava bem além de realizada e a vovó acabou me deserdando. Entretanto, não impediu que frequentasse as aulas, motivada pelo receio do meu desaparecimento definitivo somado com a intensão de não alarmar o ocorrido nas mídias. 

... 

Estou no cinema, vestido um conjunto convencional 100% algodão, assistindo ao meu primeiro filme, na singela e inestimável companhia de minha filha Heloise e da vovó, que me perdoou quando dei a notícia da gravidez. 

Então vovó diz: 

__ Estou muito orgulhosa de sua arte minha neta, jamais cometa o erro de tentar moldar sua filha aos teus anseios. 

 

Leticia Lopes Gonçalves – 1º MA

 

A borracha de papel 

 
          Numa manhã qualquer um garoto estava entediado e precisava de uma borracha, então com a sua criatividade criou uma borracha feita de papel, mesmo sendo uma péssima borracha, o menino achava o máximo. No aniversário da criança, ela pediu que a sua adorada borracha ganhasse vida. 
          Um dia após do aniversário do jovenzinho, a borracha havia sumido, e o pequeno rapaz estava desesperado, até pediu ajuda aos pais para achar a ferramenta de apagar grafites, após o longo desespero do garotinho e a desistência dos pais, a borracha apareceu, o menino ficou feliz, mas depois estranhou, ele não havia desenhado nada antes de fazer a borracha, entretanto a borracha sorria. 
          O pequeno estudante ficou animado, pois seu desejo foi realizado e sua borracha agora interagia, todavia em um dia de prova ele precisava apagar o que havia escrito errado, e quando foi apagar com a borracha encantada, viu a expressão de dor da borracha, então percebeu que a borracha de papel não conseguia falar. 
          Depois de um mês de provas, a borracha estava aos pedaços, pois o garoto não queria trocar de borracha e ignorava a dor silenciosa do objeto. Com o pesar na consciência o menininho decide que não aguenta mais ver a ferramenta sofrer, por isso resolveu jogar a borracha no lago. Afinal era só um pedaço de papel.  

 

Caio Ryuichi Kamimura – 1º MA

 

 

Menina Turbilhão 

 

Março. O mês em que o carnaval finalmente terminara. Agora no lugar de glitter e sombras coloridas há lágrimas. Não há mais música nem confete, somente esse barulho incessável dentro de minha mente. Também não há mais folia, no momento as ruas se encontram desertas. Março. O mês em que o carnaval terminara e em que a quarentena começara.  

 

Sem mais desfiles nem blocos, me encontro nesse quarto. Sozinha. Acompanhada apenas de meus pensamentos. De meus muitos pensamentos. Algumas pessoas provavelmente não seriam capazes de acompanhá-los pois, além da grande quantia, eles são caóticos. Desordenados. Tais quais essa cidade em “dias normais”. Mas a verdade é que não sei se posso reclamar. Sinto que não poderia ser diferente. Ainda mais se tratando de turbilhão em forma de gente. 

 

Só que, por sorte, ou talvez obra de algo superior, existe um momento em que meus pensamentos parecem se alinhar. Quando estou exatamente assim. “Exatamente assim como?” você deve se perguntar. Assim, tecendo palavra por palavra, que, aos poucos vai formando uma bela e extensa teia. Uma bela, extensa e resistente teia. 

 

Se Antes tudo era barulho, agora posso finalmente experimentar o silêncio. Mesmo não sabendo se sou capaz de lidar com ele. Ou você esqueceu que sou menina turbilhão?  

 

Ana Luíza Kokado de Oliveira - 1° MA 

 

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